sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Existe amor em SP - Parte 1


Na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível
Como você
E eu
E o céu
("Lá vou eu", Rita Lee)

O dia: sexta-feira, 24 de janeiro, por volta das 22h30. O local: Sesc Vila Mariana, São Paulo. Adentra o palco o músico Curumin. Ele senta num banquinho e segura um violão. Os músicos a sua volta aguardam o momento de acompanhá-lo. Ele dedilha o instrumento, faz uma pequena pausa...aproxima-se do microfone e começa a cantar "Não existe amor em SP". A plateia vibra de satisfação e aplaude. Um arrepio corta a espinha enquanto acompanho o público cantando junto o clássico instantâneo de Criolo. Curumin está acompanhado por um time de músicos e intérpretes de primeira, selecionados pelo produtor Bid em parceria com o Núcleo de Apresentações Artísticas do Sesc Vila Mariana, para comemorar o aniversário de 460 anos da cidade. Para este show, a ideia foi selecionar músicas que representassem a relação do paulistano com sua cidade - uma relação muitas vezes amorosa; outras vezes de ódio.  



Para um carioca de passagem pela cidade, como eu, o roteiro contrastante do show poderia parecer exótico. No Rio, é difícil encontrar alguém que diga "amo e odeio esta cidade com igual intensidade", como muitos paulistas repetem. Mesmo vítima de tantos governantes incompetentes, tendo que aturar o caos no trânsito com as obras para a Copa, o morador do Rio costuma poupar a cidade de tantos dissabores. Claro que há aqueles bairristas, que adoram criticar São Paulo, com a mesma alegação tosca: não tem praia. Sim, não tem praia, mas tem o Museu do Futebol, o Museu da Língua, O Parque do Ibirapuera, 6 mil pizzarias, tem o Masp, a Pinacoteca e muito mais.      



Algumas destas atrações eu pude conferir de perto na semana passada, durante uma breve estada na capital paulista. Eu havia estado em SP algumas vezes na minha infância, em excursões pela finada Soletur, com meus pais e irmãos. Nos divertíamos a valer naquele programa básico: Simba Safari, Cidade das Crianças etc. Minhas lembranças da capital paulista eram muito poucas. Lembro-me de jantar com a família num ótimo restaurante e imagens da cidade à noite. Somente isso. Depois, voltávamos ao hotel, para dormir e seguir viagem no dia seguinte. Com 12 ou 13 anos, eu estava bem mais interessado em me divertir nos parques do que mergulhar na cultura da maior cidade do país.

Também àquela época eu não conhecia muitas das músicas apresentadas no espetáculo do Sesc. Para minha sorte, o tempo passou, a cidade e eu crescemos e, na qualidade de "estrangeiro" em SP, pude aproveitar e cantar junto grande parte das músicas escolhidas, músicas estas que, segundo o programa de divulgação, buscassem "expressar, por meio de um repertório eclético, as contradições da metrópole e os sentimentos provocados em seus habitantes".  



O show começara com a banda de ótimos músicos - a maioria vestindo roupas nas cores branca, vermelho e preto, as mesmas da bandeira do estado - levando um número instrumental de categoria. Há até um DJ no palco, o que sugere um show em sintonia com os novos tempos. Aos poucos cada convidado vais sendo chamado para números individuais ou em dupla. São eles: Monica Salmaso, Paula Lima, Curumin, Edi Rock, Silvio Modesto e integrantes da escola de samba Pérola Negra.

Difícil dizer o momento mais emocionante. Monica Salmaso interpretando "Eugenia", de Adoniram Barbosa ("Venha ver Eugenia, como ficou bonito o viaduto Santa Efigenia") e fazendo todos cantarem juntos "Sampa", de Caetano. Paula Lima, linda, cantando "Do lado direito da rua direita" e levando um rap com Edi Rock. Curumin, além da já citada interpretação de Criolo, ensinando ao público as deixas para a deliciosa canção "Augusta, Angélica e Consolação", de Tom Zé. Silvio Modesto, ritmistas e pastoras levando um samba-enredo da Pérola Negra. Tudo até o final, com todos no palco cantando "Trem das 11", um dos maiores clássicos da MPB.



Não houve bis após o fim do show. Mas nem precisava: a plateia já tinha sido arrebatada desde que Monica Salmaso cantara ""Lá vou eu", de Rita Lee ou Curumin interpretou Itamar Assumpção, outra das infinitas traduções de SP.

Criolo cantou o labirinto místico de sua cidade com um misto de paixão e desilusão. Pois é...na medida do impossível, os paulistanos vão encontrando um jeito de se viver. Pela beleza do espetáculo apresentado, eles estão no caminho certo. Enquanto isso, os grafites gritam: mais amor, por favor.






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cervejas, ame-as ou deixe-as*


Verdade ou lenda? Conta-se que nas últimas décadas do século XIX, um imigrante alemão recém-chegado ao Brasil resolveu abrir um bar no centro do Rio de Janeiro. O homem era um mestre cervejeiro em sua terra, e esperava prosperar por aqui com a bebida. No entanto, nos primeiros dias após abrir seu estabelecimento, teve uma triste constatação. Suas cervejas não dispunham da preferência dos brasileiros e portugueses que ali passavam, que preferiam o vinho. O alemão, um sujeito forte e de grande estatura, teve então uma ideia: mandou um funcionário afixar um cartaz na entrada do bar com a oferta de cerveja grátis, com um pequeno detalhe - era grátis para todos que o ganhassem numa prosaica queda de braço. Rapidamente, a frequência de seu bar aumentou. O esperto alemão ganhava quase todas as disputas, e de vez em quando relaxava o braço para que alguém o ganhasse. Quase sempre o "ganhador" voltava no dia seguinte trazendo amigos, que se tornavam novos fregueses. Aos poucos a frequência do bar foi preferindo a cerveja ao vinho.

Sem o saber, nosso próspero comerciante alemão foi um dos primeiros homens de marketing ligado à cerveja no Brasil. No entanto, se lhe fosse permitido viajar no tempo e chegar a 2013 para uma passeada pelos bares brasileiros, ficaria espantado com a quantidade de apaixonados por cerveja que temos por aqui. e creio que ele adoraria as diversas cervejarias brasileiras que começam a abrir suas portas aos amantes da bebida.      



No sábado passado, estive em Petrópolis, conferindo pela primeira vez a fábrica da Bohemia, e o Museu da Cerveja. Em mais um sábado de calor infernal no Rio, valeu  a pena subir a serra para uma tarde cultural e etílica. No Brasil, estas visitas guiadas em cervejarias são uma atividade recente, feitas com muita propriedade pelo marketing ligado às cervejarias.Sou de um tempo em que as únicas visitas abertas à fábricas de bebidas alcoólicas eram aquelas que tínhamos (e ainda temos, com muito sucesso) pelas vinícolas da região o sul do Brasil. Foi lá, em Bento Gonçalves (ou seria outra cidade?, não me lembro bem), que pela primeira vez ingeri álcool. Eu devia ter entre 13 ou 14 anos. Ainda me recordo dos imensos barris de vinho que nos cercavam enquanto o guia contava histórias sobre o vinho. A cerveja até então era algo "menor", uma bebida mais comum que - pelo menos aqui no Brasil - não parecia digna de merecer uma tour.

Mas os tempos mudaram. As grandes cervejarias viram que valia a pena apostar nessa paixão do brasileiro pela bebida, e começaram a abrir suas portas para receber cada vez mais pessoas dispostas a conhecer um pouco da história, da feitura da bebida e, como não deveria deixar de ser, beber um pouco. E a tendência não é só incrementar o turismo e alavancar as vendas. De um tempo para cá, bares e restaurantes com cartas de cerveja proliferam pelas cidades brasileiras, e aos poucos vai se tornando um hábito comum reunir os amigos para degustar cervejas artesanais de qualidade.

Outro dia, estive na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, para encontrar um amigo que escolheu comemorar seu aniversário numa cervejaria. O local se chama Cerveja Social Clube e, a julgar pela fachada totalmente discreta - nem se preocuparam em colocar o nome do estabelecimento ali - me pareceu que ali se pretende ser um local aberto para iniciados. Um clube de fãs da bebida. E que já possui até site, como diz o folheto que me deram na saída: "Um site com mais de 250 cervejas de várias partes do mundo. Entrega em 48h na cidade do Rio de Janeiro. Copos, acessórios e revistas". Na loja física, há informações sobre degustações guiadas e aulas sobre cerveja, as quais acontecem esporadicamente. Mas peraí: degustações guiadas, aulas de cerveja? Pois é. Vivemos novos tempos etílicos...

O negócio da cerveja parece ser irreversível. Na fábrica da Mistura Clássica, cerveja artesanal de Volta Redonda, que abriu um bar para seus seguidores dentro da fábrica. O bar oferece degustações de seus diversos tipos de cerveja (PIlsen, Ale, Black etc) em minúsculos copos. Feita a degustação, o freguês escolhe sua (s) preferida(s) e pede ela por inteiro numa tulipa.  Mais que uma ocasião para "derrubar cervejas", o que ocorre ali é uma experiência para quem realmente aprecia a bebida.

No ano passado, Aproveitando um feriado em Pedro do Rio, na região de Itaipava, estive com amigos na visita guiada á Itaipava. A visita é com hora marcada e deve ser reservada antecipadamente, de forma um tanto burocrática: nome, cpf e identidade de quem vai, proibido levar crianças, bermudas proibidas etc.  A despeito de todos esses entraves, a visita vale a pena. Guias explicam detalhadamente o processo de formatação da cerveja, Sobretudo ao final, quando do alto do imenso pátio da fábrica, vislumbramos a etapa em que máquinas-robôs engarrafam, selam e empacotam centenas de garrafas da bebida que airá dali para diversos pontos do país.

Se  na fábrica da Itaipava, o processo técnico da feitura da cerveja é o primordial, no fábrica da Bohemia, graças ao Museu da Cerveja, o impacto é bem maior, e cultural. Logo na entrada ficamos sabendo do surgimento da bebida, há milhares de anos no Oriente Médio, e também das lendas que cercaram a bebida e deram-lhe notoriedade, Conhecemos uma profissão de alto nível no Egito antigo: a de provador de cerveja; o legado dos santos católicos da Idade Média que teceram loas à bebida (como Santo Agostinho) assim como o trabalho de monges trapistas que inventaram a fórmula de uma das cervejas mais famosas até hoje. Acompanhamos os percalços e a evolução da bebida do alvorecer da Idade Moderna, passando pelas grandes navegações, o capitalismo e o surgimento da fabricação em série, que tornou a bebida famosa mundialmente. Registrei e compartilho com vocês algumas imagens do local.  











Nos outros andares destinados á visitação, assistimos ao processo de fabricação da bebida, a um filme sobre a criação da fábrica da Bohemia em 1863, e o grand-finale: a degustação da bebida, quando, após um suspense feito pelo guia, uma sala que estava oculta subitamente surge à frente dos visitantes, com direito a serpentina de chope, garçons e o chamado para experimentar a bebida. Difícil, muito difícil resistir.

Enfim, provar, degustar, amar as infinitas cervejas hoje á disposição tornou-se algo definitivamente profissional no Brasil. Quem bebe por prazer agradece. Agora, por favor, com  licença que vou à geladeira buscar minha red ale...  


*inspirado em Paulo Leminski
               

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Walter Mitty, ou a saga do fotojornalismo em revista


Há uma cena bem interessante ainda no começo do filme "A vida secreta de Walter Mitty". Estamos numa grande sala de uma grande revista - a Life - em Nova York. Todos os funcionários estão ali - dentre eles o protagonista, vivido por Ben Stiller -, e todos aguardam uma uma notícia que se revelará ruim para a maioria. Adentra a sala o novo e arrogante "manager" da revista, Ted Hendricks (Adam Scott) e sem demora avisa a todos o motivo da reunião: a edição impressa da lendária revista não circulará mais. Apenas a edição online sobreviverá. Em vista disso haverá corte de custos, começando com os funcionários.

O novo patrão, do alto de sua soberba, diz a todos que o último número deverá ser especial, e para tanto a foto da capa deverá ser aquela escolhida pelo mais famoso fotógrafo da revista, Sean O'Connel (vivido por Sean Penn, um personagem que é uma homenagem do filme a grandes fotógrafos, como Robert Capa). Em um telegrama enviado à revista, O'Connel explica a razão da foto específica: para ele, ela contém a "quintessência da vida". Hendricks, após ler a palavra, parece confuso, e um dos seus assessores o socorre com a definição de quintessência: seria algo que por si só revelasse o essencial, o principal, o último apuramento de determinado artista.

Stiller sente um arrepio. Ele está há 16 anos na revista e é o chefe dos reveladores. Será ele quem terá a importante tarefa de entregar a foto revelada para a publicação especial. Porém, há um problema: a foto escolhida pelo fotógrafo sumiu. Como a edição final está prevista para dali a duas semanas, Stiller parte em uma viagem pelo mundo em busca do fotógrafo para saber o paradeiro da tão especial fotografia.      




(Cabe aqui um parêntesis sobre a Life. A revista, fundada em 1936, fez grande  sucesso nas décadas de 1940 e 1950, quando era semanal e um grande veículo de comunicação de massas. Em 1978, passou a ser mensal e em 2000, após sucessivas crises financeiras, teve sua última edição impressa. Hoje a Life só existe online e vez por outra realiza edições temáticas).

Num tempo de banalização de imagens trazido pela overdose de câmeras e smartphones digitais, onde tudo é motivo para ser fotografado, pode parecer "coisa de cinema" alguém, como Walter Mitty, correr o mundo em busca de uma deteminada foto, aquela que conteria, como no filme, a quintessência de um verdadeiro artista. O lema da Life, escrito pelo fundador da revista, Henry Luce, em 1936, era: "Ver coisas a milhares de distância, coisas escondidas atrás de muros e dentro de quartos, coisas perigosas por vir". É esta mensagem que o fotógrafo escreve no telegrama à Mitty, a quem ele considerava um verdadeiro parceiro profissional, por revelar sempre da melhor maneira seus cliques ao redor do mundo. Houve um tempo, ainda na primeira metade do século XX, antes da televisão e internet, na qual era apenas pelo cinema ou por revistas ilustradas como a Life que as pessoas ficavam conhecendo "coisas a milhares de distância". Na Europa, não se pode esquecer a Paris Match. E no Brasil, tivemos o exemplo de O Cruzeiro, fundada por Assis Chateaubriand em  1928, publicação que revolucionou o fotojornalismo no Brasil a partir dos anos 1940, enquanto surgia por aqui pela primeira vez uma incipiente indústria cultural.

No livro "As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro, 1940/1960", publicado pelo Instituto Moreira Sales, explica-se a razão do sucesso das revistas ilustradas: Na Europa e nos Estados Unidos, o surgimento destas revistas esteve intimamente relacionado aos aperfeiçoamentos tecnológicos, que permitiram a inclusão da fotografia nas páginas dos periódicos, à industrialização da imprensa, à comercialização da notícia e à expansão da publicidade. No Brasil, não seria diferente, mesmo com toda a defasagem nossa em relação às indústrias culturais do exterior. Se no século XIX, quando surge a fotografia, tivemos em grande parte o trabalho de ilustradores que desenhavam por cima de fotografias reais (como no caso da Guerra do Paraguai), devido ao alto custo de imprimir fotos em jornais e revistas, com o avanço da tecnologia nas décadas posteriores tivemos a revista ilustrada como a grande vitrine do fotojornalismo moderno.

Quem viu o filme de Ben Stiller entende porque o fotógrafo vivido por Sean Penn considerava sua arte um trabalho de equipe: era assim em toda a revista Life: "As instruções da Time-Life deixam claro que não bastava ter boas fotos para ter uma boa fotorreportagem, e revela os bastidores de um trabalho de equipe que exigia uma grande articulação entre os participantes (...).Com o surgimento da Life, a fotorreportagem se transformava numa fórmula passível de ser aplicada aos mais variados contextos", ressalta o livro do IMS.



Fica explicado porque os grandes fotógrafos procuram a "quintessência da vida" em imagens reveladoras. São momentos decisivos, como diria Cartier-Bresson, são cliques que de tão impactante nos mostram toda uma era da história, como a menina nua correndo das bombas de napalm no Vietnã, as bombas da Segunda Guerra Mundial, a chegada dos aliados à Normandia pelas lentes de Robert Capa, os índios do Amazonas olhando fascinados para os "pássaros de fogo" (aviões) pelas lentes de Jean Manzon em O Cruzeiro, o incrível périplo de Sebastião Salgado para descobrir e revelar povos ainda sem contato com a civilização em pleno século XXI e muito mais.

A Life foi uma das grandes criadoras do fotojornalismo em revista. Algo que o filme "A vida secreta de Walter Mitty" demonstra de forma brilhante. Não perca. Pra encerrar, deixo o link do site da Life em que eles mostram o trabalho das capas falsas feitas especialmente para o filme. Sim, aquelas capas mostradas nos corredores por onde Stiller e outros personagens circulam são criações da equipe cinematográfica em cima do acervo da própria Life. Divirtam-se.

http://life.time.com/culture/walter-mitty-life-magazine-covers-that-never-were/#1





            





quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Rememorando um velho cartão postal....


Resolução para o Ano Novo: voltar a escrever para o blog. Cumprirei? O tempo dirá.

Ok, eu não vou tentar explicar porque este blog ficou tanto tempo desativado, mas este texto - imperfeito, como verão -, é apenas uma tentativa de voltar a utilizá-lo agora em 2014. Depois de meses sem abri-lo, vi que meu último texto, sobre o cantor Roberto Silva (escrito em janeiro!) recebeu um comentário simpático de alguém que também ama a música escolhida. Isso me faz querer continuar. Sei que devo ter perdido milhares de leitores potenciais (brincadeira...rs), mas o que me faz voltar de verdade é a necessidade de escrever sobre cultura, livros, cinema, música, televisão, quadrinhos, enfim, todo meu universo como jornalista e professor de Comunicação. Se alguém por acaso parar um tempinho que seja por aqui e ler um ou outro texto, já me sentirei recompensado.

Fim de ano é época de planos a serem feitos e rememorar o que fizemos de bom ou ruim. Não é hora de falar do que mais me empolgou (ou não) em 2013 porque isso levaria muito tempo. Vou é compartilhar um momento de minha vida com vocês, de uma época em que eu nem imaginara o que estaria fazendo hoje. Falarei rapidamente de minha viagem aos Estados Unidos, em 1995, através das lembranças que voltam à tona motivadas por um cartão postal. Naquele ano, eu embarcara numa viagem costa a costa pela America através da antiga Soletur, a agência que dava as cartas no turismo brasileiro antes da CVC.

Entre as cidades visitadas, estavam Los Angeles, Las Vegas, São Francisco, Washington, Filadélfia e Nova York. Vinte e um dias desbravando as terras americanas. Minha primeira viagem internacional e um período inesquecível. A imagem que vem a seguir é do Chinese Theatre, próximo à calçada da fama, em Hollywood, Los Angeles. Eu estava há menos de três dias nos Estados Unidos e me hospedara na famosa Sunset Boulevard, uma das mais famosas ruas da cidade e mesmo título de um meus filmes preferidos: "Crepúsculo dos deuses" ("Sunset Boulevard", de Billy Wilder). Eu estava na terra de deuses construídos e das ilusões perdidas.




No dia em que comprei o postal, eu já havia tirado algumas fotos de estrelas da calçada da fama. Na mensagem escrita à minha família, contava-lhes uma história que já havia esquecido:

Este é o Chinese Theatre. Diz a lenda que na data de sua inauguração, choveu o dia inteiro em Los Angeles. A atriz homenageada chegou numa limusine, completamente bêbada. Na entrada, levou um tombo e deixou as mãos marcadas no cimento ainda fresco do teatro. Daquele dia em diante, todo grande astro do cinema deixou seu "autógrafo" no local. 
Como estão todos aí no Brasil? Aqui está tudo ótimo. Um beijo grande para mãe, pai, Nanda, Maurício, Valéria e Luarinha. 

Rogério

Pois é. Eu nem lembrava do conteúdo do cartão, muito menos da tal atriz bêbada que teria inaugurado involuntariamente a tradição de marcar as mãos no cimento ainda fresco - um gesto para a eternidade. Quem seria essa atriz? Talvez tenha sido o guia da excursão que me contou. Seria verdade? Não faço ideia, mas sem dúvida uma história boa demais para não ser contada, e por isso a escrevi no postal. Naquele ano a internet ainda engatinhava e pouca gente no Brasil tinha e-mail ou internet (discada). Blogs como esse? Só nos Estados Unidos, e ainda funcionando como diários íntimos. Hoje um e-mail viaja para qualquer lugar do mundo em questão de minutos ou segundos. O cartão levaria duas semanas para chegar ao Brasil, às vésperas de meu retorno.

Em meados de dezembro último, meu pai, que costuma guardar todas estas memórias familiares, me mostrou novamente o cartão. Ao lado, ele anexou uma foto de Arthur, meu filho com, alguns meses de idade, a qual eu lhe dera de presente em 2005, ano de seu nascimento.

Aquele cartão comprado em minha primeira viagem internacional, mais a foto de meu filho bebê, me comoveram e  me fizeram perguntar a mim mesmo: o que seria de nós sem nossas melhores lembranças? Até quando este espaço virtual guardará a imagem daquele cartão, que em uma tarde de 1995, em, solo americano, eu comprei e enviei à minha família? 

Espero que para sempre.

Desejo a todos um Feliz Ano Novo em um ótimo 2014!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Essa música me lembra uma história - "Jornal da morte", Roberto Silva


Esse é mais um daqueles posts que deveriam ter sido publicados em 2012. Mais precisamente na semana do dia 9 de setembro, data em que faleceu aquele que foi um dos nossos maiores sambistas, o "Príncipe do Samba" Roberto Silva. Roberto foi um grande cantor e um dos pouquíssimos a quem eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. A história eu divido com vocês aqui.

Aconteceu de forma bastante prosaica. Um dia, eu estava o salão de barbeiro, folheando os jornais, à espera de minha vez de cortar os cabelos, quando mal notei a chegada de um senhor bastante alinhado, que cumprimentou os barbeiros e sentou-se. Sua presença teria sido por mim ignorada não fosse o meu barbeiro, que, ao vê-lo, falou: "grande Roberto Silva!". Olhei mais atentamente e o vi. Era ele mesmo, o sambista admirado por ícones como Caetano Veloso, Paulinho da Viola e João Gilberto, sentado pacientemente num banco do salão para cortar o cabelo. Mas antes que eu explique melhor como o conheci, conto primeiro dois momentos especiais nos quais a presença e a música de Roberto Silva me marcaram.

Em 2002, há pouco mais de 10 anos, um espetáculo musical fez muito sucesso no Rio de Janeiro. Intitulava-se "O samba é minha nobreza" e chamava a atenção pelo local onde era encenado (um cinema no Centro do Rio, o tradicional Odeon) e o horário (de segunda à sexta-feira, ao meio dia). Além disso, o preço era por demais convidativo pra quem gostava de samba: apenas 2 reais! Não é preciso dizer que o cinema lotava todos os dias. Era um espetáculo produzido pelo craque Hermínio Belo de Carvalho e contava com um time de respeito de grandes sambistas, como a cantora e pesquisadora Cristina Buarque, Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Mariana Bernardes e Nilze Carvalho. No entanto, uma figura se destacava em especial. Sim, ele mesmo: Roberto Silva, que entrava em cena lá pelo meio do show e encantava a plateia sambando e cantando divinamente. Roberto já tinha mais de 80 anos na época, e foi destaque em diversas coberturas da imprensa por sua desenvoltura no show. Ali, pela primeira vez, vi de perto o grande sambista.

Mais tarde, alguns anos depois, fui conferir no CCBB do Rio uma peça teatral sobre o jornalismo dos anos 1950, da qual não me lembro bem o nome, creio que era "Notícias populares". O texto trazia um interessante contraponto entre um jornal popular e sensacionalista e outro mais político. O que me marcou foi logo no começo, quando após ser dada a notícia da morte de uma dama da sociedade, ecoava pelos alto-falantes o samba "Jornal da morte", sucesso de Roberto Silva dos anos 60, cujo verso do letrista (e grande cronista social da música) Miguel Gustavo - "espreme que sai sangue" - inspirou até o título de uma dissertação de mestrado (e depois livro) sobre o sensacionalismo na imprensa.

Jornal Da Morte
Roberto Silva, Miguel Gustavo

Vejam só esse jornal, é o maior hospital,
porta-voz do bang-bang, e da policia central...
Treslocada, semi-nua, jogou-se do oitavo andar,
porque o noivo não comprava maconha pra ela fumar.
sangue, sangue, sangue...

Um escândalo amoroso com as fotos do casal,
um bicheiro assassinado em decúbito dorsal,
cada página é um tiro, um homem caiu no mangue,
só falta alguém espremer o jornal pra sair sangue,
sangue,sangue, sangue....


Foi amor à primeira audição. A música era uma crônica que mesclava manchetes de jornais populares e jargões utilizados pelos jornalistas da época, os famosos lugares-comuns tão abominados pelos cultores da objetividade jornalística. Eu mesmo, que nem era nascido em 1961, quando o samba foi lançado, perdi a conta de quantas vezes li em jornais ou ouvi no rádio que alguém tinha sido encontrado morto em "decúbito dorsal"...parecia que ficava mais bonito o sujeito morrer em decúbito dorsal do que...ora, de bruços mesmo (nada impactante para um jornal sensacionalista).

A música casava bem com o espírito da peça. Havia um diálogo hilário entre um jornalista do jornal popular e um outro, do jornal mais "sério", cujo dono era nitidamente inspirado em Carlos Lacerda. Em determinada cena, alguém perguntava aos dois:

- Pra vocês, o que é o melhor para se fazer um bom jornal?
- Procurar a verdade custe o que custar, isenção e objetividade. (jornalista "sério")
- Sexo, macumba e violência (jornalista "popular")

Aos alunos de comunicação que eventualmente param por aqui, essa é pra vocês...



Dali em diante, sempre que ouvia algum samba de Roberto Silva, parava para escutar. Mal sabia que na virada do milênio, iria conhecê-lo mais de perto. Morador de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, Roberto Silva cortava o cabelo mensalmente no mesmo salão em que eu também frequentava, em Olaria. Naquele dia em que eu primeiramente o vi, não tive coragem de me apresentar. Em outra ocasião, comentei com meu barbeiro que o admirava muito, e contei a história do show no cinema, em 1992.

Meu barbeiro deve ter guardado o que lhe contara, pois algum tempo depois eu estava na cadeira de barbeiro quando Roberto Silva entrou, sentou e começou a conversar. Meu barbeiro falou que o conhecia, e me apresentou a Roberto, que apertou minha mão com um grande sorriso. Naquele dia, uma manhã especial no subúrbio carioca, Roberto sentou no banco e, enquanto esperava sua vez de cortar os cabelos, contou-nos várias histórias de seu tempo, e ele tinha muitas...

Infelizmente aquela foi a primeira e última vez em que o vi. Depois desse dia, toda vez que ia ao barbeiro, torcia para encontrá-lo, mas não tive sorte. "Ele esteve aqui ontem", me diziam; "Deu azar", falavam.

Pouco antes de morrer, segundo me contaram no salão, Roberto andava meio melancólico. Um grande amigo morrera, e ele aparecera no salão abatido. "Estão todos indo...só me resta ir também", dizia. Quem me contou foi meu barbeiro, pouco depois de sua morte. Lembramos do grande cantor e eu recordei ali de um fato que lera no jornal. Dois ou três dias antes de falecer, já bem doente, reuniu os familiares na sua casa e ali, sutilmente, se despediu de todos.

Grande Roberto...até na morte ele foi elegante. Merecia de fato o título de "príncipe do samba".


*Em tempo: "jornal da morte", o samba que motivou este post, foi gravado recentemente pelo Casuarina e também pelo Nação Zumbi, provando a muitos que vale a pena ouvir sempre Roberto Silva. Procurem no Youtube.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Uma ou duas coisas sobre os recadinhos deixados nas provas...

Ah, as férias! Época de se desligar do trabalho e aproveitar bons momentos juntos à família, filho, namorada, amigos etc. No entanto, há aqueles dias em que você se vê preso dentro de casa, pois estamos no meio da semana e lá fora cai uma baita pancada de chuva, dessas típicas do verão. É quando lembro que há muitas coisas a serem arrumadas dentro de casa. Um sem-número de papéis que já deveriam estar no lixo, recortes feitos durante o ano que devem ser catalogados, livros e CDs novos que por falta de tempo não mereceram um lugar na estante própria e muito mais. Pensando bem, é trabalho para mais de uma tarde de verão.

Começo pelas pastas com as disciplinas que leciono. Passo a vista em algumas provas aplicadas e lembro de dezembro, a temporada das provas finais. Curiosamente, é a época na qual vários alunos, no afã de conseguir um boa nota e passar de ano, deixam nas provas (às vezes no verso, às vezes no rodapé), recadinhos para o professor. Pois bem: selecionei alguns destes originalíssimos "recados de fim de prova" e ao fim deu para elaborar alguns perfis típicos. Entre estes estão...


- a fofa: a aluna que desenha uma carinha feliz na prova antes de entregar ao professor. Quando a prova é péssima, dá vontade de desenhar uma outra carinha...desta vez, nervosa.

- o desleixado: o aluno que rasura uma questão quase inteira e escreve: "Desculpe pela rasura, professor...a letra certa que eu queria marcar é a A".

- a puxa-saco: "Querido professor, espero que o senhor corrija minha prova com o mesmo carinho com que eu a fiz (muito!). Obrigada, beijos e Feliz Natal! De sua aluna querida, Vitória" Em volta da mensagem, coraçõezinhos.

- a bajuladora: "Professor, o senhor sabe que TE AMO, né mesmo? rs. Corrija com carinho e um ÓTIMO Natal"

- o prático (e confiante): "Professor, corrija tranquilo, preciso tirar 4 pra passar, espero ter mandado bem. Abraço"

- a religiosa: "Professor, o senhor tem Jesus no coração? Se tem, então corrija com muito carinho a minha prova, tá bom?

Esta última acabou realizando uma prova ruim. Como resposta ao recadinho, pensei em respondê-la desta forma: "Sim, querida, eu realmente tenho Jesus no coração! Tanto é verdade que o consultei antes de dar a sua nota, e ele, após checar a prova, me respondeu que para tirar uma boa nota você deveria não só orar, como também estudar". Porém, acabei desistindo da ideia, ao lembrar que certos alunos desconhecem o alcance de uma ironia... Bem, dá pra ver que depois desses recadinhos pra lá de agradáveis, o que eu mais preciso por enquanto é continuar de férias...até o próximo post.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013!! A minha lista

Eu bem sei que muitos não lerão esta última postagem de 2012 neste tão inconstante blog. Afinal, foram vários (sete!) meses sem postagem alguma, o que fere um dos postulados básicos de quem deseja ser lido: a periodicidade. Tudo bem que houve o período de trabalho, para preparar aulas e lecionar na faculdade. Houve também a viagem à Europa nas férias de julho - a qual, embora riqúíssima culturalmente,  infelizmente ainda não mereceu um únco post por aqui. Eu poderia dar vários motivos para não ter escrito regularmente neste blog, mas não vou chateá-los com eles. O que me impulsiona a voltar a escrever mesmo neste calor infernal é que pude constatar que vários dos posts aqui publicados foram lidos. Alguns mereceram comentários, até. Então, vou em frente. O importante é que vem chegando um novo ano, e como tal data inspira novos desejos, o plano é de publicar mais em 2013, postando a princípio quatro posts por mês (pelo menos um por semana, como já fiz um dia), e continuar levando aos leitores um pouco de meus comentários e impressões sobre o mundo da comunicação e cultura.

Por hora deixo um balanço do que achei de mais interessante neste ano de 2013 no campo da cultura e que vale a pena compartilhar com vocês.

Nos livros, li durante as férias de julho um romance imperdível sobre jornalismo e jornalistas. Trata-se de "Os imperfeccionistas", de Tom Rachman. O autor é inglês, ex-repórter e sabe do que está falando. Rachman descreve os últimos dias de um jornal impresso sediado em Roma e escolhe cada capítulo para um personagem da redação em particular. Há o correspondente internacional que tenta cavar uma matéria por vias não muito éticas em Paris; há o hilário caso do repórter inexperiente que é constantemente passado para trás por outro jornalista interessado em seu cargo, uma "cobra criada" típica; temos a jornalista de economia workaholic e carente que se apaixona por um malandro italiano; o editor que tem prazer em humilhar na redação os reponsáveis por títulos ridículos ou demais erros na redação das matérias etc. Enfim, um mosaico de uma típica turma de jornalistas que poderia estar em qualquer canto do planeta...



No cinema, infelizmente perdi o Festival do Rio e muitos dos títulos ali exibidos, os quais só agora me encontro correndo atrás para conferir. Mas creio que os melhores estiveram ainda no primeiro semestre, entre eles dois que devo citar: a ousadia de "O artista", mudo e em preto e branco, que levou o Oscar de melhor filme; e "A invenção de Hugo Cabret", de Scorcese. Ambos são emocionantes e belíssimas homenagens ao cinema dos primeiros tempos. Não só os recomendo como tive a oportunidade de mostrar uma sequência de "O artista" para meus alunos de História da Comunicação, quando falava sobre a passagem do cinema mudo para o sonoro, tema principal do filme. Mas talvez o melhor filme do ano tenha sido o iraniano "A separação". Um roteiro sensacional, muito bem conduzido e interpretado. Daqueles poucos filmes que a gente sai do cinema disposto a conversar horas sobre ele. Na safra de filmes de super-heróis, o último Batman foi melhor que os Vingadores, fechando muito bem a trilogia; e dentre os meus cult movies do ano (meu deus, há quanto tempo não uso essa palavra!) está com certeza "As vantagens de ser invisível", ótimo drama adolescente com deliciosa trilha sonora oitentista. Quem é tímido e não era popular na escola com certeza se identificará com o personagem principal.
http://youtu.be/IWuVzxH3WeY No teatro, outro ponto cultural o qual fui pouco, gostei muito de duas peças: "O deus da carnificina" (que também virou um bom filme, do Polanski) e "À primeira vista". Ótimos atores a serviço de ótimos textos. A emoção maior, contudo, foi acompanhar a peça sobre as canções de Milton Nascimento, "Nada será como antes", no Teatrro Net, em outubro. Um espetáculo sensacional com canções maravilhosas.

Música? Confesso que estive acompanhando pouco os lançamentos e mergulhado em velharias pop, tanto em CDs como em vinil. Nos CDs, atualizei minha coleção de GIlberto Gil com os disquinhos do mestre lançados em bancas de jornal, local no qual encontrei também álbuns clássicos de Milton Nascimento, como o "Clube da Esquina 2", há muito tempo acalentado, só agora comprado. A volta gradual dos vinis - objeto pelo qual tenho verdadeiro fetiche - foi uma grande alegria. Foi ótimo sair de sebos (ou grandes casas do ramo, no caso europeu) na companhia de artistas como Van Morrison,  Frank Sinatra, John Coltrane, Jeff Buckley, Serge Gaisnbourg, Neil Young, Elvis Costello e vários outros que só enriqueceram minha coleção. Como diria o protagonista de "Alta fidelidade", há poucas coisas tão boas como ficar em casa acompanhado de sua coleção de discos.

No entanto, acompanhei de longe o estouro do tecnobrega aqui no sudeste, em particular a poderosa Gaby Amarantos. Ouvi muito o CD do grupo "Do amor", o trabalho solo de Jack White, "Blunderbuss" e estou no aguardo para comprar o "Abraçaço" de Caetano, além de "Chanel Orange", de Frank Ocean, dois
destaques de 2012.

No rádio, a melhor notícia foi a volta do programa Ronca Ronca, de Maurício Valadares, na Oi FM, agora somente em versão digital. Na boa, foi o melhor presente de Natal que eu poderia ter recebido. Acompanhei o programa em suas variadas encarnações desde os longínqüos anos 80, ainda na Fluminense FM, quando se chamava "Rock Alive". E fico na espera de que Maurício ainda comande muitos outros anos de rádio e boa música.

Pra fechar, a área de shows, outra da qual estive pouco presente, mas que não poderia deixar de citar por um evento bastante especial: o show de Moraes Moreira e seu filho Davi Moraes no Circo Voador no qual tocaram na íntegra o maravilhoso repertório de "Acabou chorare", disco que fez 40 anos em 2012 e que já mereceu postagem aqui mesmo em fevereiro. Um daqueles momentos para não se esquecer: Moraes começando o show contando em forma de cordel a história dos Novos Baianos em meio a ditadura dos anos 70 . Uma ótima banda. Davi emulando Pepeu de forma sensacional e todo o público - até quem viria a nascer bem depois do lançamento do disco - cantando junto todo o repertório do álbum. (Pensando bem, nem tudo está perdido...).

Enfim, uma noite especial. Reflexo de um ano também especial. Que venha 2013. Um feliz ano novo a todos!