<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331</id><updated>2012-02-17T09:55:07.197-08:00</updated><title type='text'>Marginal conservador</title><subtitle type='html'>Comunicação, cultura e outros toques</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>79</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5106274039711215253</id><published>2012-02-11T14:27:00.005-08:00</published><updated>2012-02-17T09:55:07.208-08:00</updated><title type='text'>Quem deveria ganhar o "oscar canino"?</title><content type='html'>&lt;div&gt;Um dos maiores prazeres de assistir ao filme "O artista", candidatíssimo ao oscar de melhor filme de 2012, está em acompanhar a atuação do melhor amigo do protagonista, um cãozinho da raça jack russel terrier chamado Uggie, que dá uma verdadeiro banho em cena. Uggie é tão bom que consegue dançar, se envergonhar, fingir de morto e até salvar a vida de seu dono nesta deliciosa obra muda que homenageia a era clássica do cinema em Hollywood. Leio no site do &lt;a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/cao-uggie-de-o-artista-estara-fora-da-cerimonia-do-oscar.html"&gt;G1&lt;/a&gt; que o cão acaba de ganhar um prêmio nos Estados Unidos, o Golden Collar Award (algo como "coleira de ouro"), desbancando outro cão em destaque nos filmes do Oscar, o doberman Blackie, do filme "A invenção de Hugo Cabret". Uggie também ganhou prêmios na Europa, entre os quais uma "palma de ouro canina", dos franceses, deliciados com sua performance.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RBM2ILNbKjk/Tz6MIrZUovI/AAAAAAAAAE0/c1Ga9yQQNgM/s1600/imagesCAKLFCVO.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 243px; DISPLAY: block; HEIGHT: 208px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5710155458268144370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-RBM2ILNbKjk/Tz6MIrZUovI/AAAAAAAAAE0/c1Ga9yQQNgM/s400/imagesCAKLFCVO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Infelizmente Uggie não foi convidado a participar da cerimônia do Oscar 2012. Uma pena. Havia rumores de que o apresentador Billy Cristal e Uggie estariam até preparando um número em conjunto para a cerimônia, mas a academia nega. Pior para a academia: no Globo de Ouro, premiação na qual "O artista" saiu como grande vencedor, Uggie estava lá, no colo do ator e protagonista Jean Dujardin, "agradecendo" os prêmios recebidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tirando o doberman Blackie do filme de Scorcese, o qual ainda não vi, penso que o único cão que poderia competir com Uggie seria Milu, o mascote de Tintim, do filme de Spielberg. A diferença óbvia é que Milu não existe de fato - é uma criação digitalizada,dentro da técnica impressionante da equipe do filme, que faz os seres de animação parecerem reais. O cão de Milu, assim como Uggie, também é bastante inteligente e tem papel importante em todas as histórias de Tintim. Sendo que nos quadrinhos da série, que devorei avidamente na minha infância, Milu também pensava e ajudava o repórter detetive a sair de várias enrascadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Milu ou Uggie? Apesar de ser fã de Tintim, de ter gostado muito do filme (meu filho já me perguntou pra quando é o "Tintim 2"), fico com Uggie. Nada contra a tecnologia, mas só de saber que Uggie é real, e que suas peripécias não foram obra de homens por trás de computadores e pranchetas, mas sim de muito empenho de seu treinador, escolho o astro canino de "O artista". Não ha ali bichos recriados digitalmente, como no recente "O planeta dos macacos" ou "O zelador animal" - tão bem feitos e manipulados que impressionam. Há, na verdade, uma atuação comovente do cãozinho e que realça o tom singelo do belo filme francês. É um animal de carne e osso, assim como aqueles que atuam em "Cavalo de Guerra", também em Spielberg, que ao contrário do que fez em "Tintim, preferiu usar cavalos de verdade no filme (li em uma entrevista que em apenas duas cenas o diretor recorreu à tecnologia digital). "São grandes atores", disse. É verdade - a cena em que os dois lados em conflito na guerra fazem uma trégua para juntos salvarem o pobre cavalo preso num emaranhado de arames farpados é uma das mais belas do cinema recente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por aqui, vou ficar na expectativa de muitos prêmios para "O artista" na festa do Oscar. E que de repente a academia volte atrás da decisão e faça como palma e o globo de ouro, liberando a entrada de Uggie na cerimônia. Nem que seja apenas para fazer xixi no terno de Billy Cristal...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5106274039711215253?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5106274039711215253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5106274039711215253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5106274039711215253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5106274039711215253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/02/quem-deveria-ganhar-o-oscar-canino.html' title='Quem deveria ganhar o &quot;oscar canino&quot;?'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RBM2ILNbKjk/Tz6MIrZUovI/AAAAAAAAAE0/c1Ga9yQQNgM/s72-c/imagesCAKLFCVO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-45250284921886122</id><published>2012-02-02T14:43:00.000-08:00</published><updated>2012-02-03T11:31:37.614-08:00</updated><title type='text'>Da série lides imperdíveis - o perfil de Maria Prestes</title><content type='html'>&lt;div&gt;Gay Talese já dizia que o jornalismo é a "arte de sujar os sapatos". Ou seja, sair das redações e bater perna nas ruas ao encontro de alguma boa história, ou de algum personagem interessante para descrever. Uma reportagem poderá render bem mais quando o jornalista é testemunha ocular: quando ele pode descrever o local de forma atraente para a narrativa e para o leitor. À maneira de um autor de romances, um bom jornalista sabe descrever o cenário, as luzes, objetos e o local do acontecimento de modo a enriquecer seu texto com pequenos detallhes os quais, se bem colocados, fazem toda diferença. Da mesma forma é a entrevista. Pergunte a algum repórter experimentado e ele dirá que o contato pessoal é a melhor forma de realizar um perfil do seu entrevistado. Bem melhor do que a entrevista por telefone, marcado pela impessoalidade, o contato pessoal dá a chance ao jornalista de não só ganhar a confiança do entrevistado, como também usar a observação e a memória para descrever o cenário a sua volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Voltando à série "lides imperdíveis", com grandes começos de reportagens, darei como exemplo a reportagem "Retrato de família", realizada pelo jornalista Chico Otávio para a Revista do Globo, matéria de capa do dia 15 de janeiro de 2012. O jornalista começa seu texto com uma descrição detalhada de objetos da casa da viúva do ex-lider comunista Luiz Carlos Prestes. Ao longo da leitura, o leitor vai assimilando traços peculiares do cotidiano e da personalidade daquela mulher que fora casada com um dos mais conhecidos políticos brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O "gancho" da matéria, ou seja, o motivo da reportagem, havia sido a repercussão de cartas, fotos e outros documentos familiares de Prestes que mostravam não o líder comunista, com aquela imagem que ainda é forte para muita gente, a do homem com tempo apenas para luta políticas. Em sua maioria, são fotos simples e banais, como  aquela que acabou sendo capa da Revista de História, com Prestes na praia, de sunga e tomando sol, e que acabou atiçando a ira da filha mais famosa do líder comunista, Anita Leocádia, filha de Prests com Olga Benário, ardorosa defensora da imagem do pai e que, segundo a matéria, nem fala com a "imprensa burguesa".  &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois foi esta mesma imprensa burguesa que, num perfil excelente, conseguiu levar ao leitor estes conflitos familiares, descobrindo uma personagem que nunca frequentou manchetes, mas rica em sua humanidade. Uma leitura que vale a pena e, por isso mesmo, não poderia faltar nesta série.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Na sala repleta de fotos do Velho e de foices e martelos estampados em objetos da antiga União Soviética, que fazem do ambiente um santuário comunista, Maria do Carmo Ribeiro Prestes expõe um ateísmo convicto:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Religião é apenas uma hipótese. Só hipótese.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Um olhar mais atento, porém, descobre entre matrioskas, cálices de vodca, pinturas russas e outras recordações, guardadas no apartamento da Gávea, uma pequena imagem de Nossa Senhora. Intrigado, o visitante cobra explicações.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;- Ah, ganhei e deixei aí - sorri a anfitriã.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Mãe de sete dos oito filhos de Luiz Carlos Prestes, com quem foi casada por 38 anos, Maria nunca deixou de zelar pelas memórias e pelas crenças do marido. Mas a vida difícil, marcada por perseguições, clandestinidade e exílio, foi incapaz de endurecer o seu discurso ou turvar o seu humor. A matriarca, aos 81 anos, preserva a mesma generosidade com que, na gélida Moscou dos anos 1970, abria as portas de casa aos exilados atraídos pelo aroma brasileiríssimo de uma improvável feijoada. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Na defesa do legado de Prestes, Maria criou um estilo. Não é solene, não prega a ortodoxia. Partiu dela a revelação das recordações mais íntimas do Cavaleiro da Esperança que vieram a público este mês, com a doação de cartas, documentos e fotografias familiares de Prestes ao Arquivo Nacional, na contramão  da ideia de que o legendário líder comunista só tinha tempo para as lutas contra as oligarquias e o capitalismo. &lt;/em&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-45250284921886122?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/45250284921886122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=45250284921886122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/45250284921886122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/45250284921886122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/02/da-serie-lides-imperdiveis-o-perfil-de.html' title='Da série lides imperdíveis - o perfil de Maria Prestes'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1400573868654337426</id><published>2012-01-27T07:21:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T06:48:28.701-08:00</updated><title type='text'>Ilha Grande - beleza em estado puro*</title><content type='html'>A primeira vez em que ouvi falar da Ilha Grande havia sido a respeito do famoso presídio que por décadas funcionou ali, e que se tornara conhecido por abrigar figuras do porte de Graciliano Ramos (que, preso pelo Estado Novo de Vargas, escreveria então seu "Memórias do Cárcere"). Uma outra lembrança era audiovisual: lembro de, ainda moleque, assistir na televisão à série "Bandidos da Falange", na qual o presídio também servira como locação. Para mim, em minha memórias imaginárias, a Ilha Grande era um belo local de natureza selvagem, onde criminosos eram levados e trancafiados, tal como outras ilhas famosas que continham presídios, como Alcatraz e a ilha de Papillon, só pra citar duas que viraram filmes. Antes de conhecermos, estarmos lá, cada local é aquilo que imaginamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 283px; DISPLAY: block; HEIGHT: 211px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703060282625382706" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-dQ1VBDUE9zw/TyVXHGaGWTI/AAAAAAAAAEo/UfkpsyPErrs/s400/Ilha%2BGrande.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso mudou recentemente, quando pela primeira vez pisei de verdade na maior das ilhas do litoral de Angra dos Reis. De repente, me dei conta de que deveria mudar radicalmente meu conceito. Estava fazendo um lanche numa creperia, à noite, e, afora eu e Ana, todos, ou quase todas as outras pessoas presentes, incluindo as garçonetes, eram estrangeiras. Sinal dos tempos: do antigo presídio, só restam as ruínas e pouca gente se aventura a ir até lá. Hoje, a Ilha Grande é um belíssimo território a céu aberto, movimentado pela pesca e pelo turismo em grande escala, que atrai estrangeiros do mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela creperia, que me fez sentir com a estranha sensação de estrangeiro dentro de meu próprio país, eram evidentes e em profusão os sotaques em espanhol e italiano. Intrigada, Ana perguntou à dona da pousada em que estávamos como era o movimento no inverno. "Bastante cheio e com muitos turistas", respondeu, para nosso espanto. E quem vem?, perguntei. "Há de tudo. Há a temporada dos italianos, dos espanhóis, dos israelenses, dos ingleses. A Ilha recebe turistas o ano inteiro", ela disse, enquanto acarinhava o belo e dorminhoco cão de guarda da pousada, Cabrón - sim, até o cachorro tinha nome &lt;em&gt;gringo&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar à Ilha, há três alternativas: de barca, de saveiro ou catamarã. Pegamos a barca das 15h30 na correria, em Angra, após quase tê-la perdido - a pontualidade é uma qualidade dos serviços. Chegamos em torno das 17h à Vila do Abraão, sob um céu claro mas ainda com nuvens. Mal sabíamos que logo as nuvens se dissipariam e teríamos pela frente quatro dias de sol, sob uma temperatura deliciosa de verão carioca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixamos as malas na pousada e fomos caminhar. A Vila do Abraão - de longe a área mais populosa da Ilha Grande, e que concentra a maioria dos hotéis, pousadas e campings - à primeira vista, parece uma vila de pescadores tomada por turistas do mundo inteiro. Era 20 de janeiro. Entramos na bela igrejinha bem no centro da Vila, no meio da praça, e, para minha surpresa, estavam comemorando o dia de São Sebastião, com bandinha e missa montada num palanque do lado de fora. São Sebastião, além de padroeiro do Rio, também o é da Ilha Grande. Coincidência ou não, também moro perto de uma igreja de São Sebastião, no Rio, e a profusão de pessoas vestindo vermelho, a cor do santo, me lembrou das procissões no meu bairro das quais tantas vezes vi passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste dia ainda estive na Praia Preta e passeando por trilhas, quando fomos até às ruínas do aqueduto. A Ilha Grande é próspera em trilhas e recebe gente de todos os cantos dispostos a passar o dia caminhando e admirando a beleza natural da região. Caminhe pela Ilha e verás que vale a pena: uma hora, você se depara com uma ruína histórica, de alguma edificação dos tempos do Império; em outra, dá de cara com uma bela cachoeira, quando a tentação de largar tudo e entrar n'água é grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, mal sabia eu que o melhor estava por vir. E este melhor atendia por um nome: Lopes Mendes. A praia paradisíaca, já eleita uma das mais belas do Brasil, tem seu acesso de barco, mas apenas até certa parte, pois qualquer embarcação está proibida de atracar por lá. Depois, continuamos numa trilha de cerca de 20 minutos a pé, quando me deparei com uma praia belíssima, de águas cristalinas e visual de tirar o fôlego. Havíamos chegado. Mergulhei e nadei para longe da areia. Ao virar-me, deparei com a Mata Atlântica em todo o seu esplendor, sem nenhum sinal de carros, casas, avenidas, prédios ou viadutos. Não dava pra acreditar: era como se eu estivesse na ilha do seriado "Lost". Apenas a natureza plena, o que me fez sentir como se estivesse num local onde a civilização ainda não se atrevera a pôr os pés e a natureza reinasse absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, decidimos por um passeio de barco. Estivemos na Lagoa verde, Lagoa Azul, Praia dos Macacos e Praia da Feiticeira. Lugares belíssimos, onde o grande barato é o mergulho com &lt;em&gt;snorkel&lt;/em&gt;, onde dá pra se sentir no fundo do mar, nadando entre peixes coloridos e admirando o fundo, com toda aquela misteriosa profusão de pedras, conchas, vegetação e seus mistérios... Passamos o dia passeando de barco e mergulhando nas águas ora mornas, ora frias daquele litoral sem igual, com paradas para comer peixe na brasa, que era feito dentro do barco...Enfim, foram momentos em que tudo deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei quatro dias plenos na Ilha Grande. O resto da viagem foi de caminhadas, crepes, pizzas de tomate seco, cerveja, sucos naturais, sorvetes, cafés, passeios pelo pier, lojinhas, praia do abraãozinho (com novos sotaques estrangeiros) e uma sensação de que o paraíso não deve ser tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do antigo presídio, a única lembrança que vi por lá eu encontrei em duas fotos dentro de uma lojinha de lembranças na Vila do Abraão. Num belo álbum com imagens deslumbrantes da Ilha, havia ali uma foto antes e outra depois da implosão do local. Fotos que destoavam das outras, em sua grande maioria marcadas pela beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes de irmos embora, ao pararmos para uma cerveja num bar montado nas areias da praia do Abraãozinho, puxamos papo com nossa simpática garçonete. Não, ela não era estrangeira. Era de Petrópólis, contou. Em uma das idas à ilha, encontrara um francês, pelo qual se apaixonara e agora estava casada com ele. "Na alta temporada do verão, nem saio daqui. Depois, em abril, eu e meu marido vamos pra Europa, onde passamos nova temporada, até voltarmos novamente para a Ilha". Sobre empregos, a oferta é grande e atualmente um dos poucos problemas para turistas que se encantam pelo local e querem, digamos, prolongar todo aquele prazer de estar ali, é a falta de casas para alugar ou comprar. "Quem consegue, fica", ela dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não encontrei razões para discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Artigo inspirado no livro de viagens culturais de Ruy Castro e Heloisa Seixas, "Terramarear"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1400573868654337426?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1400573868654337426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1400573868654337426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1400573868654337426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1400573868654337426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/01/ilha-grande-beleza-em-estado-puro.html' title='Ilha Grande - beleza em estado puro*'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-dQ1VBDUE9zw/TyVXHGaGWTI/AAAAAAAAAEo/UfkpsyPErrs/s72-c/Ilha%2BGrande.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-203982100970920140</id><published>2012-01-19T14:05:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T05:04:16.877-08:00</updated><title type='text'>O bebê rasgando papel na propaganda do Itaú</title><content type='html'>A primeira vez que vi o comercial achei com pinta de videocassetada do Faustão. Depois, ouvindo a CBN, descobri que se trata de uma propaganda inspirada num viral do ano passado, cujo número de visualizações ultrapassou a marca de 34 milhões só em 2011. Espertamente, o banco utilizou recursos digitais para deixar a roupa do menino da cor laranja (cor-símbolo do Itaú) e também mexeu com efeitos de imagem no papel que o pai rasga, para deixá-lo com cara de extrato bancário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado: um viral ingênuo e inocente de um adorável garotinho na internet transformou-se em uma propaganda de banco que prega a "sustentabilidade". Tudo bem, afinal a regra hoje é pegar carona no discurso em prol do meio ambiente, mas não podemos esquecer que o interesse comercial, no caso, é bem maior. Pois ao pedir para os clientes que cancelem o recebimento de extratos pelos correios, o Itaú economizará uma grana milionária, como bem observou o &lt;a href="http://www.blogdojj.com.br/2012/01/16/viral-transformado-em-comercial/"&gt;blog do JJ&lt;/a&gt;, que, à respeito do anúncio, faz uma singela perguntinha: "ninguém fala em reduzir custos dos bancos para os clientes, fala?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos o vídeo original...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe height="315" src="http://www.youtube.com/embed/RP4abiHdQpc" frameborder="0" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, abaixo, o vídeo do Itaú:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/jwi4eQlPvU4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando às videocassetadas. É sabido que a produção do Domingão do Faustão e de congêneres que passam estes vídeos feitos pelo público pagam um valor determinado aos responsáveis pelo envio dos vídeos. Também há casos (muitos, desconfio)de pais e mães que planejam determinada "vídeocassetada" para ser mostrada na TV e conseguir uma grana, sem o menor constragimento. Sim, &lt;em&gt;people&lt;/em&gt;, não existe almoço grátis. Minha pergunta: será que a agência que criou o comercial do Itaú entrou em contato com a família do garotinho para pedir autorização, no intuito de transformar digitalmente a saudável brincadeira entre pai e filho em anúncio de banco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara que sim. Pois o que pode parecer excesso de zelo de minha parte ou de outros também pode ser já uma leitura influenciada pela iminência da votação da SOPA. Pra quem não sabe, a sigla (Stop Online Piracy Act) é uma lei &lt;a href="http://garotanerd.com.br/opiniao-sopa-pirataria-e-liberdades-individuais-na-web/"&gt;controversa &lt;/a&gt;proposta pelo governo dos Estados Unidos que propõe regular os direitos autorais na grande rede. Até aí tudo bem. Mas também propõe que qualquer provedor, site de busca ou rede social seja responsabilizado pelo conteúdo publicado pelos usuários caso este seja protegidos por direitos autorais. Ou seja, punir com a lei quando o usuário de uma rede social ou de um blog publica um vídeo musical ou trecho de um filme sem autorização, de uma forma "pirata". É aí que tudo se complica. Pois, o que é conteúdo "pirata" para alguns, pode ser difusão do conhecimento para outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto é muito sério e voltaremos a ele em outros posts. Por hora, só gostaria de fazer uma perguntinha ao Itaú: e então, vocês pagaram os devidos direitos de imagem à família do adorável garotinho rasgador de papel?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-203982100970920140?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/203982100970920140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=203982100970920140' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/203982100970920140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/203982100970920140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/01/o-bebe-rasgando-papel-na-propaganda-do.html' title='O bebê rasgando papel na propaganda do Itaú'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/RP4abiHdQpc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4812054969212725145</id><published>2012-01-12T15:29:00.000-08:00</published><updated>2012-01-19T14:03:23.962-08:00</updated><title type='text'>Afasta de mim esse celular! Como assistir ao show de Chico Buarque em meio a um mar de gadgets não-convidados</title><content type='html'>Sábado à noite. Pouco antes de começar o show de Chico Buarque, em temporada no Vivo Rio, as luzes se apagam e uma voz gravada anuncia breves informações sobre os patrocinadores, as próximas atrações etc. Pede também que os aparelhos celulares sejam desligados e deseja um bom show a todos. O segundo desejo foi atendido: Chico está num grande momento e o show é ótimo. Já o recado para desligar celulares, isso já é outra história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez em que notei que os telefones celulares tinham se tornado parte do ambiente em espetáculos foi em meados de 2003 ou 2004, em um show do Los Hermanos, naquela casa da Barra da Tijuca antes conhecida como Metropolitan. O show estava lotado e eu chegara tarde, ficando num lugar bem longe do palco. Em determinada canção, centenas de luzes começaram a piscar da plateia. Mostrei à minha companheira o fenômeno, mas ela se recusou a acreditar. "São isqueiros", disse. Não eram. Prestei mais atenção e então constatei: até os anos 1990, isqueiros se acendiam em determinados momentos de shows, em grande parte quando o artista ou a banda tocavam músicas românticas. Agora, no século XXI, havia poucos fumantes na plateia, e a tecnologia mudara o quadro. Vários jovens munidos de celulares que também tiravam fotos (última moda então) levantavam os aparelhos para tentar fotografar os artistas. Vistos de longe, a impressão que nos dava era a de que de fato havia um mar de isqueiros à frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarei aquilo como um sinal dos tempos. Não chegou a perturbar a fruição do show. Ontem, isqueiros; hoje, celulares. Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, semana passada, no show do Chico Buarque, o que pra mim era apenas uma curiosidade virou um tormento. Se por uma lado os celulares transformaram-se em mídias poderosas, verdadeiros computadores móveis para facilitar nossa vida, por outro fez surgir um tipo singular de indivíduo incapaz de concentrar-se num bom show de música se não estiver "interagindo" com seus seguidores em alguma rede social qualquer, postando fotos no facebook ou digitando no twitter para que todos saibam onde ele está. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestem muita atenção neste verbo: &lt;em&gt;interagir&lt;/em&gt;. Antigamente a única interação que havia num show de música era entre o artista e a plateia. Hoje, há cada vez mais indivíduos que não conseguem assistir a um show, ver um jogo de futebol, ou mesmo jantar num restaurante sem a ânsia patética de "registrar o momento" e "compartilhar" com seus seguidores nas redes sociais. Verdadeiros exibicionistas &lt;em&gt;high-tech&lt;/em&gt;, para estes indivíduos o termo privacidade é algo que também ficou preso em algum momento do século passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No show do Chico, dei o azar de sentar bem próximo a um destes neuróticos digitais. O sujeito ficou, pelo menos até o meio do show, tirando fotos do palco com seu smartphone último tipo. Não satisfeito, o camarada ainda escrevia alguma bobagem sobre o que registrara e ficava alguns momentos para decidir qual rede social e para quem mandar o que captara. Bem à minha frente. Que situação...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, hoje a mera foto não é suficiente. Não sou um radical e confesso que eu mesmo já tirei fotos com o aparelho celular em um ou outro show. Mas nada a ponto do que dá pra se ver hoje, quando a necessidade de registrar o momento é tão (ou mais) importante do que assistir ao show. Tem que ter o "recadinho" do neurótico para seus seguidores, para que eles sintam como ele é antenado e consegue compartilhar (de novo!, argh) seus momentos com todos. Tenho quase certeza de que o sujeito à minha frente não deve ter a mínima ideia de quais músicas foram tocadas enquanto ele se comprazia em compartilhar (desculpem, é a última vez que escrevo esta palavra) seus momentos.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o show. Apesar de tudo, do mar de &lt;em&gt;gadgets&lt;/em&gt; à frente, foi um bom show, apesar do som não tão bom como deveria, já que várias canções são intimistas e requerem silêncio e ótima acústica. Há várias músicas, como no disco, dedicadas à namorada, a tqmbém cantora Thaís Gullin, e como é bom ver Chico de bem com a vida e com sua ótima banda ao vivo! Entre os ótimos momentos, destaco o novo arranjo para "Geni e o Zepelin", da Ópera do Malandro, o bloco "feminino", de canções como "Ana de Amsterdan", "Terezinha" e "Sob medida" (que fez muitas mulheres na plateia perderem a linha...), a parceria no palco com o baterista e &lt;em&gt;crooner&lt;/em&gt; Wilson das Neves em "Sou eu" e "Tereza da praia". O bloco nordestino, com "Baioque" e "A violeira" também foi ótimo, além do final, com a já clássica "Sinhá" (de Chico com João Bosco, uma das melhores canções de 2011) e a delícia de poder cantar junto, no bis, a poesia de "Futuros amantes" e "Na carreira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que não faltou o momento surpresa, que é quando Chico resgata "Cálice", sua clássica canção com Gilberto Gil, com a nova versão feita pelo artista revelação de 2011, Criolo, a quem Chico saúda com um "evoé, jovem artista!". Trata-se de uma belo momento do velho artista consagrado saudando as novas gerações.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/GUpyIvhydLo" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;Chico homenageia Criolo em seu show. Este momento &lt;em&gt;não foi captado por celular&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, um belo momento de um show, como todos de Chico, emocionante, apesar da invasão dos smartphones exibicionistas. E confesso que, na saída, não pude deixar de, assim como Criolo, fazer minha própria nova versão para "Cálice": &lt;em&gt;Pai, afasta de mim esse celular!   &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4812054969212725145?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4812054969212725145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4812054969212725145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4812054969212725145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4812054969212725145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/01/afasta-de-mim-esse-celular-como.html' title='Afasta de mim esse celular! Como assistir ao show de Chico Buarque em meio a um mar de gadgets não-convidados'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/GUpyIvhydLo/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5671711580351500042</id><published>2012-01-08T16:08:00.000-08:00</published><updated>2012-01-09T07:35:10.845-08:00</updated><title type='text'>"História do futebol carioca" - golaço da Globo</title><content type='html'>Ouvi dizer que há um movimento no Rio de Janeiro para que haja alguma alteração na tabela da Copa do Mundo com relação às partidas do Brasil. Como se sabe, a seleção brasileira só jogará no Maracanã (ou seja, no Rio) se nosso time conseguir chegar à final. Bem, levando em consideração que no último ranking da FIFA a seleção brasileira não ficou nem entre as cinco melhores; e com este futebolzinho pífio que o time de Mano Menezes vem se apresentando, não é de se estranhar a cobrança... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma Copa do Mundo sem nenhum jogo da seleção no Maracanã. Sim, há ainda hoje uma grande mítica envolvendo o estádio já chamado "maior do mundo" (atualmente um enorme canteiro de obras que em nada lembra sua opulência de outrora). O Maraca foi palco de inúmeras histórias que até hoje são lembradas por fãs de futebol do Rio e de outros estados. O que poucos se lembram é que bem antes de sua construção, em 1950, o futebol carioca já rendera grandes "causos" que até hoje são lembrados. Alguns destes momentos puderam ser lembrados em uma série de pequenos filmes exibidos pela Globo na primeira semana do ano.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bela jogada, pois em janeiro, com os times em férias, repórteres esportivos têm que tirar leite de pedra para conseguir notícias relevantes. (Vejamos: nos últimos dias as "grandes manchetes" relacionadas ao futebol carioca foram a patética encrenca envolvendo Adriano e as periguetes na Barra da Tijuca e o vai-não-vai de Wagner Love para o Flamengo...). O Globo Esporte, então, brindou os espectadores fieis com a ótima série "História do Futebol Carioca". Não resisto ao trocadilho: a ideia é ótima e a série...um gol de placa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De terça à sábado, os pequenos filmes foram ao ar com com reportagens dramatizadas de histórias reais envolvendo os quatro grandes clubes cariocas: Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo e o...Mangueira (quem?) - time sem nenhuma relação com a famosa escola de samba, e que ficou marcado por tomar a maior goleada da história do futebol carioca: 24 a 0, para o Botafogo, em 1909. Há ainda episódios sobre o campeonato que o Vasco ganhou e ficou famoso por ser o primeiro grande clube a admitir negros como jogadores; o primeiro Fla X Flu da história (ganho pelo Fluminense), O título que deu ao Flamengo o campeonato carioca de 1944, com um gol do argentino Valido, contratado apenas para os jogos finais, que entrara em campo na finalíssima gripado e ainda assim fez o gol da vitória; além da irresistível história do folclórico e supersticioso presidente do Botafogo, Carlito Rocha, que "adotou" como mascote do clube o cãozinho vira-lata Biriba, após este ter invadido o campo de uma partida do Botafogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São histórias e deliciosas de uma era mais româtica do futebol carioca, filmadas dom brilho e com a narração do ator Paulo Goulart. Quem perdeu, e gosta de futebol, não deve deixar de conferir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/5TEtfpfW5Iw" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5671711580351500042?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5671711580351500042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5671711580351500042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5671711580351500042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5671711580351500042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2012/01/historia-do-futebol-carioca-golaco-da.html' title='&quot;História do futebol carioca&quot; - golaço da Globo'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/5TEtfpfW5Iw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-68508873395266505</id><published>2011-12-24T05:40:00.000-08:00</published><updated>2011-12-24T07:05:23.080-08:00</updated><title type='text'>Smile! É Natal</title><content type='html'>Finalmente, nos estertores de 2011, Marginal Conservador está de volta. Sei que para manter um blog hoje em dia deve-se seguir à risca uma das regras básicas para fisgar letores, que é mantê-lo sempre atualizado. Bem, um tanto por falta de tempo, e bastante por desorganização interna, deixei de postar artigos aqui pelo período de sete meses... Mas a vontade de escrever voltou forte e estou de volta. Sei que posso ter perdido alguns dos meus poucos leitores, sei também que estou voltando praticamente do zero, mas a necessidade interna de postar aqui observações sobre a comuicação, a música, o cinema e o mundo continuam. E, como o fim de ano é época de promessas - que &lt;em&gt;nem sempre são cumpridas&lt;/em&gt;, é certo, rsrs - prometo que em 2012 o blog terá finalmente uma periodicidade razoável. Por enquanto, ocuparei este final de ano com pequenas pílulas; assuntos que eu gostaria de ter escrito e deixei passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                             ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011 foi um ano de grandes avanços tenológicos, apesar da perda de Steve Jobs, um dos grandes gênios de nossa era. A cada mês um sem-número de inovações dentro das mídias digitais é lançada. Filas quilométricas - que antes só se formavam para o lançamento de uma obra cultural bastante esperada - para os lançamento de um no &lt;em&gt;gadget&lt;/em&gt; eletrônico são constantes. Ao mesmo tempo, o mundo europeu passa por grave crise econômica e há revoltas populares em diversas partes do mundo. Especial atenção deve ser dada às revoltas que começaram a proliferar em janeiro no Oriente Médio e que fez brotar a chamada Primavera Árabe. Diferente das revoluções armadas do passado, um dos diferenciais das insurreições no Egito e Tunísia foi o papel das redes sociais (como o Facebook e o Twitter) nas manifestações, que levaram milhares às ruas e forçaram a saída de "faraós embalsamados" há décadas no poder. Sim, com a internet ficou mais difícil para o poder instituído controlar os meios de comunicação da mesma forma que faziam antes, ou seja, apelando para  violência e a censura. A internet não foi a causadora das revoltas no mundo árabe, mas teve papel fundamental como catalisadora destes eventos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            ***     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando de censura, de forma velada ou não, ela também esteve entre os personagens &lt;em&gt;non gratos &lt;/em&gt;de 2011. Como estão vendo, Marginal Conservador volta bem mais &lt;em&gt;marginal&lt;/em&gt; que &lt;em&gt;conservador&lt;/em&gt; neste fim de ano. A censura esteve presente na proibição do filme sérvio "A serbian movie: terror sem limites" no meio do ano, pela Caixa Cultural, e também com o cancelamento da mostra de fotografias da artista americana Nan Goldim no Oi Futuro, também no Rio. Sobre esta última mostra, agora prevista para acontecer no MAM, transcrevo um ótimo comentário feito por Francisco Bosco em sua crônica do Globo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Não posso deixar de comentar a infeliz decisão do Oi Futuro de censurar – é essa a palavra – a mostra de Nan Goldin, para mim uma das maiores artistas do mundo. Pois é importante perceber que essa censura por critérios de mercado (as fotos não são rentáveis para a imagem da empresa) é tão política quanto a censura tradicional, típica de poderes totalitários: ela impede representações alternativas do mundo, outros modos de interpretar e propor a vida. Viva o MAM, que prontamente acolheu a mostra.”&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas para arrematar. A censura ao filme sérvio ocorreu porque a Caixa receava perder certos clientes que, mesmo sem ter visto a obra, teriam ficado indignados coma as "fortes cenas" do filme. Ou seja, uma censura também por motivos econômicos.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, foram muitos assuntos sobre os quais eu deveria ter escrito e por diversas razões deixei passar. Mas, depois de falar sobre revoltas no mundo e retorno da censura, não posso deixar de comentar momentos felizes que fizeram deste meu final de ano. Primeiro, a festa de 300 edições do programa Ronca Ronca, de Maurício Valladares, no Teatro Rival do Rio, com muita música boa e variada, sem clichês ou imposições caretas, e o show da banda Os Roncatripas, especialmente formada para saudar as trezentas edições do programa, que me revelou tantas novidades sonoras que hoje fazem parte de minha vida. Eu, que acompanho o programa do DJ e fotógrafo vascaíno desde os anos 1980, quando começou na saudosa Flumninense FM, não pude deixar de apertar a mão do Maurício e agradecer pelo trabalho no rádio. Que venham muitas outras festas e mais trezentas edições do Ronquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                              ***     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso que um dos hábitos mais excitantes para aqueles fanáticos por música, que é procurar pepitas escondidas em lojas de discos, sem uma direção específica, apenas pelo prazer de descobrir aquela canção ou LP que marcará seus dias, sua vida, esteja se perdendo com as cada vez mais raras lojas de disco. Mas ainda há salvação. No começo desta semana dei de cara com a edição recém-lançada no Brasil do lendário álbum SMILE, dos Beach Boys, que seria lançado em 1967, mas por diversos motivos acabou sendo engavetado por décadas. Durante anos o mundo só pôde ouvir algumas pérolas que estariam no LP, como "Good Vibrations" (o primeiro compacto a vender mais de 1 milhção de cópias na histíoria da música e "6º melhor música de todos os tempos" no ranking da revista Rolling Stone), "Heroes and Villains" ou "Surf's Up". Conta a lenda que Brian Wilson, o autor destas gemas pop, perfecionista ao extremo e um dos maiores artífices da música pop em todos os tempos, teria "surtado" ao ouvir o disco "Sargeant Peppers" dos Beatles, naquele mesmo ano, e ambicionbado fazer um disco ainda melhor que o clássico dos clássicos dos Beatles. Infelizmente não foi possível na época. Mas hoje, se vc gosta de música, proponho um desafio: experimente deitar num sofá próxiumo a uma boa aparelhagem de som. Desligue a TV, o computador e esqueça o celular em algum lugar. Coloque no CD-player esta versão nova e definitiva de SMILE e aproveite estes qusase 60 minutos do que o próprio Brian Wilson, em suas palavras, ambicionou fazer: uma sinfonia adolescente para Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Deus com certeza aprovaria esta sinfonia maravilhosa de Brian Wilson, com os vocais celestiais dos Beach Boys. Seria uma bela trilha para este Natal. Dito isto, me despeço, com um até breve, e com os votos de Boas Festas a qualquer fã de cultura e comunicação que passar por aqui. Para todos vocês, deixo de lembrança esta delicuiosa canção e Natal interpretada pela dupla She &amp; Him, no programa da Ellen de Generis. Abraços a todos!     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/uWQ_ImnLctM" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-68508873395266505?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/68508873395266505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=68508873395266505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/68508873395266505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/68508873395266505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/12/smile-e-natal.html' title='Smile! É Natal'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/uWQ_ImnLctM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-8594914075821428411</id><published>2011-04-27T20:24:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T19:25:02.410-07:00</updated><title type='text'>Rio - Cidade Lagoa</title><content type='html'>Terça-feira de manhã. Ligo o rádio e espero a previsão do tempo. Antes, um ouvinte manda um e-mail para a CBN Rio, lido pelo locutor: "Trânsito bom no geral...entre as lanchas da Baía de Guanabara somente". O locutor não deixa de escapar um riso pela ironia do ouvinte. Nos dias anteriores, fortes temporais voltaram a marcar presença nas ruas do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que essa semana o outono até que tentou dar as caras pela primeira vez no ano na cidade maravilhosa. Mas o veranico fora de hora não deixou e trouxe novos temporais que deixaram - quanta novidade! - diversos trechos da cidade alagados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, nessas horas o melhor é manter a calma e relaxar - a não ser que você more nas imediações da Praça da Bandeira e seja comerciante. Aí não dá mesmo! Na quarta, o jornal Extra colocou duas fotos da Praça da Bandeira alagada - uma de 1964 (!) e outra da última segunda-feira, dia 25. O título dizia tudo: "Até o próximo temporal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como dizia, devemos manter a calma. E lembrar que nossos poetas populares há muito já haviam diagnosticado o problema. Sempre que chove desta forma, me lembro de um delicioso sambinha interpretado por Moreira da Silva, dos autores Cícero Nunes e Sebastião Fonseca, já nos anos 1960. Ao gravá-la, Morengueira a transformou definitivamente num clássico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regravado por Jards Macalé nos anos 2000, "Cidade Lagoa" apenas constata a realidade da inapetência de nossas autoridades ao lidar com chuvas e temporais. Trata-se de uma crônica da cidade em dias de chuva forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, como dizia o Extra, até o próximo temporal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cidade Lagoa&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Esta cidade, que ainda é maravilhosa,&lt;br /&gt;Tão cantada em verso e prosa,&lt;br /&gt;Desde os tempos da vovó.&lt;br /&gt;Tem um problema, crônico renitente,&lt;br /&gt;Qualquer chuva causa enchente,&lt;br /&gt;Não precisa ser toró.&lt;br /&gt;Basta que chova, mais ou menos meia hora,&lt;br /&gt;É batata, não demora, enche tudo por aí.&lt;br /&gt;Toda a cidade é uma enorme cachoeira,&lt;br /&gt;Que da Praça da Bandeira,&lt;br /&gt;Vou de lancha a Catumbi.&lt;br /&gt;Que maravilha, nossa linda Guanabara,&lt;br /&gt;Tudo enguiça, tudo pára,&lt;br /&gt;Todo o trânsito engarrafa.&lt;br /&gt;Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço,&lt;br /&gt;Entre n'água até o pescoço,&lt;br /&gt;E peça a Deus pra ser girafa.&lt;br /&gt;Por isso agora já comprei minha canoa,&lt;br /&gt;Pra remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva cai,&lt;br /&gt;E se uma boa me pedir uma carona,&lt;br /&gt;Com prazer eu levo a dona,&lt;br /&gt;Na canoa do papai. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-8594914075821428411?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/8594914075821428411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=8594914075821428411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8594914075821428411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8594914075821428411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/04/rio-cidade-lagoa.html' title='Rio - Cidade Lagoa'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-8520783718207187520</id><published>2011-03-28T20:36:00.000-07:00</published><updated>2011-04-01T13:54:39.307-07:00</updated><title type='text'>Música e Imagens - Assistindo "Metrópolis" no Municipal</title><content type='html'>Estive semana passada no Teatro Municipal do Rio para um acontecimento imperdível - a exibição da obra-prima "Metrópolis", de Fritz Lang, na versão restaurada e com acompanhamento de orquestra. Para quem adora cinema, foi um momento único de conferir esta superprodução do cinema mudo (o filme é de 1927), acompanhado pela trilha original e na sua versão quase completa: há alguns anos, foram encontrados em Buenos Aires cerca de 25 minutos originais do filme que se supunham perdidos para sempre. O trabalho de restauração levou um bom tempo e enfim, a exibição no Municipal foi a mais próxima daquela imaginada pelo diretor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/3GhvnxcKTws" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A primeira vez que assisti "Metrópolis" foi há mais de 20 anos. Eu tinha 18 anos e estava me preparando para fazer o vestibular para Comunicação. Como todo jovem de 18 anos, estava descobrindo coisas novas, entre elas o cinema e sua história. Na época, o cinema Estação Botafogo (que ainda se chamava "Cineclube Estação Botafogo") abriu um curso sobre a história do cinema, ministrado pelo ex-cineasta Pedro Camargo. Apesar de curtir cinema desde criança, foi durante este curso que me tornei cinéfilo, passando desde então a querer conhecer a história mundial do cinema e todas as suas fases, seus clássicos, seus grandes diretores etc. Vários clássicos foram mostrados ali, como "Encouraçado Potenkim", "Intolerância", "Cidadão Kane" (que vi pela primeira vez no exato dia em que completei 18). Nas aulas sobre o expressionismo alemão, dois filmes me impressionaram: "O gabinete do dr. Caligari" e "Metrópolis". &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Claro que o professor não mostrou o filme todo, mas o pouco que vi naquela aula me impressionou. É incrível como Lang conseguiu dar realismo a um filme de ficção-científica ambientado em 2026, com aquele planos gerais da cidade futurista e ainda os milhares de extras contratados para a produção. O filme narra a história de uma sociedade dividida em duas classes. Acima do solo, a classe dominante, com sua burguesia e caprichos capitalistas. Nos subterrrâneos da cidade, vivem milhares de pessoas que - numa crítica clara à opressão da sociedade industrial, tal como Chaplin iria fazer depois em "Tempos modernos" -, vivem em condições mínimas, obrigadas a trabalhar o dia inteiro acertando as máquinas e os ponteiros para que a cidade de cima não entre em pane. A trama começa a se definir quando o filho de um empresário e industrial, "dono" da cidade, atraído pela entrada em cena de uma bela mulher, resolve ir atrás dela nos subterrâneos. Lá, ele trocará de lugar com um operário, e sofrerá na pele as rígidas normas do trabalho massacrante até encontrar a moça, que é uma espécie de líder dos "de baixo". &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Ao saber disso, e com a convicção de que a moça planeja uma tomada de poder utilizando o povo subterrâneo, o pai do rapaz chama um cientista para idealizar e construir um robô à imagem e semelhança da moça, a fi de que esta semeie a discórdia entre os revoltosos e acabe com qualquer ideia de revolução. Mas o cientista tem planos ainda mais delirantes para sua criação... &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;"Metrópolis" foi então o filme mais caro da história do cinema alemão, e teria impressionado até um jovem político chamado Adolf Hitler, que convidou Lang para realizar filmes ligados à ideologia nazista. A mulher do diretor, Thea Von Harbou, autora do romance que deu origem ao filme e coautora do roteiro em parceria com o marido, aceitou o projeto. O marido não: o casamento terminaria ali. Lang não concordou e foi para Paris, de onde mais tarde, como recrudescimento do nazismo, partiria para os Estados Unidos, onde continuou sua carreira e realizou vários clássicos, como "Fúria". &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Os pouco mais de 20 minutos acrescentados à obra deram mais sentido ao filme original, ficando ainda melhor. Numa época em que ainda não havia o procedimento hoje conhecido como "director's cut", em que filmes cortados à revelia do diretor na época do lançamento são mais tarde relançados contendo a suposta "versão original" (e quando o processo começa a se banalizar), o diretor alemão, se vivo estivesse, com certeza se emocionaria com a versão de seu filme quase completo num grande teatro. Ou seja, quem esteve ali no Municipal com certeza viu o filme numa versão melhor do que aquela mostrada em 1927, já que em muitos países, como nos Estados Unidos, os produtores cortaram várias cenas para que a exibição atendesse aos formatos de duração de um filme à época. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Muitos que veem hoje o filme criticam seu final conciliador, no qual o líder dos operários aperta a mão do empresário e dirigente máximo da cidade futurista, enquanto os letreiros salientam que "o mediador entre a cabeça e as mãs deve ser o coração". Há ali uma crítica ao poder das máquinas na sociedade industrial, que teriam derrubado o sentimento humano e transformado todos em seres automatizados, ou "robôs" - vale conferir as cenas da multidão se preparando para a troca de turno no trabalho, com movimentos perfeitamente sincronizados, com máquinas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Eu prefiro ressaltar a importância do filme para a cultura cinematográfica e pop que viria nas próximas décadas - Metrópolis" inspirou de Chaplin a "Blade Runner", rendeu uma versão colorizada e com trilha rock n' roll nos anos 1980, inspirou videoclipes de artistas como Queen e Madonna, quadrinhos, moda, além de uma infinidade de filmes de ficção-científica ao redor do mundo. O mais importante: o filme continua absolutamente moderno em sua plenitude.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Após a exibição do filme e os aplausos efusivos do público do Teatro Municipal, naquela noite de quarta-feira, não pude lembrar de alguns teóricos da Escola de Frankfurt, que viam os produtos da comunicação de massa (tais como o cinema) como um indício da "derrocada da cultura em mercadoria": uma cultura que havia perdido sua autenticidade e sua "aura" de fruição. No entanto, o tempo passa e hoje as fronteiras que demarcavam as culturas erudita e popular estão cada vez menos nítidas. O que diriam o aristocráticos pensadores da Escola caso pudessem conferir o filme do modo que foi exibido no teatro? Ora, a exibição de um filme derivado de uma arte popular e "de massa" num ambiente ligado à grande arte como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro é apenas um exemplo de que a arte - popular ou erudita, alta ou baixa, aristocrática ou de massa -, e tantas outras definições erráticas que perpassaram os séculos anteriores não deve estar ligada a considerações redutoras. Uma obra-prima é uma arte que transcende sua época e continua influenciando gerações e gerações de indivíduos nas décadas seguintes. E "Metrópolis" é um perfeito exemplo. Aliás, em qualquer mídia: com o anúncio do lançamento da versão remasterizada em DVD e Blu Ray, o apreciador de um bom filme poderá conferir que em qualquer ambiente "Metrópólis" continuará luminoso. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-8520783718207187520?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/8520783718207187520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=8520783718207187520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8520783718207187520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8520783718207187520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/03/musica-e-imagens-assistindo-metropolis.html' title='Música e Imagens - Assistindo &quot;Metrópolis&quot; no Municipal'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/3GhvnxcKTws/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1989577566705880315</id><published>2011-03-04T06:11:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T07:38:58.688-08:00</updated><title type='text'>O bebê de tarlatana rosa - versão 2011</title><content type='html'>A folia está chegando...Marginal conservador está, como dizia a música do Chico, se guardando pra quando o carnaval chegar. Mas antes queria aqui deixar registrada a história da incrível e aterradora foto ganhadora do World Press Photo de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do retrato da jovem afeganistã Bibi Aisha, que, ainda bem jovem, casou com um homem que não amava e, pior, era bem violento. Poderíamos refletir se o casamento teria sido arranjado - como ainda o são muitos em países muçulmanos - ou não. Mas o pior ainda está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, cansada da violência do marido, Bibi foge de casa e se refugia na casa dos pais. O marido, indignado, a procura e a toma de volta. Não satisfeito, exige um julgamento pela regras do Talibã. A sentença é cruel: com a ajuda do cunhado, o marido corta as orelhas e o nariz de Bibi, depois a abandona à própria sorte. Algum tempo depois, uma organização de ajuda humanitária a encontra e a leva para os Estados Unidos, onde vive hoje. Desde então, Bibi frequenta sessões de ajuda psicológica e já passou por várias plásticas para reconstruir os órgãos extirpados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não vou deixar aqui a foto registrada em plena época de folia, mas quem quiser pode ir direto ao site do&lt;a href="http://www.worldpressphoto.org/index.php?option=com_photogallery&amp;amp;task=view&amp;amp;id=2084&amp;amp;Itemid=292&amp;amp;bandwidth=high"&gt; World Press Photo &lt;/a&gt;e conferir. O retrato de Bibi sem o nariz e vestida com o véu árabe me faz lembrar de outra jovem afegã, Sharbat Gula, a menina de 12 anos cujo belíssimo rosto saiu na capa das 100 melhores fotos de todos os tempos da revista National Geographic. Em 2002, a menina foi reencontrada pela equipe da revista e mereceu novo registro. Na imagem, as marcas do tempo impiedoso, que reflete uma mulher já madura, de trinta anos, de semblante não mais assutado, mas, como escreveu o crítico Ademir Pascale em bela &lt;a href="http://www.cranik.com/ameninaafega.html"&gt;resenha&lt;/a&gt;, dona de um olhar ainda expressivo, embora maduro e cansado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retrato da afegã Bibi, desfigurada, me leva ainda a lembrar de um conto do genial João do Rio, passado numa época de Carnaval do começo do século passado, em que as máscaras imperavam nos bailes e as ruas eram invadidas pelos primeiros blocos, ainda chamados de cordões ou corsos. Em, "O bebê de tarlatana rosa", um folião sente-se atraído por uma mulher durante um carnaval nas ruas do Rio. Ela, como tantos outros, está com uma máscara em que é ressaltado um falso nariz. Após um jogo de sedução de parte a parte, chega uma hora em que o homem, narrador da história, pede que a moça retire o falso nariz, para apreciá-la melhor. A moça reluta o quanto pode: por alguma razão, ela quer permanecer mascarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto insistir, o homem tem o seu desejo atendido. A moça, vencida, subitamente fica séria e retira a máscara. O homem, então, aterrorizado, vê a realidade que não deveria ter presenciado: a moça, dona de um defeito genético, não tinha nariz, e sim um buraco no meio do rosto por onde conseguia respirar. Seu único momento de felicidade era durante o Carnaval, onde colocava a máscara e podia se confundir na massa de foliões, arlequins e colombinas sem "agredir" ninguém com seu estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibi Aisha é o "bebê de tarlatana" deste novo século tão conturbado por guerras, injustiças e opressões, onde mulheres em diversas regiões continuam sendo vítimas de intolerância dignas da Idade Média, ou pior. Com certeza, ao darem o primeiro prêmio ao seu retato desfigurado, os organizadores do World Press Photo quiseram deixar um claro recado à sociedade. Uma denúncia de costumes bárbaros em tempos de progressos tecnológicos e redes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torçamos para que os médicos americanos consigam reconstruir o nariz e as orelhas de Bibi Aisha. E que continuem prestando todo o apoio psicológico para que ela não perca sua dignidade, que já demonstrou ter ao fugir de uma situação na qual milhares de afegãs são obrigadas a passar. E que um dia ela possa ver que ainda existe alegria no mundo, como nos carnavais mundo afora, quando todas as máscaras deveriam estar apenas a serviço do prazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1989577566705880315?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1989577566705880315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1989577566705880315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1989577566705880315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1989577566705880315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/03/o-bebe-de-tarlatana-rosa-versao-2011.html' title='O bebê de tarlatana rosa - versão 2011'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-611370869659178070</id><published>2011-02-09T18:46:00.000-08:00</published><updated>2011-02-21T05:21:32.279-08:00</updated><title type='text'>Lides imperdíveis</title><content type='html'>Marginal Conservador começa este fevereiro inaugurando uma nova seção: "Lides imperdíveis". Quem estuda Comunicação, em especial Jornalismo, sabe que o lide (do inglês &lt;em&gt;lead&lt;/em&gt;) é o começo da matéria, o primeiro parágrafo de uma notícia ou grande reportagem. Algo que deve ser levado bastante em consideração pelo bom jornalista, pois é ali, no comecinho do texto, que o jornalista deverá escrever linhas atraentes o bastante para que o leitor se interesse em o texto até o final. Parafraseando Cortázar ao se referir aos contos, um bom texto inicial deve levar o leitor a nocaute - um nocaute prazeroso, que o tire da pressa ou da distração e o leve a ler com atenção as próximas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1940 foram introduzidas no Brasil as famosas regras da objetividade, influenciadas pelo jornalismo norte-americano. O Brasil deixava aos poucos a influência do jornalismo francês para adotar o estilo jornalístico dos EUA como parâmetro. Havia uma regra básica para os leads, como foram escritos por décadas: o jornalista deveria sempre responder, no primeiro parágrafo, a seis perguntas essenciais: o quê, quem, quando, como, onde e por quê? Ou seja, o mais importante deveria vir sempre no começo da reportagem, para facilitar a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois pesos, duas medidas. O lide ajudou vários candidatos a jornalistas não literatos a ingressarem na profissão, pois, qualquer um, com um pouco de treino em redações, poderia escrever um primeiro parágrafo seguindo o padrão imposto. Por outro lado, até hoje há profissionais de imprensa que abominam as regras da objetividade e a obrigação de responder às seis perguntas sempre, alegando serem estas regras uma "camisa de força" contra a criatividade do jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi de uma conhecida dizer que o "lide já não é mais usado em nossa imprensa há mais de dez anos". Bem, ela me falou isso há exatamente dez anos e o lide ainda está por aí. Como professor, posso falar de cadeira que ele não só pode ser visto em grande parte de nossa mídia impressa, como ainda é ensinado nas faculdades de jornalismo em todo o Brasil. O que não há mais é tanta exigência de impor as regras da objetividade em todas as reportagens. O jornalismo se sofisticou e abraçou novas liberdades estilísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a ideia desta nova seção. Aqui, serão encontrados sempre lides muito bem escritos - que respondem ou não às seis perguntas básicas das regras da objetividade. Meu interesse será apenas publicar no blog lides que me chamaram a atenção recentemente, aliado a outros de reportagens históricas que fizeram a glória do jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a série com um exemplo bem recente: a excelente reportagem &lt;strong&gt;"Próxima parada: subúrbio"&lt;/strong&gt;, do jornalista Renato Lemos, publicada no último domingo, dia 6, na Revista do Globo, que sai encartada sempre aos domingos no jornal O Globo. Como morador da Zona Norte do Rio (onde fica o subúrbio), posso dizer que poucas vezes vi um retrato da área suburbana tão bem feito como nas linhas abaixo, escritas com estilo e espirituosidade.Vamos ao lide:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Não é fácil definir exatamente o que é um subúrbio carioca - nem a prefeitura tem dados precisos que ajudem a traçar seus limites -, mas é provável que não exista subúrbio de verdade sem linha do trem, pipa voada, cadeira na calçada, vizinha fofoqueira, botequim da esquina, fiado só amanhã, sacolé, pelada, top de lycra, carro lavado na rua, churrasquinho, escola de samba, caça-níquel, quintal, cigarro, Cosme e Damião, mangueira e amendoeira, um monte de van, um monte de camelô, bíblia, beata, macumba, favela, aquelas garotas de shortinho apertado, chinelo de dedo, suor, funk, cerveja e muito calor. É possível também que subúrbio que é subúrbio mesmo tenha nome e sobrenome, como Ricardo de Albuquerque, Vicente de Carvalho, Quintino Bocaiúva, Oswaldo Cruz, Magalhães Bastos e Bento Ribeiro. Há ainda os que defendam que o subúrbio, mais que um conceito geográfico, é um estado de espírito: a pessoa pode deixar o subúrbio, mas o subúrbio jamais a deixará. São pistas a seguir. Desde que a ação da polícia no Complexo do Alemão - aliada às bençãos de um onipresente São Jorge - trouxe mais paz à região, o carioca voltou a ter a chance de descobrir do que, afinal, é feito o subúrbio. &lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-611370869659178070?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/611370869659178070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=611370869659178070' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/611370869659178070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/611370869659178070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/02/lides-imperdiveis.html' title='Lides imperdíveis'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7899637446139106121</id><published>2011-01-18T16:53:00.000-08:00</published><updated>2011-01-20T06:49:40.684-08:00</updated><title type='text'>A história de Caramelo: publique-se a lenda</title><content type='html'>É divertida uma história contada nas crônicas de Nelson Rodrigues, sobre o passarinho no incêndio. Lembrando: segundo o dramaturgo, certa vez, na década de 1930, houve um grande incêndio numa casa do subúrbio carioca, na qual a imprensa foi devidamente acionada. Um dos colegas do jornal em que Nelson trabalhava, porém, acabou chegando no final, quando o fogo já havia destruído tudo em volta. Mas o intrépido jornalista não queria voltar para a redação sem uma boa história. No dia seguinte, os leitores se emocionaram com a reportagem que mencionava o passarinho na gaiola da varanda incendiada, o qual, segundo a matéria, teria cantado plenamente até o último suspiro, vindo a morrer pelas labaredas lançadas. O curioso, segundo Nelson, é que mais tarde, mais de um repórter teria usado a mesma história do passarinho em outro incêndio. Um típico caso de apropriação da lenda alheia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando nessa história ao ler e me comover com o cão Caramelo, que emocionou a todos que vêm acompanhando o resgate das vítimas das chuvas fortes na região serrana do Rio. Sua imagem, repousando ao lado do túmulo de sua suposta dona correu o Brasil - jornais, TVs, sites, rádios, todos publicaram ou fizeram menção ao amor do cão pela dona que teria morrido nas enchentes. Pois bem: sabe-se agora que a história não passou de uma tremenda barriga (notícia falsa), que o cão ao lado do túmulo não se chama Carqamelo e na verdade pertence a um funcionário do cemitério. Quem denunciou a farsa foi um jornalista de Teresópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TThJOfc4HoI/AAAAAAAAAEY/N8S_C9kTqME/s1600/caramelo.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 236px; height: 157px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TThJOfc4HoI/AAAAAAAAAEY/N8S_C9kTqME/s400/caramelo.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564277852925861506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora fica  pergunta: trata-se de mais um caso de má apuração ou "apenas" a sofreguidão de nossa imprensa em conseguir personagens e histórias emocionantes, unicamente com o intuito de alavancar a audiência? Lembro que uma vez estava assistindo na TV a um programa sobre escolha de profissões, e naquele dia o tema era justamente jornalismo. Dois universitários da profissão - um garoto e uma garota - visitavam a redação de um jornal e eram acompanhados pelo repórter do programa e o editor, que informava aos jovens como realizar uma boa apuração. Entre as várias dicas, havia esta: "vocês devem procurar bons personagens". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notem bem: ele não falou por "fontes", mas sim "personagens". Ou seja, algo mais ligado à ficção do que ao relato testemunhal de um fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tudo indica que nesta triste história da tragédia na região serrana, a gana de nossa imprensa em encontrar boas histórias deu origem a essa barriga fenomenal do cãozinho. Aliás, é sintomático lembrar que outro cão esteve presente em uma das histórias mais comoventes - esta sim, real, pois filmada pela TV - desta tragédia: o resgate de Dona Elair pelos vizinhos. Todos lembram que dona Elair, ao saltar no rio presa a uma corda, tentou primeiramente levar seu cão, Bethoven, junto. Pobre Bethoven: a força da água era tão forte que dona Elair não conseguiu levá-lo junto e o cãozinho morreu, tragado pela força das águas. Elair perdeu seu cão; o verdadeiro Caramelo (onde estará?) perdeu sua dona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estes dias também acompanhei uma reportagem sobre a tragédia das chuvas em que cães eram novamente os personagens principais. Segundo a matéria, vários cães perdidos ou abandonados por donos que perderam tudo na enxurrada,e que haviam sido transferidos para um pequeno clube improvisado, teriam, por ordem da prefeitura, que ser transferidos. A alegação era de que os animais poderiam transmitir doenças para a população, mesmo com veterinários prometendo vacinar todos em breve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sorte dos cães abandonados na região é ainda pior do que a dos humanos, que no momento recebem toda a carga de solidariedade em forma de doações vindas de todo o estado. Não seria bom um pouco de solidariedade também com os bichos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada, enquanto as chuvas só faziam aumentar o número de mortes em Petrópolis, Teresópolis e Friburgo, levei o cão de meu pai, Zeca, um cocker spaniel, a uma veterinária perto de casa. Seus olhos estavam brancos e havia o presentimento de que ele estaria com catarata. O diagnóstico foi pior: Zeca está cego. No momento aguardamos o resultado de um exame de sangue que poderá dizer o que levou um cocker de 7 anos, com pedigree e muito bem tratado a contrair a cegueira. E também ficamos no aguardo de que nossas autoridades não fiquem tão cegas à tragédias anunciadas como esta na região serrana, que deixou o verão do Rio de Janeiro mais triste neste começo de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7899637446139106121?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7899637446139106121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7899637446139106121' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7899637446139106121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7899637446139106121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/01/historia-de-caramelo-lenda-ou-realidade.html' title='A história de Caramelo: publique-se a lenda'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TThJOfc4HoI/AAAAAAAAAEY/N8S_C9kTqME/s72-c/caramelo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4531569104478464984</id><published>2011-01-14T07:42:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T18:48:00.121-08:00</updated><title type='text'>Cinema (na favela) é a maior diversão!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TTZOl6vn3EI/AAAAAAAAAEQ/uiCVlOLUgcA/s1600/images%255B9%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TTZOl6vn3EI/AAAAAAAAAEQ/uiCVlOLUgcA/s400/images%255B9%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563720802993953858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem achava que o cinema tinha virado um entretenimento definitivamente elitizado, confinado em shoppings e com preços proibitivos, a presença de público num cinema recém-inaugurado no Rio parece demonstrar o contrário. Leio em matéria do Globo desta semana sobre o sucesso do Cinecarioca Nova Brasília, com 85% de presença de público desde sua inauguração, em 24 de dezembro. Sim, meus caros, 85% - quando a média nacional de público pagante nos cinema brasileiros não passa de 40%. Só pra lembrar: o Cinecarioca fica dentro da favela Nova Brasília, em pleno Complexo do Alemão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inauguração do cinema, ainda no fim do ano passado, quase um mês depois da invasão do Complexo pela polícia e as Forças Armadas, que pacificaram a região antes tomada pelo tráfico, é uma conquista altamente simbólica. Trata-se do primeiro cinema em 3D dentro de uma favela no Brasil.  Algo que, obviamente, merece ser comemorado. Não basta somente "pacificar" uma região antes estigmatizada pelo domínio de traficantes e por muito tempo abandonada pelo poder público. Há que se criar uma atmosfera de trabalho e oportunidades, para que as pessoas dali possam se sentir plenamente integradas, para que todos se sintam cidadãos da cidade. Como cantaram os Titãs, eles não querem só comida, mas também diversão e arte.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, parece que nem todos curtiram a ideia de um cinema em 3D em plena favela - e com preço de 8 reais (4 reais para o morador da favela!). Notícias do começo do ano deram conta de que o cinema foi parcialmente apedrejado há duas semanas atrás (suspeita-se que teriam sido ordens de traficantes ainda escondidos na região). Os responsáveis pelo cinema logo repuseram os vidros quebrados e as sessões continuaram sem problemas. Foi apenas um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que o batido slogan de "a melhor diversão", o Cinecarioca Nova Brasília tem servido para estimular uma espécio de auto-estima cultural nos moradores do entorno. Segundo a matéria do Globo, mais de 90% dos novos frequentadores nunca haviam ido ao cinema. O contato dos moradores da região - e, que fique bem claro, não só na favela, mas em todo o subúrbio e periferia do Rio de Janeiro - com os lançamentos cinematográficos era em grande parte feito em aluguéis de DVDs ou em compras de cópias piratas em barraquinhas de camelôs. A promessa do governo de criar novas salas em outras favelas (a próxima deve ser a de Manguinhos), longe de constituir uma atitude eleitoreira e oportunista, é uma saída bem bolada para se constuituir um novo público de cinema. Um público que, ao descobrir o prazer que é ver um filme dentro de uma tela de cinema de verdade, tenderá a abandonar os filmes comprados em camelôs.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem gosta de cinema de verdade sabe que a chamada "fruição cinematográfica" - ou seja, todo aquele ritual de ir ver um filme no cinema, desde a escolha da roupa que irá, a condução até o local, a compra dos bilhetes, a entrada na sala ainda acesa, o apagar das luzes, os trailers, o tão esperado filme na tela grande (algo que nem o &lt;em&gt;blu-ray &lt;/em&gt;mais moderno ainda é capaz de superar) - é um dos grandes baratos do cinema. Sem contar dos inúmeros casais que começaram a namorar dentro de uma sala de cinema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de eu não ser um grande entusiasta do 3D, sei o fascínio que causa em muita gente, principalmente em crianças. Semana passada, numa sessão de "Enrolados", a que estive com meu filho, deu pra ver o prazer que meu filho sentia em tentar alcançar as lanternas iluminadas lançadas ao céu pelo pai da personagem principal, numa das mais bonitas cenas do filme. Com a ajuda da técnica, as lanternas pareciam estar na nossa frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte, técnica e cultura para o povo. Vida longa ao Cinecarioca Nova Brasília. E que venham outros!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4531569104478464984?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4531569104478464984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4531569104478464984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4531569104478464984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4531569104478464984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2011/01/cinema-na-favela-e-maior-diversao.html' title='Cinema (na favela) é a maior diversão!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TTZOl6vn3EI/AAAAAAAAAEQ/uiCVlOLUgcA/s72-c/images%255B9%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7717850362655649244</id><published>2010-12-23T14:17:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T14:49:21.755-08:00</updated><title type='text'>Natal em tempo de mídias digitais</title><content type='html'>É Natal!! O ano está terminando e chega a hora de fazer um balanço do que fizemos ou deixamos de fazer. Dos desejos que concretizamos e daqueles que não se cumpriram. Dos amigos que ganhamos e aqueles que se foram. Os amores começados e terminados. Os momentos juntos daqueles que amamos. Enfim, o fim do ano é sempre tempo de lembrar que a vida é mais valiosa do que pensamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das boas coisas pelas quais passei em 2010 foi ter voltado a dar aulas presenciais. Comecei em agosto a trabalhar como professor do UniFOA, Centro Universitário de Volta Redonda, nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Já me acostumei com a rotina de subir a serra toda semana para o convívio com professores e alunos. A quebra em minha antiga rotina fez com que eu deixasse este blog um bom tempo desatualizado, e pretendo consertar isso em breve, com pelo menos um post semanal. Este é apenas um dos desejos que propus a mim mesmo para 2011!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos os leitores deste blog e em especial à turma do 8º periodo de Jurnalismo da FOA, a qual tive a oportunidade de lecionar a disciplina Mídias Digitais, deixo aqui um vídeo extremamente criativo sobre o Natal, que se baseia numa perguntinha simples: como teria sido o nascimento de Jesus em tempos digitais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para desejar a todos boas festas e um Feliz Natal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tgtnNc1Zplc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tgtnNc1Zplc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7717850362655649244?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7717850362655649244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7717850362655649244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7717850362655649244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7717850362655649244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/12/natal-em-tempo-de-midias-digitais.html' title='Natal em tempo de mídias digitais'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5073255127025519683</id><published>2010-12-15T04:33:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T05:17:15.804-08:00</updated><title type='text'>Toyota Hylux 2010: a história que inspirou o comercial</title><content type='html'>Como fazer uma propaganda criativa a fim de chamar a atenção das pessoas, num tempo de mídias digitais, avalanche de informações vindas de todos os cantos e atenções dispersas? Dia desses, assistindo à TV, me chamou a atenção o anúncio de um carro da Toyota, o modelo Hylux 2010 - "Hylux Invencível". Gostaria aqui de fazer um breve comentário sobre o comercial, cuja história foi inspirada num fato real acontecido no Brasil do século passado: uma época sem internet, sem televisão, e no qual a mídia mais poderosa era o rádio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dê uma olhada no comercial abaixo. Um homem, pilotando um pequeno avião (daqueles que, até bem pouco tempo, chamaríamos de &lt;em&gt;teco-teco&lt;/em&gt;), enfrenta uma grande tempestade. Ele deseja aterrisar, mas não há nenhum aeroporto à vista. O que fazer? Ele faz contato com alguém, que imediatamente aciona um grupo de ajudantes - todos eles dirigindo o tal "Hylux invencível". As cenas seguintes mostram os carros desbravando um território irregular (sim, para chegar ao local que desejam, eles não dirigem por estradas convencionais, mas por morros e descampados). Enfim, chegam a um local no qual, enfileirados, deixam os faróis ligados. Do céu, o piloto consegue ver a iluminação deixada pelos carros e consegue aterrisar no local, seguido de grande comemoração. Slogan da publicidade: "Você não sabia que uma pick-up poderia percorrer tantos caminhos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FvIGerLFVdQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FvIGerLFVdQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para a década de 1940. O rádio vivia sua era de ouro. No começo da década, o governo Vargas emcampa a Rádio Nacional, o primeiro veículo com um grande poder de penetração em todas as grandes regiões brasileiras. Era a "TV Globo" da época. Seu poder e alcance seria posto à prova numa noite, na qual um avião da Força Aérea Brasileira - um Boeing b-17 - depois de cruzar a Floresta Amazônica com 14 pessoas, viu-se sem conseguir pousar no aeroporto de Campo Grande, devido à queda de energia no local. Alertado sobre o drama do avião sem local para pousar, um oficial da base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, telefona para a Rádio Nacional e pede que o locutor transmita uma mensagem aos moradores da região: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Atenção, Campo Grande! Atenção, Campo Grande, em Mato Grosso! Uma fortaleza voadora da FAB precisa aterrisar, mas o campo de pouso está às escuras. Os moradores da cidade devem ir com seus automóveis para o aeroporto a fim de iluminarem as pistas de pouso com seus faróis."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aquele pedido, feito no estúdio da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, atravessou as regiões e chegou aos moradores de Campo Grande, que acataram o pedido. Apenas meia hora depois, o Boeing da Força Aérea conseguiu pousar em uma pista do aeroporto, iluminada por faróis de dezenas de automóveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente não eram todos utilitários como o modelo da Toyota. Estávamos na década de 1940, lembram? Com certeza a maioria dos motoristas que ouviu o locutor pelas ondas do rádio também não precisou subir montes e caminhos inóspitos para chegar ao local, preferindo pegar a rodovia local. Essas liberdades poéticas só estão no anúncio da Toyota e no mundo da publicidade. O caso real de Campo Grande, porém, virou lenda e foi contado de pai pra filho nas décadas posteriores (a história pode ser conferida no livro &lt;em&gt;Rádio - veículo, história e técnica&lt;/em&gt;, de Luiz Carlos Ferrareto). Até chegar certamente aos ouvidos de um publicitário no ano de 2010, que utilizou o fato como inspiração para um criativo comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas lições ficam para quem se interessa por comunicação: primeiro, que tenham ciência do grande poder de penetração do rádio na primeira metade do século XX. Segundo, que boas histórias - ainda que aumentadas ou "distorcidas" para conseguir um resultado mais sedutor -, serão sempre fortes componentes para a indústria da propaganda e o entretenimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5073255127025519683?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5073255127025519683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5073255127025519683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5073255127025519683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5073255127025519683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/12/toyota-hylux-2010-historia-que-inspirou.html' title='Toyota Hylux 2010: a história que inspirou o comercial'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3710261485670258007</id><published>2010-10-29T12:56:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T05:11:08.023-08:00</updated><title type='text'>Meus passeios com Tuco: no CCBB, junto ao "poço dos desejos"</title><content type='html'>Pra quem ainda não foi ao CCBB visitar a imperdível exposição do Islã - a mostra se encerra no dia 26 de dezembro, então corram! - um artefato da decoração, logo no hall de entrada, chama a atenção. Trata-se da reprodução de um pequeno chafariz com os traços da cultura islâmica. Há ali também o cenário de uma entrada de mesquita, que atrai jovens e adultos para tirarem fotos. Mas o que tem mais atraído a atenção da molecada é o tal chafariz, com água de verdade e...repleto de moedinhas dentro. Seria um poço dos desejos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem jogou a primeira moedinha dentro do "poço" e fez um desejo, nem tenho certeza se a ideia do poço dos desejos, dentro de nosso imaginário ocidental, veio da cultura islâmica. O interessante é que o tal poço, desde o começo da exposição, revelou-se um grande sucesso, e chegou até a virar notícia dia desses no &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt;, que chamava atenção para o fato de que não só crianças, mas também adultos, ao adentrarem o hall do CCBB, reservavam uma moedinha para jogar no poço e fazer um desejo. Prova de que, em tempos nos quais o realismo invade nosso cotidiano de forma violenta, na forma de invasões de favelas e carros incendiados, não há nada de errado em apelar um pouco (nem que seja só um pouquinho...rs) para que nossos desejos se concretizem: sejam eles de paz, de mais grana, um novo emprego, a busca por um novo amor etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que resisti à tentação de jogar uma moeda no poço. Só que, quando meu filho olhou para aquelas moedinhas dentro do local e quis saber qual o motivo, insistiu para jogar uma moeda também. Gostei da brincadeira e coloquei a mão no bolso. Havia apenas uma moeda: de 1 real. A maioria das moedas no poço decorativo não chegava a 25 centavos...mas, ora, qual o pai há de resistir a brincadeira tão lúdica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expliquei ao Tuco para antes fechar os olhos, pensar num desejo e jogar a moeda. &lt;br /&gt;Antes, ainda olhei para ele e brinquei: "cuidado com o que vai pedir, heim! papai te deu a melhor moeda". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuco fez direitinho o que ensinei: se aproximou do poço, fechou os olhos (um tanto rápido demais) e jogou a moeda de 1 real lá dentro. Voltou feliz. Dei a mão a ele para continuarmos andando. Mas não resisti à tentação de perguntar-lhe o que havia pedido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um salsichão".&lt;br /&gt;"O quê?!"&lt;br /&gt;"Sim, papai. Pedi um salsichão!"&lt;br /&gt;"Mas com tanta coisa pra pedir, Arthur, você me vem com um salsichão!"&lt;br /&gt;"Mas eu gosto de salsichão..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que percebi que seria demais pedir desejos "mais elevados" a uma criança de 5 anos, que adora brincar, ir à piscina, ver desenhos de super-heróis e...comer salsichão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia nem vimos a exposição completa. Era a primeira semana e o CCBB estava lotado. Mas, como sempre, valeu o passeio. No fim de semana, renidos à mesa, na casa de meus pais (que se divertiram com a história), contei de novo para minha irmã, que estava ali com sua filha Juju, de 4 anos. Minha irmã riu muito e chegou a dizer, olhando para o Arthur, "Só você, Tuco, só você...rs".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só ele? Será? Não resisti e perguntei à Juju, que ficou interessada na história do poço dos desejos, qual seria o pedido dela, quando visitasse a exposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julinha nem pensou muito: "um queijinho no espeto!". Olhei para minha irmã, que também riu com a resposta da filha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguimos com nosso fim de semana. Afinal, nada como o desejo inocente de uma criança - um desejo ainda livre de tanta brutalidade e banalidade cotidiana - para nos permitir um pouco de felicidade numa tarde quente do Rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3710261485670258007?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3710261485670258007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3710261485670258007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3710261485670258007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3710261485670258007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/10/meus-passeios-com-tuco-no-ccbb-junto-ao.html' title='Meus passeios com Tuco: no CCBB, junto ao &quot;poço dos desejos&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5371544938854026303</id><published>2010-10-11T20:58:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T21:10:52.921-07:00</updated><title type='text'>Flanando pelo Centro do Rio, com Keith Haring e o "grande líder".</title><content type='html'>Quarta-feira de outubro. Final do Festival do Rio. Perambulo pelo Centro da cidade, visando conferir a exposição de Keith Harring e pelo menos algum filme do festival. Confiro o trabalho de Keith, um grande artista que levou seus desenhos aos metrôs e depois às ruas de Nova York, morto em decorrência da aids em 1990. Genial. Haring era uma talentoso desenhista, nascido na Pensilvânia, que virou um grande artista ao mudar-se para Nova York e ingressar na School of Visual Arts. Observando a efervescente e alternativa comunidade artística, Haring encontrou nos corredores do metrô de NY o espaço ideal para aumentar seu público: ali, ao notar painéis de publicidade vazios, cobertos por papel preto fosco, pensou: é ali que vou deixar minha arte. Aos poucos as pessoas começaram a parar, entre a espera de um trem e oputro, para observar aquele rapaz tímido, que às vezes chegava a pintar quarenta "desenhos de metrô" num só dia, segundo o belo livrinho que é dado ao visitante na exposição, "O livro da vida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keith Haring morreu cedo, aos 31 anos. O artista se foi, mas sua arte, que pulou os muros da universidade e invadiu ruas e metrôs, está viva em exposições e também no cenário livre das ruas de Nova York, como o famoso painel &lt;em&gt;Crack is Wack&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TLpkURtCdjI/AAAAAAAAAEE/jGzMh2sPEcY/s1600/images%5B11%5D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TLpkURtCdjI/AAAAAAAAAEE/jGzMh2sPEcY/s400/images%5B11%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528841792063174194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio da Caixa Cultural, onde rola a exposição, e caminho em direção ao Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia. É meu refúgio em período de festivais: ali sempre tem filmes razoáveis e com lotação não esgotada - quem mora na Zona Norte e decide conferir um bom filme em Botafogo sabe que a chance de voltar pra casa após dar com um "esgotado" na fila do cinema é bastante grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme que quero ver já foi escolhido com antecedência. Trata-se de "Um espetáculo para o grande líder", documentário em tom fake dinamarquês que retrata a viagem de um grupo de atores à Coreia do Norte com o objetivo de apresentar uma peça, visando um intercâmbio cultural entre os dois países. No entanto, o tal "intercâmbio" é apenas um pretexto para penetrar num dos regimes mais fechados do mundo: a proposta do diretor Mads Brügger(e também narrador do filme), é apenas uma: expor e denunciar a ditadura coreana ao resto do mundo. Como? Através daquela que para ele é uma grande forma de contestação: a comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/td9nmG5ssUc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/td9nmG5ssUc?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance em 2010, o filme é na verdade um exercício de estilo no qual qualquer menção à objetividade ou imparcialidade deve ser jogada de lado. O tal espetáculo a ser preparado para o grande líder é uma comédia no estilo do teatro bufão, onde os únicos atores são dois jovens, Jacob e Simon, de origem coreana e que foram adotados por dinamarqueses desde cedo. Assim, o diretor e sua troupe conseguem entrar sem problemas na Coréia do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem problemas, mas com vigilância total. É escalada uma senhora que irá seguir os passos do grupo por onde forem. A senhora se afeiçoa por Jacob, o mais jovem dos atores, que também é deficiente, algo a princípio não tolerado na Coreia. Há uma cena hilária logo no começo, quando os dois atores se apresentam num parque coreano para uma comitiva de burocratas norte-coreanos - todos estes fazendo cara de pasmo total ante a bufonaria apresentada no palco, com direito até à versão de "Wonderwall", do Oasis, ao final. Pressentindo a tragédia, o diretor começa a falar em fazer as malas e voltar para a Dinamarca, quando...o espetáculo é aprovado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na Coréia do Norte, nada é tão simples. Sob pretexto de tornar a peça mais palatável para o público norte-coreano, os burocratas do partido começam a dar palpites recorrentes no espetáculo, até quase o desfigurarem por completo. Apesar das tentativas de argumentação, o diretor segue as recomendações dos burocratas. Chega uma hora em que todos da equipe parecem estar representando: os dois atores, que preparam a peça sob vigilância, o diretor e equipe, que seguem seu roteiro de visitas aos marcos da ditadura norte-coreana, e até os burocratas, que representam, fidedignamente seu respeito supremo ao "grande líder", o ditador norte-coreano Kim Jong-il.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais impactante está por vir. Muito bem tratado pelo povo norte-coreano, o deficiente Jacob (de raízes coreanas, vale repetir) identifica-se com o povo e começa a questionar as reais intenções do diretor, que pelo menos na narração em off, trata sempre de desmistificar o cenário norte-coreano e sua ditadura socialista. Ao serem convidados a assistir uma marcha gigantesca de soldados coreanos, "em homenagem ao grande líder e contra o imperialismo norte-americano" Jacob recusa-se a bater palmas e a saldar com a mão estendida e punhos cerrados a marcha, deixando o diretor desconcertado. Os dois chegam a discutir: o ator manda o cineasta parar de mentir; ao que o diretor retruca que deve continuar mentindo, "para o bem do filme". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final a peça finalmente é apresentada, com todos os cortes, modificações e censura efetuados pela equipe de burocratas. É um sucesso. Na despedida, a senhora responsável por acompanhar diariamente a equipe ensaia um choro e abraça Jacob. O diretor ainda deixa uma cartada final para este últimos momentos, ao tentar fazer Jacob perguntar à senhora norte-coreana onde ele poderia encontrar deficientes como ele, já que em toda a passagem pelo país ele não havia visto nenhum. Mas Jacob deixa a pergunta pela metade, e a senhora coreana dá uma resposta evasiva. Ao subirem os créditos, uma pergunta incômoda não pode deixar de ser feita: quem manipula quem na obra de arte? E na vida real?       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do cinema satisfeito com o instigante filme e com uma pequena dúvida: seria possível a arte de um artista como Keith Haring - homossexual, e que representou muito de sua arte nas ruas? Não teria sido mais um a ser perseguido pelos acólitos do "grande líder"? Fica a questão. A história já demonstrou que a arte pode se desenvolver em qualquer espaço, mesmo em regimes totalitários. Mas para que ela floresça de verdade e alcançe o público, é sempre bom optar pela democracia. Mesmo sendo esta, a exemplo da arte, sujeita às mais diversas "representações".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5371544938854026303?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5371544938854026303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5371544938854026303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5371544938854026303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5371544938854026303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/10/flanando-pelo-centro-do-rio-com-keith.html' title='Flanando pelo Centro do Rio, com Keith Haring e o &quot;grande líder&quot;.'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TLpkURtCdjI/AAAAAAAAAEE/jGzMh2sPEcY/s72-c/images%5B11%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2312214834220586315</id><published>2010-09-20T07:22:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T18:29:25.958-07:00</updated><title type='text'>Marginal Interrompido, ou O fascínio e o vício das redes sociais</title><content type='html'>Caro leitor: por pouco você não lê esse blog com outro título. O motivo de minha ausência por quase dois meses (uma eternidade, em se tratando de um blog!) foi o fato de o terem confundido inadvertidamente com um blog de spams (?!). Sim, meus caros, este humilde espaço, que é totalmente a favor da liberdade de expressão, foi rigorosamente fechado com tranca e tudo por pouco mais de um mês, enquanto os investigadores do BLOGGER decidiam se ele era realmente um 'spanador" ou não! Que situação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até pensei em criar outro blog, alternativo, com o nome de "Marginal Interrompido", na esperança de que o restaurassem mais rápido. Mas enfim, estou de volta, para gáudio de alguns e desdém de outros, pronto para discutir discutir comunicação, música, cinema, cultura pop e o que mais rolar. Vamos que vamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hora, como o tempo é curto, gostaria de discutir rapidamente sobre um tema que é pule de 10 em qualquer discussão sobre o papel da Internet e das mídias sociais em nossa terra brasilis: a adesão incontrolável de grande parte dos internautas brasileiros aos sites "sociais". Sim, nosso país apresenta um dos maiores índices do mundo no número de adeptos de redes sociais como orkut, facebook, twitter sonico, myspace etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvidas de que a Internet deve ser encarada hoje como uma nova mídia que apresentou uma mudança não só tecnológica, mas também cultural e comportamental em grande parte do mundo conectado. Hoje já se comenta sobre como será o futuro comandado pelos chamados "nativos digitais", ou seja, os jovens nascidos no começo dos anos 90 e que cresceram com a internet por perto. São jovens que fazem parte de uma geração multitarefas, que não respeitam hierarquias, veem muitas diferenças entre ler um livro físico e outro online, acreditam no download para obter músicas, vídeos e filmes imperdíveis e dão de ombros para os tradicionais direitos autorais - para eles, copyleft é algo que diz muito mais do que o "antigo" copyright (todos os direitos reservados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que direitos, se a internet é livre para todos? Uma das intenções deste blog é discutir comunicação e filmes, músicas, livros que este blogueiro acha interessante e gostaria de compartilhar com quem passa por aqui. Uma coisa é copiar um artigo de um jornalista ou escritor e publicar como se fosse de minha autoria, o que seria lamentável; outra é buscar discutir artigos e citar o nome do autor, que é o que faço quando comento artigos ou deixo links para vídeos do youtube. Ajudando a propagar coisas interessantes para quem se interessa por cultura, e não propagando spams por aí afora inadvertidamente... ouviu, Blogger?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao ponto que realmente interessa. Nesta nova sociabilidade advinda com as mídias digitais, muitos internautas ficam viciados nesse admirável mundo novo, e já não conseguem imaginar suas vidas sem o acréscimo das mídias sociais. Mas será que a felicidade está mesmo em viver conectado? Há algum tempo atrás havia um anúncio de telefone celular que dizia, "já não dá pra viver hoje sem ter um celular!" Como assim? É verdade que há pessoas até paranóicas, que tem não um, mas três ou mais celulares com números diferentes (família, trabalho, namorada, amante...). Mas também há gente que só usa o aparelho para o essencial - fazer ligações telefônicas, lembram dessa função?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as mídias sociais ocorre algo parecido. Pessoas que ás vezes deixam de ir às ruas encontrar um amigo, não aparecem em determinado evento, justamente para "atualizar o orkut" ou "tuitar" a manhã ou a tarde inteira. Sim, meu lado conservador poderia mandar para o diabo que as carreguem as tais redes sociais, mas meu lado marginal concorda que há ali muita coisa interessante - a despeito do grande número de abobrinhas nos &lt;em&gt;trend topics&lt;/em&gt; do Twittter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisa de dois ou três meses a Época lançou um caderno especial sobre as redes sociais. Havia ali um artigo que informava sobre um suicídio coletivo no Facebook. O tal "suicídio" nada mais era que a decisão de alguns internautas americanos em abandonar o site, incomodados com a falta de privacidade. Muitas pessoas se esquecem de que as informações ali contidas são compartilhadas por milhares, milhões, e uma opinião preconceituosa - ainda que seja uma piada - pode repercutir mal até entre os patrões e custar o emprego de alguém. O fascínio desmedido e sem critério pelas novas redes sociais deve ser um alerta para os desavisados. Cada mídia é o que a gente faz dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hora, deixo com vocês - para rir e pensar - um cartum de um autor que admiro bastante, não fosse ele também um verdadeiro "marginal" entre os desenhistas/cartunistas/autores de quadrinho brasileiros. Sim, é difícil classificá-lo, pois o cara é até cineasta, e já cometeu pérolas como "Deus é pai". Estou falando de Allan Sieber, criador da série em quadrinhos "Preto no branco", do blog &lt;a href="http://talktohimselfshow.zip.net/"&gt;Allan Sieber talk to himself show&lt;/a&gt;. Recomendo o site e reproduzo dali a provocante história abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 464px; DISPLAY: block; HEIGHT: 479px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522500626935084626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TKPdD4xWdlI/AAAAAAAAAD8/VA0uVL_tNXo/s400/a+experi%C3%AAnciaallansieber.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, de minha parte, vou acabar esse post e abrir um livro. Depois vou escutar música e dar uma caminhada. São coisas boas que a vida oferece - não desprezo as novas mídias, mas acredito que as melhores "redes sociais" são aquelas formadas quando encontramos com nossos amigos de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu volto. Até o próximo post!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2312214834220586315?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2312214834220586315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2312214834220586315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2312214834220586315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2312214834220586315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/09/marginal-interrompido-ou-o-fascinio-e-o.html' title='Marginal Interrompido, ou O fascínio e o vício das redes sociais'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TKPdD4xWdlI/AAAAAAAAAD8/VA0uVL_tNXo/s72-c/a+experi%C3%AAnciaallansieber.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3013385546911296289</id><published>2010-07-31T08:21:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T17:58:11.764-07:00</updated><title type='text'>Playing for change: a música das ruas por um mundo melhor</title><content type='html'>Na saída do metrô da Carioca, no Centro do Rio, há um homem que toca diariamente seu saxofone há mais de 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Central Park, em Nova York, percussionistas africanos reúnem-se toda semana para levarem um som juntos. Nunca faltam músicas do artista Fela Kuti, o lendário músico e ativista político que criou o estilo musical &lt;em&gt;afrobeat&lt;/em&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas pedreiras da UniRio, no bairro carioca da Urca, todo sábado pela manhã alunos e mestres da Escola Portátil de Música reúnem-se para tocar clássicos do choro. Alguns deles estarão, no dia seguinte, na praça São Salvador, no Flamengo, tocando por prazer clássicos do samba e choro. Vários ouvintes saem dos subúrbios e dirigem-se ao bairro apenas para escutar as músicas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, no centro velho de Lisboa, Dona Rosa, uma senhora cega de 53 anos,  apresenta-se num canto da Rua Augusta todos os dias cantando fados. Descoberta por um empresário, ganhou fama e apresenta-se em outros países europeus. Mas não largou a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Francisco, na Califórnia, na agitação do Centro nervoso, outra praça consegue a proeza de fazer trabalhadores apressados pararem por uns instantes para curtirem o som que sai daquelas guitarras e contrabaixos: &lt;em&gt;rock n' roll&lt;/em&gt;. Na mesma cidade, no Pier, se você passar por lá num fim de semana, pode dar de cara com um velho hippie munido de um violão a cantar "If you are going to San Francisco, be sure to wear some flowers in your hair", o clássico pop de Scott Mackenzie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994, Vedran Smailovic, integrante da Orquestra da Ópera de Sarajevo, após testemunhar a morte de 22 pessoas vítimas de uma explosão durante a Guerra da Bósnia, decidiu usar sua música em prol da paz, tocando na rua por 22 dias consecutivos em homenagem aos mortos.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa estação de metrô nova-iorquina, dois monges vestindo túnicas brancas cantam, e tocam violão para os passantes. Não raro dezenas de pessoas costumam parar por alguns momentos apenas para ouvir os monges.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas destas passagens acima foram presenciadas por mim no Rio, onde moro, ou em viagens, como os músicos de rua de San Francisco. Outras eu soube pelos jornais e revistas. São músicos que tocam nas ruas pelos mais variados motivos; mas que, por fazerem sempre um bem à alma de quem passa em frente a eles, nos leva pensar sobre o poder da música como confraternização universal, e na esperança por um mundo melhor. A música é também uma forma de comunicação, e a comunicação, a princípio, evoca a ideia de comunhão, ou seja, uma forma de compartilhar experiências. É mais ou menos essa a ideia do projeto "Playing for Change", criado pelo produtor musical americano Mark Johnson. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante dez anos, Mark percorreu o mundo munido de um estúdio de gravação móvel e saiu gravando músicos de rua. A ideia é forte e é a mesma que nos faz parar em qualquer viagem para escutar estes artistas, mesmo sem conhecer o idioma, o poder da música. (Sim, sim, eu sei que você pode ter pensado que usar a música para transmitir mensagens de "comunhão", "congraçamento", pode não dizer muito nos tempos cínicos em que vivemos, e quantas vezes não deparamos com picaretas sem talento tocando nas ruas por uns trocados? Mas a intenção de Mark Jonhson é encontrar e registrar músicos que estão nas ruas não pela fama ou por dinheiro, mas pela alma. Ou seja, por um sentimento irresistível de amor à música que os impele às ruas em lugares tão díspares como São Paulo ou Marrocos).    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo escreveu o jornalista Leonardo Lichote, em matéria para o jornal O Globo ("Muitos sons, uma utopia"), munido de seu aparato, Johnson desde então roda o mundo gravando artistas de rua - negros, brancos, árabes e muçulmanos, violoncelistas europeus e percussionistas indígenas - em seus habitats, interpretando hinos pop de paz, tolerância, amor e apelos por um mundo melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os registros já renderam um documentário em 2003, com músicos de apenas três cidades americanas, e o CD/DVD "Playing for Change: Songs around the world", com cantores e instrumentistas das ruas de todo o mundo. Inclusive do Brasil: este ano Mark Johnson esteve por três semanas no Rio e em Salvador, a procura de músicos de rua dispostos a gravarem sucessos pop. No Rio, recebeu a ajuda na empreitada do Grupo Cultural AfroReggae, que foi convidado a colaborar com o braço filantrópico do projeto, a ONG "Playing for Change Foundation", responsável pela criação de seis programas de ensino de música no nepal, África do Sul e Gana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui a música "Stand by me", sucesso no youtube, no formato atual do projeto, ou seja, tocada por músicos de todo o mundo. Como explica Johnson: "Estava em Santa Monica, na California, quando ouvi Roger Ridley cantando "Stand by me" a um quarteirão de distância. Corri para assistir a sua apresentação e nunca mais fui o mesmo. Sua voz, alma e paixão nos levaram a buscar pelo mundo outros músicos para adicionar à sua gravação de "Stand by me" - essa canção transformou o projeto "Playing for Change", de um grupo pequeno de indivíduos para um movimento global de paz e compreensão. A faixa trás 35 músicos de todo o mundo. Eles podem não ter se encontrado nunca, mas conversaram pela música".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversaram pela música. A última frase de Johnson me faz lembrar aquelas histórias da música popular que de vez em quando ouvimos, nas quais músicos que jamais se eencontrariam se não fosse a música, ou que nunca falaram o mesmo idioma, de repente promovem encontros musicais notáveis. E faz-nos lembrar que, à despeito das diferenças culturais e das guerras inúteis, o ser humano, em todo o mundo, é muito  parecido e compartilha os mesmos desejos de paz e por um mundo melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"You may say I'm a dreamer", como diria Lennon. But I'm not the only one, como comprovam os 25 milhões de acessos a esta canção no youtube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Us-TVg40ExM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Us-TVg40ExM&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3013385546911296289?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3013385546911296289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3013385546911296289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3013385546911296289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3013385546911296289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/playing-for-change-musica-das-ruas-por.html' title='&lt;em&gt;Playing for change&lt;/em&gt;: a música das ruas por um mundo melhor'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2631653437310522476</id><published>2010-07-17T07:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-31T08:14:04.843-07:00</updated><title type='text'>Essa música me lembra uma história: Doce de coco, ou Uma homenagem a Paulo Moura</title><content type='html'>Eu devia ter uns 11 ou 12 anos, não tenho mais certeza. Mas foi mais ou menos nesta época que meus pais se mudaram. Continuamos no mesmo bairro, Ramos, mas um pouco mais distante de minha escola, onde eu terminava o antigo 2º grau. Naquele ano eu comecei a voltar pra casa, após a escola, por um novo caminho, com alguns companheiros de turma na maioria das vezes, sozinho outras tantas. Saía da escola lá pelo meio-dia e no caminho passava por outra "escola", ou melhor, a quadra da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Pertinho da escola de samba, havia uma casa da qual eu sempre que passava em frente diminuía os passos. Da rua, dava pra escutar perfeitamente o som que vinha de dentro: um som de um instrumento de sopro - um saxofone?, uma clarineta? eu não sabia. A pessoa que tocava aquele instrumento estava nitidamente praticando, ensaiando com afinco para mais tarde tocar para a plateia de dançarinos de uma gafieira ou para os bolsos mais afortunados presentes em uma casa mais sóbria, como o Teatro Municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente mais tarde eu fui descobrir quem era a pessoa que soprava elegantemente aquele instrumento, e que me fazia diminuir os passos para ouvir mais um pouquinho de sua arte. Tratava-se de Paulo Moura, no curto período em que o genial músico morou no meu bairro, no começo dos anos 1980.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que foi minha mãe que me contou da presença daquele músico que eu pouco conhecia. Mas a certeza de que havia um músico respeitado no meu bairro me fazia querer conhecer um pouco mais do trabalho dele. Algum tempo depois, uma de minhas tias, que adorava comemorar aniversários de forma diferente, avisou à família que iria comemorar naquele ano na Lapa. O local escolhido era o Circo Voador, onde todo domingo havia a "Domingueira Voadora", com o maestro Severino Araújo comandando a Orquestra Tabajara num baile bastante concorrido. Paulo Moura não estava lá, mas a grandeza do naipe de metais da orquestra me fez lembrar daquele tempo passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde meu pai apareceu em casa com um disco de gafieira de Paulo Moura. Eu já era adolescente e, através de meu pai, um grande fã de músicas de orquestras, bossa nova e MPB, comecei a ficar mais eclético e expandir meu gosto. Uma música do disco me agradava muito. Era a primeira faixa, o fox "Mulher", de autoria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, um grande sucesso dos anos 40. Os dois ou três primeiros minutos da gravação resumiam-se a um magnífico solo de clarineta de Moura, para somente depois entrar a voz do crooner. Perdi a conta de quantas vezes escutei aquela gravação. Outra canção que eu adorava ouvir do disco era o choro "Doce de coco", um choro simplesmente lindo.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu sei, não são histórias brilhantes, nem muito originais. Mas resolvi contá-las depois que ouvi a notícia da morte de Paulo Moura, aos 77 anos, na clínica em que estava internado para se tratar de um câncer. Aquele homem que sem o saber alegrou meus retornos pra casa após a escola em meus tempos de garoto, se foi para sempre. Fico imaginando quem, como eu, não sorriu, dançou, amou, brigou, conversou ao som de um solo de sax ou clarineta de Paulo Moura. Quantos casais não se formaram depois de dançarem enlevados um &lt;em&gt;fox-trot &lt;/em&gt;tocado por Paulo? Quantos brasileiros subitamente e sem o perceberem deixaram-se seduzir pelos sublimes arranjos da música instrumental dos discos do maestro, naquelas belas canções sem palavras? Quantos ignoram até hoje que o talento de Paulo Moura esteve presente em quase todos os grandes momentos de nossa música nas últimas décadas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, dei de presente ao meu pai o disco "Dois panos para manga", o belo encontro musical de Paulo Moura e João Donato, apenas piano e clarineta em versões instrumentais para clássicos brasileiros e americanos. Escutamos juntos o CD em casa e no carro. Não havia dúvidas: aquele menino que nascera em São Paulo na década de 1930 e que por algum tempo morara em nosso bairro era realmente genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Moura se foi no começo desta semana. Morreu sereno e tranquilo como sempre foi. Li nos obituários de sua morte que ninguém jamais se lembrara de tê-lo visto levantar a voz com algum músico ou esbravejar com alguém. Era de uma elegância ímpar, nos gestos e no instrumento. Pouco antes de morrer, Wagner Tiso e vários músicos amigos de Paulo o visitaram na clínica São Vicente, nde estava internado. Ali, já bastante fragilizado, Paulo pegou a clarineta e soprou por uma última vez  "Doce de coco". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia só passo por aquela rua de carro, apressado entre o trabalho e a casa onde moro. A casa onde Paulo Moura morou ainda está lá. Sei que nunca mais ouvirei o som daqueles sopros musicais vindos lá de dentro. Mas a lembrança daquelas caminhadas de volta pra casa e do lento diminuir de passos apenas para ouvir o músico, ficarão comigo para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, Paulo Moura.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NayDac-xLi4&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NayDac-xLi4&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2631653437310522476?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2631653437310522476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2631653437310522476' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2631653437310522476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2631653437310522476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/essa-musica-me-lembra-uma-historia-doce.html' title='Essa música me lembra uma história: &lt;em&gt;Doce de coco&lt;/em&gt;, ou Uma homenagem a Paulo Moura'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-6775626796891408424</id><published>2010-07-08T08:40:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T08:49:13.947-07:00</updated><title type='text'>Uma atração imperdível antecede "Toy Story 3"</title><content type='html'>Finalmente consegui assistir a um dos filmes mais esperados do ano: "Toy Story 3". Quem acompanha o blog sabe que este fã de cinema que vos escreve curte bastante o &lt;a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/para-o-infinito-e-alem-uma-tarde-com.html"&gt;cinema de animação&lt;/a&gt;, ainda mais se for na companhia do filho, Arthur, de 5 anos. Apesar da fila de ingressos quilométrica no UCI Kinoplex do Norte Shopping, tudo correu bem! Realmente a Pixar conseguiu fechar a série de filmes com chave de ouro. Mais que as divertidíssimas peripécias envolvendo o caubói Woody, o astronauta Buzz Lightyear e seus impagáveis amigos de brinquedo - agora acrescidos do casal Barbie e um "será que ele é" Ken (ou "metrossexual de plástico", como é chamado por um dos brinquedos), "Toy Story 3" emociona mesmo ao mostrar com rara felicidade momentos de solidão, de amadurecimento e (mais que tudo) a importância do companheirismo e da amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quem for ao cinema conferir o filme, deve chegar cedo. Pois o filme em curta-metragem que antecede "Toy Story 3", o adorável "Day &amp;amp; Night", também da Pixar, é simplesmente imperdível. Trata da história de duas nuvenzinhas - uma representando em seu interior o dia e outra representando a noite - que se encontram pela primeira vez, se estranham bastante e no final fazem as pazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito assim parece um tanto redutor. Mas acredite: vale a pena assistir. O belíssimo curta é um dos melhores já realizados pela Pixar, com momentos de rara felicidade visual ao juntar o encontro a princípio vacilante e depois feliz entre o dia e a noite. A nuvem dia que apresenta a garota de biquíni na praia, as flores num jardim, as crianças brincando no sol, um belo arco-íris; a nuvem noite que a confronta com as estrelas e um luar deslumbrante, os fogos de artifício numa comemoração, um belo castelo iluminado com centenas de lâmpadas. Aos poucos, as nuvens percebem que a beleza está em cada um de forma única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma única frase dita pelo narrador em todo o filme resume este belo conto. Diz mais ou menos assim: "Tudo aquilo que representa o &lt;em&gt;novo&lt;/em&gt; é motivo de medo e apreensão." Ora, por que este medo? Se repararmos bem, a frase pode servir a toda a humanidade e em especial à história da arte, onde visionários que ousaram enxergar á frente de seus tempos foram incompreendidos e alguns até mesmo perseguidos. O ser humano é por demais conservador e se apega com facilidade a fórmulas fixas. Bendito aqueles que ontem, hoje e sempre foram corajosos o suficiente para levar o &lt;em&gt;novo &lt;/em&gt;ao mundo, fazendo com que a humanidade avance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wFEE-Jgr7sw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wFEE-Jgr7sw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-6775626796891408424?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/6775626796891408424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=6775626796891408424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6775626796891408424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6775626796891408424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/07/uma-atracao-imperdivel-antecede-toy.html' title='Uma atração imperdível antecede &quot;Toy Story 3&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-6108228592690071132</id><published>2010-06-30T08:24:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T20:55:05.100-07:00</updated><title type='text'>Dunga e a imprensa: uma relação conturbada</title><content type='html'>Segunda-feira, após a vitória do Brasil sobre a seleção do Chile, o técnico Dunga, como é de praxe após os jogos, compareceu à entrevista coletiva para a imprensa. Ao contrário da semana passada, quando soltou impropérios contra o jornalista da TV Globo Alex Escobar, além de ruminar palavrões que foram captados pelo áudio da Sportv, nosso técnico estava agora, aparentemente, bem mais tranquilo. Melhor assim. Depois de uma semana em que sua (má) relação com a imprensa foi discutida em todos os meios de comunicação, ensejando até um pedido formal de desculpas do técnico - aos torcedores, não à imprensa, bem entendido -, é bom esperarmos um técnico de melhor humor nas próximas entrevistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o pedido formal de desculpas não foi dado, matérias em jornais, rádios e TVs foram quase unânimes em reclamar da atitude do técnico. Falo "quase" porque houve gente que gostou muito do comportamento de Dunga, dentre eles muitos que elogiam a quebra de um suposto privilégio da TV Globo na cobertura de eventos esportivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse "privilégio" não ocorreria apenas em eventos esportivos, mas em quase todos os temas que geram grandes coberturas. Quem companha este blog pode reler post semelhante que deixei &lt;a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2009/04/globo-chegou-primeiro.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;há mais de um ano. Apesar de editoriais da Globo falarem em "busca incessante da notícia" para justificarem as "exclusivas" que o jornalismo global quase sempre consegue, jornalistas que trabalham em emissoras rivais alegam que muitas vezes ocorre um direcionamento nas coberturas jornalísticas que acaba favorecendo a emisora líder de audiência no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalistas que apoiam Dunga comentam a tentativa de Fátiam Bernardes e do repórter Tino Marcos em conseguir uma reportagem exclusiva com o técnico e jogadores da seleção brasileira. Atitude que, mesmo depois de a apresentadora e jornalista argumentar ter sido negociada entre o jornalista Renato Maurício Prado (do Sportv e do jornal O Globo) e o presidente da CBF Renato Teixeira, teria levado Dunga a responder: "Aqui não tem essa de &lt;em&gt;entrevista exclusiva&lt;/em&gt;. Ou a gente fala para todas as emissoras de TV ou não fala para nenhuma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esta história ter se multiplicado na internet, a Globo lançou uma nota dizendo que nada daquilo acontecera, e o tal diálogo seria na verdade apenas uma mensagem viral contra a emissora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está com a razão - Dunga com seus treinamentos fechados à imprensa, ou jornalistas da Globo e também de outras emissoras que reclamam do pouco acesso à seleção brasileira de futebol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é um tanto complexa. Não é preciso ser um expert em futebol para saber que Dunga - famoso por seu estilo disciplinador desde sua fase como jogador - fora chamado por Ricardo Teixeira para assumir a seleção justamente para evitar o oba oba que fora a estadia brasileira na Copa da Alemanha, em 2006, quando os jogadores posavam de celebridades, alguns se apresentaram fora de forma (como Ronaldo e Adriano) e não perdiam uma festinha de embalo nas &lt;em&gt;nights&lt;/em&gt; germânicas. O acesso da imprensa era irrestrito e dona Fátima Bernardes chegou a fazer entrevistas "exclusivas" nos próprios quartos dos jogadores. Agora em 2010, Dunga só estaria colocando a coisa nos eixos novamente. Ou seja, disciplina e ordem sob a subordinação de um técnico linha dura desprovido de carisma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, Dunga exagera ao limitar exageradamente as entrevistas com a equipe, ao realizar diversos treinos secretos (até contra a Coreia do Norte!!) e seu comportamento entre o sarcástico e o mal-humorado nas entrevistas. Se o problema é com a Globo apenas, por que o técnico não deixa claro logo, ao invés de "peitar" o Escobar na coletiva após a vitória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre as entrevistas/reportagens exclusivas. Quem lida com jornalismo sabe também que a busca por exclusivas não é só da TV Globo. A notícia exclusiva, quando cabe um fato novo que ninguém ainda noticiou, revela-se um furo de reportagem, ou seja, tudo aqulilo que os jornais, rádios, TVs e agora o jornalismo online buscam para furar a concorrência. Notícias exclusivas, então, não são e não deveriam ser privilégio de grandes emissoras. Ainda mais agora com a ascensão cada vez maior das novas mídias, quando algo totalmente novo pode ser leado ao conhecimento de todosa por um blogueiro ou qualquer um com conta no twitter. A grande imprensa não tem mais o predomínio de ser a primeira a noticiar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, então, não seria a notícia exclusiva, mas sim a alegada insistência nos supostos privilégios que a emissora - por ser a mais poderosa do país - é acusada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dunga tem todo o direito de preferir uma coletiva com todas as emissoras a falar com apenas uma. Mas ele poderia também dar a entrevista à repórter da Globo, desde que fizesse o mesmo com jornalistas da Band, Record e outras emissoras. Ao repórter mais competente caberia a responsabilidade e a competência pelo furo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra exclusivas, portanto. e tudo contra privilégios, sob quaisquer circustâncias. Para que haja bom jornalismo, é necessário que as oportunidades sejam iguais para todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-6108228592690071132?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/6108228592690071132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=6108228592690071132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6108228592690071132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6108228592690071132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/06/dunga-e-imprensa-uma-relacao-conturbada.html' title='Dunga e a imprensa: uma relação conturbada'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4905465311768087050</id><published>2010-06-23T08:16:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T08:43:19.824-07:00</updated><title type='text'>Sobre dublagens no cinema e a "grossura" de Les Grossman</title><content type='html'>No começo do ano fui ao cinema com a namorada assistir "Sherlock Holmes". Era uma sessão noturna, creio que das 21 horas. Qual não foi minha surpresa ao começar o filme e notar que desta vez não haveria legendas - o filme havia sido dublado. Nos entreolhamos, achamos estranho, mas como a maioria do público que já estava na sala parecia não reclamar, assistimos à sessão assim mesmo. Admito que na hora fiquei um tanto tanto contrariado - não me agradava ter de ouvir a voz de um dos meus atores preferidos (Robert Downey Jr.)dublada por um brasileiro. Mas, quer saber? Achei a dublagem bem satisfatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eu não deveria ter achado nada estranho. Já faz algum tempo que as distribuidoras lançam filmes de grande público em cópias dubladas e legendadas. Pesquisas feitas com o público dos &lt;em&gt;blockbusters &lt;/em&gt;americanos mostrou que eles desejavam ver seus heróis em cópias dubladas também, e o mercado apenas seguiu a pesquisa. Daí o lançamento recente de cópias dubladas em português - e com ótima recepção do público - de filmes-pipoca como "Piratas do Caribe 3","Duro de matar 4", "Transformes 2", entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os de grande público, bem entendido; porque aqueles filmes que se restringem ao circuiito alternativo continuam sem merecer cópias dubladas. E cá pra nós, creio que os admiradores deste circuito - os cinéfilos - em sua maioria torceriam o nariz para qualquer filme europeu ou asiático dublado. Imaginem um cinéfilo empedernido, daqueles que passam longe de qualquer &lt;em&gt;blockbuster&lt;/em&gt; americano, entrando num cinema para assistir ao último cult-movie sul-coreano e se deparando com um asiático falando em português algo como..."qual é, meu irmão, o que tá pegando, mano"...não tenho dúvidas que o sujeito iria querer tomar alguma satisfação com a gerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que prefiro ver filmes no idioma original. Sou de uma geração que aprendeu a ver filmes legendados. Mas hoje não fico mais tão irritado em ter de assistir a filmes dublados, pois a verdade é que o serviço está mais profissional e melhor. Claro que há bons e maus dubladores, assim como há bons e maus filmes. O cinema hoje virou um passatempo mais de elite, e nossa cultura de "ler filmes" está sendo transferida por outra, mais receptível aos filmes dublados. Na Europa, os filmes dublados são realidade há muito tempo, e já rendeu até uma tese de doutorado sobre o tema. Como informa o jornalista Carlos Albuquerque em ótimo &lt;a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2737032,00.html"&gt;artigo&lt;/a&gt;, a dublagem no cienema já foi usada com os mais diversos interesses, desde o diretor que escolhia outras vozes que julgava mais adequadas para dublar os personagens de seus filmes (Fassbinder é um exemplo), até casos mais idelológicos, como na inusitada primeira versão para o alemão do clássico "Casablanca", na qual, através de cortes e substituição de diálogos, todos os nazistas e colaboradores da resistência do filme americano simplesmente desapareceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, um dos motivos pelo qual a dublagem demorou a chegar aos cinemas -ficando por décadas restrita aos desenhos animados - estaria ao meu ver nas péssimas condições das salas de cinema até os anos 1980, época em que o cinema era realmente, como dizia a propaganda, a maior diversão: popular, com preços baixos. Faltou completar: e com salas ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem mais de trinta anos sabe o que estou falando. O sistema de som da maioria das salas era péssimo e muitas vezes quem pagava o pato era o cinema brasileiro. Lembro de ter ido ver nessa época o filme nacional "O grande mentecapto", num cinema de rua, que obviamente não existe mais. Não consegui entender ou ouvir a metade do que os personagens diziam, devido ao som abafado. Na saída, ainda ouvi alguns espectadores lamentando a precariedade do filme nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espectadores brasileiros reclamavam injustamente contra a precariedade do som nos filmes nacionais, alguns diretores daqui aproveitaram a dublagem em seus filmes de forma original. Tal qual Fassbinder, um cineasta brasileiro que adorava mexer na dublagem de suas criações era Ivan Cardoso, o maior nome do "terrir" nacional. Lembro que por ocasião destes festivais de cinema, a organização programou alguns filmes nacionais para serem exibidos na praia. Eu estava em Copacabana quando foi programado o filme "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_ZCFaYnFoIM"&gt;O segredo da múmia&lt;/a&gt;", uma hilariante comédia onde havia um personagem, vivido por Evandro Mesquita, que era dublado no filme pela voz do Robin (!). Sim, por aquele mesmo dublador da série "Batman e Robin" das antigas. Numa cena inesquecível, Evandro/Robin é preso pelo vilão e deixado numa cela com várias mulheres - todas nuas. A frase de espanto do personagem com certeza jamais seria dita pelo Robin da TV: "Puta que pariu!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem preciso adiantar que quando todos caíram na gargalhada quando ouviram tal palavrão sendo dito pela voz do Robin. Santa grosseria, Batman!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vem mais groseria aí. Minha boa vontade para com filmes dublados melhorou um pouco depois de, por um incidente doméstico, ser obrigado a assistir ao filme "Trovão tropical", dirigido pelo comediante Ben Stiller em uma cópia da locadora dublada. Eu havia alugado o filme por indicação de um amigo, mas confesso que até a metade estava achando bastante enfadonho. Nem a presença de Robert Downey Jr. no papel de um soldado negro (!) revoltado me chamava a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que, lá pela metade do filme, que eu assistia com legendas, como sempre faço, o som em inglês começou a dar problemas. Depois de retirar a cópia, limpá-la e mesmo assim o problema continuar, vi que a única forma de conseguir assistir à minha sessão doméstica seria vendo/ouvindo em português mesmo. Foi então que tive duas surpresas hilárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: o filme dublado em português, com toda a grossura do roteiro e sua profusão de &lt;em&gt;fucks!&lt;/em&gt; sendo dita em altos e bons palavrões em português deixava a fruição da trama muito mais divertida! E em segundo lugar, um personagem que surge do meio do nada me fez dar boas gargalhadas até o fim do filme. Tratava-se de Les Grossman (atente para a ironia do nome), um executivo dono de estúdio gordo, careca, mal-educado, supergrosso e vivido por um ator que já fora considerado o protótipo do galã de cinema-bom moço: Tom Cruise!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Entre parêntesis: considero Tom Cruise uma das figuras mais intrigantes do cinema americano. Tudo bem, ele pode ter mil problemas com fãs, superstições e tudo o mais, além de ser embaixador daquela curiosa religião, a cientologia, que entre outras coisas prega termos sido colonizados por extraterrestres. Mas volta e meia aparece com uma atuação espetacular. Não acreditam? Então confiram a performance do ator em "Entrevista com o vampiro", "Colateral", ou simplesmente aquela que é sua melhor, em "Magnólia").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem viu o filme "Trovão tropical" sem atentar para os créditos, com certeza não notou que aquele executivo com um vocabulário supergrosso e disparando impropérios a cada segundo era de fato Tom Cruise. Mas era. No meu caso, devo admitir que ouvir o derramar de grosserias do personagem em bom (?) português foi uma experiência hilariante. E a atuação do ator foi tão elogiada (e engraçada) que será agora levada novamente aos cinemas. Sim, Les Grossman terá um &lt;a href="http://www.cinema.com.br/tempo-real/tom-cruise-vai-reviver-o-impagavel-les-grossman-no-cinema.html"&gt;longa-metragem &lt;/a&gt;só dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se tem a ver, mas a notícia foi dada justamente após Les Grossman participar da entrega dos prêmios da MTV Movie Awards, dançando com Jennifer Lopez e ofuscando terrivelmente a duplinha de galãs-mirins da série "Crepúsculo". Confiram aqui o diálogo de Grossman com o ator de Crepúsculo Robert Pattinson, que virou comercial de sucesso nos EUA. Pena que não achei a versão dublada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/MEZH3NbLrJg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/MEZH3NbLrJg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nada, não é nada, já é hora de sermos mais tolerantes com as dublagens bem feitas. mesmo que seja para presenciarmos as grosserias politicamente incorretas de um personagem como Les Grossman.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4905465311768087050?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4905465311768087050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4905465311768087050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4905465311768087050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4905465311768087050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/06/sobre-dublagens-no-cinema-e-grossura-de.html' title='Sobre dublagens no cinema e a &quot;grossura&quot; de Les Grossman'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-749032352916584110</id><published>2010-06-16T08:42:00.000-07:00</published><updated>2010-06-17T08:55:27.633-07:00</updated><title type='text'>Sons da Copa: a Vuvuzela, o "pássaro" Galvão e o "Mandelation"</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Segundo Sartre, o inferno são os outros. Para dar um adendo, o inferno são os outros soprando vuvuzelas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Luís Fernando Verissimo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deu no Informe JB:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Vuvuzela, não!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Para se livrar do barulho das vuvuzelas em jogos da Copa, um alemão conhecido como Tube, dono do blog &lt;a href="http://www.surfpoeten.de/tube/vuvuzela_filter"&gt;Surfpoeten&lt;/a&gt;, decidiu investir num software que filtra a frequência da maldita corneta. Ele transfere o áudio da TV para um computador com um programa especial, que rejeita as frequências mais, digamos, enlouquecedoras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Vuvuzela, não! 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Usuários de IPhone podem (mas não façam isso!) baixar 11 aplicativos com sons de vuvuzela. O toque "Vuvuzela 2010", por exemplo, já foi baixado mais de 750 mil vezes. Realmente, há gosto para tudo.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não tem jeito mesmo: esta Copa será definitivamente lembrada - para o bem ou para o mal - como a "Copa das vuvuzelas". Lembro que a primeira vez que ouvi o som das cornetas africanas foi na final da Copa das Confederações, em 2009. Naquele mesmo dia, minha mãe, ao passar perto da TV, achou que havia algum problema com o som do aparelho. Parecia uma invasão de insetos, algum tipo de praga. &lt;/p&gt;&lt;em&gt;- A televisão está com um som estranho, reparou? Será que está bem sintonizada?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;- Está sim. Este som é o das vuvuzelas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- E o que é isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- São as cornetas africanas, tocadas pela maioria da torcida no estádio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Que som horrível!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Pois é...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos não somos apenas nós, brasileiros, que estranham e se incomodam com o barulho das vuvuzelas (nem todos, é claro, como mostra a segunda notinha acima). Na festa de abertura da Copa, ela foi terminantemente proibida, para não abafar o som das estrelas pop. Mas no dia dos jogos é que a coisa pega: as cornetas praticamente só se calam na hora dos hinos oficiais dos países. Andei lendo que há jornalistas brasileiros levando protetores de ouvido para os estádios.&lt;br /&gt;E já há até explicações científicas que tentam desvendar porque a vuvuzela incomodaria tanto. O mesmo JB, no artigo "&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/06/15/e150625026.asp"&gt;A vuvuzela e a ciência da zoeira&lt;/a&gt;", o britânico Trevor Cox, presidente do Instituto de Acústica do Reino Unido, resume:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma única vuvuzela, tocada por um músico competente, remete a um som ancestral, como o de uma trompa de caça. Mas o som é menos agradável quando é tocada por um fã de futebol, já que as notas são imperfeitas. Além disso, cada torcedor toca com uma intensidade e frequência diferente, causando uma zoeira, parecida com o zumbido de insetos ou um berro de elefante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Berro de elefante? Uma corneta apenas não faz verão, mas centenas em uníssono lembram mesmo uma manada de elefantes. Claro que sempre surge alguém que tenta se dar bem: um jogador holandês escapou de ser expulso depois de fazer um gol com o jogo já paralisado, ao avisar para o juiz que não escutou o apito por conta do barulho das vuvuzelas. E depois de várias reclamações, a Fifa estuda proibir a malfadada corneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TBpDN5ziI-I/AAAAAAAAADc/ffCoB4FkiUA/s1600/images%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 232px; DISPLAY: block; HEIGHT: 198px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483769402411328482" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TBpDN5ziI-I/AAAAAAAAADc/ffCoB4FkiUA/s400/images%5B2%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sei não. A princípio sou contra. Estádios são lugares de jogos e também de festa nas arquibancadas. Em todo o mundo há torcidas que levam não só cornetas mas vários outros instrumentos e fazem um fuzuê danado. Por que proibir logo a vuvuzela? Podemos achá-las chatas, mas os africanos, nossos anfitriões nessa Copa, adoram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Voltando às duas notinhas que abrem esse texto, é interessante notar como nos dois exemplos, ainda que antagônicos, há ali algo em comum: ao se referir a um blog e celulares modernos eles refletem a força das novas mídias na contemporaneidade, que entram sem pedir licença, mudando comportamentos, sugerindo novas pautas na mídia tradicional (né mesmo, JB?), levando-nos ao encontro de uma nova realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última Copa, não havia celulares 3G, o Youtube ainda engatinhava e o Twitter nem havia surgido. Com a velocidade que as novas redes sociais se instalaram e o avanço da internet no Brasil, muitos hábitos mudaram. Duas recentes pesquisas divulgadas por Gilberto Dimenstein e sua &lt;a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/gilberto-dimenstein/GILBERTO-DIMENSTEIN.htm"&gt;coluna na CBN &lt;/a&gt;comprovam tal afirmação. Hoje o Brasil seria o campeão mundial no uso de redes sociais, com o Orkut ainda reinando soberano no topo dos preferidos. A outra pesquisa, segundo Dimenstein, foi feita entre jovens brasileiros de 16 a 24 anos, inclusive da classe C, e verificou que ali a internet chega a competir com a TV aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí o imenso sucesso da campanha "Cala a Boca Galvão" no Twitter, feita "em homenagem" ao locutor global Galvão Bueno, e que desde o início da Copa figura entre os tópicos mais acessados da rede social, chegando até ao primeiro lugar dos assuntos mais comentados. Americanos e europeus, é claro, não entenderam nada. Para "explicar", gaiatos brasileiros (vem cá, &lt;em&gt;neguinho&lt;/em&gt; não tem mais nada pra fazer não? rsrs) informaram que o 'galvão' seria um pássaro brasileiro ameaçado de extinção, e que o nome da campanha na verdade queria dizer "Save galvão birds". Outros, ainda mais imaginativos, deduziram que seria o nome de uma nova canção de Lady Gaga, deixando o fã-clube oficial da moça ouriçadíssimo sobre o vazamento na rede de um suposto novo hit da performática cantora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 169px; DISPLAY: block; HEIGHT: 193px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483770812821236210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TBpEf__dafI/AAAAAAAAADk/tCrhT5hZEU8/s400/CAEDAV5NCAYYEF7LCAZ4OK9ICA3YPTFDCAXFZ47MCAAF6H0ECA5OHZ2ICAFUA01ZCAOR3SC2CAF8IZF2CA6B18MVCA7P7ZUECAPBZFDNCAY5W46XCAR4VVZJCAWZWNASCA1C1RSCCAEGKKIN.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas qual seria a origem das vuvuzelas, a despeito de todas as explicações científicas? A melhor explicação que ouvi até agora foi feita pelo colunista José Simão, na Band News: a vuvuzela seria filha bastarda de um relacionamento de Galvão Bueno com uma boneca inflável (!). Daí o singular "É tetraaaaa..." do Galvão torcedor (ops, locutor) combinar tão bem com o barulho ensurdecedor das cornetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vuvuzelas berrando nos estádios, Galvão Bueno confundido com um pássaro, Lady Gaga e por aí vai...quantos sons nos chamam a atenção nessa Copa! Por hora, fico com um som bem mais agradável e divertido do que as vuvus ou a locução do Galvão. Me refiro ao "Mandelation" - mistura de "Rebolation" com homenagem a Nelson Mandela, criado (quem mais?) por torcedores brasileiros na África do Sul. Divirtam-se e até o próximo post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BwiXl-AYXfU&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/BwiXl-AYXfU&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-749032352916584110?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/749032352916584110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=749032352916584110' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/749032352916584110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/749032352916584110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/06/sons-da-copa-vuvuzela-o-passaro-galvao.html' title='Sons da Copa: a Vuvuzela, o &quot;pássaro&quot; Galvão e o &quot;Mandelation&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/TBpDN5ziI-I/AAAAAAAAADc/ffCoB4FkiUA/s72-c/images%5B2%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7955312529064512631</id><published>2010-06-02T06:53:00.000-07:00</published><updated>2010-06-02T20:24:19.214-07:00</updated><title type='text'>Sobre leis inúteis e inusitadas</title><content type='html'>Tomei a liberdade de tecer alguns pitacos sobre a malfadada "Lei da Palmada" que alguns nobres deputados querem tornar realidade aqui em nosso país das contradições. Alguns não, a autora da emenda tem nome e se chama Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul. O projeto de lei 2654/03 altera o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelecendo que a criança não pode receber nenhum tipo de punição corporal, moderada ou não. Seria o fim do "um tapinha não dói"? Mas como descobrir se os pais bateram ou não na criança? Segundo a lei, qualquer um pode fazer a denúncia (quem? vizinhos? fofoqueiros de plantão? dedo-duros de todo tipo?), com a punição consistindo de cursos de orientação pedagógica dados pelo Estado e até tratamentos psicológico e psiquiátrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe aqui uma perguntinha: o Estado não estaria se excedendo na administração de seu poder sobre a população?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando os olhos por alguns blogs, aconselho a leitura do artigo "A 'Lei da Palmada' pode ir para o Senado", de Guilherme de Carvalho, autor do blog &lt;a href="http://ideiafiksa.blogspot.com/2006/02/lei-da-palmada-pode-ir-para-o-senado.html"&gt;Ideia Fiksa&lt;/a&gt;. Cito um trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O discurso da deputada reflete uma hipocrisia estrutural: o Estado mantém seu poder para agir violentamente contra os pais que desobedecem ao Estado, mas nega tal poder aos pais. Temos então na verdade uma extensão do poder de polícia para o interior da vida familiar. Não é que a questão da palmada não possa ser discutida; é que o Estado não pode impor uma solução de engenharia social goela abaixo da população."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se serve de consolo, o Brasil não é o único país a criar mais uma lei inútil. Vejamos algumas curiosas, pinçadas do blog &lt;a href="http://eliteparalisante.blogspot.com/2009/04/leis-inuteis-e-estranhas-no-mundo.html"&gt;Elite Paralisante&lt;/a&gt;, com outras pescadas na internet e também no rádio - quiçá hilárias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na França, é proibido batizar um porco com o nome de Napoleão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na Alemanha, é proibido andar de máscaras pela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na Noruega, é proibido castrar cães ou gatos, mas sim a qualquer outra espécie, inclusive homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Na Inglaterra, é ilegal pendurar roupa de cama na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No Líbano, os homens podem ter relações sexuais com animais, desde que sejam fêmeas. Se for com machos pode ser castigado com a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em Haifa (Israel) é proibido levar ursos à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No Canadá é ilegal tirar curativos em público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá achando estranho? Pois veja estas leis de algumas cidades nos Estados Unidos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na Virgínia é proibido sexo anal e oral. &lt;em&gt;(melhor de assistir que palmadas)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Em algumas cidades, é proibido roncar. &lt;em&gt;(ãh?)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em outras, é proibido andar de bicicleta a mais de 100 km/h. &lt;em&gt;(essa nem participante do iron man!)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- No sul, é proibido amarrar jacarés nos hidrantes. &lt;em&gt;(!?!?)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e, por fim, a melhor de todas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Em determinada cidade americana, é proibido levar um jumento para a banheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, depois disso tudo, começo a achar que a "lei da palmada" não é tão estranha assim. Mas torço por sua inutilidade. Já temos problemas demais, não é mesmo? Só tenho receio de uma coisa. Se na França os porcos não podem ser nomeados de Napoleão, e sendo a Dilma eleita, será que haverá alguma lei proibindo as crianças de colocarem o nome dela em algum bicho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7955312529064512631?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7955312529064512631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7955312529064512631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7955312529064512631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7955312529064512631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/06/sobre-leis-inuteis-e-inusitadas.html' title='Sobre leis inúteis e inusitadas'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-8783586234770622954</id><published>2010-05-26T08:22:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T19:19:51.525-07:00</updated><title type='text'>Um passeio pelo World Press Photo</title><content type='html'>&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 182px; DISPLAY: block; HEIGHT: 123px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475766395147424914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S_3UhkfIlJI/AAAAAAAAADU/zQKX-E1robw/s400/images%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em junho de 2009, após os resultados da votação para presidente do Irã, que reelegeu o controverso Mahmoud Ahmadinejad, o país foi marcado por grandes manifestações de rua. Partidários do candidato derrotado, Mir Mousavi, acusaram o governo de fraudar as eleições e organizaram várias passeatas, muitas delas reprimidas violentamente pelas tropas de repressão. Num regime fechado e que proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros, o mundo ficou sabendo em grande parte do que acontecia nas ruas pelos recados e vídeos postados em redes sociais como twitter e o youtube, por iranianos indignados. Naquele mês, uma cena trágica correu o mundo, via youtube: mostra o instante da morte de uma iraniana numa manifestação, após ser atingida no peito por uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porém, os protestos contra o resultado das eleições não se deram apenas nas ruas. Nos dias que se passaram ao resultado, à noite, os telhados de Teerã foram tomados por mulheres que gritavam "Deus é grande", "Justiça!", em protesto contra o resultado das urnas. Uma destas cenas foi captada pelo jornalista italiano Pietro Masturzo. A imagem - nada óbvia mas altamente simbólica do grito de revolta no interior de um país totalitário - foi considerada a melhor do ano de 2009 pelo júri do World Press Photo. Ela e mais 161 fotos estão na mostra em cartaz na Caixa Cultural, no Centro do Rio. Uma verdadeira viagem fotográfica registrada pelos olhares dos fotógrafos nos quatro cantos do mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S_3PyhsPIZI/AAAAAAAAADE/IJZxEHVzOSs/s1600/0000163229%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475761188896711058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S_3PyhsPIZI/AAAAAAAAADE/IJZxEHVzOSs/s400/0000163229%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;São imagens diferenciadas e que fogem do lugar-comum para ir da beleza à tragédia, do espanto à incredulidade. Muitas nos causam revolta; outras humor. Há a mãe americana a levantar da cama o filho que perdeu 40% do cérebro num bombardeio no Iraque; os dois homens que se escondem atrás de um camburão de lixo, tendo à frente uma grande batalha de rua entre policiais e manifestantes; a incrível foto submarina de um martin-pescador no exato momento em que o pássaro alcança o peixe; o ritual de esquartejamento de um elefante encontrado morto na África por nativos esfomeados; um festival de música pop nos Estados Unidos repleto de &lt;em&gt;neohippies&lt;/em&gt; e que poderia muito bem ser confundido com Woodstock; a curiosa série de crianças andróginas na Holanda (quando ficamos em dúvida sobre quem é menino e quem é menina); a inusitada e por vezes hilariante característica dos ricos africanos que viajam à Paris para comprar roupas europeias e, na volta, posam à caráter, virando celebridades locais. Do Brasil, há somente uma foto, de Daniel Kfouri, que retrata um salto do skatista brasileiro Bob Burnquist.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mostrando que estão antenados com a emergência das mídias sociais, a imagem da mulher morta nos protestos de rua em Teerã e que parou no youtube ganhou "menção especial" do júri e está presente à mostra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São fotos que nos fazem pensar e questionar a grande aventura humana pelo período de um ano. Para chegar ás 162 fotos premiadas, o júri recebeu mais de 100 mil fotos, enviadas do mundo todo por fotógrafos de 128 nacionalidades. Fico imaginando quantas outras tão belas devem ter ficado de fora, numa mostra em que o impacto de contar uma história através de um instantâneo fotográfico não deixa absolutamente nenhum visitante imune. Captar a atenção do indivíduo, fazendo com que ele se interesse pelo contexto e a carga de informação que aquela imagem carrega é um dos principais emblemas do bom fotojornalismo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-8783586234770622954?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/8783586234770622954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=8783586234770622954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8783586234770622954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8783586234770622954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/05/um-passeio-pelo-world-press-photo.html' title='Um passeio pelo World Press Photo'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S_3UhkfIlJI/AAAAAAAAADU/zQKX-E1robw/s72-c/images%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2331360508699486767</id><published>2010-05-13T14:23:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T13:25:29.522-07:00</updated><title type='text'>Essa música me lembra uma história: "Faroeste caboclo"</title><content type='html'>&lt;em&gt;Tenho andado distraído, impaciente e indeciso...&lt;/em&gt;Eu poderia repetir os versos de Renato Russo em "Quase sem querer" pra justificar o meu lapso em não ter escrito até agora nada sobre os 50 anos de vida que o cantor e compositor da Legião Urbana estaria fazendo agora em 2010. A data tem sido lembrada em inúmeros sites e jornais, e homenagens àquele aque foi um dos maiores ícones do rock brasileiro dos anos 80 não faltam. Algumas originais, como o livro organizado pelo poeta Henrique Rodrigues - "&lt;a href="http://sobrecapa.wordpress.com/2010/03/23/como-se-nao-houvesse-amanha-org-de-henrique-rodrigues/"&gt;Como se não houvesse amanhã&lt;/a&gt;", com contos inspirados nas canções mais emblemáticas da Legião - e outras duvidosas, como a iniciativa de juntar num &lt;a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1700&amp;amp;titulo=Duetos_com_Renato_Russo"&gt;CD&lt;/a&gt; gravações póstumas de Renato cantando "em parceria" com artistas de hoje - mesmo que algumas gravações novas soem bem, fica a dúvida se o artista - que detestava coletâneas - autorizaria tais versões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, há vários livros contando a vida de Renato e a história da Legião Urbana. Quem quiser escutar mais de suas canções, os CDs continuam todos em catálogo (há a previsão de serem lançados também em vinil!) e vendendo bem em plena era dos downloads gratuitos. Então, peço licença para trazer de volta a série "Essa música me lembra uma história", com um fato que me ocorreu quando adolescente e que teve uma música da Legião como coadjuvante. O ano: 1987. A música: "Faroeste caboclo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/pAnJ1Kx48sI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/pAnJ1Kx48sI&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha 17 anos e o Rock in Rio, dois anos antes, impulsionara o mercado nacional para as bandas de rock tupiniquins. De uma hora pra outra, centenas de bandas surgiram e muitas de repente tinham a felicidade de ouvir aquela gravação feita de modo rudimentar, dentrode uma garagem, numa fita cassete, tocando nas rádios. Em Niterói, A Rádio Fluminense FM, autointitulada "Maldita", só tocava rock e era venerada por todos que se entusiasmavam com as novidades do gênero. Outro &lt;em&gt;point&lt;/em&gt; roqueiro da cidade era o Circo Voador, na Lapa, ounde eu já tinha ido algumas vezes. E em meados daquele ano tivemos a noticia de que a Legião, prestes a lançar seu terceiro disco, iria tocar novamente no Circo. Mesmo sendo dia de semana (uma quarta-feira) não dava pra deixar de ir. Então, seguimos eu, meu irmão e um amigo para o Circo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falava-se que o gruipo iria testar algumas músicas novas junto a plateia, que naquele dia era bem peculiar. Na verdade tratava-se de uma dobradinha entre a Legião Urbana e o grupo paulista de punk-rock Cólera, e por esta razão havia muitos punks por lá. Não eram "de butique", eram punks reais e estavam mais lá por causa do Cólera do que da Legião, a quem muitos acusavam de estar ficando "pop demais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 23h a Legião entrou no palco. Renato usava botas pretas, semelhantes às de muitos punks presentes e um coturno militar. Saudou a plateia e a banda começou a tocar. Após uma das primeiras músicas, o cantor grita para o público:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos comemorar. Hoje morreu o inimigo do Brasil!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Yeah!! Repetimos todos, e a banda atacou de mais um sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, no entanto, fiquei preocupado: quem seria o tal "inimigo do Brasil" que havia morrido? Imaginei que muitos ao meu lado que gritaram &lt;em&gt;yeah!&lt;/em&gt; também desconheciam a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cara que estava próximo tirou a dúvida: era o dia da morte do general Médici, ex-presidente da república durante a ditadura. Durante seu governo o Brasil passou por um dos períodos mais truculentos, com censura-prévia à imprensa, torturas e exílios. Custei a sacar a ironia de um cantor de rock comandando uma multidão de punks de coturno e "comemorando" a morte de um general. O melhor na hora, foi repetir as palavras de Jagger, &lt;em&gt;it's only rock n' roll but I like it&lt;/em&gt; e curtir o resto do show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelo meio do show Renato avisa que a banda vai tocar uma música pela primeira vez no Circo, e que estaria sendo testada em formato novo. Começam a ser ouvidos uns acordes lentos do violão e os primeiros versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O começo lento, acompanhado na bateria de Bonfá por instrumentos típicos do Nordeste, como o triângulo, fizeram com que alguns punks vaiassem. Mas logo as sutis marcações e viradas da longa canção, alternando forró, pop, punk rock, começaram a conquistar a todos. E havia a letra, sensacional. A epopéia de um tal João de Santo Cristo, apaixonado por Maria Lúcia e levado ao crime por um tal de Jeremias - com um clímax que, como nos bons faroestes, levava a um duelo entre mocinho e vilão, desta vez no Planalto Central de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra era longa e emocionante. Parecia que todos se viram um pouco naquele personagem que se "perdia" em busca de uma identidade e um trabalho dignos em terras brasileiras. Ao final da canção, aplaudimos muito e senti que era lançado ali um novo clássico da Legião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo? Não é bem assim. "Faroeste caboclo" é do tempo em que Renato, antes de formar a Legião Urbana, se apresentava em Brasília sob a alcunha do "Trovador solitário", munido apenas de voz e violão - como nos primeiros tempos de seu ídolo Bob Dylan. Mas que só naquele outono de 1987 estava sendo gravada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois,"Faroeste" invadiu o dial radiofônico e foi um sucesso instantâneo. Curioso é que na época, apenas dois anos depois do fim da ditadura, algumas emissoras ainda praticavam a autocensura em suas programações, e no caso da música de Renato algumas inseriram um apito nas muitas passagens com palavrões, tornando o efeito risível. Logo, o ridículo da censura foi mandado às favas e em pouco tempo jovens do Brasil inteiro cantavam a odisseia de João de Santo Cristo. Com os palavrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava ainda fazendo o segundo grau (sorry, &lt;em&gt;nível médio&lt;/em&gt;, mas naquele tempo o nome era outro) e era muito interessante ver nos intervalos das aulas do colégio grupinhos em toda parte (alguns levavam violões) tentando cantar de ponta a ponta a letra quilométrica. Dava pra notar: "Faroeste caboclo" havia virado uma febre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, depois de tanto tempo, penso que a Legião, a música e a piada de Renato no palco me ajudaram a cravar Comunicação no vestibular que eu faria dali a alguns meses. Pois uma coisa que aprendi naquele dia era que eu não queria mais ficar desinformado sobre o mundo. Eu queria saber dos acontecimentos e, se possível, estar no meio deles. Algum tempo depois, aprovado no vestibular, eu tinha certeza que seguiria em frente no jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma escolha que Renato Russo, numa noite perdida dos anos 80, no Circo Voador, ajudou a tornar realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2331360508699486767?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2331360508699486767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2331360508699486767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2331360508699486767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2331360508699486767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/05/essa-musica-me-lembra-uma-historia.html' title='Essa música me lembra uma história: &quot;Faroeste caboclo&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7925899474483713022</id><published>2010-05-05T20:16:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T13:58:42.072-07:00</updated><title type='text'>Sobre ateus, fumantes e pautas mal apuradas</title><content type='html'>&lt;em&gt;"A imprensa existe para o bem do público, não somente para entreter e ganhar dinheiro. Nossa função principal é dar aos espectadores a melhor versão possível da realidade, que é um conceito simples e muito difícil de se alcançar"&lt;/em&gt;                                                                       (Carl Bernstein)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, 03 de maio, foi comemorado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A julgar pelos constantes ataques que volta e meia os meios de comunicação vem recebendo aqui e na América Latina, é uma data que deve ser lembrada sempre, e não somente apenas um dia do ano. Nosso jornalismo não é perfeito, e volta e meia erra na ânsia desenfreada pelo furo de reportagem; mas é preferível uma imprensa imperfeita a uma imprensa controlada, como é comum nos regimes totalitários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito disso, este blog não poderia deixar de comentar uma pisada na bola de muitos jornais de grande imprensa brasileira, que repercutiram erroneamente uma história falsa e mal apurada: a notícia de que o candidato à presidência da República, José Serra, teria comparado fumantes a ateus.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia, divulgada semana passada, mereceu um reparo na segunda-feira, pela agência que a divulgara: a RBS, do Sul. Na tarde de segunda-feira, todos os sites, blogs  e jornais sérios corrigiram as inverdades sobre o discurso de Serra no encontro evangélico em Santa Catarina do dia 1º de maio (nem todos, que fique claro: como estamos em ano eleitoral, é claro, alguns "se esqueceram" de corrigir). Vejamos a &lt;em&gt;mea culpa &lt;/em&gt;da RBS: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Diferentemente do que informou este site na reportagem “José Serra participa de encontro religioso em Santa Catarina” (01/05/2010 – 20h39min), o ex-governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), não se referiu a fumantes como pessoas “sem Deus”. Na verdade, o discurso do político não relacionou diretamente o fumo com a religião. Em um primeiro momento, Serra citou passagens bíblicas à multidão reunida em Camboriú e disse que a frase “Que tenham vida, e a tenham em abundância” está ligada à qualidade de vida e não apenas a ações para prolongar a vida das pessoas. Em seguida, citou programas desenvolvidos nas gestões dele frente ao governo de São Paulo e ao Ministério da Saúde, entre eles o de combate ao fumo".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ajudou alguma coisa? Pouco, na verdade: o estrago já estava feito e repercutiu em toda a imprensa. Até a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) enviou nota de repúdio à suposta declaração do candidato à presidência. Bem, quem lê este blog sabe que não existe aqui nenhuma manifestação contra ou a favor de Serra, Dilma, Marina Silva ou qualquer outro candidato á presidência. Mas como o assunto é a imprensa, não me furto a deixar minha opínião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de a nota de retificação ter saído no mesmo dia em que se comemora a liberdade de imprensa é sintomático, pois neste dia houve em vários cantos do país debates sobre a data. No Rio, o jornalista Carl Bernstein - famoso mundialmente por ter sido, junto com Bob Woodward, um dos repórteres a cobrir e desvendar o escândalo de Watergate, que culminaria com a renúncia do presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, em 1974 -, ao comentar o papel da imprensa atual, não hesitou em fazer sérias críticas sobre o que ele chamou de "preguiçosa apuração dos fatos". Bernstein disse que, além de buscar sempre manter a liberdade de imprensa, os jornalistas devem cuidar ao mesmo tempo de manter a credibilidade da imprensa em todos as plataformas em que as notícias são divulgadas. Em entrevista ao Globo, o jornalista americano alertou que tal confiança vem sendo minada pela frivolidade e uma perigosa apuração dos fatos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="392"&gt;&lt;param value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" name="movie" /&gt;&lt;param value="high" name="quality" /&gt;&lt;param value="midiaId=1257321&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" name="FlashVars" /&gt;&lt;embed width="480" height="392" flashvars="midiaId=1257321&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena citar outra declaração de Bernstein no seminário do Rio de Janeiro:&lt;br /&gt; - Nos últimos anos, tem dominado a cultura jornalística global algo cada vez menos a ver com a verdade, a realidade ou o contexto. O jornal tem estado fora de contato com a verdade, com frequência desconectado do contexto real, desfigurado pelo culto á celebridade, fofoca, sensacionalismo e controvérsia manufaturada, sobretudo na TV, mas também no jornalismo impresso, estimulada por jornalistas e pelo discurso político. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Culto à celebridade, fofocas...será que o cara não pegou pesado? Bem, na mesma segunda-feira, dia 3 de maio, a manchete principal de um grande portal brasileiro era "Anamara do BBB diz que ficou excitada com as fotos para a Playboy". Subtítulo: "Ex-policial diz que 'pegava' o Dourado". Bem, vou me abster de comentar...        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao que interessa e ao motivo deste artigo: tivesse havido um pouco mais de seriedade na apuração e a rede RBS não teria publicado a notícia. Tivesse ocorrido a alguém um pouco mais de preocupação com a mensagem recebida e nossa grande imprensa (além da maioria dos sites) não teria retransmitido a "barriga" sem checar a veracidade da informação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Entre parêntesis: Bernstein também comentou que entre os jornalistas presos, quase metade deles são blogueiros (!!), "pois eles podem escrever o que quiserem, já que não são censurados". Que orgulho!, É sinal que, à despeito das limitações ao acesso à rede e mesmo com proibições da internet em alguns países, os blogs estão ganhando importãncia e incomodando!).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre os "fumantes ateus". Nesse caso, a pressa em dar uma notícia "impactante" de um candidato à presidência levou a imprensa a errar. Nossos jornalistas não foram atrás da melhor versão possível da verdade, segundo a ótima definição de Bernstein, mas sim à procura pela forma mais rápida de dar um furo irresponsável. Só nos resta torcer que erros assim não se tornem comuns no que vem por aí, pois a disputa presidencial está esquentando. E para que as críticas à imprensa, feitas semana sim semana também por nossos políticos, em sua maioria infundadas, não se tornem reais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os fumantes, heim? Será que se  sentiram afetados com a polêmica toda? Creio que não. Outro dia mesmo, um fumante gaiato, ao comentar a infeliz declaração, teria levantado as mãos pro céu e dito: "Perdoai-vos, pai: eles não sabem o que publicam!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7925899474483713022?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7925899474483713022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7925899474483713022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7925899474483713022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7925899474483713022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/05/sobre-ateus-fumantes-e-pautas-mal.html' title='Sobre ateus, fumantes e pautas mal apuradas'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1333357442909467715</id><published>2010-04-23T15:55:00.001-07:00</published><updated>2010-04-23T19:10:38.193-07:00</updated><title type='text'>"Quando não há escândalo, a gente fabrica": considerações sobre A vida alheia</title><content type='html'>Dia desses o ator, autor e diretor Miguel Falabella jantava num restaurante com a amiga e atriz Cláudia Jimenez quando subitamente foram fotografados por um paparazzi. O homem tirou a foto e, tão rápido como apareceu, desapareceu do restaurante. Longe de incomodar Falabella, a cena o levou a imaginar e criar um novo programa de televisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, passou-se um tempo e, entre as apostas da TV Globo para sua grade de programação neste primeiro semestre, o seriado "A vida alheia" tem se mostrado uma das melhores novidades. O programa tem conseguido injetar em seus episódios humor, ironia, acidez e malícia ao revelar os bastidores de uma revista especializada em fofocas no Rio de Janeiro - a meca das celebridades brasileiras.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S9JOxaW3m7I/AAAAAAAAAC8/szvGrHe8vEY/s1600/avidaalheia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S9JOxaW3m7I/AAAAAAAAAC8/szvGrHe8vEY/s400/avidaalheia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463515908749630386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, o seriado parte de uma ideia de Miguel Falabella. Mas não espere nada parecido com o humor popular de "Sai de baixo" ou "Toma lá, Da cá". O tom aqui é ácido e, apesar de constituir um programa de humor, não deixa de apresentar certa melancolia ao narrar as peripécias de seus personagens. Temos ali a temida editora Alberta Peçanha (conhecida por seus inimigos por "Alberta Peçonha") da revista semanal "A vida alheia" - vivida por Cláudia Jimenez. Marília Pêra (Catarina Faissol)é a dona da revista e cúmplice de Alberta na busca do furo a qualquer custo. Paulo Vilhena vive um fotógrafo que não hesita em ir atrás da imagem inusitada de celebridades em qualquer circusnstância; Danielle Winits é uma repórter que não mede esforços para conquistar o posto que verdadeiramente deseja: a cadeira de Alberta Peçanha. Ou seja, como diria aquele gaiato fotógrafo que Fellini inventou para o filme "A doce vida" e que consagraria o nome "paparazzi", &lt;em&gt;tutti buona gente&lt;/em&gt;! Ah, sim! pra não dizer que só há cobras criadas em "A vida alheia", há um personagem do alto comando da revista (mas que na verdade não manda em nada...) que vive angustiado pela hipótese de a revista ser processada por atropelar a ética. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética jornalística? Bem, esse termo parece não existir no dia a dia de Alberta Peçanha. Em todo capítulo há uma busca incessante para conseguir a melhor capa para a revista, que não dispensa um escândalo. Logo no primeiro capítulo, o fotógrafo Lírio tira diversas fotos de uma "grande dama" do &lt;em&gt;high society &lt;/em&gt;completamente bêbada numa boate acompanhada de um garotão - a foto só não sai na revista porque a socialite é amiga da publisher vivida por Marília Pêra(sob protestos de Alberta, que queria publicá-la de qualquer maneira). Logo em seguida, uma repórter da revista irrompe na sala de Alberta. Segue o diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Alberta, procurei todas as celebridades que pude, fui em busca de todas as pesoas que conhecem a atriz tal, mas todos se recusam a falar mal dela, como você pediu. O que faço?&lt;br /&gt;- Querida, comece a escrever a matéria. Depois, escreva o seguinte: uma conhecida da atriz tal, que não quis se identificar, falou à "Vida alheia": "Ela está por baixo e nunca vai conseguir reaver o prestígio que um dia teve".&lt;br /&gt;- Mas Alberta, desde quando a gente pode publicar isso?!&lt;br /&gt;- Desde que o mundo é mundo, minha filha. Agora saia da minha sala e vá escrever a matéria. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Nos dois primeiros capítulos tivemos casos em que o chamado jornalismo responsável simplesmente não existe. Após descobrirem por acaso que o filho de uma modelo-celebridade não é do marido, Alberta e Catarina marcam um encontro com o casal apenas para saberem que tipo de vantagens teriam ao não publicar o escândalo na capa da revista. A frase do marido é lapídar: "Deixemos toda a cerimõnia de lado e conversemos como os verdadeiros canalhas que somos". Tudo se resolve com um novo anunciante para a revista - a empresa do marido, é claro - e o casal feliz na capa da revista, "mostrando sua nova casa e a felicidade a dois"; título obviamente inspirado nas mais famosas revistas de celebridades brasileiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro episódio, um ator de telenovelas famoso morre de repente. A equipe da revista fará de tudo (inclusive uma repórter se disfarçará de enfermeira) para conseguir a foto do morto antes dos outros meios de comunicação, a fim de, é claro, ostentar a capa da publicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos dizer que "A vida alheia" comete exageros aqui e ali. Sim, estaremos corretos. Na verdade o jornalismo de escãndalos é algo em decadência hoje em dia, e mais restrito a jornais populares e sensacionalistas, embora ainda faça bastante barulho em tablóides americanos e ingleses - estes últimos adoram publicar os últimos barracos de Amy Winehouse e seus namorados, bem como as indiscrições de membros da família real.  No Brasil, as revistas no estilo "Caras" procuram mesmo é manter um bom relacionamento com a celebridades que, sim, adoram estar nas páginas semanais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos também dizer que a série denigre a imagem do jornalista, ao mostrá-lo como um indivíduo disposto a tudo por um furo de reportagem. Quanto a esta última declaração, não é bem assim. Como em toda a profissão, o jornalismo apresenta ótimos profissionais ao lado de verdadeiras "cobras criadas" - não por acaso, a expressão dá título à ótima bibliografia escrita por Luiz Maklouf Carvalho sobre David Nasser, jornalista dono de um texto brilhante, mas capaz de tudo para destruir a imagem de pessoas famosas (quem já conferiu o filme "Chico Xavier" viu a sequência em que Nasser, então repórter da revista "O Cruzeiro", junto ao fotógrafo Jean Manzon, tenta "desmascarar" o médium). Há órgãos que apelam demasiadamente ao sensacionalismo; enaquanto há também a imprensa responsável, que busca relatar com precisão e honestidade os fatos. Cabe ao leitor manter sempre o senso crítico. Parafraseando Tom Jobim, nosso jornalismo não é para principiantes.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao sucesso de revistas de celebridades como "Caras", "Quem" ou "A vida alheia", por mais que haja reclamações de uma suposta &lt;em&gt;intelligentzia&lt;/em&gt; contra elas, não se pode negar que elas só estão à venda porque despertam interesse nas pessoas comuns. O sucesso na TV do Big Brother (a maior audiência em qualquer programa no estilo  &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt; nos últimos anos). E nossas celebridades (nem todas, é verdade)adotam de fato um perfil peculiar: vivem reclamando do assédio de paparazzis, mas não suportam estar longe dos holofotes, situação que levou o cronista Tutty Vazques a sugerir uma possível "evasão de privacidade" em nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que podemos constattar é muito simples. Enquanto houver o interesse fora do comum de nossa população pelo cotidiano das celebridades, revistas como a do seriado global continuarão a vender bastante. Seus editores, como a nem tão irreal assim  Alberto Peçanha, sabem que a "vida alheia" é hoje uma mercadoria de alto valor nas bancas de revista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1333357442909467715?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1333357442909467715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1333357442909467715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1333357442909467715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1333357442909467715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/04/quando-nao-ha-escandalo-gente-fabrica.html' title='&quot;Quando não há escândalo, a gente fabrica&quot;: considerações sobre &lt;em&gt;A vida alheia&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S9JOxaW3m7I/AAAAAAAAAC8/szvGrHe8vEY/s72-c/avidaalheia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4566288480376846939</id><published>2010-04-10T04:23:00.000-07:00</published><updated>2010-04-10T18:11:08.196-07:00</updated><title type='text'>Um prêmio para a Rádio Sucupira</title><content type='html'>A Associação Paulista de Críticos de Arte acaba de publicar a lista de agraciados do ano de 2009, e entre os vencedores na categoria Rádio está a hilariante &lt;em&gt;Rádio Sucupira&lt;/em&gt;, da CBN, que concorreu como melhor programa de variedades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src='http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2010%2Fcolunas%2Fbandinha_100409&amp;OAS_sitepage=cbn/colunas/radiosucupira' width='475' height='193' marginheight='0' marginwidth='0' frameborder='0' scrolling='no' bgcolor='#CCCCCC'/&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prêmio justíssimo. Pra quem não sabe ou tem menos de 30 anos, Sucupira era a cidade criada por Dias Gomes para a novela &lt;em&gt;O Bem Amado&lt;/em&gt;, dos anos 1970 na TV Globo, por onde desfilavam tipos inesquecíveis como o prefeito Odorico Paraguaçu, Zeca Diabo, Dirceu Borboleta e as Irmãs Cazajeiras. O sucesso foi tanto que a novela que renderia um seriado nos anos 80, também na Globo uma peça de teatro de sucesso e agora em 2010 é aguardada sua versão cinematográfica, dirigida por Guel Arraes.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "coronel" Odorico e o dia a dia de Sucupira é um retrato perfeito da política brasileira, seus conluios, conchavos e tipos folclóricos. O que o programa faz é justamente contrapor as falas - retiradas da novela e do seriado de TV -, do político vivido por Paulo Gracindo, às "sonoras" (o áudio do rádio) dos políticos de hoje - Lula, Dilma, Serra, senadores, deputados e o que mais for notícia. O mais interessante - e é aí que está a graça do programa - é que, ao escutarmos a &lt;em&gt;Rádio Sucupira&lt;/em&gt; podemos notar que pouco ou nada mudou na política brasileira dos anos 1970 até hoje. Os problemas satirizados na ficção daquela época continuam praticamente os mesmos na realidade dos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a &lt;em&gt;Rádio Sucupira &lt;/em&gt;é um engenhoso momento radiofônico que mostra ao ouvinte como a arte pode ser eficaz na denúncia da coisa pública. Em certos momentos da montagem muito bem feita do programa, ficamos sem saber em que época estamos - se no programa ou na política brasileira real. Diria mesmo que, se não fosse a inconfundível voz e interpretação de Paulo Gracindo como Odorico, teríamos sérias dúvidas em definir a época ilustrada na rádio. Ponto para a CBN/Sucupira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4566288480376846939?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4566288480376846939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4566288480376846939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4566288480376846939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4566288480376846939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/04/um-premio-para-radio-sucupira.html' title='Um prêmio para a Rádio Sucupira'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7572733922970478151</id><published>2010-03-31T07:35:00.001-07:00</published><updated>2010-03-31T14:31:50.744-07:00</updated><title type='text'>Sai de cena um mestre da crônica esportiva: Armando Nogueira</title><content type='html'>Atenção: este post é pra quem aprecia um bom texto jornalístico, uma crônica de um mestre que acaba de nos deixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tanto atrasado, eu não poderia deixar de reverenciar aquele que fez do jornalismo esportivo algo à beira do sublime, um mestre botafoguense tão bom nas letras como Garrincha o fora com a bola nos pés: Armando Nogueira. Nogueira era um estilista da palavra, um craque da crônica apaixonado por futebol, que com rara habilidade e categoria deixou para a posteridade textos belíssimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seleciono apenas um deles, o majestoso "Na grande área", mesmo nome de sua coluna de jornal e depois de seu primeiro livro. Com vocês, Armando Nogueira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo acontece na grande área: a guerra de Pelé, a guerrilha de Garrincha, o chute fatal, a rebatida heróica, o drible temerário de um beque, a tragédia do goleiro, em cujos pés solitários a grama não floresce; na grande área, ressoa, implacável, a hora da verdade, erguendo e derrubando mitos no gesto simples de chutar uma bola; na grande área, nasce o gol, nasce o infarto que mata de emoção o torcedor; na grande área, onde os homens se acovardam e se engrandecem, a rasteira é pecado que no ato se paga pelo castigo do pênalti, entidade tão decisiva no destino de um jogo que, segundo um velho pensador do futebol, só devia ser cobrado pelo presidente do clube; nos canteiros da grande área, os pés imortais de Domingos da Guia pisando a grama de leve para não magoar a própria semente de sua arte - Nilton Santos.&lt;br /&gt;Quanta emoção na pureza geométrica da grande área, onde não falta sequer o singelo mistério da meia-lua, quarto minguante dos fracos, lua cheia de Leônidas.  &lt;br /&gt;Vivi tristezas, vivo alegrias, tenho chorado, já cantei muito, às vezes rezo, vendo a bola correr, na grande área; nem mesmo os sentimentos mais subalternos da alma humana - nem deles a grande área do futebol me tem poupado o coração; já tremi de medo, já odiei, já invejei. A paixão do futebol tem me pesado a vida de tantas emoções que já não tenho mais o direito de lastimar se um dia a morte me queira surpreender no instante de um gol.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Armando Nogueira)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7572733922970478151?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7572733922970478151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7572733922970478151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7572733922970478151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7572733922970478151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/sai-de-cena-um-mestre-da-cronica.html' title='Sai de cena um mestre da crônica esportiva: Armando Nogueira'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2976721597855687212</id><published>2010-03-27T13:29:00.000-07:00</published><updated>2010-03-31T09:26:35.740-07:00</updated><title type='text'>100 anos de Kurosawa: Rashomon e a verdade inatingível</title><content type='html'>Eu deveria ter uns 19 ou 20 anos quando assisti a &lt;em&gt;Rashomon&lt;/em&gt; no cinema. Foi no antigo Cineclube Estação Botafogo, muito antes de virar o complexo de cinemas do Grupo Estação, no Rio e em outros estados. Saí de casa com o tempo bom e durante a viagem de ônibus começou a chover forte. Quando saltei em Botafogo, caía um temporal. Corri para uma marquise e a duras penas consegui chegar até o cinema, todo molhado. Paguei o ingresso como se nada houvesse acontecido, enquanto a bilheteira observava meu estado. Entro no cinema. As luzes se apagam. Constato que o começo da película também mostra uma chuva impiedosa - só que no Japão antigo. Em poucos minutos eu já estava totalmente hipnotizado pela força daquele filme que, em 1951, mostrou o brilho do cinema japonês ao resto do mundo e revelou um cineasta que se tornaria um dos maiores do século XX - Akira Kurosawa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="640" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xCZ9TguVOIA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xCZ9TguVOIA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 100 anos que Kurosawa estaria fazendo em 2010 (ele morreu em 1998) estão sendo amplamente comemorados em todo o mundo do cinema. Vários grandes centros já programaram mostras com retrospectivas de filmes do cineasta, o que só demonstra sua importância. Eu poderia falar aqui de várias de suas obras, sua influência em cinematografias aparentemente tão díspares do Japão (como o clássico faroeste "Sete homens e um destino", todos sabemos, foi adaptado de "Os sete samurais"; ou "Por um punhado de dólares", que Sérgio Leone copiou nitidamente do sucesso "Yojimbo"), ou mesmo suas adaptações de clássicos shakespeareanos, como "Trono manchado de sangue" (Macbeth) e "Ran" (inspirado em Rei Lear). Mas vou me deter mesmo em &lt;em&gt;Rashomon&lt;/em&gt; e o intrigante debate que o filme oferece: afinal, qual o limite de uma verdade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rashomon&lt;/em&gt; apresenta logo de cara um assassinato. Através de &lt;em&gt;flasbacks&lt;/em&gt;, a trama então mostrará como este crime é relatado por meio de quatro personagens: um lenhador, um sacerdote, um bandido e a esposa de um samurai assassinado. Nenhuma versão entra em sintonia com a outra; todas são contraditórias. Quem ali estaria falando a verdade? Haveria, no entanto, uma verdade inquebrantável neste e em outros casos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo pode ser aplicado ao jornalismo moderno e uma de suas principais regras: a objetividade. No jornalismo, a objetividade seria o dever do jornalista de se ater exclusivamente aos fatos, ou melhor, relatar o fato tal qual acontecera. No entanto, se pedirmos a dois jornalistas que apurem a notícia de um crime com testemunhas - tal qual em &lt;em&gt;Rashomon &lt;/em&gt;- cada um voltará à redação tal qual os personagens do filme: os dois trarão suas próprias versões da mesma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, não há verdade absoluta, tanto na arte do cinema como na aparente objetividade dos jornais. O que ocorre é que os jornais vivem de algo que os faz respeitados pelo leitor - sua credibilidade. A capacidade que eles têm de fazer com que seus relatos sejam verossímeis. Para isso já foram inventadas diversas teorias que elevariam a objetividade à uma suposta verdade infalível, como a teoria do espelho - furadíssima hipótese na qual o jornalismo refletiria a todos nós, tal como um espelho, o fato como ele realmente aconteceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, até o ótimo e indispensável "Dicionário de Comunicação", de Rabaça &amp; Barbosa, demostra que a objetividade, na realidade, não existe. E conclui de forma digna: seria muito mais correto os jornais falarem em &lt;em&gt;honestidade de informação &lt;/em&gt;do que em objetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, sejamos mais críticos com as notícias que os jornais nos levam diariamente. Não digo para que deixemos de acreditar nos jornais; mas sim levarmos em conta que o jornalismo mais sério não está preocupado em impor ao leitor uma suposta verdade que sabemos inexistente. Mas sim apostar em diversos pontos de vista - dando ao fato o direito ao contraditório, ouvindo os dois lados de cada história, outra regra básica do bom jornalismo - para que o leitor tire sua própria conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, como Kurosawa prova em Rashomon, cada um tem a sua própria verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2976721597855687212?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2976721597855687212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2976721597855687212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2976721597855687212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2976721597855687212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/100-anos-de-kurosawa-rashomon-e-verdade.html' title='100 anos de Kurosawa: &lt;em&gt;Rashomon&lt;/em&gt; e a verdade inatingível'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3269220862360798293</id><published>2010-03-17T13:48:00.000-07:00</published><updated>2010-03-31T08:34:22.208-07:00</updated><title type='text'>Para o infinito e além: no cinema com Tuco, assistindo a Toy Story</title><content type='html'>Dia desses eu estava em casa ouvindo na rádio CBN a coluna sobre cinema do crítico Marcos Petrucelli, autor do site &lt;a href="http://epipoca.uol.com.br/"&gt;E-Pipoca&lt;/a&gt;, quando ele perguntou à apresentadora do &lt;em&gt;CBN Total&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Silvia, você prefere que eu comente primeiro o quê: vampiros ou brinquedos animados?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Hummmmm. Prefiro vampiros.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- É mesmo? Achei que iria escolher os brinquedos, Silvia. São muito mais divertidos que os vampiros...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Explicando: os vampiros a que o crítico se referia eram aqueles da série &lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt;, atual &lt;em&gt;must&lt;/em&gt; das adolescentes mundo afora. Já os "brinquedos animados" diziam respeito ao revolucionário desenho animado da Pixar, &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt;, cujo terceiro longa estreia em junho no Brasil e no resto do mundo. Bem, devo avisar que este blogueiro concorda com Petrucelli: os bonecos de &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt; -como o astronauta Buzz Lightyear e o cowboy Woody - são muito mais divertidos que os xaroposos vampiros (que as mocinhas não me escutem!) da série criada pela escritora Stephenie Meyer. Ainda mais se você tem um filho de cinco anos e pode experimentar a sensação de levá-lo junto ao cinema, agora para conferir o desenho em 3D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/oJ5UltHFtc8&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/oJ5UltHFtc8&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, em 1995, vi o primeiro filme da série &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt;, eu disse pra mim mesmo na saída do cinema: taí um filme que quando tiver um filho eu gostaria de levá-lo. Passaram-se 15 anos e cumpri meu desejo, pois mês passado fui com o Arthur (ou Tuco, para os mais chegados) ao complexo de cinemas do Nova América, no shopping de mesmo nome no Rio, para ver o relançamento do primeiro filme da série. Ali, pai e filho juntos, pela primeira vez entramos em contato com a tecnologia 3D, experimentando os tais óculos dentro da sala escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma bela experiência, embora o Tuco, mesmo adorando o filme (saiu do cinema cantando o tema musical "Amigo estou aqui"), só usou os óculos até metade da sessão, preferindo ver o resto do filme sem os apetrechos. "Dá pra ver sem eles, papai", ele disse, e quem sou eu pra discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois estávamos em outro cinema, na Tijuca, agora com minha irmã, Nanda, e sua filha Julinha, de 3 anos, asssitindo a &lt;em&gt;Toy Story 2&lt;/em&gt;. Julinha usou os óculos durante quase todo o filme e, para desespero de minha irmã - que estava adorando a sessão -, pediu pra ir ao banheiro justamente quando faltavam apenas 10 minutos para o filme acabar. Enquanto isso, ao meu lado, Tuco, que dessa vez só usara os óculos nos 5 minutos iniciais do filme, levantava da cadeira e dançava asssistindo à deliciosa cena final, na qual um pinguim antes afônico e, agora, "consertado" e munido de um vozeirão, canta com todos os brinquedos a música-tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem leu até aqui, já sabe que ir com crianças ao cinema é uma experiência e tanto, podendo ser inusitada ou divertidíssima.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E já prometi ao Tuco que em junho iremos de novo ao cinema conferir &lt;em&gt;Toy Story 3&lt;/em&gt;, que desponta como um dos longas mais aguardados do ano por crianças, pais e amantes do cinema. Se o primeiro revolucionou a arte da animação ao ser todo feito em computação gráfica e o segundo emocionou a todos com um roteiro nada menos que brilhante; o terceiro, que já está passando em pré-estreias nos EUA, levará o público de volta aos brinquedos muitos anos depois do segundo longa, quando o dono deles, o menino Andy, cresce e vai para a faculdade. O mote, ao que tudo indica, será este: quem será o novo dono dos brinquedos, já que o garoto que outrora passava horas a brincar no quarto com seus bonecos agora tem outros interesses?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Bonecos com crise de consciência? Pode ser, mas não nos esqueçamos que a série &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt;, embora muito inteligente, é uma comédia infantil. O Cartoon Network (pois é, quem é pai ou mãe e leitor deste blog sabe que as crianças de hoje não vivem sem esse canal) já está passando trechos do filme nos comerciais. Parece que a boneca Barbie, que já fez uma ponta em &lt;em&gt;Toy Story 2&lt;/em&gt;, estará de volta, acompanhada desta vez pelo namorado Ken -pelo menos no trailer, em uma cena hilária, ele é sistematicamente avacalhado pelos outros brinquedos por ser considerado "brinquedo de menina". &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Aliás, essa história de sacanear o boneco Ken não é primazia apenas da série &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt;. Aqui no Rio o cartunista Cláudio Paiva é um que volta e meia adora implicar com o boneco, como num célebre cartum em que Barbie abandona o lar e, ao encontrar uma amiga, diz que saiu de casa porque descobriu que Ken "era boneca". Recentemente, o cartunista voltou à carga, numa hilária fotomontagem com os bonecos - ou bonecas? - originais, em que Ken "invadia" a página do cartunista para reclamar de alguns leitores que estariam duvidando de sua masculinidade, não sem antes apresentar um "amigo" americano com quem estaria morando junto em Tiradentes!). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A estratégia de lançamento dos dois primeiros filmes da série &lt;em&gt;Toy Story &lt;/em&gt;teve como novidade a exibição deles no cinema em formato 3D. Sim, novidade, pois nenhum dos dois primeiros longas foi pensado para o formato. Ao que tudo indica, os produtores resolveram aproveitar a onda e "adaptaram" os dois primeiros filmes para as três dimensões, visando atrair novas plateias, como se os filmes tivessem sido feitos ontem (o primeiro é de 1995 e o segundo de 1998).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada contra - curti bastante ir ao cinema com meu filho para ver os dois primeiros filmes da série em 3D, ainda que o terceiro - este realmente pensado e feito todo ele segundo a tecnologia - eu talvez prefira conferir nas salas comuns, pois meu filho, como eu disse, anda dispensando os óculos...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O único problema é a possibilidade de os homens de cinema resolverem investir em todo o tipo de filme no formato 3D, apenas para aproveitar a onda. Filmes que não foram pensados para o formato estão sendo convertidos agora apenas para lucrar com a "novidade", que nem é tão nova assim e andava obscurecida até ser resgatada por James Cameron em &lt;em&gt;Avatar&lt;/em&gt;, um filme pensado e filmado para sr exibido no formato. Ironicamente, Cameron recentemente &lt;a href="http://www.ambrosia.com.br/2010/02/21/james-cameron-reclama-da-febre-3d-nos-cinemas/"&gt;reclamou&lt;/a&gt; desta febre 3D nos cinemas. Realmente há uma boa diferença em conferir Avatar em 3D nos cinemas, da forma que ele foi idealizado, e pagar mais (sabemos que estas sessões são mais caras) para ver um drama de época ou uma comédia romântica que foram transformados em "películas 3D" por um produtor ganancioso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A febre do 3D teve um único fator de comemoração louvável: levou muita gente que andava afastada dos cinemas de volta às salas escuras. Mas, se a febre se converter em abuso e mercantilismo desenfreado, farei como meu filho: tirarei os óculos e voltarei para o bom e velho cinema. Aquele que só depende de um bom roteiro, um bom diretor e atores em sintonia para emocionar as plateias.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3269220862360798293?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3269220862360798293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3269220862360798293' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3269220862360798293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3269220862360798293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/para-o-infinito-e-alem-uma-tarde-com.html' title='&lt;em&gt;Para o infinito e além&lt;/em&gt;: no cinema com Tuco, assistindo a &lt;em&gt;Toy Story&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7586455187277742252</id><published>2010-03-10T04:25:00.000-08:00</published><updated>2010-03-11T19:58:27.614-08:00</updated><title type='text'>A devassa no comercial da Devassa</title><content type='html'>No último domingo, durante o programa &lt;a href="http://gnt.globo.com/Manhattan-Connection/"&gt;Manhattan Connection&lt;/a&gt;, deu-se um curioso debate. Vamos a ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas Mendes: &lt;em&gt;Paris Hilton no centro de uma polêmica. Diogo, você acha que a proibição do comercial da cerveja Devassa abre um procedente?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo Mainardi: &lt;em&gt;Olha, não tenho a menor ideia; mas quem pode explicar melhor isso é o Ricardo, que nunca deu uma "paradinha" naquelas horas...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Amorim:&lt;em&gt; Respondo fácil. O procedente que se abriu é que haverá novas propagandas "ousadas". A Conar, ao proibir o comercial que já havia sido visto por 70 mil pessoas na internet, deu um tiro no pé. A essa hora o comercial já deve ter sido visto por mais de 1 milhão de pessoas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio Blinder: &lt;em&gt;O comercial é boçal e a proibição também foi boçal. A que ponto chegamos: a única inocente no episódio é a própria Paris Hilton. Chegamos num ponto de elogiar a Paris Hilton...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Pra quem não leu os jornais nem conferiu o &lt;em&gt;Youtube&lt;/em&gt; semana passada (não, não vou linkar aqui o anúncio censurado não...), o papo entre os debatedores do Manhattan era sobre a proibição, pela Conar, do anúncio da cerveja Devassa, estrelado pela americana Paris Hilton. Precedido por uma campanha publicitária em que um homem, à maneira do filme "Janela Indiscreta", observa do prédio em frente com uma luneta o striptease de uma mulher loura (seria Paris ou uma dublê de corpo?), o anúncio veiculado após o &lt;em&gt;preview&lt;/em&gt; não mostrou ser mais do que um amontoado de subclichês eróticos, com uma trilha sonora também clichê e tendo Paris Hilton - sinônimo internacional de mulher "devassa" -, como estrela. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se o Conar ficasse quieto, talvez a propaganda passasse em brancas nuvens. Mas proibiu sua veiculação. Comenta-se que os marqueteiros da Devassa, irritadíssimos com o veto, teriam feito no mesmo dia um &lt;em&gt;brainstorm&lt;/em&gt; para mudar o nome da cerveja e contratar outra garota-propaganda, já que tinham gastado aos tubos com a herdeira do conglomerado de hotéis Hilton. O nome "Devassa" teria que ser mudado por outro mais comum. Como já há a concorrente "Leviana", pensaram em "Vadia", depois "Vagabunda" e quase esta última ideia foi em frente, mas alguém salientou que dificilmente alguém se animaria a beber uma cerveja vagabunda..."Devassa", pelo menos, era mais chique e um nome mais "sofisticado". &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Só que no dia seguinte à proibição lá estava o link para o vídeo em uma infinidade de sites da internet, até naquele mais "sérios", que ajudaram na mídia espontânea, fazendo do comercial um campeão de vizualizações. Pior para o Conar. Como disse o Ricardo Amorim, espera-se em breve novas campanhas de cervejas e outros produtos "ousados" o suficiente para que sejam proibidos e no dia seguinte virem campeã de audiência. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre antenado, Verissimo notou em sua coluna no Globo a contradição de nossos censores no Brasil, que não deram a mínima para um comercial de cerveja em que o jogador Ronaldo aparecia sorridente , se proclamando "brahmeiro", enquanto proíbem a comercial chimfrim da Devassa. Ora, enquanto Ronaldo engorda e cai de produção a olhos vistos (não se sabe se sua barriga avantajada tem relação com o fato de ele ser "brahmeiro") e a torcida do Flamengo discute os problemas de alcoolismo de seu principal jogador, Adriano, jogadores que deveriam dar o exemplo são tolerados em propagandas de bebida alcoólica. Americanas supostamente devassas não. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto isso, a "única inocente" na história, a essa hora já está nos Estados Unidos curtindo a grana alta que certamente ganhou aqui nos trópicos. Bem, se somente para "marcar presença" no Sambódromo durante os desfiles de Carnaval a moçoila recebeu R$500 mil, imagino que a peça publicitária tenha chegado perto...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paris Hilton é uma daquelas celebridades que se tornaram famosas unicamente pela sua notoriedade. É péssima atriz e cantora medíocre. Também é desconhecido qualquer talento inato da moça para outra coisa que não seja aparecer nos tablóides americanos pagando mico ou nas revistas de fofocas brasileiras, também "marcando presença". Sua imagem internacional de devassa pode ser creditada ao vídeo que vazou na internet há alguns anos, onde ela transava com o ex-namorado (as más-línguas juram que ela postou o vídeo da transa de propósito, mas ela nunca admitiu; tampouco negou). Aliás, quem acompanhou a saudosa série &lt;em&gt;Sex &amp;amp; the city&lt;/em&gt; deve lembrar-se de um episódio com uma hilária cena, inspirada em Paris Hilton, em que a ninfomaníaca Samantha deixa vazar propositalmente na internet uma transa dela com o namorado mais novo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em outros tempos, Paris seria apenas mais uma das garotas loucas pela fama que há no mundo, com o empurrãozinho da fortuna da qual é herdeira - ou vocês acham mesmo que se ela fosse uma devassa sem um tostão estaria em capas de revista? Na cultura das celebridades, o mérito próprio é apenas mais um detalhe para alcançar a fama. Muitas vezes este detalhe nem é considerado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E, no Brasil, esta cultura pode fazer de celebridades famosas pela notoriedade ícones a favor liberdade de expressão. Como, involuntariamente, Paris Hilton e sua campanha publicitária proibida. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas...me perdoe, Caio Blinder, mas não vai ser hoje que eu vou elogiar a Paris Hilton. Talvez outra hora, ok? Outra hora.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7586455187277742252?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7586455187277742252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7586455187277742252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7586455187277742252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7586455187277742252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/devassa-no-comercial-da-devassa.html' title='A devassa no comercial da Devassa'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2801464500841498838</id><published>2010-03-08T12:20:00.001-08:00</published><updated>2010-03-08T13:18:03.528-08:00</updated><title type='text'>Dia Internacional da Mulher: Todas elas juntas num só ser</title><content type='html'>Há um ou dois anos atrás, no fim da tarde, eu estava vindo de Ipanema num micro-ônibus que iria fazer a ligação com o metrô em Copacabana. Na chegada em Copa, o motorista avisou da baldeação e, simpático, desejou um "Feliz Dia da Mulher" à todas as meninas, moças e senhoras dentro do veículo. Elas adoraram e algumas agradeceram ao descer. Deu pra notar a satisfação que muitas carregavam em seus semblantes, orgulhosas de um dia do ano só para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o dia de hoje, jornais, rádios, televisões e sites estiveram lembrando desta data. Muitos requentam matérias antigas e continuam mostrando que, apesar de todos os avanços na sociedade, as mulheres continuam ganhando menos que os homens. A sociedade mudou e as mulheres - que ótimo! - estão muito mais independentes, mas em diversas partes do mundo elas continuam sendo subjugadas por regimes opressores e autoritários. Na verdade, por regimes que as temem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero me perder e correr o risoco de repetir clichês, mas a verdade é que sem as mulheres este seria um mundo muito mais brutalizado e sem poesia. São elas que trazem um mínimo de delicadeza ao nosso tão ordinário cotidiano. Só por isso, merecem comemorar sempre o Dia Internacional da Mulher. Os homens com um mínimo de sensibilidade reconhecem isso. Assim como o motorista do ônibus, que - em meio ao discurso ensaiado aos passageiros repetido mecanicamente todos os dias -, encontrou uma maneira original de lhes dirigir umas poucas palavras de afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em algumas canções que as retrataram tão bem na música popular e escolhi uma do Lenine, "Todas elas juntas num só ser". Ao retratar as mulheres que se tornaram personagens marcantes na história da música popular brasileira e intternacional, o artista conseguiu homenagear todas as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo abaixo parte da imensa letra, com um link para ela inteira. Este post também vai para as minhas cinco seguidoras, todas mulheres, que eu não conheço, mas me fazem ter vontade de continuar escrevendo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cWOly-1M6wY&amp;amp;NR=1"&gt;Todas elas juntas num só ser&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lenine/Carlos Rennó)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não canto mais Babete nem Domingas&lt;br /&gt;Nem Xica, nem Tereza, de Benjor;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Drão, nem Flora, do baiano Gil;&lt;br /&gt;Nem Ana, nem Luiza, do maior;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não homenageio Januária;&lt;br /&gt;Joana, Ana, Bárbara, de Chico;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Yoko, a nipônica de Lennon;&lt;br /&gt;Nem a Cabocla, de Tinoco e do Tonico;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a Tigreza, nem a Vera Gata;&lt;br /&gt;Nem a Branquinha de Caetano;&lt;br /&gt;Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga;&lt;br /&gt;Rosinha, do sertão pernambucano;&lt;br /&gt;Nem Risoflora, a flor de chico Science;&lt;br /&gt;Nenhuma continua nos meus planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcet;&lt;br /&gt;Nem Anna Júlia do Los Hermanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só você&lt;br /&gt;Hoje eu canto só você&lt;br /&gt;Só você&lt;br /&gt;Hoje eu quero, porque eu quero, por querer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não canto de Melô peróla negra;&lt;br /&gt;De Brow e Herbert, uma brasileira,&lt;br /&gt;De Ari, nem a baiana nem Maria;&lt;br /&gt;Nem a Iaiá, também, nem minha faceira;&lt;br /&gt;De Dorival, nem Dora nem Marina;&lt;br /&gt;Nem a morena de Itapoã;&lt;br /&gt;Divina garota de Ipanema;&lt;br /&gt;Nem Iracema, de Adoniram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;&lt;br /&gt;De Michael Jackson, nem a Billie Jean;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;&lt;br /&gt;Nem Angela nem Lígia, de Jobim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz;&lt;br /&gt;Das doze deusas de Edu e Chico;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até das trinta Leilas de Donato;&lt;br /&gt;E de Layla, de Clapton, eu abdico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só você&lt;br /&gt;Canto e toco só você&lt;br /&gt;Só você,&lt;br /&gt;Que nem você ninguém mais pode haver.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/lenine/122735/"&gt;(Continua...)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2801464500841498838?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2801464500841498838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2801464500841498838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2801464500841498838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2801464500841498838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher-todas-elas.html' title='Dia Internacional da Mulher: Todas elas juntas num só ser'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2347260751741650661</id><published>2010-02-24T17:54:00.000-08:00</published><updated>2010-03-17T13:48:10.519-07:00</updated><title type='text'>Free Nelson Mandela: 20 anos depois</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Ele libertou todos nós do apartheid. Antes, nunca nos misturávamos. Brancos, negros e mestiços vivíamos separados, mas hoje nos misturamos todos e somos uma só nação" &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Elizabeth Davies, política sul-africana)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;You're so blind that you cannot see"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Trecho da música "Free Nelson Mandela", The Special A.K.A.)&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este mês o mundo parou para comemorar os 20 anos da libertação de um homem negro, que ficou 24 anos preso numa cela de proporções mínimas na África do Sul, condenado a trabalhos forçados por discordar e críticar o &lt;em&gt;apartheid &lt;/em&gt;- o nefasto regime de segregação racial que durante muitas décadas separou brancos e negros num mesmo país. No dia 13 de fevereiro de 1990, o homem saiu da cadeia e contemplou a liberdade pela qual ele tanto esperara. À sua frente, uma multidão de sul-africanos, negros como ele, que o seguiram pelas ruas da cidade, cientes de que, naquela hora, suas vidas poderiam mudar. O homem parou em frente a uma praça, olhou a multidão e fez um gesto com o punho fechado para o ar. Hoje, no mesmo lugar, uma estátua dele com o mesmo gesto está erguida ali. &lt;/p&gt;Três anos depois, o apartheid encontrava seu fim na África do Sul. Em 1995, o ex-presidiário era eleito presidente da África do Sul e ganhava o prêmio nobel da paz. Estamos falando de Nelson Mandela (ou "Mandiba", seu nome de clã e como é chamado carinhosamente pelos africanos), e se o mundo parou para lembrar dos 20 anos de sua libertação é porque o considera um dos maiores líderes políticos que o mundo conheceu, da segunda metade do século XX até os dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos filmes em cartaz nos cinemas, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WV5PhkhUFZI"&gt;"Invictus"&lt;/a&gt; , de Clint Eastwood, narra como Nelson Mandela (brilhantemente interpretado por Morgan Freeman) enfrentou o ódio racial entre brancos e negros pregando a tolerância e o respeito mútuos. Logo numa das primeiras cenas, ao tomar posse como novo presidente, ele nota as salas dos funcionários brancos vazias - haviam arrumado seus pertences acreditando que seriam preteridos por negros. Mandela reúne todos os funcionários - brancos, negros e mestiços - e diz que está ali para trabalhar com todos, sem restrições, acreditando apenas na competência de cada um, acima da cor da pele. Lembrem-se de Martim Luther king e seu famoso discurso, "I have a dream...". Numa sequência, o retrato de um líder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandela conseguiu unir uma nação em torno de um time desacreditado, a seleção de rugby (símbolo, para a maioria negra, do regime opressor) e não mediu esforços para que eles chegassem à final da Copa do Mundo. Uma frase do capitão do time de rugby, ao visitar a cela de Mandela na prisão em que estivera preso, sintetiza a grandeza do líder sul-africano: "Como este homem conseguiu ficar mais de 20 anos preso neste cúbiculo e ainda consegue perdoar quem o colocou aqui?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Invictus" presta de fato uma bela homenagem a Nelson Mandela, mas eu queria era lembrar que, muito antes do cinema, em 1984, quando ainda estava preso, Mandela era agraciado com um libelo em forma de música vindo da Inglaterra, ainda antes de sua libertação, por meio da canção "Free Nelson Mandela", do grupo multirracial Special A.K.A. (ex-Specials), integrante do movimento Two Tone - dois tons, preto e branco. As bandas da Two Tone começaram a surgir a partir de 1979, no vácuo deixado pela fúria do movimento punk, e combinaram a anarquia e energia do punk com um gênero musical próximo do reggae, o dançante ska, difundido na Inglaterra por imigrantes jamaicanos. O sucesso das novas bandas foi imediato e influenciou até medalhões do rock "branco", como o Clash, que regravou o clássico jamaicano "Police and thieves".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, enquanto antes de Mandela chegar ao poder era inconcebível ver negros e brancos apertando as mãos na África do Sul, na Inglaterra brancos e negros uniam-se para balançar o cenário musical com canções politizadas e extremamente dançantes. A metrópole reunindo pretos e brancos através da música, enquanto a ex-colônia insistia num regime de segregação racial. São as ironias da história contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na gravação de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch#v=lCZKZILvE70&amp;amp;feature=related"&gt;"Free Nelson Mandela" &lt;/a&gt;- com o som da Two Tone já em seu crepúsculo, sendo substituído nas paradas pelos grupos &lt;em&gt;new romantics&lt;/em&gt;, ou simplesmente pelo som que seria chamado mais tarde como "new wave" -, o compositor Jerry Dammers, autor da música, contou no estúdio com membros originais de bandas famosas do movimento, como Specials, The Beat e Bodysnatchers. Nos vocais de apoio, ajudaram a criar uma canção ao mesmo tempo politizada e de irresistível apelo dançante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Free Nelson Mandela" ("Libertem Nelson Mandela") fez milhares de jovens ingleses cantarem pela libertação do líder negro, quando ainda estava preso. A maioria das bandas que compunham a Two Tone eram politizadas, e Jerry Dammers, investido no movimento anti-apartheid. "Free Nelson Mandela" tornou-se um sucesso e funcionou como um verdadeiro grito pela libertação do líder sul-africano. Muitos destes jovens ingleses que dançavam a música em clubes e afins nunca haviam ouvido falar em Mandela e cantavam em coro nos shows da banda versos como "you're so blind that you cannot see", que poderiam estar se referindo aos próprios ingleses ou ao mundo ocidental - alheios à desgraça sul-africana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, a desgraça, ou o apartheid, estava também em seus últimos momentos. Em 1993 era extinto o regime que por séculos perdurou, e em 1995 Mandela estaria à frente de milhões de compatriotas para fazer história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Mandela - The Special A.K.A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Nelson Mandela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Free &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Free Free Nelson Mandela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;21 years in captivity&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Shoes too small to fit his feet&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;His body abused, but his mind is still free&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so blind that you cannot see&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Nelson Mandela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Visited the causes at the AMC&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Only one man in a large army&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so blind that you cannot see&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so deaf that you cannot hear him&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Nelson Mandela &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;21 years in captivity&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so blind that you cannot see&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so deaf that you cannot hear him&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You're so dumb that you cannot speak&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Free Nelson Mandela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2347260751741650661?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2347260751741650661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2347260751741650661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2347260751741650661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2347260751741650661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/02/free-nelson-mandela-20-anos-depois.html' title='Free Nelson Mandela: 20 anos depois'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-7406292860341013561</id><published>2010-02-19T11:44:00.000-08:00</published><updated>2010-02-20T06:07:39.592-08:00</updated><title type='text'>Você já esteve em Frondosa? Os espiões, do Verissimo, sim</title><content type='html'>Sou daqueles que sempre levam um livro na mochila para qualquer viagem que faça. A trabalho ou lazer, sempre há a possibilidade de uma chuva impiedosa confinar a gente dentro de casa ou no hotel, e então um bom livro surge como saída acalentadora. Neste carnaval não foi diferente. Nos intervalos da folia, li o romance "Os espiões", de Luis Fernando Verissimo, autor que na opinião deste blogueiro deveria tornar-se leitura obrigatória em escolas de de todo o país, apenas para mostrar a nossos jovens como a boa literatura pode ser algo divertido e prazeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os espiões" é um romance que trás de volta aos leitores uma das características marcantes do escritor gaúcho: misturar personagens típicos do cotidiano, daqueles que qualquer um de nós poderíamos encontrar numa mesa de bar - e o bar é um dos cenários-chave da trama - com um enredo mirabolante e com inúmeras citações cultas - da mitologia grega ao pintor italiano De Chirico, de considerações hilariantes sobre literatura a um suposto crime na fictícia cidade de Frondosa - local para onde os amadores espiões criados pelo escritor se aventuram em busca da resolução de um enigma - ou seja, a estranha carta que o protagonista recebe certo dia: ali, uma mulher chamada Ariadne promete contar sua história e depois se matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista recente, Verissimo disse que só tinha a curiosa primeira frase do livro - "Formei-me em letras e na bebiuda busco esquecer" - antes de sentar e escrever todo o romance. Aos poucos os personagens e situações foram surgindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motivado pela leitura do blog &lt;a href="http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/2009/02/22/comecos-inesqueciveis-javier-marias/"&gt;Todoprosa&lt;/a&gt;, do jornalista e escritor Sérguio Rodrigues, no qual há a seção "Começos inesquecíveis", transcrevo abaixo o primeiro parágrafo de "Os espiões": um ótimo exemplo de técnica literária, erudição e humor. Verissimo apresenta o protagonista e dá o tom da trama que virá nas próximas páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leiam e divirtam-se, então. (Só não precisam concordar com a excentricidades literárias do protagonista..ainda que motivadas por uma bela ressaca...rs):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer. Mas só bebo nos fins de semana. De segunda a sexta trabalho numa editora, onde uma das minhas funções é examinar os originais que chegam pelo correio, entram pelas janelas, caem do teto, brotam do chão ou são atirados na minha mesa pelo Marcito, dono da editora, com a frase "Vê se isso presta". A enxurrada de autores querendo ser publicados começou depois que um livrinho nosso chamado Astrologia e Amor - Um Guia Sideral para Namorados fez tanto sucesso que pérmitiu ao Marcito comprar duas motos novas para sua coleção. De repente nos descobriram, e os originais não param mais de chegar. Eu os examino e decido seu futuro. Nas segundas-feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trêmulas para o lixo. E nas segundas-feiras minhas cartas de rejeição são mais ferozes. Recomendo ao autor que não apenas nunca mais nos mande originais como nunca mais escreva uma linha, uma palavra, um recibo. Se Guerra e Paz caísse na minha mesa numa segunda-feira, eu mandaria seu autor plantar cebolas. Cervantes? Desista, hombre. Flaubert? Proust? Não me façam rir. Graham Greene? Tente farmácia. Nem le Carré escaparia. Certa vez recomendei a uma mulher chamada Corina que se ocupasse de afazeres domésticos e poupasse o mundo de sua óbvia demência, a de pensar que era poeta. Um dia ela entrou na minha sala brandindo o livro rejeitado que publicara por outra editora e o atirou na minha cabeça. Quando me perguntam a origem da pequena cicatriz que tenho sobre o olho esquerdo, respondo:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Poesia.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-7406292860341013561?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/7406292860341013561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=7406292860341013561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7406292860341013561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/7406292860341013561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/02/voce-ja-esteve-em-frondosa-os-espioes.html' title='Você já esteve em Frondosa? &lt;em&gt;Os espiões&lt;/em&gt;, do Verissimo, sim'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2155711502502796489</id><published>2010-02-11T06:20:00.000-08:00</published><updated>2010-02-11T18:00:58.161-08:00</updated><title type='text'>Crianças fazem jornalismo: está no ar a Jacaré FM</title><content type='html'>Eles têm apenas de quatro a seis anos de idade. E já são jornalistas! Toda semana, crianças de uma escola municipal de São Paulo elaboram as pautas, editam as matérias e fazem a locução de reportagens para uma rádio cujo nome também escolheram: &lt;a href="http://radiojacarefm.spaces.live.com/"&gt;Jacaré FM&lt;/a&gt;. Apesar de veiculada somente na internet, tem audiência cativa entre professores e coleguinhas. A boa notícia é que os repórteres mirins tomaram gosto pela experiência e este sucesso se refletiu nos estudos em sala de aula: o desempenho das crianças em língua portuguesa melhorou sensivelmente após a experiência, segundo o colunista &lt;a href="http://aprendiz.uol.com.br/content/kedekithen.mmp"&gt;Gilberto Dimenstein&lt;/a&gt;, que se mostrou entusiasmado em sua coluna na rádio CBN. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciativas como essa num país de tantos contrastes como o Brasil não deixam de nos causar alívio e uma certa dose de esperança, ainda que a realidade brasileira não ajude. Ontem mesmo, em uma crônica de Zuenir Ventura, no Globo, "Como (não) formar leitores", o jornalista mostrava-se preocupado com a falta de hábito de leitura no Brasil, um país em que mais de 70 milhões de pesoas não leem. É muita gente privada do prazer de ler. Segundo Zuenir, um dos motivos estaria na falta de renovação das listas de livros que os adolescentes são obrigados a ler na escola, listas que misturam clássicos indiscutíveis como "Brás Cubas", de Machado de Assis, ao lado de prosas datadas como "Iracema", de José de Alencar". Muitos livros indicados indevidamente podem causar no jovem leitor a sensação de que a leitura é uma coisa muito chata. Para Zuenir, não seria hora de receitar aos nossos alunos textos mais modernos como os de Rubem Braga, Fernando Sabino ou Luís Fernando Verissimo? Assino embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, esta semana, o Jornal Nacional fez uma reportagem que é uma ótima notícia para quem preza o hábito de ler. Dia 8 de fevereiro foi inaugurada, no exato local onde havia o famigerado Complexo Penitenciário do Carandiru - sim, aquele mesmo do filme que você deve ter assistido, cujo massacre em 1992 resultou na morte de 111 presos pelas forças de repressão do estado de São Paulo - a &lt;a href="http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/02/bliblioteca-sao-paulo-sera-inaugurada-hoje/"&gt;Biblioteca São Paulo&lt;/a&gt;, uma livraria composta pelo que há de mais moderno no incentivo á leitura. Em formato de uma moderna livraria, dá atenção especial para as crianças, com prateleiras onde os livros infantis ficam dispostos de forma que qualquer pequeno leitor possa manuseá-los antes de começar a leitura. A tecnologia não foi esquecida, com mais de 100 computadores e até máquinas especiais próprias para cegos, que escaneiam os livros e fazem a leitura sonora de revistas e livros para aqueles não enxergam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como deu pra perceber nos exemplos de Zuenir e da nova biblioteca, a tecnologia pode ser uma ótima aliada na conquista de novos leitores. É isso que vem fazendo o sucesso da Jacaré FM, ao apostar no auxílio dos meios de comunicação para melhorar o rendimento escolar das crianças, tornando a experiência do ensino mais lúdica e instrutiva. Longe de considerar o computador, a televisão e o rádio como "inimigos" ou "adversários" do ensino, educadores já começam a verificar que a aliança com as mídias - analógicas ou digitais - pode trazer boas novidades às escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo Dimenstein, a exxperiência inovadora desta escola começa a se refletir também na graduação. Recentemente a USP criou o curso de Educomunicação, que nada mais é do que o professor usar os meios de comunicação na aprendizagem. Poderíamos dizer que não é uma experiência nova - há muitos profesores em diversos cantos do Brasil que costumam trazer o jornal, a televisão ou o rádio para a sala de aula a fim de complementarem de forma criativa suas aulas. Mas é algo que pela primeira vez ganha o escopo de um curso superior. Ou seja, num tempo em que as novas mídias digitais conquistam cada vez mais espaço na preferência dos jovens, por que não usar destas mídias emn sala de aula, como ferramenta de ensino, em vez do ultrapasado giz e quadro negro para ensinar a norma culta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência da Jacaré FM mostra que a iniciativa tem tudo pra dar certo. Saudemos então os pequenos repórteres de São Paulo, e que outras escolas Brasil afora não tenham medo de copiar tão bela iniciativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2155711502502796489?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2155711502502796489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2155711502502796489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2155711502502796489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2155711502502796489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/02/criancas-fazem-jornalismo-esta-no-ar.html' title='Crianças fazem jornalismo: está no ar a &lt;em&gt;Jacaré FM&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2308400214621642728</id><published>2010-01-29T05:06:00.001-08:00</published><updated>2010-01-29T19:03:20.349-08:00</updated><title type='text'>O outono do apanhador e o despertar da primavera</title><content type='html'>Houve um tempo em que adolescência era um termo que não existia, e a juventude como a conhecemos hoje era apenas uma passagem sem importância a ser transcorrida entre a infância e a idade adulta - esta sim a fase "importante" do homem. A adolescência e a culura jovem como a conhecemos hoje deve muito à eclosão do &lt;em&gt;rock n' roll&lt;/em&gt; em meados dos anos 1950 e a filmes da mesma época, como "O selvagem" (com Marlon Brando) e "Juventude transviada" (com James Dean). Antes disso, porém, duas grandes obras escritas entre o final do século XIX e a metade do século XX ousaram levar ao público um painel desta fase da vida repleta de dúvidas e inquietações. Estou falando da peça "O despertar da primavera" e do livro "O apanhador no campo de centeio", cujo autor, o recluso J.D. Salinger, morreu esta semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta crônica está em clima de despedidas. No Rio, despede-se da temporada a peça "O despertar da primavera", depois de figurar em todas as listas de melhores do ano e emocionar uma multidão de espectadores - entre eles muitos jovens que estavam afastados do teatro e que foram não uma, mas duas ou mais vezes conferir. "O despertar da primavera", de Franz Wedekind, foi escrita em 1891, transformada em 2006 num musical pelos americanos Duncan Sheik e Steven Sater e adaptado aqui no Brasil pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. Se você ainda não conferiu, é a chance para um novo despertar - cultural, rebelde e emocionante. E que diz muito ao espírito jovem que todos devemos (ou deveríamos) trazer dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espírito jovem? Sim, se lembrarmos que a peça de Wedekind se passa em fins do século XIX, época de repressão e moralismos, desejos sublimados e opressão. Conta a história de Melchior Gabor, aluno brilhante e rebelde de uma escola ultra-conservadora que se apaixona por Wendla, uma jovem educada pelos pais com rigidez excessiva. Há um núcleo básico entre os três elementos que simbolizam a repressão ao jovem: a escola, a família e a igreja. Os diretores Möeller e Botelho reduziram os atores adultos em cena para apenas um casal e chamaram 19 jovens para o elenco do musical. Ali, os adultos e suas convenções são os inimigos. E a busca do sexo - elemento principal da trama - um tabu a ser enfrentado. Wedekind ousou colocar vários conflitos nos personagens dos jovens em sua trama, como o sexo e a gravidez na adolescência, aborto, suicídio e homossexualismo. Por tudo isso, teve sua peça censurada por décadas. "O despertar" só foi encenada sem cortes ou censura em 1974, muitos anos depois da morte do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S2OdA6Ko_dI/AAAAAAAAAC0/03S1PetEfmo/s1600-h/Despertar.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432358214478396882" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S2OdA6Ko_dI/AAAAAAAAAC0/03S1PetEfmo/s400/Despertar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Wedekind não teve tempo de conferir sua peça na íntegra como imaginou e escrevera, o escritor J.D. Salinger conheceu a glória em vida, mas jamais buscou aproveitar os louros da fama, preferindo viver por décadas recluso na pequena cidade de Cornish, um vilarejo em New Hampshire. Recusava-se a dar entrevistas a qualquer um e nunca cedeu direitos de seus livros para o cinema. Mesmo assim, sua obra mais conhecida, "O apanhador no campo de centeio", romance escrito em 1951, vendeu mais de 60 milhões de exemplares até hoje e estima-se que ainda venda por ano 250 mil exemplares. Qual a razão do fascínio? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos tentaram explicar. O jornalista e escritor José Castelo definiu a obra no jornal O Globo como um "assombro que nunca termina". Um assombro que ele e muitos jovens em todo o mundo teriam sentido ao lerem a obra na juventude. Ou, como escreveu um crítico da revista "Time" à época: "Ele consegue entender a cabeça de um adolescente sem ter uma". Sim, porque toda a trama é narrada por um adolescente, Holden Caufield, no espaço de um final de semana, no qual, recuperando-se de uma crise nervosa, o jovem relembra dos últimos encontros que tivera - um profesor, uma ex-namorada... A originalidade para a época está no fato de o livro relatar todas as inquietações típicas da juventude, suas gírias, palavrões, manias, sua rebeldia aparentemente sem causa etc. Talvez por isso milhares de jovens tenham se identificado com o protagonista. Talvez, também, por este motivo o livro tenha sido até os anos 1980 censurado em escolas, enquanto em muitas outras é ainda hoje leitura obrigatória. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Deixemos então uma lágrima para Salinger, que viveu seu longo outono em reclusão, indisposto à fama e a qualquer encanto do mundo do entretenimento, e saudemos o despertar da primavera. Se existe o paraíso, em algum lugar o recluso escritor poderá encontrar e conversar longamente com o alemão Franz Wedekind. Enquanto isso, suas obras ainda continuarão por muitos e muitos anos sendo lidas ou encenadas, e emocionando as as mentes livres com um pouco da poesia e liberdade do que é ser e manter-se jovem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2308400214621642728?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2308400214621642728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2308400214621642728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2308400214621642728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2308400214621642728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/01/o-outono-do-apanhador-e-o-despertar-da.html' title='O outono do apanhador e o despertar da primavera'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S2OdA6Ko_dI/AAAAAAAAAC0/03S1PetEfmo/s72-c/Despertar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2306631510822017742</id><published>2010-01-14T17:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-21T06:14:33.723-08:00</updated><title type='text'>We will rock you: 25 anos do Rock in Rio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S1DRyEsLd9I/AAAAAAAAACs/rDtTWAmFoEA/s1600-h/262333post_foto%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427068209164154834" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S1DRyEsLd9I/AAAAAAAAACs/rDtTWAmFoEA/s400/262333post_foto%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Numa bela tarde do ano de 1984 o empresário do grupo Queen atendeu ao telefone um tanto surpreso. Seu assistente dizia ser uma ligação internacional vinda do Brasil. Do outro lado da linha o brasileiro se apresentou: seu nome era Roberto Medina e queria contratar a banda para um show dali a um ano no Rio de Janeiro. Onde, no Maracanã?, perguntou o empresário. Não, respondeu o brasileiro, mas sim num terreno de 250 mil metros quadrados, no ainda longínquo bairro da Barra da Tijuca e próximo a Jacarepaguá. O brasileiro ainda avisou ao inglês que aquele seria o maior público que o Queen (então no auge)atingiria em toda a sua carreira. Incrédulo, achando tratar-se de uma grande piada, o inglês riu e não tardou a desligar o telefone, não sem antes prometer enviar àquele brasileiro sonhador uma garrafa de espumante, "no lugar da banda". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ouvi a historinha contada pelo jornalista João Carlos Santana, do programa da CBN &lt;a href="http://cbn.globoradio.globo.com/programas/sala-de-musica/SALA-DE-MUSICA.htm"&gt;Sala de Música&lt;/a&gt;, ao lembrar dos 25 anos do primeiro &lt;em&gt;Rock in Rio&lt;/em&gt;. Como o tempo passou rápido! Em janeiro de 1985, alguns meses depois do fatídico telefonema, multidões começaram a rumar para o local dos shows. Eu estava lá, com 15 anos de idade, e estive presente em três noites do festival que mudaria os rumos da indústria de entretenimento no Brasil. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi preciso ver para crer. Em meados de 1984 saiu uma notinha na coluna do Zózimo (um dos jornalistas mais bem informados da época) e havia ali a informação, pela primeira vez, de um festival de rock de grandes proporções no Rio de Janeiro, em janeiro de 1985, contando com estrelas nacionais e internacionais. Se antes apenas o inglês não levara a sério a notícia, desta vez muitos brasileiros duvidaram. E não era para menos: no Brasil de então, prestes a sair de uma ditadura militar, não havia nenhum antecedente de grandes shows de rock, nem de grandes festivais ao estilo Woodstock. Ainda mais de rock!?!? Aos olhos da &lt;em&gt;inteligentzia&lt;/em&gt; tupiniquim, como cantara Rita Lee, roqueiro brasileiro sempre tivera cara de bandido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, Roberto Medina seguiu com sua loucura e o projeto acabou saindo do papel. E o empresário cumpriu a promessa de levar ao Queen o seu maior público: quase 300 mil pessoas assistiram extasiadas à banda, com o vocalista Fred Mercury regendo um coro de centenas de milhares cantando "Love of my life" e We will rock you". Fiz parte do coro destas músicas no primeiro dia, o qual estive presente com irmão, primo e amigos, depois de um périplo de mais de duas horas para chegar ao local - num tempo sem Linha Amarela, era necessário pegar um ônibus até a Central do Brasil e depois outro que nos levaria até o local. Carro? Nem pensar, éramos todos adolescentes e fãs de música, com dinheiro contado nos bolsos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi neste dia também que o Iron Maiden realizou um show nota 10, com um profissionalismo de se aplaudir e conquistou uma legião de fãs brasileiros. Aliás, foi durante o festival que se começou a ouvir aqui e ali o termo "metaleiro", para designar os fãs de heavy metal - alguns na época bastante intolerantes com artistas que não os agradavam. Como Erasmo Carlos, que prativamente fou expulso do palco pelos fãs de heavy metal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas, se Erasmo Carlos teve recepção amarga de parte do público, outros artistas brasileiros realizaram ali show inesquecíveis, mesmo com a discrepância de infra-estrutura entre artistas nacionais e internacionais. O cenário dos internacionais era melhor e quase megalomaníaco em alguns casos (a banda AC/DC fizera questão de ter no cenário um imenso sino de 6 toneladas, que teve que vir de navio, para que durante a apresentação da banda ele soasse no começo da música "Hells Bells") e o som, durante os shows internacionais, era bem mais alto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pouco acostumados com shows de grandes proporções, uma banda de Brasília que tinha apenas dois discos no currículo - os Paralamas do Succsso - improvisaram dois vasos de samambaias como "cenário" do palco e mandaram ver um show contagiante, que os projetou Brasil afora. Baby Consuelo (depois Baby do Brasil, atual Baby de Jesus, amanhã não sei) com a presença em sua banda de seu marido na época, o guitarrista Pepeu Gomes, conseguiu ser aplaudida até por roqueiros empedernidos após uma versão incendiária do clássico "Brasileirinho". Blitz (ainda na ativa), Lulu Santos e Barão Vermelho (com Cazuza) levaram o público ao delírio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro show inesquecível foi o do dia 13, quando Rod Stewart encerrou a noite fazendo todo mundo cantar e dançar seus clássicos - "Sailing" foi cantada por mais de 100 mil. Lembro ainda de quando Rod levou uma versão super roqueira de "Twisting the night away", um dos clássicos de seu ídolo, a lenda soul Sam Cooke. Neste mesmo dia ainda tivemos as Go Go's, um grupo californiano só de mulheres, e a apresentação da alemã Nina Hagen, que surpreendeu quem não a conhecia com um ótimo show. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas também não consigo esquecer da chamada noite do heavy metal. Não era pra menos: no mesmo dia 19 de janeiro estavam escalados Whitesnake, Scorpions, Ozzy Osbourne e, fechando a noite, AC/DC. Ouso dizer que, mesmo com toda a chuva que caiu na véspera e durante o dia - que transformou a cidade do rock num imenso lamaçal - nunca mais os metaleiros terão aqui no Brasil uma noite tão boa e representativa do gênero. Os show foram excelentes, com alguns detalhes curiosos, como a galinha entregue a Ozzy Osbourne - que, reza a lenda, gostava de morder galinhas vivas no palco para beber o sangue - por alguém da fila do gargarejo. Bons tempos aqueles em que não existia plateia vip composta por celebridades entediadas à frente dos outros... E também a irresistível foi a apresentação do AC/DC, com um show de guitarra de Angus Young, coroando a apresentação com tiros de canhão em "For those about to rock - we salut you". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, foram 10 dias de muita música, paz e chuva. Após o festival, tornou-se comum que as grandes bandas pop incluíssem o Brasil no roteiro. Quem trabalhava com eventos amadureceu da noite pro dia e teve que se profisionalizar, com o tamanho e os números do festival. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Após 1985, houve ainda mais duas edições do Rock in Rio por aqui: a segunda, em 1991, no Maracanã, e a terceira, em 2001, de novo em Jacarepaguá. Com o preço do dólar nas alturas e as dificuldades enfrentadas, Medina levou a marca para a Europa e em 2004 houve o primero &lt;em&gt;Rock in Rio Lisboa&lt;/em&gt;, de novo um sucesso de público. Hoje já há também o &lt;em&gt;Rock in Rio Madri&lt;/em&gt;, na Espanha e para o ano que vem há a possibilidade de mais edições, na Polônia e...de novo no Rio. É o desejo de Medina, que está em &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1441728-7085,00-FOI+UMA+MALUQUICE+DIZ+ROBERTO+MEDINA+SOBRE+ROCK+IN+RIO+DE.html"&gt;negociações &lt;/a&gt;com a prefeitura do Rio para conseguir um local para seu festival que tornou-se um evento planetário. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem esteve presente em qualquer das edições do festival - e enfrentou as longas distâncias, a cerveja quente, a lama etc - sabe que valeu a pena. De minha parte, os shows inesquecíveis que vi naquele janeiro de 1985 só me fazem repetir um dos slogans do evento: eu vou! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2306631510822017742?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2306631510822017742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2306631510822017742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2306631510822017742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2306631510822017742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/01/we-will-rock-you-25-anos-do-rock-in-rio.html' title='We will rock you: 25 anos do Rock in Rio'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/S1DRyEsLd9I/AAAAAAAAACs/rDtTWAmFoEA/s72-c/262333post_foto%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-8377614115253964237</id><published>2010-01-06T08:35:00.000-08:00</published><updated>2010-01-08T05:21:05.888-08:00</updated><title type='text'>Um prêmio anual à estupidez humana</title><content type='html'>A expressão "tragicomédia" tem origem teatral e diz respeito a uma peça ou situação com caráter de tragédia, mas permeada de humor pelos incidentes e desenlace - muitas vezes involuntário. Podemos descrever como exemplo de "situação tragicômica" a desafortunada tentativa de dois ladrões belgas em detonar, com dinamite, o caixa eletrônico do banco o qual resolveram assaltar. Ao exagerarem (em muito) na carga de explosivos, os infelizes acabaram explodindo a agência inteira - e a si próprios. O curioso fato chegou aos ouvidos dos organizadores do Prêmio Darwin, que resolveram por unanimidade agraciar o fato com o primeiro lugar de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem ainda não sabe o que é o &lt;a href="http://www.darwinawards.com/"&gt;Prêmio Darwin&lt;/a&gt;, vamos explicar. Trata-se de um prêmio criado na Inglaterra, que desde 1991 escolhe as histórias de mortes consideradas as mais estúpidas do ano, para homenagear "os que melhoram as espécies ao acidentalmente se retirar dela". A explicação científica do site ressalta que os indivíduos agraciados com o prêmio, ao fazerem jus a ele - ou seja, morrerem -, contribuem para a melhoria da genética humana, ao afastarem os "maus genes". Não deixando descendentes, não há risco de a estupidez passar de pai pra filho. Darwin, o homem que mudou definitivamente a ciência humana, em algum lugar deve estar se divertindo a valer com a "homenagem". Que ironia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não poderia ficar de fora do prêmio. No ano passado o &lt;em&gt;Darwin Awards&lt;/em&gt; premiou em primeiro lugar o padre gaúcho Adelir de Carli, que teve a criativa ideia de voar puxado por mil balões de gás hélio na região Sul, vindo a morrer no mar em meio a um temporal. No site do Prêmio, há um tributo ao "&lt;a href="http://www.darwinawards.com/darwin/darwin2008-16.html"&gt;padre baloneiro&lt;/a&gt;", contando em detalhes sua quase façanha: precavido, Adelir providenciou um verdadeiro kit de sobrevivência para levar junto e até um aparelho de GPS para se comunicar caso houvesse algum problema na viagem. Só se esqueceu de uma coisinha: não sabia usar o GPS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O mais curioso é que o padre não foi o único a cortejar a estupidez desta forma: segundo o site, em 1982, um americano se prendeu a 45 balões do tempo e, após várias intempéries no céu, voltou vivo pra contar a história - aliás, o fato teria inspirado a história de um dos melhores filmes de 2009: "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ydmQXtfnnFY"&gt;Up: Altas aventuras&lt;/a&gt;", e seu adorável velhinho rabugento louco por balões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia que li no JB sobre a eleição do prêmio conta que este ano o Darwin foi bem disputado. Em segundo lugar, ficou um americano de 30 anos que, não aguentando de vontade de urinar, parou seu carro no meio da rodovia e se encaminhou para a mureta a fim de se aliviar. Quando viu o número de carros passando, ficou com vergonha e buscou mais privacidade pulando a mureta. O coitado só não percebeu que estava em cima de um viaduto, e morreu estatelado no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro lugar é ainda mais bizarro: uma mulher, também americana, passeava de bicicleta quando o mal tempo fez surgir uma enchente e ela acabou caindo num rio. A polícia chegou bem a tempo de salvá-la. Quando os policiais se distraíram, a moça mergulhou de volta no rio: queria encontrar a bicicleta. Segundo o jornal, desta vez não houve chances de salvamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra falar a verdade, a originalidade do Prêmio Darwin é o caráter mórbido da coisa: o sujeito (ou sujeita) tem que morrer para "conquistar" o prêmio. O agraciado é sempre um "vencedor póstumo". Mas congratulações à estupidez sempre estiveram presentes em nossa imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos de Sérgio Porto e sua criação, o Febeapá, que não era prêmio mas sim um "festival", ou o "Festival de besteiras que assolam o país". Após a tomada do poder pelos militares, em 1964, Sérgio começou a selecionar diversas notícias que saíam nos jornais de norte a sul do Brasil. Segundo ele, estas notícias serviam para caracterizar os abusos cometidos sob inspiração da nova ideologia governamental. Dois exemplos coletados pelo colunista, de meados dos anos 60:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em Mariana (MG) um delegado de polícia proibiu casais de sentarem juntos na única praça namorável da cidade e baixou portaria dizendo que moça só poderia ir ao cinema com atestado dos pais. No mesmo estado, mas em Belo Horizonte, um outro delegado distribuía espiões da polícia pelas arquibancadas dos estádios porque 'daqui pra frente, quem disser mais de três palavrões, torcendo pelo seu clube, vai preso' ".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando se desenhou a perspectiva de uma seca no interior cearense, as autoridades dirigiram uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a situação local depois da passagem do equinócio. Um prefeito enviou a seguinte resposta, à circular: 'Doutor Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foqguetes, passeatas e festas' ".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra não dizer que tivemos nosso próprio prêmio à estupidez na imprensa, lembremos aqui do saudoso troféu criado por Augusto Nunes, à época de sua passagem pelo JB, o Troféu Yolhesmann Crisbelles (nome que não quer dizer rigorosamente nada). O Crisbelles foi concebido, segundo o colunista, "para contemplar declarações tão pomposas quanto vazias, frases ininteligíveis ou textos amalucados", como essa espantosa frase do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, em 2008, sobre a possibilidade de algum apagão no pais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Deus é brasileiro, e podemos contar com a ajuda de São Pedro. Por isso, posso garantir ao país que não haverá um apagão energético."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época, Nunes desconfiou: "É bom lembrar que São Pedro não tem passaporte verde e Deus anda ocupado demais para vigiar pessoalmente a quantas anda o país natal". Não deu outra: em 2009, tivemos novo apagão em quase todo o país. Procurado pela imprensa, desta vez Lobão saiu pela tangente: colocou a culpa nas "condições atmosféricas" e concluiu, solenemente: "Assunto encerrado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, o ministro decretou e nós ouvimos: o assunto está encerrado (pelo menos até o próximo apagão...). O que não está encerrada é a estupidez. No livro "Como me tornei estúpido", o escritor Martin Page cria a histíoria de um rapaz brilhante que, para conseguir ser plenamente aceito na sociedade em que vive, investe na idiotice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso nem responder se ele consegue, não é mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-8377614115253964237?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/8377614115253964237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=8377614115253964237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8377614115253964237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8377614115253964237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2010/01/um-premio-anual-estupidez-humana.html' title='Um prêmio anual à estupidez humana'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1514546426195128197</id><published>2009-12-30T03:58:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T05:23:42.108-08:00</updated><title type='text'>Para fechar bem o ano: Beatles!</title><content type='html'>Em todo o mundo, é uma tradição nos meios de comunicação recapitular os momentos mais importantes daqueles 365 dias que se foram. Daí a avalanche de retrospectivas, seletivas, momentos bons e ruins, grandes perdas, grandes talentos que surgiram, os campeões do esporte, os melhores nas artes etc. Hoje em dia, com a velocidade dos acontecimentos e a nova gama de informações, multiplicada pelo advento da internet, entramos num paradoxo: há muito mais informação disponível e muito mais espaço para levar ao público sua arte; porém, é cada dia mais difícil o surgimento de um talento que arrebate as multidões e promova uma revolução musical e comportamental entre os jovens. A morte de Michael Jackson, que com certeza será lembrada em todos os programas retrospectivos mundo afora, marcou também o fim de uma era: a do artista como um revolucionário que muda a cultura de sua época e vende milhões de discos. Hoje, vivemos a cultura do download musical e por enquanto não há certezas sobre o futuro do mercado de  discos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cenário musical de 2009 marcou também o relançamento - pela primeira vez remasterizados dignamente - de todos os CDs (originalmente lançados como LPs) dos Beatles, a banda mais revolucionária do rock. Comemorou-se também os 40 anos do lançamento, em 1969, da obra-prima "Abbey Road", o canto de cisne dos quatro de Liverpool. Num tempo em que qualquer um pode gravar um disco dentro de seu quarto ou garagem e depois lançar na internet, é sempre bom lembrar de artistas que com seu talento proporcionaram arte duradoura e, por que não, eterna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As comemorações pelos 40 anos de Abbey Road foram muitas. De minha parte, vou transcrever um trecho da entrevista concedida aos repórteres americanos à época da primeira viagem dos Beatles aos Estados Unidos, em 1964, quando  o grupo definitivamente conquistaria o mundo. São momentos que mostram todo o humor, ironia e non-sense de artistas em processo de amadurecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jenXdNQRlfk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jenXdNQRlfk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deslumbrados com o sucesso, sim, mas conscientes do poder da música no mundo do entretenimento, os quatro integrantes da banda respondem e cutucam jornalistas que insistem em fazer perguntas idiotas ("vão cortar o cabelo?"). Era já um prenúncio da cultura de celebridades que estava por vir - mais preocupada com a imagem e fofocas do que com arte. Segue o trecho, retirado do livro de Roberto Muggiati "A Revolução dos Beatles".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A conquista do planeta começou mal, numa apresentação de aquecimento no Cinema Cyrano, de Versalhes. No dia seguinte, tinha início a temporada parisiense no Olympia. Os rapazes dividiam o cartaz com Triny Lopez e Sylvie Vartan, sem ter ficado claro qual era a atração principal, embora os Beatles tivessem fechado os dezoito shows(...). No meio de tudo isso, na volta ao hotel pela madrugada, um telegrama trazia a boa nova: nos Estados Unidos, o compacto "I wanna hold your hand" pulava do quadragésimo terceiro lugar para o primeiro nas paradas. Em três dias, vendeu 250 mil cópias; a 10 de janeiro tinha chegado a um milhão e no dia 13 vendia 10 mil cópias por hora, só na cidade de Nova York. era tudo que Brian [o empresário] e os rapazes precisavam para tomar de assalto a América. &lt;br /&gt;No dia 6 de fevereiro, eles embarcavam no Boeing 707 da Pan American PA 101, o avião cheio de jornalistas e homens de negócios que assediavam Brian Epstein com propostas de marketing, merchandising e coisas mais para faturar em cima do sucesso dos Beatles. Na sexta-feira, 7 de fevereiro, os Beatles pousavam no Aeroporto Internacional de Nova York, recém-batizado de John F. Kennedy. A expectatica da chegada (THE BEATLES ARE COMING! era o grito de guerra) ultrapassava tudo o que Brian e os Beatles poderiam imaginar. &lt;br /&gt;Uma agitada multidão de jovens aguradava no aeroporto. Ao contrário da bem-comportada coletiva antes do embarque em Heathrow, em Londres, um turba agressiva de repórteres e fotógrafos assediava os Beatles na sala de imprensa do aeroporto. Foi John que colocou ordem nos trabalhos com um sonoro Shaaaaaaarup!&lt;br /&gt;- Que acharam da recepção? - perguntou um repórter.&lt;br /&gt;- Então isto é a América - falou Ringo, encarando a plateia. - Parece todo mundo doido...&lt;br /&gt;- Vão cortar o cabelo? (risos gerais)&lt;br /&gt;- Acabei de cortar o meu ontem - disse John.&lt;br /&gt;- Vocês fazem parte de uma rebelião social contra a geração mais velha?&lt;br /&gt;- É uma mentira deslavada. &lt;br /&gt;- E a campanha em Detroit para acabar com os Beatles?&lt;br /&gt;- Estamos em campanha pra acabar com Detroit - disse Paul.&lt;br /&gt;- O que é que vocês fazem quando estão ilhados nos quartos de hotel entre os shows? &lt;br /&gt;- Fazemos patinação no gelo - respondeu George.&lt;br /&gt;- Pretendem levar algo de volta com vocês?&lt;br /&gt;- O Rockfeller Center.&lt;br /&gt;- Que acham de Beethoven?&lt;br /&gt;- Adoro ele - disse Ringo - especialmente seus poemas.&lt;br /&gt;E por aí foi."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feliz 2010 para todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O que acha que estará fazendo daqui a 20 anos?" &lt;br /&gt;"Talvez tendo que responder a perguntas iguais a essa".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Entrevista com Keith Richards, no filme "Shine a Light")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1514546426195128197?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1514546426195128197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1514546426195128197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1514546426195128197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1514546426195128197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/12/para-fechar-bem-o-ano-beatles.html' title='Para fechar bem o ano: Beatles!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5133125281377741641</id><published>2009-12-24T05:53:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T06:19:38.383-08:00</updated><title type='text'>É Natal!!!</title><content type='html'>Então é Natal!!! Marginal Conservador confessa que fica mais sentimental e confiante na humanidade (só um pouquinho) nesta época do ano. É época de confraternização, renovar desejos de felicidade, reencontrar antigos amigos, parentes (e presentes)  inesperados, comer rabanadas, pernil e tomar bons vinhos...Enfim, é época de esperança e união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo a todos que passaram por aqui um Feliz Natal. Como este blog é feito por um pai, fã da sétima arte, que adora levar o filho ao cinema, deixo com vocês um curta-metragem delicioso. Trata-se de "Uma missão de Natal", estrelado pelos adoráveis (e, de vez em quando, um pouquinho sádicos...rs) pínguins do filme "Madagascar" - decididamente meus personagens preferidos entre os bichos da série de desenhos animados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica a lembrança de uma passagem de ano com muita paz e bom humor a todos nós. FELIZ NATAL!!!      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FJU5gPPlsCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FJU5gPPlsCM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5133125281377741641?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5133125281377741641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5133125281377741641' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5133125281377741641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5133125281377741641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/12/e-natal.html' title='É Natal!!!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3474272434351827150</id><published>2009-12-20T04:24:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T05:22:28.631-08:00</updated><title type='text'>Viva Villa!!</title><content type='html'>Sábado, 19 de dezembro, 16 horas. Em toda a cidade do Rio de Janeiro uma multidão se esforça para realizar as últimas compras de Natal. Paro e reflito: o que faz um pai separado, que naquele dia exato se encontra com filho e afilhado, ávidos por diversão e aventura? Vai ao shopping? Não!!! Embrenha-se no Mercadão de Madureira ou ao Saara? Nem pensar - seria muita tortura para os pequenos. Uma dica preciosa surge no sábado pela manhã: o concerto "Villa in Concert", com a Orquestra Villa-Lobos e as Crianças, no belo espaço ao ar livre do Arquivo Nacional. Ali, jovens de várias comunidades cariocas se encontram para tocar e encantar a plateia com músicas para crianças compostas pelo maestro Heitor Villa-Lobos. Se valeu a pena? Bem, continue lendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Sy_PUMzbuBI/AAAAAAAAACc/I2ZFXAoprMU/s1600-h/Villa-in-Concert.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 302px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Sy_PUMzbuBI/AAAAAAAAACc/I2ZFXAoprMU/s400/Villa-in-Concert.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417776822691280914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos cedo ao local. Depois de uma manhã chuvosa na qual tudo parecia desandar, felizmente o sol se abriu no começo da tarde. Enquanto membros da orquestra afinavam os instrumentos e esperavam o público chegar, conferimos a exposição Viva Villa!, que contextualiza a vida e a obra de Heitor Villa Lobos, desde seu nascimento, no final do século XIX, até a morte. Objetos pessoais do maestro, partituras das Bachianas Brasileiras, uma reprodução fiel do ambiente de composição de Villa, está tudo lá. Chama a atenção um imenso mural com a foto de mais de 40 mil pessoas - estudantes, professores e músicos - no estádio de São Januário, sendo regidos num canto de coro orfeônico por Villa Lobos na década de 1940. Digo ao Arthur, meu filho, que aquele é o estádio do Vasco, o time do papai. Ele pergunta por que não foi no estádio do Fluminense, time pelo qual torce, e eu dou um sorriso. Explico que na época não havia nem o Maracanã, e o estádio do Vasco era então um dos maiores do Brasil. Villa sonhava em ver todas as crianças brasileiras aprendendo música nas escolas, e a notícia recente de que as aulas de música serão obrigatórias nos próximos anos é algo animador. Ouvir música é ótimo; conhecer música é ainda melhor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que encanta mesmo os pequenos é o segundo segmento da exposição, intitulado "Trenzinho Caipira". Ali, numa adorável atmosfera lúdica, caminhamos por dentro de vagões cenográficos, ambientados a partir de passagens da vida do maestro. As crianças conferem as imagens projetadas pelas janelas do trem - como em pequenos cineminhas, somos brindados com cenas do universo musical do maestro e dos lugares em que eles esteve - Sertão, Paris, Brasil, Amazônia e Nova York. Villa era um cidadão do mundo, e as poltronas e projeções dos vagões daquele trenzinho adorável nos levaram, ainda que por alguns minutos, a embarcar nesta viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega o grande momento. A Orquestra já está a postos. Meu filho quer água. O outro pede pra ir ao banheiro. Não dá pra ser depois? Correria. Mas dá tempo pra fazer tudo e ainda achar lugares vagos (azar de quem preferiu as compras de última hora...rs). As crianças ainda ganham pipas com a inscrição Viva Villa e ficam contentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente dos jovens, o maestro Sergio Barboza dá início aos trabalhos. Há ali  crianças de São João de Meriti, Belford Roxo, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Santa Tereza, Morro Dona Marta etc. Talentos que o Projeto Villa-Lobos foi buscar em toda a região metropolitana do Rio de Janeiro.              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da apresentação, diversos clásicos são levados ao público: "Cantar pra viver", "O Trenzinho do Caipira", "Pastorzinho-Bela Pastora", "O Cravo Brigou com a Rosa", "O Canto do Pajé" e muitas outras. O maestro alterna a regência com momentos em que conta à plateia histórias das composições e dos ritmos colhidos por Villa em suas andanças pelo Brasil. Somos brindados com baião, samba, frevo e até um pequeno momento de funk carioca em meio aos clássicos. Villa provou e sorveu de inúmeros ritmos populares brasileiros. Como o maestro conta, quando bem usados, todos os ritmos servem à fruição musical.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os mais velhos ouvem respeitosamente as músicas (alguns, é verdade, viram crianças, batem palmas, cantam junto e pedem bis), as crianças menores - algumas, como é o caso do meu filho, afilhado e sobrinha, todos assistindo pela primeira vez a um concerto -, reagem entre a curiosidade, o encanto e a dispersão. Arthur, com 4 anos, faz perguntas sobre os instrumentos ("qual é aquele grandão no colo da garota, papai?", sobre o viooloncelo), assiste com atenção ao "Trenzinho", mas no meio do show já está correndo com a prima de 2 anos, Juju, nos arredores do belo jardim do Arquivo Nacional. O afilhado, com 8 anos, dispensa a correria e assiste até o fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, ainda sobra tempo para ouvirmos Pixinguinha, Guerra-Peixe e Tom Jobim. E o bis traz "Vassourinha" e "O Canto do Pajé". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos satisfeitos e felizes do Arquivo Nacional, com a certeza de uma ótima tarde de dezembro. Foi a primeira vez que meu filho entrou em contato com a música de Villa Lobos, e fico contente. No carro, minha irmã pergunta a ele se gostou do concerto. "Gostei, mas gostei mais de correr com a Juju nos jardins!!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, pra uma primeira vez, tenho certeza de que valeu a pena. Arthur está sintonizado com  a época. Realmente dezembro é um mês de correria, não é mesmo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3474272434351827150?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3474272434351827150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3474272434351827150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3474272434351827150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3474272434351827150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/12/viva-villa.html' title='Viva Villa!!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Sy_PUMzbuBI/AAAAAAAAACc/I2ZFXAoprMU/s72-c/Villa-in-Concert.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2539197766193796358</id><published>2009-12-11T13:43:00.000-08:00</published><updated>2010-07-17T07:27:37.736-07:00</updated><title type='text'>Levante sua voz!</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, e que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha, principalmente por duas características: o tele-encéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Ilha das Flores, o filme)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1989, o público brasileiro conheceu um pequeno filme, que mostrava de forma irônica e por vezes ácida, o trajeto de um tomate, desde a plantação até o momento em que é jogado fora e é disputado por porcos e homens. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fXMMIMu2EXs"&gt;"Ilha das Flores"&lt;/a&gt; era nome do filme e seu diretor, Jorge Furtado. O impacto foi enorme e em 1995 ele seria eleito pela crítica europeia como um dos 100 melhores curtas do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, o cineasta Pedro Ekman repetiu a famosa estrutura documental de Ilha das Flores e "remontou" "Ilha das Flores", prestando uma homenagem ao já clássico curta-metragem. O resultado é o vídeo "Levante sua voz", produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social. Agora a temática não é o destino de alimentos e a crítica à sociedade de consumo. Ekman toma emprestado a ironia e a acidez do filme de Jorge Furtado para criticar a concentração de poder pelos meios de comunicação no Brasil. Como este é um blog voltado principalmente para assuntos ligados à comunicação, vale (muito) a pena conferir o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixe de ver. Chame seus amigos, sua esposa ou namorada. Se tiver filhos adolescentes, faça com que assistam também. Enquanto políticos de Brasília andam às voltas com panetones superfaturados, mensalões e corrupção desenfreada, é importante saber os motivos pelos quais, muitas vezes, nossa voz de indignação simplesmente não se faz ouvir por quem deveria representar a opinião pública. Conscientize-se e levante sua voz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gf3Votr52QQ&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gf3Votr52QQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gr6qFODxkAA&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gr6qFODxkAA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2539197766193796358?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2539197766193796358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2539197766193796358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2539197766193796358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2539197766193796358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/12/levante-sua-voz.html' title='Levante sua voz!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5251445704657917803</id><published>2009-12-04T05:32:00.001-08:00</published><updated>2009-12-24T05:30:10.767-08:00</updated><title type='text'>José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovsky no Oi Futuro</title><content type='html'>Quarta-feira, 2 de dezembro. Dia do Samba. Corro às pressas para a rua 2 de dezembro (!), no Catete. O motivo: a aula-show de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovsky no Oi Futuro. Dois paulistas cujos sobrenomes europeus a princípio não revelariam uma intimidade com o ritmo carioca. Mas, felizmente, só a princípio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SxkW-uHE2TI/AAAAAAAAACU/yPpo4U7QS_4/s1600-h/wisnik+e+nestrovsky.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 279px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SxkW-uHE2TI/AAAAAAAAACU/yPpo4U7QS_4/s400/wisnik+e+nestrovsky.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411381694047770930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dupla de acadêmicos, com vários livros lançados sobre música, literatura, história, literatura infantil e afins podem tranquilamente ser considerados doutores em música popular brasileira. E o que é melhor, sem ranços herméticos ou estéticos. Lembro das excelentes palestras de Wisnik na FLIP, em, Paraty, sobre Guimarães Rosa e, mais adiante, sua facilidade em misturar a música na época de Machado de Assis com os sambas urbanos de Noel Rosa. Quanto a Nestrovsky, cuja obra de não-ficção eu já conhecia em parte, foi na mesma FLIP que comprei um belíssimo livro infantil - "Bichos que existem e bichos que não existem" - e presenteei o meu filho. Já conhecia os dotes pianísticos e de compositor de Wisnik, mas desconhecia, á época, que Arthur era também um craque no violão.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show estava marcado para começar às 19:30h. Chego às 19h e sou avisado que só tem haverá lugar na fila de desistências. Por sorte sou o terceiro na fila. Há esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui o ingresso! às 19:45h, começa o evento no Oi Futuro - por que um teatro tão pequeno para dupla tão perfeita?, eu me pergunto. A dupla faz temporada carioca, mas não espere mega-espaços como Citybank Hall e Vivo Rio. A intimidade com o público é essencial num show deste nível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira, o primeiro show (serão dois)no Oi Futuro, o tema foi "Da música a letra", e os dois tocaram várias canções do Wisnik (com parceiros como Jorge Mautner, Luiz Tatit e outros) e alguns clássicos da MPB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante do show e seu charme é o conceito de aula-show: os músicos, intépretes e copmpositores não só cantam mas também explicam explicam o processo de composição de várias letras e músicas. Imperdível foi quando tocaram Nelson Cavaquinho - "Luz negra", "Juízo Final", "Folhas secas" e explicaram as melodias do mestre do samba. Deu pra ver que Wisnik venera o cara. Houve espaço para um samba exaltação a Sócrates (o jogador com nome de filósofo), considerações sobre "Pecado original", o samba-choro de Caetano inspirado em Nelson Rodrigues e sua última peça, "A serpente", um tango russo misturado com samba e até um momento sertanejo da "dupla caipira" Wisnik e Nestrovsky. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enfim, um evento pra não se esquecer. Semana que vem tô lá de novo!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5251445704657917803?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5251445704657917803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5251445704657917803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5251445704657917803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5251445704657917803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/12/jose-miguel-wisnik-e-arthur-nestrovsky.html' title='José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovsky no Oi Futuro'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SxkW-uHE2TI/AAAAAAAAACU/yPpo4U7QS_4/s72-c/wisnik+e+nestrovsky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-6950208567404385313</id><published>2009-11-27T19:16:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T05:33:18.312-08:00</updated><title type='text'>Os melhores riffs de guitarra da música pop</title><content type='html'>Senhores, sua atenção por favor: afastem os móveis, tirem as crianças da sala e certifiquem-se de que aquele vizinho chato deu uma saída. Em seguida, liguem o aparelho de som e...aumenta que isso aí é rock n' roll!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entusiasmo deve-se a uma recente lista (sim, meus caros, final de ano também é hora das intermináveis e deliciosas listas de melhores e piores dos últimos 365 dias) sobre uma seleção promovida pelo site &lt;a href="http://www.musicradar.com/"&gt;Music Radar&lt;/a&gt;, com os 50 melhores riffs de guitarra de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o que seria mesmo um riff? Resumidamente falando, são frases musicais, uma nota (ou uma sucessão de notas) que cause impacto em determinada música. Um frase com um bom e marcante riff de guitarra faz-nos lembrar dela especialmente pelo riff. Bem, se você conhece "Satisfaction", dos Stones, e sua maravilhosa guitarra distorcida da introdução, já sabe do que estou falando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ulVDM0a49Lw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ulVDM0a49Lw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos em frente. Segue a lista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - "Voodoo child", Jimi Hendrix&lt;br /&gt;2 - "Sweet child o' mine", Guns N' Roses&lt;br /&gt;3 - "Whole lotta love", Led Zeppelin&lt;br /&gt;4 - "Smoke on the water", Deep Purple&lt;br /&gt;5 - "Layla", Derek and the Dominos&lt;br /&gt;6 - "Back in black", AC/DC&lt;br /&gt;7 - "Enter sandman", Metallica&lt;br /&gt;8 - "Day tripper", The Beatles&lt;br /&gt;9 - "Smells like Teen Spirit", Nirvana&lt;br /&gt;10 - "(I can't get no) satisfaction", The Rolling Stones&lt;br /&gt;11 - "Paranoid", Black Sabbath&lt;br /&gt;12 - "Plug in baby", Muse&lt;br /&gt;13 - "Ain't talkin' 'bout love", Van Halen&lt;br /&gt;14 - "You really got me", The Kinks&lt;br /&gt;15 - "Seven nation army", The White Stripes&lt;br /&gt;16 - "Highway to hell", AC/DC&lt;br /&gt;17 - "Heartbreaker", Led Zeppelin&lt;br /&gt;18 - "Iron man", Black Sabbath&lt;br /&gt;19 - "Black dog", Led Zeppelin&lt;br /&gt;20 - "Beat it", Michael Jackson&lt;br /&gt;21 - "Paperback writer", The Beatles&lt;br /&gt;22 - "Purple haze", Jimi Hendrix&lt;br /&gt;23 - "Whole lotta Rosie", AC/DC&lt;br /&gt;24 - "Johnny B Goode", Chuck Berry&lt;br /&gt;25 - "Sad but true", Metallica&lt;br /&gt;26 - "Rock And Roll", Led Zeppelin&lt;br /&gt;27 - "Welcome to the Jungle", Guns N' Roses&lt;br /&gt;28 - "Killing in the Name", Rage Against The Machine&lt;br /&gt;29 - "Crazy Train", Ozzy Osbourne&lt;br /&gt;30 - "Walk", Pantera&lt;br /&gt;31 - "Sunshine of Your Love", Eric Clapton&lt;br /&gt;32 - "I Feel Fine", The Beatles&lt;br /&gt;33 - "The Ocean", Led Zeppelin&lt;br /&gt;34 - "Airbag", Radiohead&lt;br /&gt;35 - "Hey hey, My my (Into the Black)", Neil Young&lt;br /&gt;36 - "Money", Pink Floyd&lt;br /&gt;37 - "Start Me Up", The Rolling Stones&lt;br /&gt;38 - "Symphony of Destruction", Megadeth&lt;br /&gt;39 - "I Wanna Be Your Dog", The Stooges&lt;br /&gt;40 - "Have Love, Will Travel", The Sonics&lt;br /&gt;41 - "New Born", Muse&lt;br /&gt;42 - "Dr Feelgood", Mötley Crüe&lt;br /&gt;43 - "Cult of Personality", Vernon Reld&lt;br /&gt;44 - "Profits of Doom", Clutch&lt;br /&gt;45 - "Tie Your Mother Down", Queen&lt;br /&gt;46 - "Under the Bridge", Red Hot Chili Peppers&lt;br /&gt;47 - "Foxy Lady", Jimi Hendrix&lt;br /&gt;48 - "The Trooper", Iron Maiden&lt;br /&gt;49 - "Motorcycle Emptiness", Manic Street Preachers&lt;br /&gt;50 - "Ticket To Ride", The Beatles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que meu riff preferido seja mesmo o de "Satisfaction", não me surpreende o primeiro lugar nas mãos de Jimi Hendrix, o homem que elevou o instrumento símbolo do rock n' roll a limites nunca antes ouvidos, com riffs até então mais elaborados e inovando na utilização de pedais e demais efeitos sonoros. No site Music Radar, há o ótimo artigo "The evolution of the guitar riff", que remete às raízes do rock n' roll - o blues eletrificado de Howlin' Wolf e Muddy Waters - até a adição do ritmo (rhythm) por caras como Chuck Berry, que copiou as linhas do piano &lt;em&gt;boogie woogie&lt;/em&gt; de Fats Domino para criar seus sucessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o artigo, a adição do ritmo ao blues (&lt;em&gt;rhythm n' blues&lt;/em&gt;) seria responsável por uma transformação cultural que mudaria tudo - e que levaria à explosão do rock na década de 1950. Por falar em anos 50, pra quem curte cinema, há uma sequência inesquecível em "De volta para o futuro", quando o protagonista toca o rock &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VCmeX_4FFME&amp;amp;feature=related"&gt;"Johnny B. Goode"&lt;/a&gt; para uma plateia de adolescentes americanos brancos e atônita, ainda não acostumada aos selvagens riffs de guitarra que ganhariam a América poucos anos mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esse primeiro estouro do rock n' roll e nas décadas seguintes, o estilo passou por diversas fases e mutações. Em todas elas - seja no rock inglês dos Beatles, Stones e cia, ou no heavy metal dos anos 70 em diante, no punk rock, new wave, pós-punk, grunge, etc; sempre houve espaço para grandes riffs de guitarra. E continuará havendo enquanto a centelha do rock n' roll estiver queimando nos lugares mais diversos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/85zp1zVVDAQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/85zp1zVVDAQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pois o rock tornou-se um ritmo planetário, agregando jovens fãs até no Japão - onde há fã-clubes de Elvis a Kurt Cobain. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sobre o rock brasileiro, podemos dizer que tivemos canções com riffs memoráveis?&lt;br /&gt;Claro que sim. E grandes guitarristas também, como Sérgio Dias (Mutantes), Lanny Gordin (que tocou nos principais discos do Tropicalismo), Pepeu Gomes (Novos Baianos), Edgard Scandurra (Ira!), Lulu Santos, Herbert Vianna e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o que me levou a escrever este artigo foi uma lista, sigo com outra, bastante pessoal, sobre os melhores riffs do rock brasileiro. Leiam, escutem e vejam se não tivemos riffs de guitarra muito bons:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - "Envelheço na cidade" - Ira&lt;br /&gt;2 - "Selvagem" - Paralamas do Sucesso&lt;br /&gt;3 - "Pro dia nascer feliz" - Barão Vermelho&lt;br /&gt;4 - "Agora só falta você", Rita Lee&lt;br /&gt;5 - "Tempos modernos", Lulu Santos&lt;br /&gt;6 - "Corações psicodélicos", Lobão&lt;br /&gt;7 - "O louco da cidade", Blues Etílicos&lt;br /&gt;8 - "Tinindo trincando", Novos Baianos&lt;br /&gt;9 - "A cidade", Chico Science &amp; Nação Zumbi&lt;br /&gt;10 - "Deixa fudê", Cachorro Grande&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas dez hits de nosso rock onde as guitarras têm papel primordial. Dez motivos para aumentar o som e continuar curtindo rock.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-6950208567404385313?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/6950208567404385313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=6950208567404385313' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6950208567404385313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6950208567404385313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/11/os-melhores-riffs-de-guitarra-da-musica.html' title='Os melhores riffs de guitarra da música pop'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5354688709968034657</id><published>2009-11-19T06:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T05:34:23.463-08:00</updated><title type='text'>"(500) Dias com ela" - um filme pra quem já se apaixonou</title><content type='html'>Há um gênero de filme que faz muito sucesso hoje em dia, principalmente entre o público feminino, chamado "comédia romãntica". Um amigo meu os chama ironicamente de "Filmes Meg Ryan", em referência à rainha deste estilo de filme, nos anos 80 e 90 - quem não lembra de "Harry e Sally" ou "Mensagem pra você"? As comédias romãnticas são um gênero que obedece a algumas regras. Seus roteiros seguem, com poucas variações, o mesmo esquema: temos uma mocinha (ou mocinho) solitária (o) que (1) conhece o grande amor de sua vida meio que por acaso; eles se apaixonarão (2);    algo imprevisto (um vilão ciumento, uma amiga invejosa, um desencontro qualquer) os fará com que rompam o namoro (3); por fim, eles compreendem que se amam, que não podem viver separados, reatam e...&lt;em&gt;the end&lt;/em&gt;: fim do filme (4). Apesar da previsibilidade, o gênero continua arrastando multidões de casais aos cinemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você correr aos cinemas, verá um filme em cartaz que, a princípio, poderia ser confundido com o estilo. Olhe nas sinopses dos jornais e estará escrito: "comédia romântica". Mas "(500) Dias com ela" (do inglês "(500) Days of Summer") vai além do gênero, constituindo uma das mais agradáveis supresas desta primavera cinematográfica. Quais os motivos? Talvez por apresentar personagens não estereotipados. Talvez por sua estrutura de mostrar os dias de forma aleatória, onde passado, presente e futuro se juntam. Ou então pela frase do narrador logo ao começo: "Acredite, esta não é uma história romântica". Pois bem: fique com a primeira opção. "(5oo) dias com ela" é um filme que apresenta personagens reais, que amam, sofrem, choram e se divertem. É um filme pra quem já se apaixonou e, principalmente, pra quem já sofreu por amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PsD0NpFSADM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PsD0NpFSADM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(500) dias com ela" já começa subvertendo certo senso comum e clichê cinematográfico. Ouvimos dizer sempre que mulheres se apaixonam fácil, e homens não querem compromisso. No entanto, é a garota, Summer (Zooey Deschanel) que, apesar de interessada no rapaz, Tom (Joseph Gordon-Levitt) não quer saber de compromisso. Logo no início ficamos sabemos que aquele casal vai namorar - e também que eles não acabarão juntos. Mas a engenhosidade do roteiro nos convida a conhecer aquele princípio, meio e fim de um romance - os tais quinhentos dias juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no início, temos a sequência em que Tom leva um fora de Summer. Arrasado, ele tenta relembrar momentos do namoro, para entender o que teria levado a não dar certo. As sequências dos dias de namoro entre o casal são mostradas de forma fragmentada, em cenas nas quais o número do dia de namoro - 57, 102, 244 etc - vão aparecendo na tela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tom não é o narrador. Há outro, uma voz em off que aparece pouquíssimo, mas faz comentários cruciais para a trama, ainda que irônicos. Desde o dia em que conhece Summer (verão, em inglês, uma menina com nome de estação do ano) Tom, que trabalha num escritório especializado em criar mensagens de cartões de presente, se interessa por ela. Mas a paixão só surge mesmo, avassaladora, dentro de um elevador, quando, Tom está distraído escutando uma música ao fone de ouvido e Summer, ao escutar aquele som, puxa conversa e pergunta se ele gosta de Smiths. Ele, surpreso, diz que sim. "Eu adoro essa música", diz Summer, e cantarola um trecho para o pobre rapaz se apaixonar de vez: "to die by your side is such a heavenly way to die"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Morrer ao seu lado seria um jeito divino de morrer", da belíssima canção "There's a light that never goes out". A sublime ironia desta cena logo se mostrará adiante, quando o casal começar a se envolver e Summer começar a esbofetear metaforicamente Tom com frases como "histórias de amor são fantasia", "amores não duram para sempre", "eu não quero que nosso caso seja sério". O interessante aqui é que Summer, mesmo "não querendo nada sério", gosta de verdade de Tom, a ponto de namorá-lo, mas sempre mantendo uma certa distância da paixão. Situação que leva Tom a espasmos de suprema felicidade, entrecortados com momentos de depressão profunda, nas muitas brigas que terá com Summer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem nunca imaginou a mesma coisa a respetido do ser amado? Quem nunca pensou "será que ela gosta de mim do mesmo jeito que eu a amo?". É isso que torna o filme brilhante em vários momentos. Às vezes "500 dias com ela" toma partido de Tom e sofremos junto com ele. Noutras, os homens são mostrados como imaturos e sem a menor noção de como conquistar uma mulher. Alguns dos melhores momentos de humor do filme está no contraste entre os dois melhores amigos de Tom - ambos totalmente ingênuos e imaturos em matéria de amor - e a pequena Rachel (Chloe Moretz), adolescente e grande amiga de Tom, que passa o filme lhe dando os conselhos mais sensatos sobre amor e paixão. &lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Uma das melhores cenas - e pra mim o melhor momento do filme - está na sequência em que, algum tempo depois de mais uma separação, Summer encontra Tom e o convida para uma recepção em seu apartamento novo. Claro que o apaixonado Tom se animará bastante com a hipótese de uma reconciliação. Com a chegada de Tom ao prédio de Summer, a tela se divide em duas e temos, de um lado, sob o título "expectativa", o que Tom esperava que acontecesse, ou seja, Summer passando a noite com ele. No outro quadro, sob o título "realidade", vemos o que realmente acontece: Summer o trata apenas como mais um amigo e um dos muitos convidados de sua festa. Tom não suporta a "realidade" e vai embora, arrasado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São momentos como este, criativos, bem escritos, inesperados (ou nem tanto, para quem já viveu algo parecido, e não são poucas pessoas, tenham certeza) que tornam "(500) dias com ela" um filme que merece ser conferido. Por trazer às telas momentos de uma história de amor genuína, o brotar de uma paixão real, sem apelações nem apelos a chavões para ganhar o público. Somos conquistados por se identificarmo-nos  em algum momento com aqueles dois personagens comuns, que por 500 dias estiveram envolvidos numa história de amor que poderia acontecer com qualquer de um de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do filme, já ciente de que aquele romance não tem mais volta, o ainda apaixonado Tom recebe mais um dos sábios conselhos de Rachel:"Lembre-se também dos momentos ruins que passou com ela". Este apelo à razão (sentimento que detonamos quando apaixonados), junto com uma reviravolta profisional na vida de Tom, o fará crer que, apesar de tudo, aida está vivo e que uma nova paixão pode estar mais próxima do que ele imagina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daqueles 500 dias tormentosos, uma nova estação se inicia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5354688709968034657?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5354688709968034657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5354688709968034657' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5354688709968034657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5354688709968034657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/11/500-dias-com-ela-um-filme-pra-quem-ja.html' title='&quot;(500) Dias com ela&quot; - um filme pra quem já se apaixonou'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4044171812332475428</id><published>2009-11-06T12:29:00.000-08:00</published><updated>2009-11-06T13:17:30.504-08:00</updated><title type='text'>Previsões para o Brasil Olímpico</title><content type='html'>Enfim conquistamos o tão sonhado direito de sediar as Olimpíadas! Não há dúvidas de que 2009 é o ano do Brasil. As crianças de rua continuam cada fumando crack, mas em breve todas trocarão as praças pela Vila Olímpica. O desemprego persiste, mas a economia aqui no Brasil não passou de uma marolinha. Obama dise que lula é "o cara". O preconceito com as minorias segue latente, mas, ora, o Rio acabou de ser agraciado com o melhor roteiro turístico gay do mundo! A corrupção, as transações por baixo dos panos continuam ao Deus dará, mas...não faltará dinheiro para o sonho olímpico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em homenagem a esse grande evento que com certeza mudará a vida da cidade maravilhosa, seguem algumas previsões sobre fatos que fatalmente podem vir a ocorrer. &lt;em&gt;Marginal Conservador &lt;/em&gt;não é o autor das previsões, eu me apresso em dizer. Apenas recebi o texto hoje, sem autoria, e não poderia deixar de compartilhar com vocês alguns dos principais trechos. Aí vai:      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DE 2010 A 2015&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro publico. Ninguém será preso ou indiciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “Barão de Coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no ultimo carro alegórico vestido de douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Haverá um concurso pra nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABERTURA DOS JOGOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência pro carnavalesco da Beija flor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana pra comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho terá que ficar a pelo menos 500 metros da tocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê GALVAO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4)Pelé vai errar o nome do presidente do COI e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7)Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8)Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9)O cãozinho será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DURANTE OS JOGOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2)Uma modelo-manequim-piranha-atriz-ex-BBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3)No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 74.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posar mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5)A seleção brasileira de futebol comanda por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para seleção de Sumatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6)A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê : JARDIM MATILDE NA VEIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APÓS OS JOGOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1)Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar as despesas que teve pra estar nos jogos e não obteve patrocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são "exemplos de profissional" tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4044171812332475428?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4044171812332475428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4044171812332475428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4044171812332475428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4044171812332475428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/11/previsoes-para-o-brasil-olimpico.html' title='Previsões para o Brasil Olímpico'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3523546753271216048</id><published>2009-10-27T05:41:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T17:24:54.292-08:00</updated><title type='text'>Cuidado: ao chegar aos EUA, você pode se transformar num "imigrante ilegal alienígena"</title><content type='html'>&lt;em&gt;It's no fun being an illegal alien&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No, it's no fun being an illegal alien&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Genesis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - &lt;em&gt;Alienígenas vistos pelo cinema mainstream hollywoodiano. &lt;/em&gt;Estou num cinema no final dos anos 90. O filme na tela é o blockbuster "Homens de preto" ("Men in black"), um grande sucesso no Brasil. Os tais homens de preto são agentes de uma corporação ultra-secreta cujo objetivo é caçar alienígenas que se disfarçam em corpos de humanos. Logo no começo, os agentes interceptam um caminhão na fronteira do México com os Estados Unidos, repleto de imigrantes ilegais. Há a suspeita de que, na verdade, aqueles homens são alienígenas disfarçados. Não dá outra: após uma tentativa de fuga, os ETs são capturados pelos homens de preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - &lt;em&gt;Aliens também são fashion!&lt;/em&gt; Junho de 2001&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Num passeio breve pelas ruas de Maastrich, em férias na Holanda, impressiona a decoração das vitrines e mesmo o interior das lojas. Há bonecos de ETs para crianças, como objetos de decoração, como estampa de camisas e até como porta-cannabis (estamos na Holanda, &lt;em&gt;remember&lt;/em&gt;). Conclusão: ETs estão na moda na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - &lt;em&gt;Monstros X Alienígenas.&lt;/em&gt; Setembro de 2009. Um dos momentos preferidos que tenho junto ao meu filho é assistir com ele a trechos de desenhos e filmes na telinha do &lt;em&gt;youtube&lt;/em&gt;. Mas neste dia ele só quer saber de um desenho: "Ben 10 Força Alienígena". Pra quem não sabe (ou não tem filhos pequenos), o desenho preferido de 10 entre 10 garotos até 10 anos narra a história de Ben, um jovem que possui um relógio de origem extraterrena e que tem poder de transformá-lo em 10 monstros. O monstro preferido de meu filho é o &lt;em&gt;Chama,&lt;/em&gt; um híbrido de Tocha-Humana com alienígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - &lt;em&gt;Alienígenas vistos pelo cinema alternativo&lt;/em&gt;. Outubro de 2009. No cinema, assisto ao lançamento de "Distrito 9". Num futuro não muito distante, alienígenas que sobrevoam a Terra enfrentam uma pane na nave especial que os acomodava, deixando-os parados bem no centro de Johannesburgo, África do Sul. Após dois meses, os humanos retiram os alienígenas da nave e os alocam num imenso terreno, denominado Distrito 9. Em pouco tempo, o distrito transforma-se numa imensa favela, e os ETs são objeto de preconceito e intolerância dos humanos em seu entorno. Com o crescimento da população alienígena, o governo decide realocá-los para outro distrito, mais distante e insalubre, assemelhando-se a um campo de concentração. Mas algo dará errado.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;5 - &lt;em&gt;Alienígenas sim, imigrantes não&lt;/em&gt;. Outubro de 2009. A grande sensação de vendas entre os jovens para o Halloween deste ano não foram as fantasias de bruxa, de esqueleto ou vampiro, mas sim de "Imigrante ilegal alienígena". Segundo o jornal O Globo de 25 de outubro, a fantasia consiste de uma máscara de extraterrestre, um uniforme laranja de presidiário americano e um cartão de plástico escrito "green card" (o visto permanente de entrada nos EUA). Vendeu bem até a grita da comunidade hispânica, que forçou as lojas a paralisarem as vendas. Veja abaixo a fantasia da discórdia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SvDUvQmPGRI/AAAAAAAAACM/n3GryYSzon4/s1600-h/325_2644-illegal-alien.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 196px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400049861591505170" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SvDUvQmPGRI/AAAAAAAAACM/n3GryYSzon4/s400/325_2644-illegal-alien.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tenho sentido saudades dos tempos em que seres de outro planeta só eram lembrados em filmes B de Hollywood (quando todos os ETs já aportavam em nosso planeta, curiosamente, falando inglês), nas montagens toscas de pratos virados nas primeiras páginas de jornais sensacionalistas (e que realmente enganavam muita gente) ou nas páginas de ficção e poesia de artistas mundo afora. Mas desconfio que nosso imaginário sobre os ETs esteja mudando.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Fascínio eles sempre nos causaram. Fascínio, curiosidade e medo, como leu quem acompanha esse blog, sobre a "brincadeira" criada em 1938 por Orson Welles ao transmitir pelo&lt;a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/o-radio-em-nossas-vidas.html"&gt; rádio &lt;/a&gt;o clássico "Guerra dos Mundos" em formato jornalístico, como se a invasão marciana inventada por H.G. Wells fosse verdadeira. Se o outro, o exótico, nos atrai sobremaneira, o que dizer de seres que nem temos certeza se existem ou não?&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nos anos 50, em plena Guerra Fria, Hollywood não tardou a ver que os seres de outro planeta poderiam constituir uma bela metáfora de quaisquer inimigos dos Estados Unidos. O "perigo comunista" foi levado aos cinemas onde os comunas eram personificados por diversas formas de monstros, alguns patéticos, outros sinistros. E havia também os espertalhões produtores de filmes B, que não estavam nem aí para ideologias e queriam mesmo era faturar com produções de baixíssimo orçamento destinadas aos jovens &lt;em&gt;teenagers&lt;/em&gt;. Presentes em 90% destes filmes: monstros e alienígenas.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como vimos, o cinema difundiu a cultura americana nos quatro cantos do planeta. Os aliens viraram objeto de consumo nas ruas da Holanda e de qualquer grande centro e são celebridades cuja fama ultrapassou em muito os 15 minutos definidos por Warhol. Ídolos vão e vem, alguns ficam na memória, outros caem num ostracismo total. Mas extraterrestres sempre retornam como campeões de audiência. Quem não se emocionou com "ET", o clássico filme de Spielberg, que atire a primeira pedra. E mesmo hoje o desenho "Ben 10", com o garoto que se transforma em monstros alienígenas é o campeão de audiência do Cartoon Network.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No entanto, o uso dos aliens como tema pode também render práticas duvidosas de "homenagens" a comunidades vítimas de intolerância. "Homens de preto", de 1997, já continha em sua sequência inicial uma mensagem subliminar de preconceito contra os latinos, embora amortizada à época, pois o filme era uma comédia muitas vezes bem escrachada e contava com um ídolo negro (Will Smith) como um dos protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Uma década depois, porém, a retirada das prateleiras da vestimenta de "imigrante ilegal alienígena" detonou uma serie de debates e provocações entre a direita conservadora e progressistas. Leio no jornal &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/noimperio/posts/2009/10/26/a-incrivel-fantasia-de-imigrante-alienigena-ilegal-235595.asp"&gt;O Globo &lt;/a&gt;que Associações de imigrantes como a League of United Latin American Citizens (Lulac) acusaram a fantasia de "uso do Halloween para ensinar as pessoas a odiarem os latinos". Os conservadores reagiram, e grupos como a Americans for Legal Immigration (Alipac), que faz lobby em Washington em favor da expulsão de imigrantes ilegais dos EUA, pediram o imediato retorno da fantasia às lojas, a fim de acabar com "mais uma tentativa de restringir a liberdade de expressão no país".&lt;br /&gt;&lt;p&gt;É curioso costatar como a repressão a atividades francamente abjetas e criminosas, como a ostentação de símbolos neo-nazistas, o homofobismo, a misoginia ou simnplesmente o ódio às minorias, quando reprimidos, são logo declarados por grupos reacionários como atentados à liberdade de expressão. O que estava em jogo na venda da fantasia que provocou tanta discórdia não era, porém, a liberdade de expressão, mas simplesmente a humilhação sobre uma comunidade cujo preconceito só fez aumentar com a crise econômica de 2008. Não é ensinando às crianças que o vizinho latino pode ser um ET disfarçado que se conseguirá construir um bom dálogo no futuro.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu receitaria para estes grupos conservadores e ultradireitistras o filme "Distrito 9", originalíssimo filme produzido por Peter Jackson (diretor da trilogia "O senhor dos anéis"), que mostra extraterrrestres subjugados pelos seres humanos, numa imensa favela onde o conflito é iminente. Não à toa, o filme é passado na África do Sul, país que até as últimas décadas do século XX envergonhou o mundo com uma dos mais nefastos regimes de segregação racial: o apartheid. Além da clara metáfora dos dos negros e minorias como alienígenas explorados, ali os vilões são os humanos de uma corporação multinacional de fabricantes de armas, que roubam a tecnologia dos extraterrestres no campo, ao mesmo tempo que os usam para experiências genéticas que resultam na morte dos aliens. Tudo muda quando um dos líderes dos humanos, designado para comandar a retirada dos milhares de extraterrestres para fora do Distrito 9, é afetado por um líquido dentro de um barraco que inspecionava, e começa aos poucos se tornar ele mesmo um alienígena.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Seria interessante que a tal liga conservadora que prega a expulsão dos imigrantes dos Estados Unidos experimentasse viver algum tempo como hispânicos e provassem do preconceito que os imigrantes ilegais já conhecem. Talvez assim não fosse mais preciso criar as tais fantasias de "imigrantes ilegais alienígenas". E então, o imaginário sobre os extraterrestres talvez voltasse a ser apenas com considerações acerca da existência ou não destes seres.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Finalizando, sou daqueles que acreditam que pode sim haver vida em outros planetas, embora não fique por aí procurando por discos voadores. Mas concordo inteiramente com uma frase que li num cartum antigo do personagem de quadrinhos Calvin. Dizia mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;"A maior prova de que existe vida inteligente em outros planetas é o fato de que eles jamais fizeram contato conosco".&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3523546753271216048?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3523546753271216048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3523546753271216048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3523546753271216048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3523546753271216048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/10/cuidado-ao-chegar-aos-eua-voce-pode-se.html' title='Cuidado: ao chegar aos EUA, você pode se transformar num &quot;imigrante ilegal alienígena&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SvDUvQmPGRI/AAAAAAAAACM/n3GryYSzon4/s72-c/325_2644-illegal-alien.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-6408086766200442873</id><published>2009-10-07T20:03:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T07:14:02.345-07:00</updated><title type='text'>Uma foto e uma lição de jornalismo</title><content type='html'>Uma das fotos do ano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Ss_KViFVrbI/AAAAAAAAACE/B3B9A7s5vJg/s1600-h/Zelaya+dormindo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 357px; height: 199px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Ss_KViFVrbI/AAAAAAAAACE/B3B9A7s5vJg/s400/Zelaya+dormindo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390749750261034418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líderes políticos gostam de ser fotografados em grandes momentos. Se possível, cobertos de medalhas e condecorações, acenando para as multidões etc. Não gostam de fotos inesperadas, aquelas que involuntariamente revelam o que ele não quer. A inusitada foto do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, dormindo na embaixada brasileira com seu chapelão característico, rodou o mundo e já é uma das imagens do ano, por seu alto grau de simbolismo. É fotojornalismo no que tem de melhor: um instantâneo do mesmo nível daquele tirado do ex-presidente Jânio Quadros, com as pernas retorcidas, pouco antes de sair de cena e mudar a história do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao registrar Zelaya deitado, com as pernas para o alto e dormindo, em pleno território brasileiro no exterior, o fotógrafo Edgard Garrido conseguiu demonstrar toda a empáfia de um governante prostrado e ciente de que arrumou uma bela confusão. Não resisti e transcrevo a seguir a reportagem escrita pelo fotógrafo (republicada esta semana pelo JB), que ainda está na embaixada brasileira de Honduras, e seu retrato dos dias lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a imagem retratada é um excelente momento do fotojornalismo, o texto demonstra que, melhor que qualquer noticiário copiado de agências internacionais, nada substitui a presença &lt;em&gt;in loco &lt;/em&gt;do repórter. E faz o jornalismo honrar a definição de Gay Talese, como a "arte de sujar os sapatos", ou seja: ir aonde a notícia está, seja ela onde estiver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dormi com o dedo no obturador"&lt;br /&gt;Edgard Garrido FOTÓGRAFO DA REUTERS EM TEGUCIGALPA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há duas semanas, durmo com o dedo no botão do obturador, a poucos metros do lugar onde o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, se refugia à espera de uma eventual volta ao poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fotógrafo da Reuters em Honduras, fui um dos poucos jornalistas que conseguiram se infiltrar na Embaixada do Brasil quando Zelaya ali buscou refúgio, depois de voltar clandestinamente do exílio para onde fora enviado por militares golpistas em 28 de junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois, Zelaya continua entrincheirado na embaixada, que está cercada por soldados e policiais hostis a ele. E eu também continuo – privilegiado por levar imagens ao mundo, mas lutando com a escassez de comida, a falta de sono e a montanha-russa de emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguir uma imagem de Zelaya dormindo com o seu famoso chapéu de boiadeiro sobre o rosto foi um ponto alto, e a foto correu o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou cansado de dormir no chão e de comer mal, e meus nervos foram abalados pela intimidação das tropas no lado de fora e pela incerteza sobre quando isto vai acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zelaya e o presidente de fato Roberto Micheletti se preparam para negociações que podem acabar com o impasse. Mas Zelaya insiste em voltar ao poder, enquanto Micheletti diz que ele deveria ser julgado por traição. Assim, não está claro quando a crise irá acabar, e com ela esta minha pauta excepcional e desconfortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com um boletim informativo dando conta da volta de Zelaya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um beijo de despedida na minha mulher e no meu filho e corri para fora de casa com tanta pressa que até esqueci de calçar as meias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tchau, vejo vocês logo mais!”, disse à minha família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabia eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de irmos atrás de um falso rumor de que Zelaya estaria em um prédio da ONU, um grupo de seguidores e jornalistas correu para a embaixada brasileira, que funciona num modesto sobrado. Não foi difícil entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que Zelaya estava na sala ao lado, onde permanece até hoje. As pessoas entrando e saindo da sala confirmavam sua presença, mas eu precisava vê-lo. Uma porta se abriu, e lá estava eu. Tirei duas fotos e mandei meu primeiro despacho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tensões noturnas Zelaya decidiu acampar bem onde estava. Seus seguidores comemoraram, e eu dormi do lado de fora. Com o chão de cimento como colchão e a mochila como travesseiro, não conseguia dormir em meio aos gritos e cânticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo reagiu rapidamente, com soldados e policiais dissolvendo as manifestações pró-Zelaya em frente à embaixada e usando um dispositivo de alta frequência para incomodar quem estava do lado de dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tensão cresceu, e tememos que ocorresse uma ação militar para ocupar a embaixada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi com o dedo praticamente no botão do obturador, preparado para o que parecia ser uma intervenção iminente, preparado para me proteger, preparado para disparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dois dias dentro da embaixada, já não havia comida, não havia telefone, não havia descanso, não havia banho e não havia roupas limpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, os soldados batiam nos seus escudos. Tornou-se uma guerra de nervos. Pedras caíam no teto enquanto o hino hondurenho era tocado a todo volume perto da embaixada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vieram as acusações de um ataque com gás. Zelaya afirma que mercenários estariam tentando expulsá-lo usando um gás tóxico. Algumas pessoas na embaixada tinham sangramentos nasais. Do lado de fora, as autoridades diziam que os odores eram de uma equipe de faxina nos arredores. Não estava claro o que realmente acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, pelo menos, a tática de pressão arrefeceu, e eu comecei a receber comida, roupas limpas e um colchão inflável dos meus colegas do lado de fora, embora parte de um pacote tenha sido comido pelos policiais que prometeram entregá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zelaya soube que a foto que eu fiz dele dormindo estava sendo publicada no mundo todo, e me chamou. Elogiou a foto, mas discordamos sobre como autoridades públicas podem ser fotografadas e sobre o valor documental das imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas depois do início do impasse, desenvolvemos novas rotinas para ter acesso a alimentos, água e até ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zelaya, sua família e seus amigos mais íntimos têm mais confortos, mas há apenas dois chuveiros para as outras 70 pessoas dentro da embaixada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora recebemos comida entregue por amigos do lado de fora, mas isso pode ser caótico. Fabriquei uma colher a partir de um copo plástico, e pago a um seguidor de Zelaya para lavar minhas roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os simpatizantes comem qualquer coisa que a ONU mandar. Zelaya come sua própria comida, e eu como a comida da Reuters. Invejam-nos pelos colchões de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de cada dia, recebo um telefonema. Minha esposa diz: “Nosso filho está bem, te vemos em breve”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-6408086766200442873?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/6408086766200442873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=6408086766200442873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6408086766200442873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/6408086766200442873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/10/uma-foto-e-uma-licao-de-jornalismo.html' title='Uma foto e uma lição de jornalismo'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/Ss_KViFVrbI/AAAAAAAAACE/B3B9A7s5vJg/s72-c/Zelaya+dormindo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3580812140170856421</id><published>2009-09-30T19:10:00.001-07:00</published><updated>2009-09-30T19:17:01.286-07:00</updated><title type='text'>O rádio em nossas vidas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Não posso mais viver assim do seu ladinho&lt;br /&gt; Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha&lt;br /&gt; Pra te sintonizar&lt;br /&gt; Sozinha...numa ilha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; (Sonífera ilha, Titãs)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta passada comemorou-se o dia do rádio. Mesmo atrasado, este blog não poderia deixar de falar um pouco sobre este veículo de comunicação tão importante. "Alguém ainda ouve rádio?", poderia logo perguntar algum apressadinho amante das chamadas "novas mídias", entre elas esta internet a qual você se debruça neste momento, caro leitor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora ora, eu respondo que sim, o rádio está vivo e não vai acabar - apenas irá se reinventar e segmentar sua programação a fim de atingir um novo público. Exemplo claro desta reinvenção são as inúmeras rádios &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; aqui no território da internet - agora, além de agregarem ao som digital imagens, &lt;em&gt;podcasts&lt;/em&gt; e interatividade (em muitas emissoras você pode montar sua programação particular), há a vantagem de podermos escutar nossa rádio preferida em qualquer lugar do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas em todos os lugares escutam diariamente as rádios e suas programações. Assim como os jornais impressos (outro meio de comunicação visto pelos apocalípticos de plantão como um meio fadado à extinção), os rádios tiveram sua época áurea, e  na primeira metade do século XX foram com certeza - junto com o cinema - o maior veículo de entretenimento das grandes massas. Nos anos 1930, o rádio era sinônimo de espetáculo: era diante de um grande aparelho valvulado, ou seja, um rádio, que as famílias se reuniam, na sala, antes do advento da televisão. Era na rádio que os artistas de maior prestígio surgiam, que os cantores de maior sucesso atuavam, que os programas de auditório e novelas arrebanhavam multidões de ouvintes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fato real do poder de fogo do rádio nesta época aconteceu nos Estados Unidos, mais precisamentre a partir das nove horas da noite de 1938. Foi nesse momento que os americanos começaram a ouvir a transmisão radiofônica da obra "A Guerra dos Mundos", do escritor H.G.Wells. A obra tratava de uma fictícia invasão da Terra por marcianos, mas o condutor do programa e adaptador da obra - um jovem e já genial Orson Welles - levou ao ar uma obra em formato jornalístico, como se a invasão estivesse &lt;em&gt;realmente acontecendo&lt;/em&gt;. Foi o bastante para levar milhares de pessoas ao desespero, como mostra este trecho do artigo de Giusela Ortriwano, do livro "Rádio e Pânico":  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todas as características do radiojornalismo usadas na época – às quais os ouvintes estavam habituados e nas quais acreditavam – se faziam presentes: reportagens externas, entrevistas com testemunhas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de especialistas e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emotividade dos envolvidos, inclusive dos pretensos repórteres e comentaristas, davam a impressão de um fato, que estava indo ao ar em edição extraordinária, interrompendo outro programa, o radioteatro previsto. Na realidade, tratava-se do 17º programa da série semanal de adaptações radiofônicas realizadas por Orson Welles e o Radioteatro Mercury que explorava as técnicas jornalísticas com a ambientação sonora requerida pela linguagem específica do rádio. &lt;br /&gt;A CBS calculou na época que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade passaram a sintonizá-lo quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radioteatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão tomaram a dramatização como fato, acreditando que estavam mesmo acompanhando uma reportagem extraordinária. E, desses, meio milhão tiveram certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico e agindo de forma a confirmar os fatos que estavam sendo narrados: sobrecarga de linhas telefônicas interrompendo realmente as comunicações, aglomerações nas ruas, congestionamentos de trânsito provocados por ouvintes apavorados tentando fugir do perigo que lhes parecia real, etc. O medo paralisou três cidades. Pânico ocorreu principalmente em localidades próximas a Nova Jersey, de onde a CBS emitia e Welles situou sua história. Houve fuga em massa e reações desesperadas de moradores de Newark e Nova York (além de Nova Jersey), que sofreram a invasão virtual dos marcianos da história. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio, até hoje lembrado e discutido por estudiosos da Comunicação, marcou o apogeu do rádio e seu poder de influência. A partir de então políticos, homens de marketing e publicitários viram que estavam diante de um instrumento que poderia influenciar milhões, e não por acaso o rádio foi bastante usado como máquina de propaganda nos anos anteriores e durante a Segunda Guerra, tanto por nazistas como aliados, os dois lados em guerra dispostos a manipular corações e mentes em prol de uma ideologia vencedora.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história mostra que a chegada de uma nova mídia não necessariamente implica no fim das anteriores. Com a chegada da televisão, o rádio perde seu apogeu e poder de influência. O baque foi profundo, mas ele se reinventou escorando-se no tripé jornalismo/prestação de serviços, esportes e entretenimento - este último representado pela música gravada, já que, como a transferência das verbas publicitárias para a televisão, as rádios perderam seus fabulosos &lt;em&gt;castings&lt;/em&gt;, atraídos agora pelos programas de auditório televisivos, que pagavam melhor. A partir de então, o veículo teve que investir na segmentação, reformulando suas programações para atingir cada público-alvo em particular, tornando-se quase um "amigo íntimo" de quem estava em casa ou no trabalho - até hoje o rádio e seus locutores são a única companhia de milhares de solitários mundo afora, que abrandam a solidão ao escutar seus programas favoritos.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje temos rádios com as mais diversas linhas de programação, Há desde as emissoras em FM cujo foco é a música, até aquelas que se propõem a levar uma programação 24 horas de notícias, também chamadas de "all news". Pra quem duvida do poder de influência das rádios, elas ainda hoje são bastante procuradas por políticos interessados num "upgrade" em suas carreiras, e há muitas emissoras cujos donos são deputados e senadores, que utilizam o espaço no dial como uma espécie de palanque eletrônico. Há também as inúmeras rádios arrendadas por igrejas evangélicas na busca midiática pelo aumento dos fiéis. Tudo isto só comprova que as ondas sonoras do rádio ainda estão vivas e fortes junto à população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marginal conservador &lt;/em&gt;aproveitará este tema tão rico para tecer em outros artigos comentários sobre a programação radiofônica, assim como alguns programas em especial. Quem gosta de ouvir rádio, deixo um recado no estilo dos bons locutores: fique ligado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3580812140170856421?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3580812140170856421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3580812140170856421' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3580812140170856421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3580812140170856421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/o-radio-em-nossas-vidas.html' title='O rádio em nossas vidas'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5100425731026807027</id><published>2009-09-18T07:19:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T19:08:06.914-07:00</updated><title type='text'>Cê tá pensando que eu sou Loki, bicho?</title><content type='html'>É hoje! pra quem perdeu nos cinemas, estreia logo mais no Canal Brasil o longa-metragem "Loki", biogragia cinematográfica de um dos maiores músicos brasileiros, o ex-mutante Arnaldo Batista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, dirigido pelo cineasta Paulo Henrique Fontenelle, é o primeiro a ser produzido pelo Canal Brasil e já ganhou vários prêmios nacionais e internacionais, conquistando nos festivais do Rio e de São Paulo os prêmios do Jurí Popular e o de melhor documentário no Festival de Nova York. Kurt Cobain, que aparece no filme declarando sua paixão pelos Mutantes, se vivo estivesse, adoraria ter conferido a sessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marginal conservador &lt;/em&gt;é fã de Arnaldo Batista e dos Mutantes. Vale a pena conferir a vida deste grande talento, desde a infância em São Paulo, o sucesso arrasador com os Mutantes - ainda hoje a banda mais revolucionária do rock brasileiro - a parceria com a ex-mulher Rita Lee, os períodos de ostracismo e barra-pesada (causado por drogas e a depressão que o levou a tentativas de suicídio e internações em sanatórios), até a volta por cima; o reencontro com o irmão mutante Sérgio Dias, a apoteose da volta do grupo em Londres e os dias atuais em Juiz de Fora. É lá que o músico preenche os dias com sua nova paixão, a pintura, e planeja novos voos solo. Longa vida a este ser eternamente inquieto e mutante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/izGLQUGZZMs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/izGLQUGZZMs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5100425731026807027?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5100425731026807027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5100425731026807027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5100425731026807027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5100425731026807027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/ce-ta-pensando-que-eu-sou-loki-bicho.html' title='&lt;em&gt;Cê tá pensando que eu sou Loki, bicho?&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5987365958472142989</id><published>2009-09-16T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T19:20:59.099-07:00</updated><title type='text'>A censura apresenta suas armas: sites jornalísticos, blogs e imprensa sob vigilância e intimidações</title><content type='html'>"Entre sem bater". Pouca gente sabe que a protocolar frase estampada à frente de centenas de portas de repartições públicas e escritórios Brasil afora foi na verdade inventada pelo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bar%C3%A3o_de_Itarar%C3%A9"&gt;Barão de Itararé&lt;/a&gt;, pseudônimo de Aparício Torelly, genial jornalista e humorista, vereador e provocador profissional. Conta-se que em 1934, após publicar em fascículos a saga do marinheiro João Cândido e sua Revolta da Chibata, Torelly recebeu na redação de seu jornal a visita indesejada de um grupo (nunca identificado), que lhe teria aplicado uma bela surra, revoltado com a apologia ao almirante negro. Dias depois, já recuperado, o Barão afixava o lembrete irônico à porta de seu escritório.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se as décadas e a imprensa livre continua incomodando aqueles que estão no poder, que gostariam mesmo é de vê-la domesticada, sem denúncias, sem fiscalizar os poderes, sem a busca incessante da verdade para auxiliar na construção da opinião pública. Ideologias de direita ou esquerda, ditaduras ou governos autoritários travestidos de democracias, todos eles têm em comum a intenção de cooptar, controlar ou calar os meios de comunicação. Alguns exemplos recentes tem tido destaque na mídia, como a tentativa de controlar a campanha eleitoral no meio &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;. Ora, definitivamente a classe política brasileira não parece compreender a internet como um território livre.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria o Barão, há alguma coisa no ar, além dos aviões de carreira. Depois de muitas idas e vindas, a Câmara dos Deputados recuou de seu primeiro projeto de reforma eleitoral - que liberava totalmente o debate político no ambiente virtual - e seguiu as modificações aprovadas pelo Senado na noite de terça-feira, dia 15/09. A partir de agora, mesmo não sendo, como os rádios e as TVs, concessões públicas, veículos de comunicação social na internet terão de seguir as mesmas &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,senadores-aprovam-parecer-da-reforma-eleitoral,428532,0.htm"&gt;regras de debate &lt;/a&gt;aplicadas à TV e ao rádio. Ou seja, quebra-se a autonomia da empresa de comunicação que possui um site em decidir qual candidato participará de alguma entrevista &lt;em&gt;online&lt;/em&gt; - ela deverá chamar ao menos dois terços dos candidatos para participar de debates eleitorais, sob pena de multa ou ter o site tirado do ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara manteve a liberdade de blogs, redes sociais, sites e programas de mensagens instantâneas (até o msn &lt;em&gt;neguinho &lt;/em&gt;quer vigiar!), mas com ressalvas. Ressalvas um tanto inusitadas:  o direito democrático de cada blogueiro em expressar sua opinião por um ou outro candidato está liberado, mas caberá o direito de resposta e a proibição do anonimato em artigos e reportagens. Ufa!, sobre o anonimato não preciso temer, mas será que algum dos 350 (estou sendo bonzinho hoje) apadrinhados do Sarney em empresas do governo vão querer direito de resposta por eu já tê-lo criticado &lt;a href="http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/o-discurso-de-sarney-e-o-culto.html"&gt;por aqui&lt;/a&gt;?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como afirmou o Xexéo outro dia no programa da CBN "Liberdade de Expressão" (atentem para esta expressão, senhores), parece que nossa classe política ainda não sabe lidar bem com a internet. Vejamos: caso a emenda seja aprovada, os sites jornalísticos continuarão proibidos de “dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique”. Que tipo de privilégios a proposta se refere? E o quê um fato político precisa para virar “motivo jornalístico”, no entender dos nobres deputados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante: direito de resposta para blogs?!?! Ora, os blogs estão entre os meios mais democráticos da internet, pois o "direito de resposta" já é algo inerente a eles, na ideia dos comentários que qualquer leitor pode fazer após a leitura das postagens. É isso que torna a internet 2.0 única. Aqui, o leitor também tem vez: cada post tem espaço para comentários, elogios, críticas, "direitos de resposta" etc. E há também a flexibilidade: podemos sempre "corrigir" textos já escritos, acrecentando algo ou cortando eventuais tropeços. Quando um blog obstrui a participação/interação do internauta, aí sim, deixa-nos em dúvida se é realmente um blog, como é o caso do recente &lt;a href="http://blog.planalto.gov.br/"&gt;Blog do Planalto&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre este blog, já apelidado o "blog do Lula", fica difícil levá-lo à sério após constatarmos que ele não permite comentários após as postagens. Ou seja, é um monólogo, uma via de mão única à qual o leitor internauta não foi convidado a manifestar-se e exercer seu direito de cidadão, apenas ler (ou, no máximo, clicar num ridículo "gostou ou não gostou?" após o post. Longe de resignarem-se, internautas mais atentos já criaram um &lt;a href="http://planalto.blog.br/"&gt;"clone"&lt;/a&gt; do Blog do Planalto, à sua imagem e semelhança. A única diferença, muito importante, é que ali os comentários são liberados.        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a imprensa vem sofrendo mais perseguições no Brasil e América do Sul. Enquanto aqui temos a censura ao jornal &lt;em&gt;Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, impedido de denunciar um esquema de corrupção envolvendo o filho de Sarney (olha ele aí de novo), na Venezuela, Chavez (que já fechou uma TV bastante popular) ameaça com o fim da concessão pública inúmeras rádios e TVs locais. E como se não bastasse, semana passada a redação do jornal &lt;em&gt;Clarín&lt;/em&gt;, um dos mais críticos ao governo de Cristina Kirchner, &lt;a href="http://portalimprensa.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/08/26/imprensa30384.shtml"&gt;foi invadida por um grupo de agentes da AFIP &lt;/a&gt;a Receita Federal argentina), sob a acusação de "problemas com a receita federal". Ora, por que dona Cristina não mandou que invadissem as mansões dos ricos argentinos que sonegam impostos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é interessante notar a cara de pau destes políticos ao tentarem explicar o incontornável: na Argentina, madame Kirchner afirmou que nunca houve tanta liberdade de expressão como agora. No entanto, a invasão à redação do &lt;em&gt;Clarín&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;coincidentemente&lt;/em&gt;, se deu no mesmo dia em que o jornal denuciou irregularidades na entrega de um subsídio de US$ 2,5 milhões a uma empresa por um órgão estatal ligado à AFIP. No Brasil, &lt;a href="http://www.oimparcial.com.br/noticias.php?id=19206"&gt;Sarney foi a tribuna do Senado &lt;/a&gt;declarar que os parlamentares - e não a imprensa - seriam os "legítimos representantes do povo", porque, eles sim, "agem às claras". Bom, no caso específico do presidente do senado, não parece ter sido este o caso ao nomear secretamente uma infinidade de parentes, namorados de netas, mordomos, amigos de amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum lugar, longe deste Brasil pândego de hoje, Aparício Torelly deve estar rindo a valer com essas situações absurdas e dando graças a Deus por já ter morrido. Por enquanto, resta-nos lutar sempre contra estes desmandos da classe política e as novas formas disfarçadas (ou não) de censura aos meios de comunicação. Caso contrário, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera...daí é que não sai nada mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5987365958472142989?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5987365958472142989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5987365958472142989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5987365958472142989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5987365958472142989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/09/censura-apresenta-suas-armas-sites.html' title='A censura apresenta suas armas: sites jornalísticos, blogs e imprensa sob vigilância e intimidações'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1556613090740979518</id><published>2009-08-28T11:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T09:00:20.674-07:00</updated><title type='text'>Tempos de paz: cinema e reflexão</title><content type='html'>&lt;em&gt;- O senhor tem dez minutos para me fazer chorar.&lt;br /&gt;- Isso está no regulamento?&lt;br /&gt;- &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; sou o regulamento.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cartaz nos cinemas, o longa "Tempos de paz", de Daniel Filho, merece ser visto por todos que buscam um cinema mais preocupado em levar ao espectador uma reflexão - ainda que carregada de emoção - do que o mero entretenimento de fim de semana. Vou além e acrescento: "Tempos de paz" (adaptado da premiada peça "Novas diretrizes em tempos de paz", de Bosco Brasil, também autor do roteiro) é um antídoto em favor da arte, um estímulo contra a mediocridade que teima em nos perseguir a cada minuto, a cada instante deste dia a dia cada vez mais desprovido de delicadeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mnR0C1ey0A8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mnR0C1ey0A8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a política - e particularmente o Senando brasileiro - mergulha no nepotismo e na troca dos favores escusos mais descarados, enquanto a educação básica continua de mal a pior, enquanto os cinemas de shopping e teatros dos grandes centros levam ao consumidor uma dieta de superficialidade, lugares comuns e infantilidade involuntária, o longa de Daniel Filho surge como uma jóia bruta, aguardando ansiosamente para ser descoberta e lapidada por espíritos com olhos livres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama é, à princípio, simples: um ex-ator polonês, Clausewitz (Dan Stullbach), junto com outros europeus, está chegando ao porto do Rio de Janeiro. Estamos em 1945: a Segunda Guerra Mundial finalmente acabou e ele deseja morar no Brasil, começando vida nova como agricultor. As crueldades que presenciou na guerra lhe afetaram sobremaneira, a ponto de Clausewitz achar que não há mais lugar para exerceu seu ofício (o teatro) após o conflito mundial. Enquanto isso, no Brasil, o presidente Getúlio Vargas acaba de conceder anistia a comunistas e outros presos políticos. É tempo de buscar "novas diretrizes em tempos de paz". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao porto, o polonês, que fala perfeitamente a língua portuguesa, é detido por membros da segurança e levado para um interrogatório. Ali, ele conhecerá o sinistro Segismundo (Tony Ramos), um ex-torturador que trabalhara para o governo e que se vê de repente sem atividade, devido à anistia. O cerne do filme tratará de um tenso embate entre o torturador - que acredita ser Clausewitz um agente nazista infiltrado no Brasil e quer deportá-lo imediatamente -, e o ator - que terá apenas a força das palavras e a ajuda de sua arte para livrar-se de seu adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes méritos do diretor Daniel Filho - que sofre até hoje preconceito por parte da crítica, em parte por ter vindo da TV, e muito em parte por fazer sucesso com seus filmes num país em que, como dizia Tom Jobim, o sucesso é "ofensa pessoal" - foi ter mantido no filme os dois atores protagonistas da peça. À época da peça, Tony Ramos e Dan Stulbach dividiram o prêmio de melhor ator do ano. O trabalho excepcional e comovente dos dois em cena demonstra como o prêmio foi merecido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pairar acima de tudo, no entanto, está o belíssimo texto de Bosco Brasil, um alento para que pensemos que é possível reencontrar nossa humanidade por meio da arte. Ao se ver encurralado pelo torturador que deseja mandá-lo de volta, Clausewitz não vê outra saída a não ser apelar para seu trabalho como ator a fim de desequilibrar emocionalmente seu adversário e virar o jogo a seu favor. Tudo isso em meio a diálogos precisos e muitas vezes brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tempos de paz" demonstra que a arte, presa hoje a campanhas publicitárias, negócios milionários, esquematismos previsíveis e textos rasteiros também pode mudar as pessoas. E ainda pode salvar vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1556613090740979518?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1556613090740979518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1556613090740979518' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1556613090740979518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1556613090740979518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/08/tempos-de-paz-cinema-e-reflexao.html' title='Tempos de paz: cinema e reflexão'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3415870659516377102</id><published>2009-08-16T06:42:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T11:21:17.283-07:00</updated><title type='text'>Hitchcock: seu nome é suspense</title><content type='html'>Na última quarta-feira, 13 de agosto, o mundo do cinema comemorou a data em que o cineasta Alfred Hitchcock completaria 110 anos. Difícil lembrar de comemoração mais justa. Quando vivo, Hitchcock foi um dos mais populares diretores de seu tempo: não só inventou as regras básicas do suspense cinematográfico (gerando inúmeros imitadores, nenhum conseguiu igualá-lo), como também foi um gênio do marketing. É uma delícia rever pelo &lt;em&gt;youtube&lt;/em&gt; o clássico &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EzAnE4zuYuA"&gt;trailer &lt;/a&gt;de "Psicose", no qual o próprio cineasta circula pela sinistra mansão de Norman Bates comentando ironicamente as cenas de crimes que o público veria; ao final, depois de lembrar a todos que banheiros podem ser lugares muito perigosos, o cineasta faz uma pausa, puxa a cortina do chuveiro e ...ora, vou deixar vocês no suspense! Confiram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito antes de os franceses criarem o termo "cinema de autor", a simples menção de que um "filme de Hichcock" estaria estreando já era motivo para levar milhares de pessoas aos cinemas. Qual a razão deste fascínio do público pelo medo? O que leva até hoje milhares de pessoas a procurarem filmes de suspense e intriga, a ficar por duas horas experimentando a sensação de medo e aflição para ao fim respirarem aliviados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez apenas o prazer de assistir a uma história bem contada e se deixar levar pela emoção. Nos filmes hitchcoquianos, a manipulação das emoções do público era essencial. Um exemplo clássico de construção do suspense foi dado pelo cineasta ao diretor francês François Truffaut no livro "Hitchcock/Truffaut": "Se um homem está caminhando até sua casa e, ao abrir a porta, uma bomba explodir, o público levará um susto. Mas o susto será certamente bem maior se o público &lt;em&gt;souber&lt;/em&gt; da existência de uma bomba-relógio e contar os segundos que faltam para a explosão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filme preferido do mestre é "Um corpo que cai", um suspense mórbido estrelado por James Stewart e uma Kim Novak no auge da beleza. Vi o clássico quando tinha uns 20 anos, no Estação Botafogo, aqui no Rio, e saí do cinema extasiado com a trama, a belíssima trilha sonora de Bernard Hermann e a direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cineasta que tinha o mesmo cuidado ao filmar tanto cenas de suspense como cenas de amor deixou inúmeras sequências inesquecíveis na história, daquelas que cabem em qualquer boa antologia cinematográfica. Como não lembrar da cena do assassinato do chuveiro logo ao começo de "Psicose"; do beijo de Grace Kelly em James Stewart em "Janela Indiscreta"; do inofensivo brinquedo no parque infantil atulhado de corvos em "Os pássaros"; de um James Stewart desesperado para evitar um assassinato dentro de uma sala de concertos, cujo tiro seria disparado pelo assassino na exata hora do bater dos pratos, em "O homem que sabia demais"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para homenageá-lo, escolhi a cena final de outro clássico: "Intriga internacional", filme sensualíssimo no qual o humor e o suspense se mesclam de forma genial. Aliás, dificilmente você verá casal mais charmoso que Cary Grant e Eva Marie Saint, protagonistas aqui. Confiram a sensacional montagem final, que corta de uma cena num despenhadeiro diretamente para um casal em lua de mel dentro de um trem, culminando com uma sutilíssima insinuação sexual (deixei as legendas em italiano só para "apimentar" mais a cena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ngGKvbB_TrE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ngGKvbB_TrE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova de que Hitchcock não estava interessado apenas em amedrontar o público. O cara realmente sabia demais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3415870659516377102?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3415870659516377102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3415870659516377102' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3415870659516377102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3415870659516377102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/08/hitchcock-seu-nome-e-suspense.html' title='Hitchcock: seu nome é suspense'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-525031797241814619</id><published>2009-08-06T17:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T07:05:28.557-07:00</updated><title type='text'>Hiroshima: 64 anos depois ou A reportagem do século</title><content type='html'>Há exatos 45 anos, numa manhã nublada, ela foi lançada sobre a cidade. Tratava-se de um dos inventos mais sinistros já inventados pelo homem: a bomba atômica. Em questão de minutos a cidade de Hiroshima perdeu 70 mil vidas. Durante o ano seguinte, mais 30 mil pessoas expostas à radiação morreriam. Ou seja, praticamente 100 mil vidas ceifadas pelo lançamento de uma bomba, com o propósito de dar fim à guerra. Até hoje, há uma controvérsia sobre se os ataques nucleares (três dias depois, seria a vez de Nagasaki receber uma segunda bomba atômica) foram de fato necessários para pôr fim à guerra. Pacifistas alegam que a rendição do Japão era iminente; militares e políticos ainda hoje retrucam, afirmando que sem as bombas a Segunda Guerra Mundial se prolongaria ainda mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim: não haveria uma forma de pôr fim à guerra sem matar tantos, milhares de vidas?      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontecimentos trágicos como esse não devem ser esquecidos, para que a humanidade sempre saiba que deve evitá-los. Hoje, no Japão, 50 mil pessoas reuniram-se no monumento dedicado às vítimas da bomba, e o prefeito de Hiroshima pediu o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u605773.shtml"&gt;banimento das armas atômicas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvável iniciativa, porém uma utopia num mundo revestido de conflitos, no qual países autoritários como a Coreia do Norte ainda constroem armas atômicas como intimidação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tragédia rendeu uma infinidade de livros nos quatro cantos do mundo. Aqui no blog, gostaria de lembrar de apenas um deles: "Hiroshima", do jornalista americano John Hersey. Um ano depois do fim da guerra, Hersey viajou à Hiroshima para uma reportagem: o editor da &lt;em&gt;New Yorker&lt;/em&gt;, a revista em que trabalhava, pedira ao repórter um relato sobre o que significava uma cidade ser atingida pela bomba atômica. O caminho escolhido pelo jornalista foi simples: escolheu e entrevistou seis pessoas que haviam sobrevivido ao ataque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos o começo da longa reportagem: estão ali todas as seis perguntas básicas de como elaborar um lide (o quê, quem, quando, como, onde e porquê), escrito de forma precisa, concisa e envolvente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"No dia 6 de agosto de 1945, precisamente às oito e quinze da manhã, hora do japão, quando a bomba atômica explodiou sobre Hiroshima, a srta. Toshiko Sasaki, funcionária da Fundição de Estanho do leste da Ásia, acabava de sentar-se a sua mesa, no departamento de pessoal da fábrica, e voltava a cabeça para falar com sua colega da escrivaninha ao lado. Nesse exato momento o dr. Masakazu Fujii se acomodava para ler o &lt;em&gt;Asashi&lt;/em&gt; de Osaka no terraço de seu hospital particular,suspenso sobre ujm dos sete rios deltaicos que cortam Hiroshima; a sra. Hatsuyo Nakamura, viúva de um alfaiate, observava, da janela de sua cozinha, a demolição da casa vizinha, situada num local que a defesa aérea reservara às faixas de contenção de incêndios; o padre Wilhelm Kleinsorge, jesuíta alemão, lia a &lt;em&gt;Stimmen der Zeidt&lt;/em&gt;, revista da Companhia de Jesus, deitado num catre, no terceiro e último andar da casa da missão de sua ordem; o dr. Terufumi Sasaki, jovem cirurgião, caminhava por um dos corredores do grande e moderno hospital da Cruz Vermelha local, levando ujma amostra de sangue para realizar um teste de Wasserman; e o reverendo Kiyoshi Tanimoto, pastor da Igreja Metodista de Hiroshima, parava na porta de um ricaço de Koi, bairro do oeste da cidade, para descarregar um carrinho de mão cheio de coisas que resolvera transferir para ali por temer o maciço ataque do B-29, que a população aguardava. Uma centena de milhares de pessoas foram mortas pela bomba atômica, e essas seis são algumas das que sobreviveram. Ainda se perguntam por que estão vivas, quando tantos morreram. Cada uma delas atribui sua sobrevivência ao acaso ou a um ato da própria vontade - um passo dado a tempo, uma decisão de entrar em casa, o fato de tomar um bonde e não outro. Agora cada uma delas sabe que no ato de sobreviver viveu uuma dúzia de vidas e viu mais mortes do que jamais teria imaginado ver. Na época não sabiam nada disso."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contar a história do lançamento das bombas pelo ponto de vista dos sobreviventes, Hersey consegiuiu aliar uma alta carga dramática ao rigor dos fatos, tão exigido no jornalismo. Após a publicação da reportagem na revista e mais tarde em livro - com grande impacto entre o público - o mundo ocidental enfim teve consciência da catástrofe ao fim da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de 1999, uma enquete com mais de 100 jornalistas e escritores elegeu "Hiroshima" como a melhor reportagem do século XX. Vale a pena conferir, principalmente aqueles que desejam ingressar no fascinante mundo do jornalismo - com ou sem diploma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-525031797241814619?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/525031797241814619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=525031797241814619' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/525031797241814619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/525031797241814619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/08/hiroshima-64-anos-depois-ou-reportagem.html' title='Hiroshima: 64 anos depois ou A reportagem do século'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5272174605603858764</id><published>2009-07-21T21:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T21:32:47.989-07:00</updated><title type='text'>Da série: Essa música me lembra uma história...</title><content type='html'>"O Guarani", de Carlos Gomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo atrás, eu estava dando uma aula sobre radiojornalismo no Brasil. Como não podia deixar de ser, falei um pouco sobre a &lt;em&gt;Voz do Brasil&lt;/em&gt;, este programa que todas as rádios do Brasil apresentam obrigatoriamente desde a ditadura do Estado Novo - lá se vão mais de sete décadas. Muitos acham a &lt;em&gt;Voz&lt;/em&gt; um anacronismo, outros a defendem, mas não quero aqui tecer considerações sobre o programa. Apenas me lembrei que quando comecei a falar do programa, um grupinho de alunos começou a entoar o cântico de abertura de "O Guarani", o clássico de Carlos Gomes, na inacreditável e populista versão radiofônica atual, &lt;em&gt;mezzo&lt;/em&gt; Olodum, &lt;em&gt;mezzo&lt;/em&gt; Carlos Gomes. Dei uma risada, "elogiei" a desafinação da galera e continuei com a aula. Mais tarde lembrei-me que o "Guarani" já fizera parte de minha vida em outra situação. Uma situação, digamos...mais constrangedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era adolescente, devia ter uns 17 anos ou menos, e um amigo, o Renê, me chamou para assistir ao espetáculo de uma orquestra sinfônica no Social Ramos Clube, bem perto de onde morávamos (e moro até hoje), em Ramos. Desconfiei. Uma orquestra de verdade no Social ?!?! Pra mim, orquestras só tocavam no Teatro Municipal, no Centro do Rio ou outros lugares privilegiados. O que dera naqueles caras para virem tocar no subúrbio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, apesar do estranhamento inicial, topei o programa na hora. E só acreditei no que vi quando adentrei no salão do clube e vi aqueles homens de terno, as poucas mulheres super bem-vestidas, todos concentrados nos seus instrumentos. O programa? "O Guarani", de nosso "selvagem da ópera" (como foi chamado pelos italianos): Carlos Gomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UMkLchCMNfo&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/UMkLchCMNfo&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A salão não ficou lotado - muitos devem não ter acreditado e ficaram em casa, pensei. Havia apenas metade dos lugares ocupados. Felizes, eu e meu amigo pudemos escolher dois bons lugares. Sentamos e nos preparamos para o concerto. Só havia um problema - era quarta-feira, dia de futebol de salão na quadra ao lado, a menos de 10 metros do palco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Começa o show (perdão, o concerto). A orquestra toca e o som está inesperadamente muito bom. O público, antes reverencioso em excesso, sorri quando a orquestra toca a parte mais conhecida da ópera - sim a mesma cuja vinheta virou até tema da "Voz do Brasil". Muitos ali jamais presenciaram um concerto de música clássica de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo é perfeito. Com dez minutos de concerto, dá para ouvir nitidamente algumas trocas de gentilezas entre os times do futsal: "Passa a bola, seu f.d.p."; Agarra essa agora, seu %#**#"; "Não vai marcar não, seu &amp;amp;*##@". O maestro, que já olhara, assustado, para a janela, interrompe o concerto e pede providências. Na platéia, olhares atravessados, risinhos abafados, comentários sobre a falta de educação do suburbano etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois, a orquestra volta a se apresentar, apenas para parar de novo depois de 5 minutos. Um gol na quadra faz todo o time gritar, e o maestro a se enervar. Ele vai até o "diretor artístico" do clube e ameaça encerar o concerto. Sinto a vontade de enterrar a cabeça no chão, igual a um avestruz, de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns minutos de discussão, o responsável pelo clube constata o óbvio e manda encerrar o futebol, sob protestos de alguns jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O concerto recomeça e desta vez vai até o final, sem transtornos.Estou muito feliz, vou guardar tudo na memória como uma recordação de uma noite cultural intensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intensa? Ainda faltavam os aplausos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, mais habituado com espetáculos de samba e rock, faz um verdadeiro carnaval, maravilhado com o que vira. Gritinhos de "Mais um!" e "U-hu!" são ouvidos. O maestro dá um sorriso amarelo, agradece à platéia e se retira. Cai o pano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O público ainda vai apreciar meus biscoitos finos"&lt;br /&gt;Oswald de Andrade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5272174605603858764?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5272174605603858764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5272174605603858764' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5272174605603858764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5272174605603858764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/07/da-serie-essa-musica-me-lembra-uma.html' title='Da série: Essa música me lembra uma história...'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4073961305752491960</id><published>2009-07-15T07:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T20:24:57.060-07:00</updated><title type='text'>O Louvre e seus visitantes: "poderoso, delicado e inesquecível comentário lírico do mundo"</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Há um mirante iluminado no olhar de Alécio e sua objetiva. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;(Mas a melhor objetiva não serão os olhos líricos de Alécio?) &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Anos 60: um casal apaixonado passeia de mãos dadas pelos corredores de um museu. Ao fundo, o quadro "Os amores de Paris e Helena". Anos 70: três freiras vestidas à caráter observam atentamente as mulheres nuas do quadro "As três graças", de Regnault. Anos 80: à frente do quadro "Duas irmãs", duas mulheres (seriam também irmãs?) imitam o desenho retratado. Anos 90: uma mulher, segurando a filha no colo, grita nervosamente (como no clássico de Munch) para o alto - ao fundo, repousa o quadro "Henrique IV recebe o retrato da rainha e se deixa desarmar pelo amor". Anos 2000: uma bela mulher posta-se sem perceber à frente de uma moldura, dando vida, ainda que no brevíssimo instante de um clique, ao quadro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Todos estes momentos foram registrados pelas câmeras do fotógrafo brasileiro Alécio de Andrade, no interior do Louvre, o museu mais famoso do mundo. Em 1964, Alécio, então trabalhando para a revista Manchete, foi enviado à França para cobrir conflitos de rua. Não voltou mais. Até 2003, quando morreu, foram quase 40 anos captando imagens de visitantes no interior do museu. Nestas quatro décadas. Alécio registrou nada menos de 12 mil imagens. Agora, 88 delas podem ser conferidas na exposição &lt;em&gt;O Louvre e seus visitantes&lt;/em&gt;, no Museu Nacional de Belas Artes (Centro do Rio). &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkWQT0cfI/AAAAAAAAABs/UDKB97_8KQk/s1600-h/Al%C3%A9cio+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359534627557241330" style="WIDTH: 254px; CURSOR: hand; HEIGHT: 203px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkWQT0cfI/AAAAAAAAABs/UDKB97_8KQk/s400/Al%C3%A9cio+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;&gt; &lt;p&gt;Logo nos primeiros anos em Paris, Alécio tornou-se um dos fotógrafos da agência Magnum, uma das mais prestigiadas entre os profissionais. Além dos retratos do Louvre, ficou famoso também pelos retratos de intelectuais, do cotidiano de Paris e as inúmeras imagens da infância. Estas têm espaço privilegiado na mostra do MNBA, como os dois irmãos que apontam para o quadro clássico. "Uma mulher nua!", parecem dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkpEH9lDI/AAAAAAAAAB0/aY05TY88zVw/s1600-h/Al%C3%A9cio+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359534950703797298" style="WIDTH: 234px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkpEH9lDI/AAAAAAAAAB0/aY05TY88zVw/s400/Al%C3%A9cio+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkxzxTx9I/AAAAAAAAAB8/YO7KBp_l2Ak/s1600-h/Al%C3%A9cio+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359535100932638674" style="WIDTH: 233px; CURSOR: hand; HEIGHT: 145px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkxzxTx9I/AAAAAAAAAB8/YO7KBp_l2Ak/s400/Al%C3%A9cio+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1981, Alécio foi contemplado com um poema de seu amigo e poeta de mesmo sobrenome, Carlos Drummond de Andrade, "O que Alécio vê" (vale a pena ler, no blog de &lt;a href="http://camilaalam.blogspot.com/2009/04/alecio-de-andrade-e-o-louvre.html"&gt;Camila Alam&lt;/a&gt;). Para Drummond, as fotos de Alécio constituíam um poderoso, delicado e inesquecível comentário lírico do mundo. E aquelas imagens reveladas no interior do Louvre eram especiais, por terem a grande a grande liberdade de retirarem a formalidade e academicismo do ambiente de um grande museu para dar-lhe vida, contornando-o de poesia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Alécio, como Drummond, era também um poeta. Um poeta das imagens. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4073961305752491960?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4073961305752491960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4073961305752491960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4073961305752491960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4073961305752491960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/07/o-louvre-e-seus-visitantes-poderoso.html' title='O Louvre e seus visitantes: &quot;poderoso, delicado e inesquecível comentário lírico do mundo&quot;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SmDkWQT0cfI/AAAAAAAAABs/UDKB97_8KQk/s72-c/Al%C3%A9cio+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-627823039682705569</id><published>2009-07-09T18:18:00.001-07:00</published><updated>2009-07-10T08:47:25.723-07:00</updated><title type='text'>Domingos de Oliveira - um homem lúcido</title><content type='html'>Um dos momentos mais bacanas da semana passada em Paraty foi a homenagem que os participantes da mesa "Separações" fizeram a Domingos de Oliveira. Domingos é um dos caras mais produtivos do cinema e teatro brasileiros, com textos invariavelmente deliciosos. Seus filmes, de baixíssimo orçamento, já foram comparados aos de Woody Allen. Mas Domingos tem um estilo próprio e único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevo aqui um texto do autor, declarado ao fim da apresentação em Paraty, com os merecidos aplausos do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem lúcido&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Homem Lúcido sabe&lt;br /&gt;que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela&lt;br /&gt;Assim como ele nunca tem memórias&lt;br /&gt;O Homem Lúcido sabe&lt;br /&gt;que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor&lt;br /&gt;posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um Mal O Homem Lúcido sabe&lt;br /&gt;que ele é o equilibrista na corda bamba da existência&lt;br /&gt;Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo&lt;br /&gt;Pode também o Homem Lúcido optar pela vida&lt;br /&gt;Aí então ...&lt;br /&gt;Ele esgotará todas as suas possibilidades&lt;br /&gt;Ele passeará pelo seu campo aberto pelas suas vielas floridas&lt;br /&gt;Ele saberá ver a beleza em tudo!&lt;br /&gt;Ele terá amantes, amigos, ideais&lt;br /&gt;urdirá planos e os realizará&lt;br /&gt;Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças&lt;br /&gt;E se atingido por um desses emissários&lt;br /&gt;saberá suportá-lo com coragem e com mansidão&lt;br /&gt;E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais e em idade avançada&lt;br /&gt;cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura.&lt;br /&gt;Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido uma aura de bondade&lt;br /&gt;Dir-se-á: "Aquele amou muito. Aquele fez muito bem às pessoas!"&lt;br /&gt;A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis&lt;br /&gt;O Homem Lúcido, porém&lt;br /&gt;esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses&lt;br /&gt;tem o poder magno de alterar essa lei&lt;br /&gt;Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...&lt;br /&gt;Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Domingos de Oliveira)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-627823039682705569?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/627823039682705569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=627823039682705569' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/627823039682705569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/627823039682705569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/07/domingos-de-oliveira-um-homem-lucido.html' title='Domingos de Oliveira - um homem lúcido'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2582565758414896932</id><published>2009-07-07T07:59:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T18:34:16.112-07:00</updated><title type='text'>Flip 2009: Paraty e o alumbramento</title><content type='html'>Durante cinco dias, todos os anos e no começo de julho, Paraty torna-se a capital oficial da leitura brasileira, com a já tradicional FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. Amantes da literatura espalhados nos quatro cantos do país chegam à cidade para respirar cultura e encantam-se com as muitas seduções presentes nas ruas de asfalto &lt;em&gt;pé-de-moleque,&lt;/em&gt; que se mantiveram intactas desde a época do império. Andar por ali é experimentar um pouco de uma atmosfera de sonho, circo e diversão. Abaixo, segue um breve relato, em pequenas pílulas, dos dias em que estive pela cidade perambulando, flanando, ou, nas palavras do grande homenagenado deste ano, o poeta Manuel Bandeira , experimentando a sensação de "alumbramento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Sim, o alumbramento, ou o encantamento, a certeza de que estar ali, naqueles dias, nos dava uma sensação maravilhosa de liberdade. Cheguei à cidade na quinta-feira pela manhã, a tempo de conferir a palestra "Separações", com Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira. A participação do ator, dramaturgo, roteirista e diretor de cinema Domingos deu o tom do encontro, marcado pela leitura de textos, frases ótimas ("não conheço um casal decente que não tenha um sólido desejo de separação") e outras provocativas ("literatura boa é aquela que te ajuda a resolver seus problemas, aquela que te faz uma espécie de auto-ajuda. &lt;em&gt;Moby Dick&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt; são auto-ajuda").&lt;br /&gt;À tarde, um interessante debate sobre os limites entre realidade e a ficção na elaboração de biografias, na palestra "Verdades inventadas" e a constatação de que não existe biografia definitiva. À noite, uma provocativa palestra do biólogo a ateu especialista em Darwin Richard Dawkins, autor do livro "Deus, um delírio". Ainda neste dia, andanças pelas ruas de Paraty, conferindo os tipos típicos, os viajantes, os locais, a fauna de artistas que acorrem à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na sexta, conferi de perto a Flipinha (para crianças) e a novidade deste ano - a Flipzona - para adolescentes. Uma atração á parte é a decoração da Praça da Matriz: dezenas de bonecos, inspirados em personagens da literatura infantil, povoam o espaço. Dessa vez o local estava ainda mais caprichado, contando com um enorme trem cenográfico, com um boneco de Manuel Bandeira sentado em cima - crianças entravam e saíam correndo dos vagões, numa alegre algazarra. Havia uma tenda redonda, com livros por todos os lados, onde as crianças podiam sentar, pintar, ler, escrever. Não faltavam pessoas fantasiadas - cruzei com uma &lt;em&gt;Emília&lt;/em&gt;, de Monteiro Lobato, avistei um pirata e um homem vestido numa linda fantasia de arlequim. A novidade que encantou a adultos e crianças foi uma enorme baleia, cuja boca e interior se iluminavam à noite. Moby Dick?, pensei. Claro que não: afinal era uma praça para as crianças, e aquela não era outra senão a baleia que engolira Gepeto na história de Pinóquio.&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;*** &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Mas para os amantes da literatura, o grande momento da sexta foi às 19 horas, com a mesa "Sequências brasileiras", tendo como entrevistados Milton Hatoum e Chico Buarque. Ambos já haviam estado na Flip em edições anteriores, e não se furtaram a discutir animadamente sobre os processos de criação de seus livros. Hatoum é autor de um dos melhores romances brasileiros das últimas décadas: "Dois irmãos", e suas histórias são quase sempre passadas em Manaus, cidade onde nasceu e morou até a adolescência, mas que nunca abandonou em suas tramas. Já Chico provocou os esperados suspiros do público feminino (ser uma celebridade musical e literária não é pouco...) e estava bem descontraído, provocando até risadas ao discorrer sobre a pesquisa para seu livro mais recente, "Leite derramado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Só uma coisinha me deixa um tanto enfadado durante as concorridas mesas com escritores: a excessiva reverência que alguns entrevistadores têm com os autores. Não há questionamentos mais profundos, provocações, perguntas incômodas - apenas comentários sobre como a obra é interessante, como foi o processo para chegar ao produto final, "seu livro é extraordinário" etc. Tudo bem que um dos objetivos da festa é justamente promover autores, mas às vezes cansa. Na apresentação de Richard Dawkins, faltaram essas perguntas inesperadas. Gostaria de saber o que o escritor, um ateu praticante, teria achado do caso do bispo brasileiro que excomungou uma equipe de médicos no Recife por fazerem um aborto em uma menina que sofrera um estupro do padastro, salvando sua vida. E, cá pra nós, faltou mais senso de marketing. A certa altura da palestra, imaginei como seria interessante se irrompesse no meio do auditório um padre de batina, que correria em direção a Dawkins gritando "Deus existe! Deus, existe!". Imaginem a cena: seria com certeza capa de todos os jornais no dia seguinte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, um bom marketing ou um bom senso de oportunidade podem salvar um evento. Reza a lenda que em 1922, a Semana de Arte Moderna só começou a &lt;em&gt;bombar&lt;/em&gt; mesmo quando Oswald de Andrade comprou legumes e ovos na feira em frente ao teatro e pagou a alguns alunos de direito para que insultassem o elenco com gritos e tacassem tomates nos atores. No dia seguinte a "Semana de 22" já estava famosa, graças à polêmica.&lt;br /&gt;Sim, eu sei que a Flip não precisa disso, mas vamos deixar de tanta reverência. Ainda espero o dia em que verei um entrevistador dizer a algum escritor falastrão, no estilo kamikaze de um Hunter Thompson: "Considero sua obra de uma nulidade absoluta e pra mim você é uma enganação!" Seria divertido... &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sábado foi um dos melhores e mais agitados dias. Comecei assistindo à apresentação de Alex Ross, crítico musical da revista New Yorker - "O dissonante século XX" no qual concilia a análise de obras de grandes compositores eruditos do século XX aos momentos políticos mais importantes do período, como as duas grandes guerras mundiais. Bastante interessante. Assim que acabou a palestra, corri para a Flipzona, onde uma multidão de adolescentes recebiam o multimídia (e agora celebridade) Marcelo Tas, líder da galera do CQC, para um papo sobre as novas mídias. Fiquei impressionado com o nível de empatia que Tas consegue junto aos jovens. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda no quesito "cadê as perguntas provocantes?", quem as fez neste dia foi o público, durante a mesa "Entre quatro paredes", dos ex-namorados Sophie Calle e Grégoire Bouillier. A história foi mais ou menos assim: há alguns anos, Grégoire quis terminar seu caso com Sophie e escreveu uma carta terminando o namoro. A francesa recebeu a carta e a mandou para 107 mulheres, pedindo que comentassem. Da reação das mulheres a escritora partiu para a exposição &lt;em&gt;Prenez soin de vous&lt;/em&gt;, com as respostas de todas sobre o rompimento e o que achavam. Se você está achando que invasão de privacidade é o melhor nome para isso, a escritora pode não concordar - ao meio-dia de sábado, estavam na tenda principal Sophie e o ex-namorado Grégoire (também escritor, mas isso não vem ao caso. Ou vem?), segundo a produção, "reencontrando-se pela primeira vez após o rompimento". Lavação de roupa suja em público? Uma discussão de relacionamento ouvida por milhares? Entenda como quiser, mas a palestra atraiu um número enorme de flipeiros, loucos para ver um arranca-rabo em público.&lt;br /&gt;Mas qual o quê! Os ex-pombinhos foram extremamente civilizados e falaram mais de literatura do que de traição. Só no final, com as perguntas da plateia, A DR engrenou. Um exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sophie, você acha que, após o que fez, os homens ficaram com medo de vc, ou quiseram&lt;em&gt; entrar no espetáculo&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Tenho um namorado. Ele me pediu para não transformá-lo em objeto literário, caso a gente termine. Consenti - mas posso desobedecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Well, pelo visto a noção de privacidade da escritora é bem maleável, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a grande estrela do dia, pelo menos para este blogueiro, foi a presença de Gay Talese, o elegantíssimo jornalista americano (veja o último post). Já pela manhã era comum encontrar pelas ruas jornalistas e estudantes de jornalismo, os chamados "talesianos", aqueles que foram à Flip apenas para conferir à mesa de Talese, "Fama e anonimato". Talese não os decepcionou, e contou várias histórias sobre sua vida e reportagens. Do começo bastante pobre, quando o pai italiano, alfaiate, o vestia com os ternos alinhados que costurava e usava o menino como "garoto-propaganda" da loja (a influência paterna é visível até hoje: Talese desfilou seus ternos e simpatia pelas ruas de Paraty, como um dândi, sempre alinhadíssimo). A influência da mãe, que lhe ensinou a ouvir boas histórias e a fixação em buscar belas reportagens em gente comum. Aos 77 anos, o jornalista disse ao público de Paraty que nunca fora seu desejo estar nas primeiras páginas. Contou que começou sua carreira no &lt;em&gt;New York Times &lt;/em&gt;, na seção de esportes. Um dia, enviado para cobrir uma luta de boxe, começou a prestar mais atenção em outros personagens além dos lutadores: o homem que de quando em quando soava o sino, começando e encerrando os rounds, a mãe de um dos lutadores que chorava na plateia, vendo o filho apanhar impiedosamente do outro lutador. Para Talese, aquelas eram histórias tão interessantes quanto à luta principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mesmo discorrendo longamente em suas respostas, a apresentação teve em Mário Sérgio Conti um entrevistador que honrou a arte da entrevista. Conti levantou a bola de Talese, mas não deixou de fazer perguntas incômodas ao mestre, como na ocasião em que perguntou como foi a reação deste ao trabalhar como cafetão numa casa de massagens novaiorquina em 1971, para conhecer os personagens que frequentavam o local e escrever o livro "A mulher do próximo". "De fato, eu humilhei minha mulher na época. Mas não conseguiria ter escrito o painel a que me propus em 'A mulher do próximo' se não chegasse perto daquelas pessoas", respondeu Talese.&lt;br /&gt;Às vezes, um pouco de tensão é essencial numa entrevista. E Talese, que conversou e escutou em sua longa vida histórias de donos do poder aos mais miseráveis anônimos, sabe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas Paraty não é só literatura durante a Flip. À noite, a música, em seus mais variados estilos reina suprema nas ruas, praças e restaurantes. Ouvi de tudo nestes quatro dias em que estive por lá, mas por hora me reservo o direito de só comentar duas atrações: a banda argentina "La cartelera y sus limones domingueros" (sensacional o nome, não?), que mesclava salsa, reggae, mambos, skas, cumbias e outros ritmos latinos em plena Praça da Matriz, levando uma boa parte dos que estavam ali a dançarem alegremente. E, ali perto e na sexta à noite, a apresentação da cantora Maria Gadú, de apenas 22 anos, no Che Bar. De longe, Gadú parece um menino, com um cabelo curtinho e um topete enorme. Quando canta, a intensidade da interpretação é tamanha que arrebata o público. Gadú passeia por Chico Buarque, Adoniram Barbosa, Piaf, Kelly Key (uma interpretação tão única do hit &lt;em&gt;Baba&lt;/em&gt; que levou o público a aplaudir no meio), Noel Rosa e Amy Winehouse. Amigos, não sei não, e posso até mudar de opinião, mas acho que é a nova Cássia Eller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Domingo de manhã, hora dos últimos passeios, de tirar fotos, de almoçar um delicioso peixe à escabeche e voltar pra casa. Ainda deu tempo pra conferir a mesa "O futuro da América", no qual o histopriador e apresentador inglês e apresentador de programas de TV Simon Schama conversou animadamente sobre os Estados Unidos e a eleição de Barack Obama com a também historiadora e escritora Lilia Moritz Scwarcz - outra que saiu-se muito bem como entrevistadora, saindo sempre do lugar comum e com perguntas ótimas ao inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Bem, como tudo que é bom, foi rápido e acabou. Mas ano que vem tem mais. Retornei com a esperança de que surjam mais festas e feiras literárias como a Flip em todo o país. O Brasil precisa delas.&lt;br /&gt;Mas, alumbramento igual, só em Paraty, meus caros. Só em Paraty.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2582565758414896932?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2582565758414896932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2582565758414896932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2582565758414896932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2582565758414896932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/07/flip-2009-paraty-e-o-alumbramento.html' title='Flip 2009: Paraty e o alumbramento'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5138795649989429610</id><published>2009-06-30T09:15:00.000-07:00</published><updated>2009-07-01T16:56:05.529-07:00</updated><title type='text'>Gay Talese vem ao Brasil - e não está resfriado!</title><content type='html'>Jornalistas, preparem-se: neste fim de semana, o mestre norte-americano Gay Talese, um dos criadores do &lt;em&gt;new journalism&lt;/em&gt;, chega ao Brasil para participar da Flip, a festa literária de Paraty, no Rio de Janeiro. Rara ocasião para conferir de perto o autor de "Fama e anonimato", "A mulher do próximo" e "O reino e o poder" - grandes reportagens que inspiraram e ainda inspiram repórteres iniciantes e veteranos de todo o mundo. Entre as muitas reportagens que deram fama à Talese, hoje um senhor de 77 anos, uma de minhas preferidas é o perfil que o jornalista escreveu sobre Frank Sinatra.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inverno de 1965, Gay Talese viajou de Nova York a Los Angeles a fim de entrevistar o cantor Frank Sinatra para a revista &lt;em&gt;Esquire&lt;/em&gt;. A entrevista já tinha sido agendada pelo editor da revista e o relações-públicas do cantor. Contudo, pouco depois de chegar à cidade, Talese descobriu que ela não seria concedida. Os motivos alegados eram dois. Primeiro, Sinatra estava muito perturbado com recentes reportagens publicadas em jornais sobre suas supostas relações com a máfia. O segundo motivo poderia ser considerado um tanto mais prosaico, mas não para o maior cantor dos Estados Unidos: Frank Sinatra estava resfriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jornalista inexperiente daria meia-volta e rumaria ao aeroporto de volta. Mas Talese ficou em Los Angeles. Nos dias e semanas seguintes, enquanto esperava pela melhora na saúde de Sinatra e, quem sabe, a tão esperada entrevista, o jornalista procurou entrevistar gente próxima ao astro, que contava com um &lt;em&gt;staff &lt;/em&gt;de 72 pessoas. Conversou com músicos e atores, executivos de estúdios, produtores musicais, seguranças, promotores, uma senhora que acompanhava Sinatra por todo o país carregando uma mala com 60 perucas usadas pelo cantor, donos de restaurantes, o filho que vivia à sombra do sucesso do pai, além de mulheres, muitas mulheres. Pessoas que, de uma forma ou de outra, haviam tido algum contato com o astro. Certo dia o relações-públicas de Sinatra ligou e disse que o cantor ainda não daria a entrevista, mas Talese poderia acompanhá-lo numa gravação de um especial para a TV e em outros momentos - de longe.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De repente, veio o &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt;: todas aquelas pessoas que dependiam de Sinatra encontravam-se unidas pelo fato de saberem que o astro, o "chefão", estava resfriado. A entrevista acabou não sendo concedida, mas Talese já tinha seu material. Voltou para Nova York e escreveu um dos maiores perfis sobre um astro em todo o século XX. A reportagem, que recebeu o título "Frank Sinatra está resfriado", fez um imenso sucesso e é até hoje estudada em dezenas de faculdades de jornalismo.  Sinatra não dera a entrevista, mas seu perfil, sua alma, seus interesses, estava tudo ali naquelas páginas. O começo da reportagem é por si só um clássico:   &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Sinatra resfriado é Picasso sem tinta, Ferrari sem combustível - só que pior. Porque um resfriado comum despoja Sinatra de uma jóia que não dá para pôr no seguro - a sua voz -, minando as bases de sua confiança, e afeta não apenas seu estado psicológico, mas parece também provocar uma espécie de contaminação psicossomática que alcança dezenas de pessoas que trabalham com ele, bebem com ele, gostam dele, pessoas cujo bem-estar e estabilidade dependem dele. Um Sinatra resfriado pode, em pequena escala, emitir vibrações que interferem na indústria do entretenimento e mais além, da mesma forma que a súbita doença de um presidente dos Estados Unidos pode abalar a economia do país".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O estilo conhecido como &lt;em&gt;New Journalism&lt;/em&gt; teve seu auge na década de 1950, quando jornalistas-escritores como Talese, Truman Capote e Lillian Ross começaram a escrever reportagens longas em que as técnicas jornalísticas recebiam ajuda de recursos da literatura de ficção, como diálogos, voz interior etc. A diferença é que nada ali era inventado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo sobrevive até hoje, em que pese os cortes de custos das empresas de comunicação, que relutam em financiar grandes reportagens, que dão prestígio mas custam muito tempo e dinheiro.  Pra quem estiver interessado, recomendo a coleção de livros da série "Jornalismo Literário", da Cia das letras, com grandes reportagens de John Hershey, Tom Wolfe, Norman Mailer, além de brasileiros como Joel Silveira, autor da incrível "A milésima segunda noite da Avenida Paulista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autores que, segundo Humberto Werneck, no posfácio de "Fama e anonimato", realizaram a "arte de sujar os sapatos", ou seja, largaram as redações e foram às ruas descobrir belas histórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5138795649989429610?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5138795649989429610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5138795649989429610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5138795649989429610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5138795649989429610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/gay-talese-vem-ao-brasil-e-nao-esta.html' title='Gay Talese vem ao Brasil - e não está resfriado!'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4562024772202171214</id><published>2009-06-30T08:34:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T07:49:29.560-07:00</updated><title type='text'>I'll be there: Como Michael Jackson chegou a todos os lares do mundo</title><content type='html'>Eu não ia escrever nada sobre a morte de Michael Jackson. Achei que as inúmeras edições especiais de jornais e revistas, programas de televisão, especiais no rádio, além de homenagens em &lt;em&gt;sites&lt;/em&gt; nos quatro cantos do mundo se bastariam. Mas foi impossível. Não há como passar ao largo da morte deste grande ídolo. Em termos de comunicação, a morte de Jackson mostrou e ratificou a força do meio &lt;em&gt;online&lt;/em&gt;: o site TMZ foi o primeiro a dar o furo mundial e, não satisfeito, ainda mostrou com exclusividade a chamada telefônica dos empregados do astro para a emergência. Rapidamente uma multidão em Los Angeles prostrou-se à frente da clínica para onde o artista fora levado. Na mesma tarde, um congestionamento como há muito não se via na internet chegou a emperrar o serviço de alguns provedores, como o Google. Todos queriam saber sobre o estado de Michael - aquele jovem desconhecido que começou a cantar ainda criança em bares sujos de Gary, Indiana, teve sua morte transmitida em questão de minutos para todos os cantos do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Agora, me diz com sinceridade: algum outro astro pop conseguiria tal repercussão?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu tinha 12 anos quando o álbum "Thriller" foi lançado, em 1982. E, posso dizer, com certeza nunca vi um único álbum tocar tanto nas rádios como naquela época. No auge do sucesso da canção "Billy Jean", uma experiência interessante era girar o dial do rádio FM por inteiro - a cada três estações percorridas, uma delas estava tocando o hit. Em 1983, na festa dos 25 anos da gravadora Motown, Michael, já um grande sucesso, mostrou ao público pela primeira vez os passos inacreditáveis de sua dança mais famosa, o &lt;em&gt;moonwalk&lt;/em&gt;. Era a consagração total do astro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/cODeevafiMg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/cODeevafiMg&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos anos posteriores, sua fama só faria por aumentar. Se, no começo da década de 1990, sua trajetória artística já começara a declinar, seu sucesso como celebridade ainda era arrasador, como podemos conferir neste trecho do livro "Dish: how gossip became the news and the news became just another show", de Jeannette Walls: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Por volta de 1993, a cultura das celebridades era tão invasiva que astros do cinema e da música estavam entre as mais poderosas pessoas do país - e nenhum deles era maior que Michael Jackson. Jackson não era apenas um pop star; ele era sozinho um conglomerado multibilionário. Ele havia assinado um contrato com a Sony que chegara a 1 bilhão de dólares, o maior na história do entretenimento. Seu acordo com a Pepsi creditava a ele o aumento no número de consumidores do refrigerante numa média de lucros de 470 milhões de dólares, e Jackson então era uma grande e valiosa commodity para a empresa.&lt;br /&gt;A cultura das celebridades, contudo, estendeu-se para além de seu lado financeiro. Eles eram os mais sagrados ícones da sociedade moderna. Celebridades haviam conquistado um significado cultural e um impacto emocional na América não encontrado em líderes religiosos ou políticos. E no começo dos anos 1990, nenhum performer personificou mais a síndrome de celebridade-semideus do que Michael Jackson. Era uma imagem que ele levara muito tempo cultivando. Embora seu trabalho filantrópico nesta década fosse limitado mais a cantar canções sobre crianças desamparadas em hospitais, Jackson era visto como um dos maiores líderes humanitários do mundo. Presidentes queriam ser fotografados junto a ele, e ele recebeu honras de Carter, Reagan, Bush e Clinton. O prefeito de Los Angeles Tom Bradley criou um Dia de Michael Jackson.&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muito se falou, nessa overdose de Michael Jackson que estamos recebendo desde quinta-feira passada, das contribuições do artista para a cultura de sua época. Jackson não foi somente um ótimo cantor, de voz afiadíssima, mas um grande dançarino e um visionário em seus videoclipes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes de "Thriller", o videoclipe era uma mera peça comercial destinada a promover o disco do artista da música. Michael Jackson percebeu antes de todos que aquilo poderia ser mais que uma novidade da indústria do entretenimento -poderia ser um produto cultural, com valor estético. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assim, Michael juntou todos os seus talentos na divulgação de seus videoclipes. A MTV americana nascera apenas um ano antes do lançamento de "Thriller", em 1981, conservadora (só tocava artistas brancos) e com um videoclipe de estreia que parecia profetizar o que viria por aí: "Video killed the radio star" ("o vídeo matou o artista de rádio"). Michael Jackson levou a sério o recado e intuiu que a música entrava ali em sua era visual. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O estouro do disco forçou a MTV a exibir os videoclipes de Michael, que se tornou o primeiro astro negro a tocar na emissora. No videoclipe de "Billy Jean", foi de Jackson a ideia de iluminar os pisos da rua que acendiam enquanto o artista dançava e cantava. No clipe de "Beat it", a produção estourou em cinco vezes o orçamento, e a gravadora avisou que não iria pagar. Jackson bancou do próprio bolso. O resultado, com as cenas de lutas coreografadas entre duas gangues rivais, correu o mundo e foram copiadas &lt;em&gt;ad nauseum&lt;/em&gt;. Aliás, para dar maior veracidade às cenas, foram chamados em "Beat it" não só bailarinos mas integrantes reais de gangues de rua de Los Angeles.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de "Thriller" - considerado até hoje melhor videoclipe da história, dirigido por John Landis, convidado por Jackson que ficara impressionado com os efeitos especiais mostrados no filme "Um lobisomem americano em Londres" - o artista começou a convocar grandes cineastas para dirigi-los, como Scorcese e Spile Lee. Os orçamentos eram enormes, mas valia a pena: cada clipe era aguardado como um acontecimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E assim foi com "Bad", com "They don't care about us", com "Black or white"(com sua lendária e revolucionária, para a época, fusão de rostos, em que um negro virava uma asiática, que virava uma africana, que virava um latino, depois um europeu...) e "Remember the time" (também sem economizar nos efeitos e com vários astros de Hollywood como coadjuvantes. Em todos eles, aparecia o artista em sua totalidade: cantor, dançarino, ator, performer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Michael Jackson deu status de arte ao videoclipe. Pare um pouco, quando estiver em casa, e assista a um entre vários outros que passam diariamente nos canais de TV. Note que a maioria - em especial aqueles de artistas ligados à &lt;em&gt;black music&lt;/em&gt; - copiam ideias já lançadas em algum clipe do artista. Sem o saber, estão pagando tributo ao cantor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;É pena que nos últimos 15 anos Michel jackson não tenha feito nada de artisticamente relevante. Suas mudanças na cor da pele (algo que ainda merece um bom estudo) e as diversas plásticas, além das diversas acusações de pedofilia contra meninos em seu rancho Neverland, transformaram-no numa mina de ouro para tablóides sensacionalistas. Aqueles mesmos que até semana passada o chamavam de freak, excêntrico, maluco, pedófilo; e que agora o veneram como o rei do pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como nós, brasileiros, gostamos de celebrar nossos ídolos através do humor (às vezes rir é bem melhor do que ficar se condoendo em lamentações), deixo aqui a piada já levada em alguns sites e republicada na coluna de Anna Ramalho, no JB (confesso que só havia lido a primeira parte, mas com a "participação" de outra megapopstar a historinha fica ainda melhor): &lt;/p&gt;&lt;em&gt;Após a morte, Michael Jackson chega ao Céu e vai logo perguntando para São Pedro:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Cadê o Menino Jesus. Estou louco para conhecê-lo!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Sinto desapontá-lo, mas a Madonna já passou a mão nele! - respondeu o santo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descanse em paz, Michael.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4562024772202171214?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4562024772202171214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4562024772202171214' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4562024772202171214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4562024772202171214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/i-ll-be-there-como-michael-jackson.html' title='&lt;em&gt;I&lt;em&gt;&apos;ll be there&lt;/em&gt;: &lt;/em&gt;Como Michael Jackson chegou a todos os lares do mundo'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-3182970154010566263</id><published>2009-06-22T19:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T09:18:45.016-07:00</updated><title type='text'>Não deixe o samba morrer: Ana Costa e Nilze Carvalho no Sesc Ramos</title><content type='html'>&lt;div&gt;O cartaz estendido à frente do Sesc Ramos dava o nome do projeto em que elas se apresentariam: &lt;em&gt;Essas mulheres e suas vozes maravilhosas.&lt;/em&gt; Uma iniciativa bem sucedida de reunir cantoras - entre consagradas e revelações da música popular brasileira - dentro do circuito dos Sescs cariocas. Fui conferir os shows de Ana Costa e Nilze Carvalho, duas grandes intérpretes que semanalmente batem ponto em casas noturnas da Lapa, atual &lt;em&gt;point&lt;/em&gt; da melhor música carioca. Para um fã de cantoras, como eu, devo dizer que valeu muito à pena. Ana e Nilze costuma ser rotuladas como cantoras de samba, mas esse é um título um tanto redutor para elas, que passeiam com autoridade de veteranas por choros, bossas, toadas, música pop, forró, baíão etc. Saí de ambos os shows orgulhoso com a riqueza de nossa música popular, que tão pouco espaço recebe hoje em dia em nossas rádios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez você não tenha ouvido falar ainda de Ana Costa, "A cantora que todo mundo gosta", como diz Zélia Duncan. Mas, se no ano passado assistiu à abertura dos Jogos Pan-americanos na televisão (quando nosso presidente levou uma vaia histórica em pleno Maracanã) vai se lembrar daquela moça que cantava junto a Arnaldo Antunes a canção-tema do espetáculo, "Viva essa energia". Ana é uma grande cantora e habitué do bar Carioca da Gema, na Lapa, onde canta todos os sábados, às 23 horas . A noite é sua companheira, e Ana chega a brincar com o horário do começo dos shows no Sesc, 19 horas - "A essa hora eu tô acordando...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira, dia do show, a plateia era majoritariamente feminina - da terceira idade, bem entendido. "Tô vendo que 99% da plateia são mulheres", diz Ana, logo após a primeira música. São mulheres em sua maioria separadas, viúvas ou simplesmente solitárias que não perdem um espetáculo no Sesc. Pois quem não compareceu, ora, perdeu um ótimo show! Entre os músicos que acompanham Ana há até um guitarrista, e a cantora apresenta parcerias com uma turma mais ligada ao pop, como Zélia Duncan, Moska e Mart'nália. Simpática, vai ganhanmdo o público aos poucos, intercalando canções dela e de parceiros com clássicos consagrados da música brasileira. Sua interpretação para "Feitio de Oração" de Noel Rosa, é um dos destaques. Ana é versátil a ponto de emendar "Sem compromisso", de Geraldo Pereira, a "Homenagem ao malandro", de Chico Buarque, e mais tarde fechar o show com um pout-pourri de sambas e afoxés de Martinho da Vila. Saímos de lá e emendamos no Bar da Portuguesa, um dos participantes de Ramos do festival "Comida de buteco", com seus deliciosos pastéis, caldos e bolinhos de aipim. Uma ótima noite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7eqPwGzDLlA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7eqPwGzDLlA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a celebração destes shows no subúrbio de Ramos não deixa de ser uma bela homenagem ao bairro que ostenta a sede da Imperatriz Leopoldinense e foi moradia de ases como Pixinguinha e Paulo Moura. Segundo Nei Lopes, no livro "Zona Norte - Território da alma carioca", se não houvesse Ramos, não haveria o Cacique de Ramos. "E sem Cacique não haveria o pagode inovador dos anos 80, forma revolucionária de se interpretar o samba, com tantãs, banjos e repiques, trazida pelo grupo Fundo de Quintal e que revelou ao Brasil o talento de Zeca Pagodinho, moleque de Del Castilho e Irajá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos 80 revelaram muita gente boa do pagode e samba. E revelaram também uma menina que tocava tão bem o bandolim e o cavaquinho que chegou a aparecer no Fantástico, da TV Globo. Nessa época ela gravou a série de discos "Choro de menina": seu nome era Nilze Carvalho. Agora, mulher feita e linda, ela embala as noites de sábado do Centro Cultural Carioca, no Centro do Rio, à frente do grupo Sururu na Roda, e também faz shows solo como este no Sesc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura do show, com "Coisas nossas", de Noel Rosa, já antecipa o que vem por aí. Nilze celebra não só o samba, mas diversos gêneros brasileiros, que ela e sua banda tocam precisamente. Seu show começa no Rio, com samba e choro; passa por Minas, onde Nilza entoa uma bela toada; aporta em Pernambuco, onde o frevo levanta o público; e desemboca em baiões e forrós nordestinos. Sua interpretação ao bandolim para o clássico "Feira de Mangaio" é simplesmente sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kyfqBr76L-E&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/kyfqBr76L-E&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nilze arrebata o público ao tocar com a banda uma seleção de choros, inclusive um de sua autoria, composto, segundo ela, "há mais ou menos 28 anos". Depois, retorna ao samba, anuncia que vai cantar dois sambas para a plateia cantar junto e ganha de vez a audiência interpretando Chico Buarque ("Quem te viu quem te vê")e Caetano e Gil - "Desde que o samba é samba". Cantamos, e confiamos nestes lindos versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O samba ainda vai nascer&lt;br /&gt;O samba ainda não chegou&lt;br /&gt;O samba não vai morrer&lt;br /&gt;Veja o dia ainda não raiou&lt;br /&gt;O samba é pai do prazer&lt;br /&gt;O samba é filho da dor&lt;br /&gt;O grande poder transformador&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do show, animadíssimo, com homenagens ao Salgueiro e a Portela. Nilze, assim como Ana Costa, tem que estar no Centro do Rio dentro de algumas horas para se apresentar a um público mais notívago. Simpática, a cantora abre o camarim para autografar seu CD (vendido no show) e tirar fotos com fãs. Na fila, um senhor com a camisa da Imperatriz carrega orgulhoso um disco em vinil da série "Choro de menina", com uma Nilze ainda garota na capa. Pergunto qual seria o ano de lançamento daquele LP. "Rapaz, tem tempo, viu? Acho que ele é de 1982 ou 1983..." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aquela menina nascida no subúrbio carioca cresceu e continuou levando seu bandolim virtuoso a diversas partes do mundo, até aquela noite da semana passada em que ela pisou o palco do Sesc Ramos. Quando voltará, Nilze? "Ora, é só me convidarem", conclui a cantora, distribuindo simpatia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-3182970154010566263?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/3182970154010566263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=3182970154010566263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3182970154010566263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/3182970154010566263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/nao-deixe-o-samba-morrer-ana-costa-e.html' title='&lt;em&gt;Não deixe o samba morrer&lt;/em&gt;: Ana Costa e Nilze Carvalho no Sesc Ramos'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-5397191087457010931</id><published>2009-06-19T06:46:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T21:06:40.557-07:00</updated><title type='text'>Eu, Rogério M., jornalista, professor e chefe de cozinha</title><content type='html'>Caiu o canudo! Com o fim da exigência do diploma para jornalistas, na última quarta-feira, 17 de junho, surgiram controvérsias no país inteiro - contra ou a favor - e também, é claro, aqui no terreno da internet. Sendo este um blog sobre comunicação e cultura, não posso deixar de dar meus pitacos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei bastante curioso com o comentário que o presidente do STF fez ao comparar os jornalistas a chefes de cozinha, argumentando que cozinheiros, assim como jornalistas, "não carecem de conhecimentos específicos para o bom exercício da atividade". Para Gilmar, o jonalismo é uma "profissão diferenciada" e que deve ser tratada à parte. Pois bem: como eu vivi até hoje sem pensar nessas colocações tão geniais? Ironias à parte, a afirmação é desrespeitosa tanto com os cozinheiros quanto com os jornalistas - que adoram os prazeres da boa mesa, embora a maioria dos que conheço prefiram mesmo a baixa gastronomia dos botecos...tão bem representada aqui no Rio pelo festival "Comida de Buteco", que importamos de BH. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há hoje na Europa, Estados Unidos e mesmo no Brasil excelentes cursos universitários de gastronomia, que formam grandes chefs. Há também programas de TV nos quais chefes de cozinha rabugentos e irascíveis fazem um tremendo sucesso. Viraram celebridades. Aliás, Gilmar esqueceu-se de dizer que alguns editores mais estressados não deixam nada a temer a um tipo como Gordon Ransey, o mal-humoradíssimo chef e hoje &lt;em&gt;pop-star &lt;/em&gt;britânico. Um bom cozinheiro é cada vez mais disputado não só em restaurantes, e também, como disse, pela mídia. Mas compará-los com jornalistas é um desatino. Nenhum destes nobres profissionais lidam com a informação relevante e pública, com a verdade, a honra individual, com a notícia que pode desmoralizar políticos corruptos ou transformar medíocres em celebridades - sim, a imprensa também tem seu lado espúreo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou tão radical a favor do diploma em jornalismo. Apenas acho que a &lt;strong&gt;necessidade de uma formação superior humanista &lt;/strong&gt;- não precisa ser específica de jornalismo - é imprescindível para se trabalhar na área. Muitos retiram o crédito do ensino universitário, com a velha ladainha de que só se aprende de fato a fazer jornalismo dentro de uma redação; outros chegam a desacreditar o ensino da teoria da comunicação em cursos universitários: "Não servem pra nada, o que vale é a prática!" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erram feio, pois a boa prática deve andar junto com a teoria. Uma teoria bem estudada vai proporcionar ao ex-aluno, quando no jornal, refletir melhor sobre os coflitos éticos que com certeza aparecerão, pois lidamos com o tema desde sempre. Um argumento recorrente também é o de que o mercado deve privilegiar o talento, e não a formação universitária. Ora, essa é uma posição arrogante, pois pressupõe que talento e universidade não se misturam (!). O sujeito pode ser bem talentoso, mas se chegar numa redação moderna sem saber como construir um lide (o primeiro parágrafo de uma matéria), elaborar uma reportagem ou entrevista, ou mesmo alguém muito bom em redação, mas que nunca recebeu noções de técnicas jornalísticas - tudo isso aprendido nas boas faculdades de jornalismo -, vai dançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo jornalistas veteranos que viraram acadêmicos, como Muniz Sodré, vaticinam que melhorou muito o nível cultural dos repórteres depois da exigência do diploma. Mas sempre teremos advogados espertos tentando ligar a obrigatoriedade do diploma (que começou a vigorar em 1969, junto da Lei de Imprensa) a uma imposição ditatorial do regime militar. Ou mesmo a alegação de alguns ministros do Supremo, que votaram contra o diploma "em defesa da liberdade de expressão". E desde quando o diploma inviabiliza a livre expressão??? Uma coisa não tem nada a ver com outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou tem? Bem, até essa semana eu também achava que a profissão de jornalista não tinha nada a ver com a dos cozinheiros. Por via das dúvidas, no momento estou pensando seriamente em criar um cartão de apresentação com estes dizeres: "jornalista, professor e chefe de cozinha".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-5397191087457010931?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/5397191087457010931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=5397191087457010931' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5397191087457010931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/5397191087457010931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/eu-rogerio-m-jornalista-professor-e.html' title='Eu, Rogério M., jornalista, professor e &lt;em&gt;chefe de cozinha&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2930328429881250169</id><published>2009-06-18T07:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T21:40:04.752-07:00</updated><title type='text'>O discurso de Sarney e o culto à personalidade</title><content type='html'>&lt;em&gt;Look into my eyes, what do you see?&lt;br /&gt;Cult of personality&lt;br /&gt;I know your anger, I know your dreams&lt;br /&gt;I've been everything you want to be&lt;br /&gt;I'm the cult of personality&lt;br /&gt;Like Mussolini and Kennedy&lt;br /&gt;I'm the cult of personality&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cult of personality", Living Colour&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, faz alguns anos, eu estava em Salvador, hospedado na casa de amigos, e num dia chuvoso nossos anfitriões resolveram nos levar a um passeio num shopping center. Ao chegar no local, me surpreendi como ali era comum dar nome a alguns setores internos. Havia o "Corredor Antonio Carlos Magalhães", a "Praça de Alimentação ACM", o "Piso Antonio Carlos Magalhães Filho", o "Espaço Antonio Carlos Magalhães Neto" e por aí vai. Como ACM ainda estava vivo, pensei: culto à personalidade é isso aí. Um exemplo da construção do culto a figuras públicas está no patético discurso de José Sarney esta semana no Senado. Colocando-se acima do bem e  do mal, o senador disse considerar "uma injustiça o país julgar um homem com tantos anos de vida pública" - situação agravada mais tarde pela infeliz declaração de apoio do presidente Lula em defesa de Sarney, afirmando que o presidente do Senado "não pode ser tratado como uma pessoa comum".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não? Como assim? O que explica estas atitude típicas de quem se acha livre de contestações? No Wikipedia há uma boa e sucinta definição: o culto à personalidade seria típico de regimes totalitários - embora também possam existir em democracias -, e pode ser entendido como uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes - reais ou supostas - do governante, bem como da divulgação positiva de sua figura. Eu acrescento: positivista, paternalista, amantíssima, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo claro de culto á personalidade está na figura do general Rafael Trujillo, presidente da República Dominicana nos anos 1960, um entre tantos tiranos que infestaram a América Latina com seus regimes ditatoriais. O déspota chegou a mudar o nome de Santo Domingo para Ciudad Trujillo enquanto esteve no poder. Em toda a parte do país havia referências ao ditador, e a tirania chegou ao ápice quando todas as crianças nascidas na República Dominicana eram obrigadas a ter - pasmem! - Trujillo, o "grande pai", como padrinho. Eram cerimônias coletivas nas quais o governo mostrava sua força e poder. Duvida? Pois dê uma lida no livro "A festa do bode", monumental romance de Mario Vargas Llosa, que conta esta e outras histórias de abuso de autoridade. Aliás, no começo do seu governo, diz a lenda que havia uma placa na entrada da capital do país, com os dizeres "Deus e Trujillo". No auge do culto à personalidade, a placa teria sido mudada para "Trujillo e Deus". Na certa, o ditador achava que até Deus deveria lhe prestar continência... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos à Sarney e o culto à personalidade criado por ele no Maranhão, um dos estados mais pobres do país e comandado pela família do presidente do Senado há mais de 40 anos. Leia abaixo está série de curiosidades sobre o estado, pinçadas pelo jornalista Luis Lara Resende e publicadas no "Jornal da ImprenÇa" (assim mesmo) de  Moacir Japiassu, dentro do site Comunique-se. A depender da família, nenhum maranhense jamais esquecerá do nome Sarney. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No Maranhão é assim:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para nascer, Maternidade Marly Sarney; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para morar, escolha uma das vilas:&lt;br /&gt;Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estiver no interior do Estado, ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém-batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei-maior que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney e vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas "maravilhosas" rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não gostou de nada disso? Então quer reclamar? Pois vá ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos ditadores usaram e usam o poder dos meios de comunicação para amplificar seus desmandos e delírios de grandeza. Quando a imprensa não está ao lado deles, tentam sempre amordaçá-la, silenciá-la, corrompê-la com verbas públicas e demais tentações. (Recentemente a mulher de um político investigado ofereceu um carro ao jornalista da Revista Época para que ele não divulgasse um escãndalo associado ao conjuge). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o grande número de cartas dos leitores nos jornais, em repúdio ao discurso de Sarney é um sintoma de que cada vez mais leitores e cidadãos estão insatisfeitos com os escãndalos e as contratações sem concurso de sobrinhos, genros, primos e netos da "grande família" maranhense para cargos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiar sempre de candidatos a profetas, gurus e salvadores da pátria é um saudável exercício de cidadania. Desconfie de qualquer culto à personalidade - seja do político tirano, ou até mesmo de seus ídolos no rock. Acreditar em si mesmo - esta é a saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2930328429881250169?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2930328429881250169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2930328429881250169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2930328429881250169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2930328429881250169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/o-discurso-de-sarney-e-o-culto.html' title='O discurso de Sarney e o culto à personalidade'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-8180925964937765795</id><published>2009-06-09T20:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T23:48:35.990-07:00</updated><title type='text'>Inveja dos Anjos e Rock n' Roll - Teatro com ideias e emoção</title><content type='html'>Duas peças em cartaz, assistidas recentemente, vão contra a ideia de que o público de teatro só está interessado em prestigiar comédias rasteiras e sexistas. "Rock n' Roll", de Tom Stoppard; e "Inveja dos Anjos", dramaturgia de Maurício Arruda e Paulo de Moraes, são espetáculos densos e que fazem pensar, embora não esqueçam da emoção - a plateia, embevecida, em ambos os casos sai do teatro orgulhosa de conferir um belo texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que de Tom Stoppard eu só conhecia o roteiro de "Shakespeare apaixonado" e pouca coisa mais. "Rock n' Roll" foi a chance de conferir um trabalho teatral deste que é considerado pela crítica um dos grandes dramaturgos em atividade no mundo. Tendo como ponto de partida a invasão dos tanques soviéticos na então Tchecoslováquia, no final dos anos 1960 - evento que ficou conhecido como a "Primavera de Praga", a peça nos leva a personagens como um professor universitário marxista que não abre mão de sua ideologia, mesmo com todas as mudanças no antigo bloco socialista;  um jovem estudante de doutorado que, por sua vez, não abre mão de seus discos de rock; uma professora que luta para manter a dignidade enquanto enfrenta um câncer, entre outros personagens que instigam o espectador. A emoção maior está no relacionamento de décadas do velho marxista e o jovem professor e "roqueiro" - ali Stoppard demonstra como poucos a capacidade de externar em diálogos precisos a contradição das pessoas em lidar com aquilo que amam - seja a atitude  revolucionária e comportamental do rock, seja a angústia e a impotência da mulher vitimada pelo câncer. Parece dizer em algunms momentos: a amizade está acima de ideologias. Ao fim, uma certeza: mesmo com todo o ativismo político, o que conta mesmo para nós, seres humanos, são as as relações que tivemos com aqueles que amamos ao longo do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em "Inveja dos Anjos", temos um grupo de personagens ora melancólicos, ora solitários, alguns até um tanto patéticos, reunidos à beira de uma estação de trem em alguma grande cidade do Brasil. Aliás, a cenografia, de autoria de Paulo de Moraes e Carla Berri, é um espetáculo à parte - trilhos de verdade atravessam o palco e até sobem pelas paredes. Diferente da apeça de Stoppard - um trabalho solitário do dramaturgo inglês - "Inveja" foi nascendo aos poucos. Como diz Paulo de Moraes no texto de apresentação da peça, personagens e espaço cênico foram surgindo ao mesmo tempo: "Os conflitos iam sendo dscobertos como palavra e já materializados como cena, como ação. Ou vice-versa. As vigas de aço do cenário, um trecho de ferrovia que corta todo o espaço de representação, se tornaram uma síntese segura para que a gente pudesse contar nossas histórias cheias de contradições, desesperos e epifanias." Entre os personagens, há a garçonete sonhadora que de repente recebe a visita do homem que a abandonara há dez anos; o escritor autoconfiante que se apavora com a chegada de uma filha que ele nunca desconfiara da existência; o carteiro que lê as cartas de pessoas antes de entregá-las e separa aquelas com notícias ruins; a mulher que teve os melhors momentos da vida abreviados pela necessidade de cuidar da mãe com problemas mentais... Os encontros e desencontros desses personagens são o cerne da peça, realizados a partir de uma pesquisa formal que teve início no poeta Rainer Maria Rilke ("Se eu gritar, quem poderá ouvir-me na hierarquia dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua natureza mais potente").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em comum nas duas peças está o uso muito bem feito de trilhas sonoras que atravessam a história do rock e "comentam" as cenas, com músicas de Sid Vicious, Pink Floyd e Rolling Stones (em "Rock n' Roll"); Janis Joplin, Beatles e Radiohead (em "Inveja dos Anjos). E não vou esquecer por um bom tempo da atuação de duas grandes atrizes: primeiro, Gisele Fróes - que faz dois papéis na peça de Tom Stoppard, equilibrando com uma sutileza ímpar a professora com cãncer e sua filha iludida e angustiada vinte anos depois. E, em "Inveja dos Anjos", a atuação de Patrícia Selonk como Cecília, papel que lhe rendeu o prêmio Shell de melhor atriz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, dois bons motivos para ir ao teatro. E não apenas para se divertir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-8180925964937765795?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/8180925964937765795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=8180925964937765795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8180925964937765795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/8180925964937765795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/inveja-dos-anjos-e-rock-n-roll-teatro.html' title='&lt;em&gt;Inveja dos Anjos &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Rock n&apos; Roll &lt;/em&gt;- Teatro com ideias e emoção'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-1781357488970912742</id><published>2009-06-03T06:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T22:01:05.739-07:00</updated><title type='text'>Jack Bauer, Renee Walker e a ética flexível da tortura em 24 horas</title><content type='html'>Depois de um ano de 2008 em que fomos privados das novas aventuras de Jack Bauer, devido à greve dos roteiristas nos Estados Unidos, finalmente o espectador brasileiro pode matar as saudades de &lt;em&gt;24 horas&lt;/em&gt;, que volta agora em sua sétima temporada. Para quem acompanha a série desde seu começo, o consolo para os fãs no ano passado foi o filme de duas horas para a TV &lt;em&gt;Redenção&lt;/em&gt;, que mostrava Jack como um foragido do governo americano, em meio a um golpe de estado num país da Africa, enquanto nos Estados Unidos pela primeira vez uma mulher era eleita presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, não há mais UCT, a agência anti-terrorista do governo onde o herói e demais personagens trabalhavam. A trama agora também não se passa mais em Los Angeles, mas em Washington, logo após a posse da presidente Allison Taylor. Personagens antigos estão de volta, como Bill Buchhanan, Chloe O'Brian e, sim, Tony Almeida - que todos pensavam estar morto. Mas, para mim, passados os primeiros episódios, a grande surpresa desta sétima temporada até agora foi o surgimento de uma nova personagem - a agente do FBI Renee Walker, vivida pela atriz Annie Wersching.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Annie, uma bela ruiva de olhos azuis, tem 31 anos e este é seu papel de maior destaque até o momento. Antes de &lt;em&gt;24 horas&lt;/em&gt;, fez pequenas partipações em algumas séries para a TV, como &lt;em&gt;Startreck: Enterprise, Supernatural, Frasier, General Hospital&lt;/em&gt;. Nada muito relevante. O interessante no papel é que Renne Walker, ao longo da trama, será obrigada a atuar ao lado de Jack para confrontar os vilões da série. Aos poucos, a agente vai ficando estranhamente atraída pelos métodos nada ortodoxos do protagonista em obter informações de criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SiiiZdvDq-I/AAAAAAAAABk/XqzAQ9QVj5s/s1600-h/Annie+Wersching+e+Kiefer+Shuterland,+ou+Renee+e+Jack.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 262px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SiiiZdvDq-I/AAAAAAAAABk/XqzAQ9QVj5s/s400/Annie+Wersching+e+Kiefer+Shuterland,+ou+Renee+e+Jack.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343699516237523938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Annie Wersching e Kiefer Shuterland, ou Renee e Jack&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro episódio, Jack é levado a um tribunal da Corte Suprema dos Estados Unidos a fim de ser julgado pelos seus métodos de lidar com terroristas. Leia-se: torturas. Na verdade, os produtores estão fazendo uma alegoria a respeito dos anos Bush e sua prática do uso da força para arrancar depoimentos, bastante criticada em situações como a da prisão de Abu Graib, no Iraque, cujos desmandos dos militares chocaram o mundo. Na época, comentou-se que os soldados americanos eram fãs da série e "usavam os métodos Jack Bauer" para arrancar confissões. Isso motivou até uma ida de produtores do seriado ao Iraque para dar uma palestra aos soldados contra a tortura. Ironia perde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a série já foi foi acusada mais de uma vez de defender a tortura, situação que gerou controvérsias internamente. Enquanto um dos produtores executivos se apressou em dizer que a tortura "iria diminuir" daqui pra frente, o roteirista e também produtor Evan Katz defendeu o uso destas cenas, em se tratando do personagem Jack Bauer: "Se um personagem sabe onde uma bomba nuclear vai explodir, acho que ninguém diria que ele não deveria ser torturado". Li no &lt;a href="http://marcus-mayer.com/blog/2007/05/17/24-horas/"&gt;blog do Marcus Meyer &lt;/a&gt;que no ano passado, durante um debate com pré-candidatos candidatos republicanos, esta mesma pergunta foi feita a John McCain - que respondeu com um convicto "não" -, e a Rudolph Giullini. Este último foi claro: "daria autorização para usarem qualquer método que eu pudesse pensar para extrair a informação". Ou seja, como na série, se a vida de milhares de pessoas estivesse em risco por um ataque nuclear e para evitá-lo fosse preciso "qualquer método" (&lt;em&gt;tortura?&lt;/em&gt;) contra uma pessoa, ele não hesitaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem de tempo mostrada nesta sétima temporada já fez até alguns comentaristas perguntarem: Jack Bauer seria democrata ou republicano? Creio que a questão não é essa. Os roteiristas, ao notarem a coincidência entre os métodos pouco usuais de Jack e as cenas de tortura cometidas pelo exército americano que provocaram repulsa, ousaram jogar com o tema na nova temporada, provocando o espectador. O próprio fato de a UCT ter sido desmantelada e a série começar com Jack depondo numa comissão que julga os pretensos excessos do protagonista, é um paralelo sutil: os dias de Bush no poder e de métodos para se obter informações por "todos os meios necessários" se encerraram; é hora de um novo governo - e o simples fato de ser uma mulher e não um negro na presidência também vai ao encontro da ideia de novos tempos -, mais tolerante e contra a tortura. Porém, a questão que a cada capítulo tem sido colocada para o espectador é similar àquela feita aos candidatos derrotados por Obama: e quando a vida de milhares depender da tortura de um bandido? É nesta fase que os dilemas da agente Walker vêm à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após livrar Jack do tribunal em que se encontra para ajudar nas investigações, Renee Walker leva Jack ao FBI, onde ele descobre que seu amigo Tony Almeida está vivo. Este é o ponto de partida da relação tensa entre Jack e Renee. Renee é contra a tortura para investigar suspeitos e trabalha para um chefe definitivamente contra o uso da violência. Mas sua atitude é por vezes ambígua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no primeiro capítulo, ao capturar um suspeito, quando Jack percebe que só conseguirá arrancar a informação que deseja por meio da força, olha para Renee e pede autorização. Ela se limita a dizer: "prossiga". Em outro episódio, Renee decide interrogar um criminoso dentro de um quarto de hospital. Diante da recusa do criminoso, ela não hesita em ameaçar desligar todas as máquinas que o deixavam vivo, chegando mesmo a cortar por instantes o soro que mantém o homem vivo. Corta para a cena em que ela sai do hospital sorrindo e com a informação conseguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, novamente com Jack no encalço de criminosos que estão fazendo o marido da presidente como refém, Renee é orientada por ele a ameaçar a mãe e o bebê de um homem que saberia o local do esconderijo dos assassinos. Ela o faz, embora receosa. A atitude dá resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perícia dos roteiristas na construção dos diálogos neste último episódio apenas reforço a crecscente &lt;em&gt;empatia&lt;/em&gt; entre os dois agentes. Quando Jack pede emprestado o carro do chefe do FBI para ir atrás do homem com informações sobre o esconderijo, ouve dele: "Jack, respeitar as leis é o caminho mais certo". Ao que Jack responde, "Sim..., mas hoje não". mais tarde, Jack consegue encontrar o criminoso, o qual, assustado com a presença de Renee em sua casa, ameaçando a mulher e o filho, acaba liberando a informação sobre o esconderijo. Ao final, tenta matar Jack, mas Bauer se defende e o mata. Bauer então liga para Renee e avisa que já conseguiu a informação, mas o homem está morto. Renee se aflige por um tempo e Jack percebe: "Sei que está sendo um dia bem angustiante pra você. Se quiser estar fora da missão eu entenderei". Renee: "Sim...amanhã", e desliga o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, há um tensão latente nesta sétima temporada entre um personagem atormentado que não hesita em recorrer à tortura para conseguir seus fins, e uma agente obrigada a lidar com este homem, e que observa seus métodos entre a repulsa e o fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tensão, entre homem e mulher, que só tende a crescer no resto da temporada. Enquanto isso, ao final de cada episódio, não dá pra deixar de pensar: em alguns casos, quando a situação chega a um limite, a tortura é realmente necessária?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até quando Renee estará presa a esta estranha ética flexível da tortura?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-1781357488970912742?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/1781357488970912742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=1781357488970912742' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1781357488970912742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/1781357488970912742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/06/jack-bauer-renee-walker-e-etica.html' title='Jack Bauer, Renee Walker e a ética flexível da tortura em &lt;em&gt;24 horas&lt;/em&gt;'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mGS7zvuqxIc/SiiiZdvDq-I/AAAAAAAAABk/XqzAQ9QVj5s/s72-c/Annie+Wersching+e+Kiefer+Shuterland,+ou+Renee+e+Jack.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-4060165737544054300</id><published>2009-05-26T20:05:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T06:35:09.595-07:00</updated><title type='text'>Wilson Simonal - da glória ao ostracismo, a trajetória de um dos maiores cantores brasileiros</title><content type='html'>Em pleno começo dos anos 1970 no Brasil, a situação política não era nada boa. O AI-5 chegara em 1968 para instaurar a repressão e legitimar a tortura dentro dos porões do regime militar. Políticos progressistas eram cassados, artistas tropicalistas como Caetano e Gil expulsos do país e, das artes ao jornalismo, a censura mostrava suas garras. A máquina de propaganda do governo clamava solene: "Brasil, ame-o ou deixe-o" e havia toda uma polarização entre setores de esquerda e de direita. Quem se manifestasse neutro era logo tachado de "alienado", um verdadeiro xingamento para a época. Outra acusação à qual ninguém queria estar ligado era a de "dedo-duro" dos órgãos da repressão política. Pois foi justamente uma acusação dessas que caiu como uma bomba sobre os ombros de um dos maiores cantores brasileiros no começo daquela década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com toda a repressão, havia uma genuína alegria vinda de uma bela voz que entretinha os brasileiros pelo rádio, pela televisão e em estádios por toda a América Latina. Não à toa, "Alegria, alegria" (1, 2, 3 e 4) eram títulos de uma série de discos gravados pelo dono dessa voz. Quem cantava essas canções alegres e românticas era um jovem chamado Wilson Simonal. Simonal havia começado a cantar quando ainda servia o exército, nos bailes do 8º Grupo de Artilharia da Costa. Participou do programa de rádio "Os brotos comandam", de Carlos Imperial e trabalhava como &lt;em&gt;crooner&lt;/em&gt; em boates de Copacabana quando foi levado pela dupla Miéle e Bôscoli para apresentar-se no Beco das Garrafas, antigo reduto da bossa nova. Daí para a ascenção meteórica foi um passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, um lance em falso e Simonal viu toda sua carreira e um futuro promissor irem por água abaixo. Após descobrir um desfalque na sua produtora, o cantor acusou seu contador de tê-lo roubado e, em vez de simplesmente ir à polícia prestar queixa, contratou dois policiais para darem uma surra no funcionário. O problema era que os policiais eram do Dops, a delegacia de repressão política. Rapidamente se espalhou o boato de que Simonal seria um alcaguete do regime militar. O jornal &lt;em&gt;O Pasquim&lt;/em&gt; acusou-o de dedo-duro. Começava ali o declínio do cantor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus discos foram retirados de circulação, artistas e amigos começaram a evitá-lo, seus contratos musicais reduziram-se terrivelmente. Anos mais tarde, no final dos anos 80, já debilitado pelo alcoolismo, o cantor desabafou para a esposa: "Eu não existo na história da música brasileira!" A história da ascenção e queda deste grande ídolo popular está contada no filme em cartaz "Simonal: ninguém sabe o duro que dei", dirigido pelo &lt;em&gt;casseta&lt;/em&gt; Cláudio Manoel e os cineastas Calvito Leal e Micael Langer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem se interessa por música brasileira e também pelo comportamento de grande parte da sociedade nos anos 1970, não dá pra perder o filme. Seu maior mérito está em reabilitar o talento de um grande cantor que estava praticamente esquecido. Com o lançamento, muito já se falou e está sendo discutido sobre a trajetória de Simonal. Após uma infância pobre, o cantor viu-se atirado à fama da noite para o dia e aproveitou ao máximo a onda de sucesso, ainda que fugaz. No auge do sucesso, o cantor negro colecionava namoradas louras e tinha três mercedes na garagem (o dono da Globo tinha um). Fazia um estilo por vezes abusado ("eu sempre fui mascarado", diz o cantor numa entrevista a um repórter de televisão no filme), o que incomodava muita gente. Tom Jobim dizia que no Brasil "o sucesso é ofensa pessoal". O cantor pagou por sua vaidade, mas nunca delatou ninguém, e no fim da vida conseguiu provar a verdade. Mas para quê, se ninguém lembrava mais dele - e mesmo aqueles que lembravam insistiam em ignorá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, eu queria mesmo era falar um pouco aqui de seu imenso talento como &lt;em&gt;showman&lt;/em&gt; (ou &lt;em&gt;entertainner&lt;/em&gt;, como os americanos gostam de dizer) brasileiro. Há dúvidas se Simonal foi realmente o maior cantor brasileiro, mas de uma coisa ninguém parece discordar: ninguém conseguia magnetizar de tal forma as plateias em shows como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qoBkkFTO-Xc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qoBkkFTO-Xc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois momentos do filme me pareceram emblemáticos. No começo, quando Simonal, usando uma faixa na testa que mais parecia uma gravata amarrada, faz o Maracanãzinho em peso cantar "Meu limão meu limoeiro", em estado de delírio. A apresentação seguinte - e então atração principal - seria de Sérgio Mendes, que quase cancela sua entrada em cena devido ao sucesso estrondoso de Simonal. Corta para a apresentação do cantor levando a mesma música num auditório mais comportado - mas com a mesma animação do público. Entra em cena o depoimento de Chico Anysio, que diz ter encontrado com o artista calmamente tomando um cafezinho nos bastidores do show. Ao notar a reação espantada de Chico, Simonal teria dito, rindo: "Deixei a plateia cantando o &lt;em&gt;limoeiro&lt;/em&gt; lá no auditório e dei um pulinho aqui dentro para um café!" Atitudes de quem comandava a massa como queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do filme, já nos tempos de ostracismo, somos levados ao depoimento dos filhos de Simonal, Max de Castro e Wilson Simoninha, ao revelarem que o artista, quando ia ao show dos filhos, ficava escondido atrás das pilastras para que ninguém notasse que o "ex-delator" estivera ali. Corta para a cena em que Simonal canta um dos seus grande sucessos, "País tropical", de Jorge Ben, para um público reduzidíssimo dentro de um local não identificado de uma cidade do interior. Me lembrou cena do filme "Letra e música", no qual o personagem vivido por Hugh Grant, um ex-componente de uma banda pop de sucesso nos anos 80 e agora no ostracismo, é obrigado a se apresentar em parques de diversões em subúrbios para se manter. Porém, a situação de Simonal era bem pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro "Chega de saudade", de Ruy Castro, o autor mostra que Simonal era um artista completo já no começo da carreira: "Quando o cantor surgiu no Beco da Garrafas, Simonal era o máximo para o seu tempo: grande voz, um senso de divisão igual ao dos melhores cantores americanos e uma capacidade de fazer gato e sapato do ritmo, sem se afastar da melodia ou apelar para os &lt;em&gt;scats&lt;/em&gt; fáceis". Essa capacidade sublime de cantar fácil seduziu não só os brasileiros, mas também cantores americanos, como Sarah Vaughan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8Hc0FGmXONk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8Hc0FGmXONk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos a TV Globo copiou o modelo de sucesso do &lt;em&gt;American Idol&lt;/em&gt; e lançou o programa &lt;em&gt;Fama&lt;/em&gt;, um &lt;em&gt;reality-show&lt;/em&gt; no qual aspirantes ao estrelato eram submetidos a vários treinamentos e testes para obterem uma melhor performance no palco e conquistarem os jurados. Ao contrário de seu primo americano, até hoje um sucesso na televisão dos Estados Unidos, aqui o &lt;em&gt;Fama&lt;/em&gt; não obteve o sucesso de audiência esperado, e só durou duas temporadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a razão do fracasso esteja no fato de que dom e talento são coisas que não se aprendem em casa nem programas de televisão. Simonal tinha talento para cantar e entreter de sobra. Muitas vezes a comunicação com o público dos candidatos no programa global era forçada. Já em Simonal essa interação era genuína (e não é qualquer um que podia se dar ao luxo de deixar o público cantando e sair sorrateiramente do palco para "tomar um cafezinho").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos palcos em que se apresentava, Simonal era cantor, ator, palhaço, humorista - um &lt;em&gt;showman&lt;/em&gt;. No palco da vida real, foi liquidado por uma patrulha ideológica ávida em atacar o regime militar - e não teve final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com o sucesso do filme - e para aqueles que nunca ouviram falar neste grande artista - em algum lugar o artista deve estar enfim, rindo, e comandando, lá em cima, um auditório de anjos ao som de "Meu limão meu limoeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que por vezes ele saia de fininho, pilantramente, para bater um papo com São Pedro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-4060165737544054300?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/4060165737544054300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=4060165737544054300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4060165737544054300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/4060165737544054300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/05/wilson-simonal-da-gloria-ao-ostracismo.html' title='Wilson Simonal - da glória ao ostracismo, a trajetória de um dos maiores cantores brasileiros'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-2562737929886673486</id><published>2009-05-18T19:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T06:25:04.457-07:00</updated><title type='text'>De Vanderbilt a Moraes, pouca coisa mudou no trato com o público</title><content type='html'>Dois momentos históricos distintos. Duas opiniões dramaticamente semelhantes, sobre como poderosos costumam tratar a sociedade a qual deveriam prestar contas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O público que se dane!"&lt;/em&gt; - William Henry Vanderbilt, empresário americano, 1882.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Estou me lixando para a opinião pública!"&lt;/em&gt; - Sérgio Moraes, deputado do PTB, 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigamos com o contexto. O milionário norte-americano Vanderbilt proferiu a infeliz frase no final do século XIX, em meio à emergência de diversas lutas sindicais nos Estados Unidos. A América vivia a consolidação de seu capítalismo. O jornalismo deixava o processo artesanal para abraçar a &lt;em&gt;penny press&lt;/em&gt; (imprensa barata) e atingir o grande público. O desenvolvimento industrial propiciou também a formação de massas de trabalhadores e, com elas, as primeiras associações e sindicatos com ideias socialistas, comunistas ou anarquistas. Segundo Maristela Mafei, no livro "Assessoria de imprensa: como se relacionar com a mídia", foi aí que surgiram os primeiros jornais independentes, escritos pelos próprios empregados. Como os grandes empresários não queriam a proliferação de ideias contrárias aos seus interesses, responderam criando os primeiros jornais internos que se têm notícia - os &lt;em&gt;house organs&lt;/em&gt;, hoje comuns nas empresas que se preocupam em construir uma boa comunicação interna com seus funcionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que nem todos os empresários estavam dispostos a ceder às reivindicações da crescente massa de trabalhadores agora alfabetizados e trabalhando nas indústrias. Por isso, quando questionado e cobrado pela péssima qualidade dos serviços prestados por suas rodovias, Vanderbilt cunhou a frase acima, que entraria para a história ao ilustrar como as empresas lidavam com os interesses do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que alguns homens de imprensa viram que poderiam ganhar um bom dinheiro intermediando as relações entre grandes empresários e a imprensa. Um destes espertos homens foi Ivy Lee, ex-jornalista de economia de Nova York, que criou em 1906 o primeiro escritório de relações públicas a ostentar esse nome. Lee passou a oferecer aos jornais um serviço então inédito: informações empresariais que as próprias empresas autorizavam ser apuradas e divulgadas. Tudo com tratamento jornalístico - ou seja, com credibilidade e o devido interesse público. A informação passada aos meios de comunicação era gratuita e de uso facultativo pela imprensa. Com isso, Lee conseguiu melhorar a imagem antes bastante ruim de seus assessorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de então o serviço de RP não parou de crescer e seria usado de forma ideológica nas duas grandes guerras mundiais, estimulando o patriotismo, arrecadando dinheiro para a campanha militar, além de ser usado como máquina de propaganda pelo nazi-fascismo na Europa e outras partes do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a atividade de assessor de imprensa foi muito criticada até pouco tempo atrás pelos jornalistas dentro das redações. Uma das razões está no período da ditadura militar, no qual a imprensa sob censura recebia uma avalanche de &lt;em&gt;press releases&lt;/em&gt; oficiais, com adjetivos enaltecendo o regime e quase sempre sem notícias de interesse público. Uma fase classificada por pesquisadores como &lt;em&gt;releasemania&lt;/em&gt;, ou seja, a falta de critério em estabelecer o que seria realmente notícia digna de ser publicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, hoje em dia as assessorias cresceram e se tornaram grandes agências de comunicação. Com o enxugamento das redações, a crise proporcionada pelo aumento do preço do papel e a entrada em cena da internet, além de outros fatores, a influência das assessorias na pauta de um grande jornal aumentou bastante. E a maioria deles realmente não pode mais prescindir deste serviço. O jornalista deixou de decidir sozinho o que é de interesse para a opinião pública e tudo ficou mais complexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos agora ao ano de 2009 e o comentário do nobre deputado Sérgio Moraes, até então um ilustre desconhecido pela opinião pública a que ele raivosamente diz se lixar. Mais de um 100 anos separam a declaração de Vanderbilt do comentário de Moraes, e as décadas que se passaram não foram suficientes para mudar as relações dos poderosos com a sociedade. Com as devidas, exceções, é claro, estas continuaram variando entre o desprezo e o escárnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao dizer com todas as letras que "estava se lixando para a opinião pública", o deputado pareceu confundir o sentido da expressão "opinião pública". O comentário posterior foi: "Estou me lixando para o que sai nos jornais. Vocês batem, mas a gente se reelege". Opinião pública, devemos explicar ao deputado, não é o que sai nos jornais; opinião pública é o conjunto de opiniões predominantes de uma sociedade. Estas opiniões podem estar em sintonia ou não com o que é publicado nos jornais - este meio de comunicação que ele parece tanto deplorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winston Churchill dizia que não existe opinião pública, e sim opinião publicada. Ótima frase, mas não é bem assim. Há um nítido jogo de interesses em torno da questão. Muitas vezes a opinião da sociedade e dos meios de comunicação andam juntas, outras não. No primeiro caso podemos destacar a instauração do golpe militar em 1964, apoiado pela sociedade, temerosa do "terror comunista", e, também, pela grande imprensa, que não via com bons olhos as inclinações reformistas do governo João Goulart. Jornalistas independentes que ousaram firmar uma posição contrária ao golpe, como Carlos Heitor Cony, ou foram demitidos ou afastados de suas funções. Mas também a opinião pública pode ser contrária àquela dos meios de comunicação, e um exemplo recente é a sempre questionada (pela mídia) ideia de usar o exército para combater o tráfico nas favelas ou "proteger" os morros da violência - atitude apoiada até hoje por grande parte da população. Ou seja, neste caso, opinião pública e jornais estão em lados opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, ao longo das décadas, movidos por interesses vários, os jornais buscaram estar ao lado da opinião pública, considerando-se como seus legítimos representantes na sociedade. Também é verdade que o assédio de grupos variados aos meios de comunicação só cresce, pois todos querem conquistar a visibilidade - essa palavra tão em moda hoje - só amplificada pelo poder da mídia. A opinião pública é algo difuso, não é facilmente reconhecível, o que a leva a ser por vezes vítima de grupos de interesse que buscam sempre manipulá-la conforme seus reais objetivos. Uma opinião pública bem articulada, no entanto, em sintonia com a mídia, é capaz de derrubar até mesmo presidentes da república. Por isso, há que se pensar duas vezes ao condenar a opinião pública, atitude que faltou ao deputado gaúcho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo de Vanderbilt a imprensa ainda se encontrava em processo de modernização, daí uma frase insolente como "o público que se dane" não ter tido grande repercussão à época nem causado grandes danos na imagem do empresário. Mas hoje a internet está servindo para dar mais força à opinião do público que o nobre deputado insistem em se lixar. É como escreveu a jornalista Ruth de Aquino em &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI72093-15665,00.html"&gt;crônica&lt;/a&gt; da revista Época,"Quem tem medo da opinião pública?": "agora entrou no roteiro um novo personagem: o rolo compressor da opinião pública virtual e nacional. Nunca antes na história deste país os leitores comentaram tanto e com tanta agilidade. Nunca antes as críticas foram tão contumazes e abundantes. O povo na rua virtual tem empurrado os políticos a recuar de decisões e pensar rápido - às vezes, a se precipitar, como foi o caso do quase desconhecido Sérgio Moraes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moraes, constantemente reeleito por via de "currais eleitorais" no Sul, acreditou que podia vangloriar-se ao escarnecer da opinião pública. Seu afastamento do papel de relator do Conselho de Ética no caso do "deputado do Castelo" é um indício que a sociedade está mais alerta, mesmo que a cada dia o número de escândalos nos deixe mais e mais indignados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, há ainda muitos vanderbilts e moraes rondando por aí, que não estão ligando a mínima para a opinião pública. Mas pelo menos a maior participação e interação da sociedade nas críticas virtuais (ou não) demonstra que eles devem agora tomar mais cuidado com suas infelizes declarações falastronas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais interação pode significar maior reação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-2562737929886673486?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/2562737929886673486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7066420632203631331&amp;postID=2562737929886673486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2562737929886673486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7066420632203631331/posts/default/2562737929886673486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marginalconservador.blogspot.com/2009/05/de-vanderbilt-moraes-pouca-coisa-mudou.html' title='De Vanderbilt a Moraes, pouca coisa mudou no trato com o público'/><author><name>Rogério Martins</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12077657791067203332</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7066420632203631331.post-407542913906718914</id><published>2009-05-11T19:44:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T20:25:04.554-07:00</updated><title type='text'>O jornalista e seus pseudônimos - parte 2</title><content type='html'>Como vimos, o pseudônimo pode ser escolhido pelo próprio jornalista, assim como pode ser imposto por algum editor, ou também ser um recurso para enfrentar censores e adversários protegido por um nome fictício. Aqui mesmo na blogosfera, há uma infinidade de blogueiros que preferem escrever através de pseudônimos. Que o digam nomes como Gravataí Merengue, Nemo Nox e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zózimo (nome de batismo) deu sorte de possuir um nome "diferente" e que servia para assinar uma coluna social. Já no teatro nomes "comuns" são bastante indesejáveis. Que o digam Ariclenes Venâncio (Lima Duarte), Antonio de Carvalho Barbosa (Tony Ramos) e Arlette Pinheiro da Silva (Fernanda Montenegro). Ou seja, o artista já começa a representar a partir do pseudônimo. Há exemplos também dentro da música popular, é óbvio. Para driblar os censores na época da ditadura militar, Chico Buarque criou a figura de Julinho da Adelaide, que passou a constar como "autor" de músicas em seus discos. Deu tão certo que até hoje há pessoas que confundem quem é quem. Já ouvi mais de uma vez locutoras dessas rádios FMs "adulto contemporâneo" anunciarem: "vocês acabaram de ouvir a música &lt;em&gt;Jorge Maravilha&lt;/em&gt;, de Chico Buarque e Julinho da Adelaide"(!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso de pseudônimos na esfera jornalística sem dúvida já rendeu muitas histórios curiosas. Uma delas foi contada recentemente por Luís Fernando Verissimo, em deliciosa crônica reminiscente de seus primeiros tempos dentro de um jornal ("Eu, repórter"). Segundo o cronista, no começo da carreira, quando faltavam artigos para a página de opinião do jornal &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt;, ele mesmo os escrevia, usando nomes fictícios: "Certa vez dois dos meus pseudõnimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra história, ainda mais divertida. Em recente ciclo de debates sobre Jornalismo Literário no CCBB do Rio, com as presenças de Luiz Carlos Maciel e Matinas Suzuki, Maciel contou que nos anos 1960, na Bahia, ele, Glauber Rocha e João Ubaldo Ribeiro criaram Galileu, um personagem dado a escrever artigos opinativos e provocadores. Galileu (esqueci o sobrenome, mas como é fictício mesmo, vamos adiante) adorava polemizar com intelectuais baianos e até mesmo com outros articulistas do mesmo jornal. Para se ter uma ideia do clima de galhofa, uma vez, Glauber cismou em fazer uma citação do filósofo Hegel, em alemão. Único problema: nenhum dos três falava o idioma. Então, Glauber e Maciel perguntaram a Ubaldo se ele tinha algum livro, texto ou artigo escrito em alemão em casa. "Não tenho!". Disseram então que servia qualquer coisa. Depois de pensar um pouco, João Ubaldo disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até tenho algo escrito em alemão em casa. Mas é o Manual da Wolkswagen...&lt;br /&gt;- Serve!!!, responderam juntos Glauber e Maciel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que a Bahia acordou no dia seguinte com um artigo do polemista Galileu no qual, para variar, esculhambava com a intelectualidade local, citando "Hegel" - na verdade, trechos de um manual alemão ensinando como usar um fusca....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntado se ninguém descobriu a galhofa, Maciel, rindo, disse apenas: "Acho que naquela época ninguém falava alemão na Bahia!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vimos, todos aqueles que já usaram pseudônimos tem uma boa história pra contar. Qual a sua?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7066420632203631331-407542913906718914?l=marginalconservador.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marginalconservador.blogspot.com/feeds/407542913906718914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=70664206322036
